Luiz Zanin

30.junho.2009 16:37:41

Pina Bausch

Há uma superstição de jornal que diz que, quando começam as mortes, elas não param mais. Agora foi Pina Bausch que se foi, de repente, com 68 anos. Sei da carreira da bailarina e coreógrafa genial, e fiquei contente ao aprender que seu último trabalho foi inspirado no Chile e – tenho a impressão – particularmente na tragédia representada pela ditadura militar chilena. Por que outro motivo teria, entre as músicas, algumas de Victor Jara, assassinado pelo regime de Pinochet? Agora, lembro mais de Pina pelo cinema, por Fale com Ela, de Almodóvar, mas, muito em particular, por …E La Nave Va, de Fellini. Nesse canto do ocaso à civilização europeia da belle époque, ela faz uma princesa cega, que embarca no navio acompanhada de um irmão obeso e candidato a déspota. Tinha um rosto marcante e interpretou o papel desenhado por Fellini às mil maravilhas. Grande Pina. Adeus e salve.

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É a pergunta que se deve fazer aos clubes na fase atual do Campeonato Brasileiro. Quer dizer, o campeonato não é mais novinho em folha. Já rolaram oito rodadas e algumas cabeças de técnicos. Alguns jogadores já se firmaram como valores seguros e outros bateram asas. Uns poucos times mostraram que irão disputar o título e vagas para a Libertadores. Outros já sentem rondar o incômodo do rebaixamento. E outros não estão nem lá e nem cá. Vivem no limbo, sem conhecer as delícias do céu ou padecimentos do inferno. São os times médios, palavra que, você sabe, está próxima do termo medíocre.

Nada menos que cinco times têm dez pontos na competição. Pela ordem: Cruzeiro, Santos, São Paulo, Santo André e Fluminense. Vão do 9º ao 13º lugar, segundo os critérios de desempate. É engraçada a situação deles. Ganhando na próxima rodada, encostam nos líderes; perdendo, se acotovelam com os lanternas. Isso tudo para dizer que o campeonato pode estar muito embolado, mas já chegou a hora de os times definirem o que desejam para si. Brigar pelas primeiras posições? Instalar-se no conforto da zona intermediária? Ou arriscar-se a lutar até o fim contra o descenso? Agora é a hora da escolher o que se vai ser quando crescer. Trocar de técnico, se acham que é necessário, contratar jogadores, se for possível, dispensar alguns, se estiverem sobrando. Hora de pensar na vida. Depois, pode ser tarde demais.

BOBOS NO FUTEBOL

Ouvi com atenção as alegações de Luiz Gonzaga Belluzzo para demitir Luxemburgo. Não fiquei convencido. Não posso acreditar que um homem que, como ele mesmo diz, combateu a ditadura, possa se ater de forma inflexível a uma pequena questão disciplinar. Parece que a entrevista em que Luxa se queixa da saída intempestiva de Keirrison foi apenas uma gota d’água e não “quebra de hierarquia”, como se alegou. Não cometeria com Belluzzo, a quem admiro, a descortesia de considerá-lo um hierarca de ares imperiais, cioso de sua “otoridade”. Prefiro pensar de outro modo: o economista Belluzzo, mirando com um olho a folha de pagamento de Luxemburgo & estafe, e com o outro as conquistas do time, teria chegado à conclusão de que o custo-benefício não se justificava. Assim, apegou-se a esse pretexto para arrumar a casa. Mas também não acho que Luxemburgo entrou nessa de gaiato. Não era segredo, nem para a estátua de Valdemar Fiúme, que a frigideira já se acendera para ele no Parque. Quem o defendia, em público, era o próprio Belluzzo. Sentido-se ameaçado, e desprestigiado no caso Keirrison, Luxa resolveu partir para o ataque, como é do seu feitio.

Deu-se mal. Ou talvez bem? Não sabemos. O fato é que não acredito nessa história de que não existe mais bobo no futebol, como se diz. Acho que o futebol continua cheio de bobos: nós, a torcida. Ou, pelo menos, somos tratados desse jeito.

