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Diário de Veneza 2014 – Metamorfoses

Luiz Zanin

quarta-feira 27/08/14

VENEZA – Bem, cá estou para mais um festival no Lido. A mostra, propriamente dita, isto é, a competitiva, começa hoje, com Birdman, de Alejandro González Iñarrítu. Mas ontem já houve o que se poderia chamar de prévia, ou aperitivo. Uma sessão de Maciste, de 1916, na seção de clássicos recuperados. E alguns filmes da Giornate degli Autori, uma paralela.

Entre eles, Metamorfoses, de Christophe Honoré, um aggionamento do poema de Ovídio. Não se pode dizer que seja ruim (embora muita gente tenha saído da sessão com impaciência), mas é difícil afirmar o contrário, que seja encantador. Sensual, às vezes engraçado e satírico, com belas imagens e gente muito jovem e bonita interpretando Júpiter, Narciso, Eros e outros personagens do mito grego, Metamorfose é mais tedioso que instigante.

Não se pode dizer que tenha conseguido imergir no mito, como fazia, por exemplo, com toda a magia, Pier Paolo Pasolini (sobre quem se falará muito por aqui em razão do filme de Abel Ferrara). Honoré parece plugado demais no contemporâneo para fazer a pajelança com o intemporal. Em termos plásticos, Metamorfoses é belo. Não nos atinge.

O diretor disse que precisamos rever a Grécia clássica, pois agora, sempre que se fala nesse país, nos vem à mente a palavra crise. Concordo. Devemos tudo aos gregos. Da filosofia ao idioma, passando pela mitologia. Devemos a eles até mesmo a palavra “crise”.