A Libertadores da América, que já havia começado para três times brasileiros, inicia esta semana para os paulistas, e também para o Flamengo. Dos três, em aparência, é o Corinthians que chega em melhores condições, como se tem visto por seus últimos jogos – e também se observou no clássico contra o São Paulo. É o time mais equilibrado entre todos. O Flamengo, para falar a verdade, é uma incógnita. No domingo parecia apenas alegria, com Joel no banco e a estreia de Vagner Love. Mas é time bipolar, para usar a terminologia da hora. Capaz de alternar euforia e depressão em instantes.
Já o time de Tite é um relógio de boa marca. Joga da mesma maneira, faça chuva ou faça sol. Pratica o idêntico estilo que lhe deu o título de campeão brasileiro no ano passado. Tem a defesa menos vazada do Paulistão, meio de campo sólido e ataque que, se não chega a empolgar, também não deixa de fazer seus golzinhos para conseguir as vitórias. É um time que sabe o que quer. Não encanta, porém é confiável.
A grande incógnita em relação ao Corinthians é de ordem psicológica. Até onde ele se deixará influenciar pela Síndrome da Libertadores? Ou seja, pelo fato de nunca haver vencido o torneio continental e ter sido desclassificado em duas situações traumáticas, contra o River Plate e contra o Tolima? Talvez tenha, sob a direção de Tite, aprendido na dor que uma derrota, por contundente que seja, nunca é definitiva. Há sempre um outro jogo a nos aguardar mais adiante. Outro ponto, fundamental, e este ainda por ser testado, é ver se a obsessão pela Libertadores pode atrapalhar o equilíbrio de time tão senhor de si. Pode acontecer. Quando se transforma alguma coisa em obsessão, às vezes é mais difícil conquistá-la. Por quê? Por uma razão muito simples – porque o emocional começa a pesar demais. Para o Corinthians, a melhor maneira de disputar a Libertadores seria simplesmente jogar como vem fazendo. De maneira simples, solidária e prática. A conquista, se for o caso, virá da aplicação normal de uma filosofia de jogo, essa mesma que vem dando certo. Tem de vir com naturalidade.
Neymar. Já o caso do Santos é bem diferente. É o atual campeão, disputa seu quarto título. Não tem uma equipe tão equilibrada quanto a do Corinthians, mas conta com seus pontos fortes. Aliás, tem um ponto forte, que é Neymar, o garoto que pode desequilibrar qualquer jogo (mas colocar tanta responsabilidade nas costas de um rapaz de 20 anos pode ser uma temeridade). A defesa é fraca e Ganso, uma incógnita. A pressão – se ela existe – reside no fato de ser o ano do centenário, quando mais uma conquista de Libertadores teria alto peso simbólico.
O caso, para o Santos, é saber se a sova levada do Barcelona no Mundial já foi assimilada ou ainda tem alguma influência negativa sobre a autoconfiança do time. A meu ver, são águas passadas. A rotina dos jogos já se impôs e algumas vitórias fáceis no Paulistão podem ter funcionado com cicatrizantes da ferida. É o que se verá amanhã contra The Strongest que, de forte, tem mesmo é a altitude de La Paz. E só.
* Coluna Boleiros, publicada hoje no Caderno de Esportes do Estadão
Torcedor do Corinthians, não faria melhor análise que esta em seu artigo sobre a Libertadores. No caso particular do Timão, também acho isso: se jogar se essa pressão criada pela mídia, torcedores mais doentes, pode até conquistar o título tão sonhado. Porém, não vou dar um braço pela conquista. Quantos times existem no mundo e não conquistam títulos de expressão e nem por isso seus torcedores deixam de amar suas cores, seus escudos. Certamente, a nação corintiana, não deixará de ser esse bando de loucos com mais uma ou diversas frustrações. Estou entre esses que não morrem de ódio pela falta da conquista. Se vier, vai ser uma grande alegria, que dias depois será superada por uma nova jornada que se inicia. E estamos conversados.
Abraço Zanin, agora vou ver seus posts de cinema.
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