A morte de qualquer ser humano nos comove, nos enche de piedade (e, por que não dizer?, de temor). Mas tirando esse aspecto humanitário, devemos, por isso, mistificar obras que não admiramos?
Digo isso depois de ter escutado na Rádio Bandeirantes, pela manhã, uma espécie de desabafo dos locutores, afirmando que deveríamos respeitar todo mundo que faz sucesso, sem qualquer crítica. Porque, se eles têm êxito, se dizem alguma coisa a milhões de pessoas, é porque têm alguma coisa diferente. Ninguém faz sucesso por acaso. E Wando fez sucesso, como outros fizeram e fazem.
Isso faz com que a obra deles tenha qualidade intrínseca? Não sei. Sei que a fala dos radialistas me parece típica de certo antiintelectualismo à brasileira. Segundo esse “filosofia”, se alguém fala mal da obra de quem vende muito, o faz por despeito. Ou porque, na infeliz (mas muito boa) frase de Tom Jobim, no Brasil não se perdoa o sucesso. Dessa maneira, os críticos são considerados chatos, ou recalcados, ou uma elite intelectual, dona do juízo estético da humanidade.
Já pensaram se fôssemos nos pautar por esse tipo de opinião mediana? Bastou ter sucesso e pronto. O Tiririca seria o máximo. O BBB, o melhor programa do mundo. O Faustão, um gênio. Os maiores sucessos do cinema brasileiro atual, as comédias televisivas, todas obras primas, porque mimetizam a estética da emissora de maior audiência (e portanto a melhor emissora). Os filmões de Hollywood, com seus astros e estrelas mirabolantes, seriam verdadeiros pilares da cultura ocidental, e assim por diante.
Será que esse tipo de populismo acrítico resolve tudo e responde a todas as questões? Fez sucesso, acabou, não se discute?
A resposta é sua, leitor.
Zanin,
Tive este mesmo sentimento ao ouvir os comentários sobre a morte do Wando.
A maioria dos comentaristas veio com este mesmo chavão: “se agrada a tantos, deve ter muita coisa boa. Falar mal é coisa de gente metida a intelectual.”
Concordo plenamente com voce e por isso posso dizer: não gostava e continuo não gostando do Wando.
A morte de Wando e de qualquer um que faz sucesso não é aval para a qualificação de seu trabalho, como bom. Não gosto da música de Wando, como não gosto da música de Teló, nem do BBB, nem de livros do Chalita, Zímbia Gaspareto, Paulo Coelhe e outras coisas mais que estão bombando (termo mais chulo) por aí, fazendo sucesso. Tudo no Brasil passa por um sentimentalismo barato e empobrecedor. A entrevista de Olgária Matos joga uma luz sobre aspectos da nossa (in)cultura. E não estou falando de papo cabeça. Precisamos deixar de lado a crença de “quem chegou lá” é bom! Nem sempre. Vender muito não é sinal de qualidade.
Concordo com você Luiz Zanin, sobre ser muito rasa essa “filosofia” de que se alguém fala mal da obra de quem vende muito, o faz por despeito. A crítica vai ser sempre considerada chata, mas quando bem feita é saudável para mentes e almas. Quanto mais mal educada a população, mais medíocre olhar sobre a arte. Esses clichês ditados por radialistas e descritos tão elegantemente por você, são realmente uma lástima e em nada contribuem para o engrandecimento intelectual do país. Mas aí o buraco é grande, falta educação para olhar, para as artes.
Hoje vivemos tempos de patrulha ao contrário. Nos tempos áureos de Caetano, tínhamos a “Patrulha Odara”, levada a cabo pelos que cobravam que o cantor baiano fizesse uma música engajada, de conformidade com o tom da época (anos de chumbo). Hoje temos a “Patrulha Alienada”, que defende ardorosamente as crias mais medíocres da indústria cultural, tipo sertanojos, Telós etc. Falar contra é “ser invejoso”, “despeitado”, ou qualquer desses chavões que servem de escudo a quem é incapaz de reconhecer a natureza real desses gêneros musicais.
