Luiz Zanin

30.janeiro.2009 13:51:15

Ninho Vazio

Leia aqui crítica do filme Ninho Vazio, de Daniel Burman, publicada no Caderno 2.

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30.janeiro.2009 10:43:21

Foi Apenas um Sonho

Leia aqui a crítica sobre o filme de Sam Mendes com Kate Winslet e Leonardo DiCaprio que escrevi para o Caderno 2.

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Outro dia, voltando de carro para casa, ouvi na Rádio Cultura FM um magnífico programa chamado Violão, dirigido pelo violonista e pesquisador Fábio Zanon. Era sobre o Duo Abreu, do qual eu não tinha mais notícias havia tempos. Fiquei sabendo que um dos concertistas tinha se tornado luthier e não dava mais concertos, mas continuava tocando e cedera algumas gravações inéditas a Zanon. Ele colocou uma delas no ar, creio que uma suíte de Manuel Ponce, em interpretação extraordinária. Que maravilha.

Soube também que havia um arquivo disponível com os programas antigos e, num deles, Zanon havia entrevistado Nato, dos índios Tabajaras. A história dos incríveis violonistas Tabajaras, que vieram do Ceará, fizeram sucesso no sul e foram se tornar famosos nos Estados Unidos, sempre me encantou. Procurei então pelo programa, o encontrei e ouvi, deliciado.

Havia pensado em colocar um post indicando o programa de Zanon, quando recebi um e-mail dizendo que ele acabava de ser extinto pela Rádio Cultura FM. Não vou nem comentar esse processo de empobrecimento cultural da emissora. Vou apenas disponibilizar para vocês o programa de Fábio Zanon com os índios Tabajaras para que tenham idéia do tiro que a emissora acaba de dar no próprio pé ao tirar de sua grade programa de tal qualidade.

Clique aqui para ouvir.

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28.janeiro.2009 15:51:24

Meu Time foi rebaixado

Uma habituée do blog, Claudia, me mandou esse vídeo de Siba. Genial e passa a fazer parte da minha campanha pela simplificação da linguagem do futebol e o retorno às suas fontes populares.

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28.janeiro.2009 14:03:01

Benjamin Button

button

Achei legal O Estranho Caso de Benjamin Button, de David Fincher, o líder das indicações para o Oscar. Só não acho que seja uma obra-prima, como andaram dizendo por aí. A ideia de inverter o curso do tempo – que se deve a F. Scott Fitzgerald no conto homônimo – rende uma história interessante, e que não deixa de ser comovente, desde que você entre no pressuposto mágico da coisa. O filme é muito bem feito. Inclusive no principal – o “envelhecimento” de Brad Pitt, que vai rejuvenescendo à medida em que passam os anos. Eu achei que o filme poderia ser mais radical, se não fossem alguns cacoetes de “filme de Oscar” nele presentes, como a luz e a música, ambos às vezes muito adocicados. Mas vi bem, acompanhei bem e não me aborreci. Em alguns momentos senti emoção – como na morte do bebê idoso no colo da mulher amada. O abandono do ser humano, seu desamparo mais profundo, está naquele momento. Fora isso, gostei de passagens de humor, engraçadas mesmo. Acho que o caráter fantástico da história também poderia ser aprofundado. Mas aí poderia afastar um pouco o tal do público médio, meio avesso a surrealismos e outros bichos estranhos. Enfim, o filme é bom; mas poderia “enlouquecer” um pouquinho a mais para dar um salto de qualidade.

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ruda

Acabei de saber da morte de Rudá de Andrade, amigo que conheci muitos anos atrás na Jornada de Cinema da Bahia. Aliás, fomos colegas de júri numa das inesquecíveis edições da Jornada, capitaneada desde sempre por Guido Araújo. Havia alguns anos que não o via. Rudá havia se aposentado da Cinemateca Brasileira e se mandado para o interior com sua mulher, Halina. Perdemos contato.

Rudá era filho de Oswald de Andrade e Pagu, meio irmão do nosso amigo Kiko, filho de Pagu e Geraldo Ferraz. Conheci-o como cineasta, grande conhecedor do cinema brasileiro e internacional, papo ótimo e amigável. Foi diretor da Cinemateca Brasileira e um dos fundadores do curso de Cinema na Escola de Comunicação e Artes da USP. Foi também diretor de vários curtas-metragens como Nitrato, sobre as condições precárias da Cinemateca.

Rudá teve um mau epidódio em sua vida, quando foi preso na França, em 1982, acusado de posse e tráfico de cocaína. Sua prisão foi objeto de um escândalo permanente pois ele sempre negou as acusações. Descreveu seu calvário de 10 meses na Maison d’Arrêt em Cela 3, livro que lhe valeu um prêmio Jabuti em 1983. A obra foi relançada no ano passado. Na época, eu vivia em Paris e soube da sua prisão por uma rádio livre (proliferavam durante o governo Mitterrand) convocando simpatizantes para uma festa de arrecadação de fundos para a defesa de Rudá. Fui a essa festa, mas nessa época eu não o conhecia pessoalmente.Engraçado é que fomos apresentados muitos anos depois, nos tornamos amigos, mas nunca toquei nesse episódio com ele.

Segundo soube, Rudá havia sofrido uma fratura do fêmur em seu sítio. Estava hospitalizado, recuperando-se bem, quando teve um ataque cardíaco. Que pena.

