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Luiz Zanin

23.fevereiro.2007 17:22:58

Independência ou Morte: filme patriótico?

Com a morte recente de Carlos Coimbra reabriu-se o “caso” Independência ou Morte. O filme, lançado no ano do sesquicentenário da Independência, foi tido, em alguns setores, como uma espécie de obra oficial do regime: leia-se, da ditadura de Emilio Garrastazu Médici. Hoje, o romancista Ignácio de Loyola Brandão, em sua coluna do Caderno 2, desagrava a memória de Coimbra, evocando o episódio.

Transcrevo: “Lembro-me quando foi lançado Independência ou Morte e ele (Coimbra) foi criticado como um homem a serviço da ditadura, por causa do ‘patriotismo’ que, dizem, ele pregava. Tolices da época. Quem viu o filme sem isenção sabe que não era patriotismo coisa nenhuma, era apenas um filme histórico destinado a contar uma história com personagens curiosos como dom Pedro I, um conquistador inveterado, a marquesa de Santos, o Chalaça e outros. O público gostou, compareceu.”

Há pouco recebi um e-mail do produtor e cineasta Anibal Massaini Neto, filho de Oswaldo Massaini que, na época (1972, produziu o filme de Coimbra por sua empresa, a Cinedistri, hoje comandada por Anibal. A título de esclarecimento: o público de Independência ou Morte foi de 2.975.476 espectadores, segundo dados da Embrafilme (História do Cinema Brasileiro, Fernão Ramos (org.), pág. 418)

Prezado Zanin,
Fiquei muito sensibilizado com o artigo do Loyola – O Homem que amava cinema”, publicado hoje no Estadão, a respeito do Coimbra.
Ele faz o reconhecimento de uma verdade, que infelizmente, nós e o Coimbra, sempre tivemos que contestar junto àqueles que, injustamente, nos imputavam em suas escritas.

Independência ou Morte, foi uma iniciativa nossa, produzido integralmente com recursos próprios e nunca submetido a qualquer crivo, análise, sugestão ou imposição.

Esclareço-lhe, que o filme foi sim um enorme sucesso de público, no mesmo nível dos recordistas, e é, disparado, o filme brasileiro de maior público em televisão, em razão de suas incontáveis exibições e dos expressivos índices de audiência que sempre obtém.

Como sempre acontece, todos os Presidentes querem sempre recepcionar os vencedores de todas as atividades. Com Independência ou Morte, não foi diferente, até porque, de fato, aquele Governo nada fez de expressivo para as comemorações da nossa independência e pegou carona com o filme.
Sei que ele gostaria que isso fosse escrito, por ele, ou pelo meu pai, ou por mim.
Abraços
Anibal Massaini Neto

comentários (10) | comente

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10 Comentários Comente também
  • 23/02/2007 - 20:21
    Enviado por: Miguel Lenz

    Foi um filme de sucesso, sim. Recordo-me bem. Todavia, não descartava um viés ideológico, próprio da época, onde agradar os militares sempre “caia bem” para qualquer um .Além disso, rezava sempre pela cartilha oficial e pela História contada pelos vencedores. Nele não existia uma análise mais crítica de todo processo de independência do Brasil e também dos fatores que a geraram, além da subserviência de D.Pedro I aos portugueses, parecendo que a “tal de Independência” foi somente um episódio para inglês ver.

    Na época, muitos contestadores do regime estavam na cadeia e eram perseguidos, assim, o clima de medo tomava conta de tudo, inclusive o mundo das artes.Ora, um filme que erstimulasse o patriotismo dos brasileiros viria bem a calhar e seria bem aceito pelo status dominante naques dias nebulosos

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  • 24/02/2007 - 18:43
    Enviado por: Cláudia

    Sesquicentenário da República??

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  • 24/02/2007 - 18:46
    Enviado por: Cláudia

    E esse negócio de estar a serviço da ditadura é pura bobagem mesmo. Não diziam que a Embrafilme era um núcleo do PC do B? Aliás, o próprio Coimbra não era do Partido?

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  • 24/02/2007 - 21:46
    Enviado por: luizanin

    Da Independência, anta!# Obrigado, Claudia, já corrigi.

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  • 15/05/2008 - 14:00
    Enviado por: fernando fernandes filho

    “Independência ou Morte” foi um filme que marcou minha juventude. E eram os jovens adolescentes seu maior e pretenso público. Ainda hoje assisto este filme como recordação da minha jovem idade. Embora hoje a “história da Independência” evidencie muitas verdades que não eram contadas no passado, não vi nem vejo hoje nenhuma intenção do filme em massificar um pensamento ou de fazer apologia a um regime autoritário. Determinados críticos e cineastas frustados deveriam produzir ao invés de atirarem pedra no trabalho alheio.

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  • 21/11/2008 - 09:23
    Enviado por: Murillo Nascimento

    Olá Zanin,
    esse foi o unico meio que encontrei para falar com você. No texto acima você cita que recebeu um email do Anibal. Estou produzindo um documentario sobre o cinema na Boca do Lixo, e ele é uma das minhas principais fontes, mas não consigo o contato dele. Será que você pode me passar o email dele?
    abs.

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  • 18/02/2009 - 16:34
    Enviado por: Tuka

    Gente, este filme é maravilhoso.Elenco Impecável.Produção magistral.
    Gostaria de tê-lo em meu acervo.
    Onde posso comprar esta raridade, em DVD, alguém poderia me informar?

    Agradeço atenção de todos.
    Abraço

    Tuka

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  • 18/08/2009 - 23:14
    Enviado por: Argene

    oi, boa noite!

    gostaria de saber onde vende o filme Independência ou Morte, pois procuro e não encontro em lugar nenhum.

    Aguardo breve retrno!

    Argene

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  • 19/09/2009 - 18:21
    Enviado por: Izabel maria gaffo

    Gostaria de saber aonde comprar o filme;aonde o acho?obrigada

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  • 15/11/2009 - 08:30
    Enviado por: Diego?

    Olhem bem…
    Talvez até não tenha sido produzido sob demanda dos generais da ditadura. Mas o fato de ter servido muito bem aos interesses do governo, não nos isenta de pensar criticamente nos significados do filme para aquele contexto.
    Juntamente com a obra de Pedro Américo foi um dos principais meios para consolidação de uma memoria oficial que torna estranha tanto as lutas do processo de independência, bem como da heroicização do personagem Dom Pedro I de forma bastante questionável…

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