O problema aí é um só: medo da crítica. É óbvio que nem tudo que faz sucesso tem qualidade. Como é óbvio que a indústria cultural busca forjar produtos que atinjam o máximo de pessoas. Cultura, seja em que nível for, também é mercado. Comparativamente, Shakespeare é literatura refinada para quem quer ler e conhecer algo, e não apenas se divertir. Idem um Roberto Bolaño. Já um Harold Robbins escrevia para as massas que só queriam se distrair, sem se aprofundar. Existem produtos culturais descartáveis e outros para participar da formação do indivíduo.
No entanto, considero que Wando não pode ser colocado no nível de Teló e sertanojos, que compõem o que há de mais baixo (junto com funk e axé) na música brasileira. Ele é realmente popular, não num nível musicalmente mais elaborado -como Luiz Gonzaga-, mas num gênero burlesco que fala de cornos, paixões sem pudores etc. etc. Enfim, tem sua autenticidade, seu público, que existiria independente da indústria cultural. Para mim é um lixo. Mas com certeza tem seu público, seja na zona, em botecos de 5a categoria etc.
O Wando tinha uma música simples, sentimentalóide e que cumpria seu papel.
Qualquer um tem o direito de não gostar do Wando, o que não tira a legitimidade do sucesso dele. Sua obra jamais será reconhecida como de alto valor mas nem só os eruditos apreciam música de forma sincera.
E ele era boa gente, simples, também.
Sobre o populismo em si, fico mesmo com a máxima: fez sucesso, não presta. É lógico, o público não é preparado, a mídia faz questão de manter a alienação pra facilitar exatamente a manipulação. Então, esse público só pode eleger e se sentir à vontade no medíocre, no sistemático, no previsível, no descartável.
Fez Sucesso? Parabéns. E discuta quem por ele se interessar.
Wando é autor de ao menos três ou quatro grandes canções, que fizeram história na MPB e se tornaram clássicas – muito bem contruídas, por sinal, musicalmente falando. Tem muito compositor badalado que adoraria ter ao menos uma… Abraço Marcelo
Quem fala “se fez sucesso é porque é bom” desconhece ou finge desconhecer as manipulações existentes no meio. Talvez não saiba que a maioria das músicas que vão “bombar” nas rádios do País é decidida antecipadamente num “petit comitê” de produtores, cuja decisão é verticalizada via jabaculê.
Ou então acredita que compositores como Egberto Gismonti e Sérgio Ricardo( por exemplo) não são bons por não fazerem sucesso entre as grandes massas.
Quanto ao Wando, eu gostava dele porque era bem humorado. Pelo menos, em público. A música dele… deixa pra lá.
Arnaldo Bloch mandou essa: “Dizer que só o gosto das massas é nobre e que
a sofisticação é formalismo de elite equivale a perseguir
o refinamento, tornar o intelectual um pária,
um degenerado, um hermético, inimigo do entendimento.
A ideia de que a força está com a maioria fez
sucesso tanto nos colossos de esquerda quanto nos
populismos totalitários de extrema direita”.
PS. O texto é sobre Chico Buarque.
O problema maior q está sendo no Maranhão,é a tal de Compra Premiada q tdos os dia agente ver absurdos de comentarios falando em calote por cima de calote,e nada da justiça fazer PORRA NEM UMA.
Quanto a Compra Premiasa Eletroforte,está devendo aos as seus consorciados mais de 25 milhões de reais. e pra completar ainda o FURU, está sendo repassada pra uns picaretas golpista de Pinheiro-Ma.
oq vcs me dizemmmmmm????????????????????
Wando fez tudo o que precizava-mos escutar para morrer-mos de paixão.Eu custumo diser que ele foi feito o vinho,quanto mais ficou velho mais ficou gostoso. E não diria ficou velho e sim que adiquiriu experiencias e das boas adoro ele e sempre vou ama-lo.
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