Acrescentado depois: Alerto para um erro cometido neste post: Rudá não dirigiu o curta Nitrato e sim Pagu, sobre sua mãe, Patricia Galvão.

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27.janeiro.2009 13:53:54

O matador e a hora da verdade

Tem um samba de Nei Lopes com versos que eu adoro: “No tempo em que Don Don jogava no Andaraí/Nossa vida era mais simples de viver/Não tinha tanto miserê, não tinha tanto tititi/No tempo em que Don Don jogava no Andaraí”. O samba ironiza o tempo pretensioso em que vivemos, tudo complicado, pomposo, cheio de eufemismos, sem qualquer senso de humor. Compartilho da filosofia de vida de Nei Lopes e lembro que, quando Osvaldo Brandão tinha alguma posição carente em seu time, dizia: “Preciso de um 5, está faltando um 3; quero um 9 no ataque”.

Tempo em que os times eram escalados de 1 a 11, do goleiro ao ponta-esquerda e, pelos números, sabia-se em que posição o cidadão atuava: 2 era o lateral-direito, 3, o central e daí para a frente. Há exceções, a mais notória sendo a do Santos, que dá a 4 para o lateral-direito, a 2 para o central e a 3 para o lateral-esquerdo. É apenas uma variação que, pelo uso, virou tradição. Não influi e nem dificulta. Daí para a frente é tudo igual: o 7 e o 11 eram os pontas, o camisa 10, o dono do time e o 9, o matador.

Como macaqueamos os europeus (faz parte da tradição, também), alguns dos nossos clubes passaram a adotar camisas de numeração exótica para os boleiros. Kléber Pereira, em certa época, quis abandonar a 9 e trocá-la pela 23 de Michael Jordan, de quem se diz admirador. Acho que alguma alma caridosa o lembrou que Jordan é jogador de basquete e que a 9 do Santos foi vestida por gente como Pagão, Coutinho e Toninho Guerreiro. Enfim, a nossa época é assim mesmo, cheia de onda, palavrório difícil e vazio, jargão de “especialistas” e estrelismos. Querem o quê? Se tecnocratas reinam em qualquer setor (veja à sua volta, leitor), por que o futebol ficaria incólume?

Por isso mesmo faz bem à alma quando a simplicidade do futebol aflora de repente, zombando dos mauricinhos de ocasião. Sim, amigos, porque o que acontece neste começo de Paulistão é algo que remonta à pré-história dessa nobre arte, aos tempos de Don Don e do glorioso Andaraí, clube da Zona Norte carioca extinto nos anos 60, quando o América comprou seu campo. E o que acontece? Acontece que neste começo de campeonato brilham os matadores, o camisa 9, o velho e bom centroavante.

Sim, o centroavante, aquele profissional de carreira, incumbido (apenas) de balançar as redes do adversário. Aquele que não marca nem passa, não joga nem bem e nem mal; ele faz gols ou deixa de fazê-los. Quantos fez? Quantos perdeu? Quando o balanço é favorável, marca mais do que perde, o cidadão é chamado de matador, palavra que traça um paralelo entre o futebol e a tourada. O matador é aquele que não treme diante daquilo que os espanhóis chamam de “la hora de la verdad”, quando a diferença entre a glória e a tragédia é de milímetros e frações de segundo. O matador boleiro é aquele que não treme na pequena área e, mesmo quando acossado por goleiro e beques furiosos como touros, mantém a frieza na alma para colocar a menina lá dentro.

Dizem que essa figura está ultrapassada nos manuais da moderna tática e só times antiquados manteriam um jogador nessa posição. Pois bem, aí estão Kléber Pereira, Washington, Keirrison e, sim, Pedrão como os principais personagens deste início de campeonato. São eles que fazem a diferença para seus times. Como nos tempos de Don Don. Que, aliás, era zagueiro.

(Coluna Boleiros, 27/1/09)

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Amigos, leiam minha crítica do filme Juventude, de Domingos Oliveira, publicada hoje no Caderno 2.

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Walter Salles me mandou um e-mail respondendo a algumas perguntas e, no final, fez algumas considerações sobre os indicados ao Oscar. Comenta a exclusão de Gomorra e de Benicio del Toro, intérprete de Che, de Soderbergh. Como acho que são de interesse geral, reproduzo abaixo:

“Ps- li teu (ótimo) artigo sobre o Oscar. Dois ou três pequenos comentários: penso que Gomorra não entrou pq não espetaculariza a violência, não a trata de acordo com os códigos da indústria. Um tiro, a pessoa morre, e é só. É algo seco, bruto. Mais para Pasolini do que para Tarantino, para quem a violência é “cool”- para não dizer glamourizada ou glamourizável…

Por outro lado, acho que o grande esquecido das indicações foi Benicio del Toro. Melhor ator em Cannes, nada aquí. E no entanto, o que ele faz no
segundo filme do Soderbergh é impressionante. Pena. Por último, a inclusão do “The Reader” me parece ter mais a vez com a composição etária dos votantes (muitos velhinhos que ainda têm a memória do holocausto bem presente) do que com uma rejeição do filme de gênero (Batman). Enfim, vai saber ao certo…”

Walter

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Hoje, no Caderno 2, meu comentário sobre Um Táxi para a Escuridão e O Novo Século Americano, dois documentário lançados ao mesmo tempo em São Paulo e com temática comum – a ação da política externa norte-americana.

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