1. Usuário
Assine o Estadão
assine

Cronistas

Luiz Zanin

quarta-feira 16/05/07

Dois comentaristas do blog iniciaram um diálogo sobre cronistas. Dou meu pitaco sobre esse gênero que, dizem, é tipicamente brasileiro. Rubem Braga é considerado o mestre dos mestres. De fato, seu lirismo nunca piegas e a maneira como busca a epifania do cotidiano é única. Braga é um clássico. Li muita crônica de craques como [...]

Dois comentaristas do blog iniciaram um diálogo sobre cronistas. Dou meu pitaco sobre esse gênero que, dizem, é tipicamente brasileiro. Rubem Braga é considerado o mestre dos mestres. De fato, seu lirismo nunca piegas e a maneira como busca a epifania do cotidiano é única. Braga é um clássico. Li muita crônica de craques como Drummond e Clarice Lispector. O exercício da crônica, hoje, tem me parecido muito preso ao dia a dia, quase se confundindo com o comentário político, como se os cronistas entendessem que seu dever de ofício é destilar fel e malhar o governo de plantão – e nada mais. Falta transcendência, humor, aquela centelha de inteligência que leva o olhar além do senso comum. Mas é um gênero que me agrada e sempre começo a ler as crônicas dos vários jornais, mesmo que raramente consiga ir até o fim dos textos. Muitos são bons, como disse, mas na minha maneira de ver existe hoje em dia apenas um mestre do texto curto, um prodígio de síntese e inteligência, que atende pelo nome de Luis Fernando Verissimo. Para mim, é o grande cronista do presente.