A outra bobeira é achar que, porque ganhou a Copa das Confederações, a seleção seria favorita para o próximo Mundial. Pelo contrário: as vitórias suadas contra África do Sul e Estados Unidos deveriam servir de aviso. Há um nivelamento por baixo muito evidente no futebol. Dunga conseguiu ter um time arrumado e, em aparência, motivado. Em meio à mediocridade geral, pode até ser campeão. Só não pode é posar de favorito antes da hora. Mesmo porque não é. Esse negócio de favoritismo é papo de gente tola.

(Boleiros, 30/6/09)

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29.junho.2009 22:21:12

A barbárie segundo Bergman

Talvez não exista sentimento mais doloroso que o da vergonha. Foi ele que Bergman resolveu investigar no filme que leva justamente esse nome – e está agora sendo lançado pela Versátil (R$ 44,90). Mas, por um momento, poderíamos pensar que se trata de uma obra estranha à tradição do cineasta. Afinal, ele é o diretor da alma, da intimidade, da psicologia dos personagens, dos seres atormentados que formam a sua galeria de tipos. E tudo isso é verdade. No entanto, este é conhecido como o filme no qual Bergman coloca seus personagens contra o pano de fundo de uma situação terminal – a guerra. A maior de todas, a 2ª Guerra Mundial.

Seria então um filme de guerra, a guerra segundo Bergman? Em certo sentido, sim. Temos lá todos os componentes de encenação dessa que é a “continuação da política por outros meios”, como dizia dela o seu teórico maior, Carl von Clausewitz. Essa frase esperta, ainda que profunda, disfarça e até enobrece essa situação em que todos os demônios podem ser soltos. E então aqui voltamos ao terreno preferencial de Bergman, porque se existe alguém que entende de demônios é ele mesmo.
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proleta

Cena de A Classe Operária Vai ao Paraíso, com Gian Maria Volontè (D)

Boa medida da popularidade de um filme é quando seu título entra para a linguagem comum. Quem já não ouviu falar – em geral em tom de ironia – que a classe operária “iria ao paraíso” em tal ou qual situação, em geral desfavorável para ela? A alusão é ao filme de Elio Petri, que sai agora em DVD pela Versátil (R$ 44,90). A Classe Operária Vai ao Paraíso é de um tempo em que o proletário ocupou de fato o centro da cena cinematográfica. Certo, não de todo o cinema, mas pelo menos de um tipo dele, o cinema político, ou melhor, de empenho social como muitos preferem definir. Esse “gênero” proliferou em determinada época, em especial no período que vai dos anos 50 aos 70, e em vários lugares. Entre eles, a Itália, espécie de epicentro do fenômeno. País na época com um Partido Comunista muito forte, foi lá que esse tipo de cinema floresceu com grande viço. Mesmo porque boa parte da melhor produção italiana daquela época pode ser considerada caudatária do neorrealismo, movimento que tinha entre suas premissas a de colocar o homem comum à frente da cena. Foi a época de ouro do trabalhador, fosse ele um homem do mar como em A Terra Treme (1947), de Luchino Visconti, e Stromboli (1950), de Roberto Rossellini, ou o camponês como em Pai Patrão (1977), dos irmãos Taviani, Bandido Giuliano (1962), de Francesco Rosi, ou Banditi a Orgosolo (1961), de Vittorio de Seta. Ou o proletário como em Os Companheiros (1963), de Mario Monicelli, ou Mimi o Metalúrgico (1972), de Lina Wertmüller. E, no mais representativo de todos, claro, A Classe Operária Vai ao Paraíso (1972), de Petri.

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Olhem aí que bela seleção de filmes o Festival de Paulínia conseguiu. Muitos inéditos e com excelente potencial, a julgar pelos diretores dos filmes. Com a grana que eles têm e mais a ótima curadoria, estão passando a perna em muito festival com décadas de tradição. Basta dizer, apenas para citar um exemplo, que a gaúcha Ana Luiza Azevedo escolheu Paulínia e não Gramado para estrear seu primeiro longa-metragem. Cuidado, pessoal, Paulínia vem aí. E está apenas na segunda edição.

Longas de Ficção

1 – O Contador de histórias, de Luiz Villaça – SP

2 – Destino, de Moacyr Góes – RJ

3 – Enquanto Dura o Amor, de Roberto Moreira – SP

4 – No Meu Lugar, de Eduardo Valente -RJ

5 – Olhos azuis, de José Joffily – RJ

6 – Antes que o mundo Acabe, de Ana Luiza Azevedo – RS

Documentários

1 – Caro Francis, de Nelson Hoineff – RJ

2 – Mamonas o Doc., de Claudio Kans – SP

3 – Sentido à Flor da Pele, de Evaldo Mocarzel – SP

4 – Moscou, de Eduardo Coutinho – RJ

5 – Só Dez Por Cento é Mentira, de Pedro César – RJ

6 – Herbert de Perto, de Roberto Berliner e Pedro Bronz – RJ

Curtas brasileiros

1 – Vida Vertiginosa, de Luiz Carlos Lacerda – RJ

2 – Relicário, de Rafael Gomes – SP

3 – Doce Amargo, de Rafael Primot -SP

4 – Milímetros, de Erico Rassi – SP

5 – Nessa Data Querida, de Julia Rezende – RJ

6 – Timing, de Amir Admoni – SP

Curtas Regionais

1 – Morte Corporation, de Léo de Castillo

2 – Prós e Contras, de Pedro Struchi

3 – Quem Será Katlyn?, de Caue Nunes

4 – Spectaculum, de Julliano Lucas

5 – A Máquina do Tempo, de Marcos Craveiro

6 – Capoeira, de Matheus Oliveira

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25.junho.2009 20:28:59

Michael Jackson

Me abstenho de grandes comentários sobre a morte de Michael Jackson porque conheço pouco de sua obra e nem tinha grande interesse pelo personagem. Mas, como vivemos num mundo midiático, era impossível ficar alheio a ele, seus problemas, a vinda ao Brasil, a auto-deformação física a que se impôs. Achava-o, assim meio sem pensar, um retrato um tanto expressionista da nossa época, de paraísos artificiais, futilidade levada à loucura, em que a aparência se forja segundo algum insondável modelo. Eu via Michael na TV e pensava em certos filmes de David Cronenberg, ou David Lynch. Mundo freak. Aquilo tudo cheirava a morte prematura. E assim se deu. Dá pena mesmo.

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Estou a caminho de Santos, onde curto alguns dias de folga a que tenho direito por ter trabalhado em feriados. Deixo entao umas dicas de cinema para o fim de semana. Amanhã estreiam dois filmes nacionais: Jean Charles e A Erva do Rato. Mais diferentes entre si não poderiam ser. Jean Charles, com Selton Mello no papel principal, conta o que aconteceu com o brasileiro assassinado pela polícia londrina por ter sido confundido com um terrorista. O bom é o estilo desdramatizado empregado, que evita a pieguice e destaca a emoção genuína. Traça também um retrato interessante do que é a vida dos brasileiros no exterior. Já A Erva do Rato é um típico filme de Julio Bressane, adaptando, à sua maneira, dois contos de Machado de Assis, A Causa Secreta e Um Esqueleto. No elenco, o mesmo Selton e Alessandra Negrini, de um jeito que você nunca viu. É um ensaio sobre a sensualidade e a morte, e a maneira como se entrelaçam. Eu gostei. E presenciei a polêmica causada pelo filme quando foi apresentado no Festival de Veneza do ano passado. Mas muita gente superou o escândalo e levou o filme a sério. Fotografia de pintor by Walter Carvalho.

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Quem fala de Chris Marker solta logo um clichê: seu média-metragem La Jetée inspirou o cult 12 Macacos, de Terry Gilliam. O que é verdade, mas pouco para falar de um cineasta tão complexo e difícil de definir como Marker (1921). Por esse motivo é tão importante a retrospectiva promovida pelo CCBB Chris Marker – Bricoleur Multimídia, que traz nada menos que 33 filmes, vídeos e programas de TV assinados pelo diretor, um outsider da Nouvelle Vague.

Há um toque de mistério nessa obra tão inventiva e marcada pela preocupação recorrente com o tema da memória. É assim com La Jetée (termo que pode ser traduzido como “embarcadouro”), sua única de ficção – embora em Marker a distinção já problemática entre ficção e documentário seja ainda mais fluida. Em todo caso, La Jetée fala de uma imagem de infância, um suave rosto de mulher entrevisto no Aeroporto de Orly pouco tempo antes de a humanidade sofrer uma catástrofe. Os desdobramentos da história – filmada em stop motion, fotografias paradas, em sequência – remetem para as melhores histórias de ficção científica. Mas uma sci-fi “intelectual”, como as de Andrei Tarkovski, por exemplo.

Como é o caso de Sans Soleil (Sem Sol), um desses falsos documentários de Marker e uma de suas obras mais interessantes. No princípio, também há a memória. Não como um depósito de recordações, fixo, estável, como se fosse um museu do passado. Marker trabalha com uma memória ativa, criadora, que reprocessa seus conteúdos. Em Sans Soleil, o que temos é a narração de uma mulher, que lê as supostas cartas que lhe teriam sido enviadas por um amigo, cameraman, dos países que visita. Em especial do Japão e da África. No início, uma filmagem de família, a mulher e filhas, na Irlanda, uma imagem que o câmera, através da narradora, qualifica como a própria definição da felicidade. Há um diálogo interno da obra com La Jetée sobre essa permanência da imagem emblemática da pessoal – aquilo que alguns psicanalistas poderiam chamar de “fantasma fundamental”. Uma imagem que, verdadeira ou fictícia, organiza e dá estabilidade ao sujeito.

Esse refrão irá se repetir em diversos outros filmes, dando a entender que se trata, também, de um fantasma fundamental do próprio cineasta. Mas não se trata aqui de uma arte da intimidade. Esse trabalho com as imagens, com sua instabilidade intrínseca também remete ao campo do político, como se pode observar no oceânico O Fundo do Ar É Vermelho, um ensaio global sobre a década de 60 de nada menos que 180 minutos, constantemente reelaborados e remontados pelo artista ao longo de sua trajetória.

Há muito mais para ver. Em doses homeopáticas porque o próprio Marker, como diz aos curadores Francisco César Filho e Rafael Sampaio, é contra retrospectivas como esta. Considera-as abusivas e contraproducentes. Seja. Mas, para descobrir Marker, vale.

(Caderno 2, 24/6/09)

Serviço

Chris Marker, Bricoleur Mul-timídia. Hoje, 15 h, E-CLIP-SE (1999), Slon-Tango (1993), Gato Escutando a Música (1990) e Chats Perchés (2004); 17h30, A Sexta Face do Pentágono (1967), A Embaixada (1974) e Balada Berlinense (1990); 19h30, La Jetée (1962) e A.K. Retrato de Akira Kurosawa (1985). Centro Cultural Banco do Brasil. R. Álvares Penteado, 112, Centro, tel. 3113-3651. 4.ª e 5.ª, 15 h, 17h30, 19h30; 6.ª, 14 h, 17h30, 19h30; sáb., 13 h, 15 h, 17h30, 19h30; dom., 17h30, 19h30. R$ 4. Até 5/7

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Consulto os dados do portal Filme B e constato que A Mulher Invisível, de Claudio Torres, segue sua carreira de sucesso. Chegou a 1.114.725 espectadores, com média de 819/cópia e queda de -38% em relação à semana anterior. Continua indo bem, prova da força da comédia romântica à brasileira, com atores (e atrizes…) famosos no elenco. Na mesma linha, Divã chegou a quase 1 milhão e 800 mil, mas já tem a média baixa, 149/cópia. Os filmes de “empenho”, como Budapeste e Festa da Menina Morta, patinam. O primeiro ainda chegou a 73 mil espectadores. Já Menina Morta, a bela estreia na direção de Matheus Nachtergaele, fez apenas 7.271 espectadores.

Compare os dados, e os filmes, e tire suas conclusões.

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Muricy já se foi, depois de fazer do São Paulo tricampeão brasileiro. É pouca coisa? Não era quando o terceiro título foi comemorado. Passou a ser. Falou-se em “desgaste natural” porque Muricy estava no São Paulo havia três anos e esse é considerado um tempo enorme. Mas sir Alex Ferguson não treina o Manchester United há 22 anos? “A Inglaterra é uma coisa, o Brasil é outra”, já ouço dizer algum brasileiro vítima do complexo de vira-lata. Lá as coisas são estáveis, é país de tradição; no Brasil tudo que é sólido se desmancha no ar. Sim, mas sir Luís Alonso Perez, o Lula, não permaneceu na Vila Belmiro por 12 anos? Por que, então, o tempo de Muricy deveria ser considerado imenso, despropositado, um exagero?

Suspeito que seja um sintoma do imediatismo nosso de cada dia. Como vocês sabem muito bem, vivemos numa época em que tudo é para ontem. O serviço que é encomendado e deve ser feito sem demora, a compra que deve chegar imediatamente, o e-mail que precisa ser respondido no ato, o recado no celular que tem de ser retornado em cima da pinta. Por que no futebol seria diferente? Pelo contrário. Como o futebol é uma espécie de laboratório da experiência social, nele tudo se expressa com mais nitidez do que na vida corrente. Ele é uma espécie de retrato ampliado do que acontece no resto da sociedade, em seu todo. Por exemplo, se as relações econômicas e culturais tendem a se globalizar, o futebol se globaliza antes. O futebol seria um sintoma profético do mundo.

Daí que a pressa, o imediatismo, que contamina a tudo e a todos, dá suas caras com maior nitidez no ambiente da bola. Há outros exemplos de técnicos que parecem balançar neste primeiro semestre. Um deles é Vanderlei Luxemburgo, que era considerado intocável nos clubes por onde passou, com exceção do Real Madrid, que o mandou embora. Mas aqui no Brasil era Luxa quem abandonava os clubes e nunca o contrário. Pois agora está sendo contestado no Palmeiras, por parte da cartolagem e também da torcida. Não havia em andamento um “planejamento a longo prazo”, como os figurões tecnocratas gostam de dizer? E daí, acabou o planejamento só porque o time não conseguiu avançar na Libertadores?

Outro ameaçado, e com muito menos tempo de clube que Muricy e Luxemburgo, é Vágner Mancini, no Santos. Domingo, na derrota diante do Atlético Mineiro, a torcida puxou o coro de “burro, burro, burro”, que costuma anunciar a queda de um treinador. Certo, as alterações do técnico, sobretudo a saída de Neymar, não pareceram coisa de gente inteligente mesmo. Mas, até a pouco, pelo menos até a derrota para o Botafogo, Mancini era visto como competente, alguém que havia dado um padrão de jogo ao time, etc. Virou burro de repente? A diretoria já disse que Mancini está “prestigiado”. Mas como ficará se acontecer uma derrota contra o Palmeiras, resultado normal e até provável? Um placar desfavorável pode encerrar de maneira prematura uma gestão que poderia ser das mais interessantes.

Enfim, um técnico deveria ser julgado por seu trabalho de conjunto ou por resultados isolados? Se quem o empregou chega à conclusão de que o profissional não serve para o cargo, por que deve esperar por uma derrota do time para então demiti-lo? E, se entende que contratou bem, por que se desfazer do profissional quando os resultados demoram a chegar?

(Boleiros, 23/6/09)

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