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Luiz Zanin

30.setembro.2007 10:50:47

Sonho adiado

Não deu, paciência. Mas não vamos esquecer aquele jogo contra os Estados Unidos. E nem vamos esquecer que essa seleção feminina encantou o país, de uma maneira que a masculina já não consegue mais fazer. Valeu, meninas!

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29.setembro.2007 21:36:28

Futebol de agonia

Assisti ao indigente Flamengo 1 Atlético-MG 0, no Maracanã. Enquanto isso, ouvia e conferia os gols de Sport 2 Corinthians 1, no Pacaembu. Vi depois os “melhores momentos” desse jogo. Meu Deus…, quanta desolação! É o futebol brasileiro ladeira abaixo, e o Corinthians seguindo convicto rumo à 2.ª divisão. Outra cena do dia: as brigas, com direito a cadeiradas, na sede do Botafogo, reação da torcida à vergonhosa desclassificação da Sul-Americana diante do River Plate. Só nos resta esperar pela decisão da Copa do Mundo feminina, com Brasil enfrentando a Alemanha. Não sei se o Brasil ganha, mas o simples prazer de ver Marta em campo já compensa todo o resto. Ela se transformou na paixão nacional.

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Ficamos algum tempo discutindo (e ainda vamos voltar a esse debate) se Tropa de Elite é um filme de alma fascista ou não. Tema quente, porque leva a outro, mais incômodo: haverá algum tipo de sentimento fascista difuso, entranhado na “cordial” sociedade brasileira?

Vamos deixar o filme de José Padilha em paz, pelo menos por enquanto. Isso porque hoje, às 22h30, a TV Cultura exibe Garotas do ABC, de Carlos Reichenbach, que pode, justamente, trazer alguma luz à discussão.

Garotas do ABC é um filme interessante, e por mais de um motivo. Primeiro, porque mergulha no mundo operário, tão estranho ao cinema brasileiro contemporâneo (este se ocupa ou dos muito pobres ou da classe média, deixando também as “elites” intocadas). Já Reichenbach vai ao universo das trabalhadoras da indústria têxtil, tenta flagrar suas frustrações, alegrias e esperanças.

Coloca um segundo ingrediente na trama – grupos de camisas negras da periferia, que são racistas, hostilizam pobres e migrantes nordestinos. Seria o fascismo caboclo, endêmico na sociedade, se expressando através de suas ações, ritos e símbolos?

Aliás, lembro da indignação do diretor no Festival de Brasília, alguns anos atrás, quando lhe perguntaram pelo significado de um Sigma que aparece na tela em determinado momento. “Eu me recuso a ser avaliado por críticos de cinema tão ignorantes”, bradou, com toda a razão.

Enfim, são esses os dois mundos de Garotas do ABC, o das operárias e a dos fascistas de arrebalde, mundos que se tocam em mais de um momento, e aí está o paradoxo criativo proposto por Carlão Reichenbach.

É um belo filme, a ser revisto.

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28.setembro.2007 19:43:18

O kibutz em questão

Durante muito tempo, o kibutz foi mitificado como um ideal de vida comunitária aplicado por Israel. É uma visão pouco idílica dessas comunidades agrícolas aquela que passa Exuberante Deserto, de Dror Shaul, ele próprio israelense e criado num desses kibutzim. Crítico, o filme não se parece, no entanto, a um vulgar acerto de contas. Apenas coloca em xeque a dificuldade de cavar um espaço para a diferença onde todos se querem iguais.

Como dizia George Orwell em sua distopia Revolução dos Bichos ‘todos são iguais, mas alguns são mais iguais do que outros’. Mesmo num sistema em tese de democracia direta, em que todos são responsáveis pelas medidas tomadas em nome da comunidade, existe distribuição desigual de poder. Há pessoas mais influentes que as outras, capazes de dominar as votações. E assim como existem os mais poderosos, há também os mais frágeis. Um desses frágeis será a bela Miri (Ronit Yudkevitz), mãe do protagonista, o garoto Dvir (Tomer Steinhof). Miri perdeu o marido, namora um suíço muito mais velho do que ela, não-judeu ainda por cima, e já foi internada por distúrbios emocionais. Problemas ‘dos nervos’, desarranjos psiquiátricos: ou seja, é uma séria candidata à exclusão.

Exuberante Deserto alterna seu desenho entre dois focos. Num é um filme sobre o crescimento, o garoto que vai completar 13 anos, a idade importante em que o menino judeu celebra seu Bar Mitzvah e torna-se responsável por seus atos. Dvir, na verdade, já o era anteriormente, pois precisa em certa medida tomar conta da mãe frágil e instável. No outro, para retratar essa comunidade, o diretor Dror Shaul coloca esse ponto de instabilidade a partir do qual poderá estudá-la em sua maneira de reagir a tudo aquilo que a perturba e ameaça desequilibrá-la. A comunidade dispõe de métodos de defesa para sua sobrevivência e muitas vezes esses procedimentos não absorvem as diferenças individuais.

Esses são os desafios de um filme que passou pelo laboratório do Sundance e foi premiado no festival de Park City, o que não é pouca coisa, já que o coloca na categoria dos independentes. Não que Exuberante Deserto seja uma obra de rupturas mas, como observará o espectador, mexe em não poucos tabus e, um deles, em particular, muito forte na cultura judaica.

Essa disposição para tocar em assuntos incômodos só faz melhorar um projeto, pelo menos para quem entende que a realidade humana deve ser debatida em suas contradições e que não constitui pecado retratá-la em seus desvãos menos visíveis. Claro que isso não faz de um bom projeto um filme interessante. O mérito de Exuberante Deserto é ser bem narrado e bem interpretado, mas não parece fazer parte das preocupações do cineasta adotar procedimentos destoantes do habitual. Faz um cinema talvez sem brilho, mas de modo nenhum convencional. Seria uma contradição em termos criticar a convenção no conteúdo e adotá-la na forma.

(Estadão, Caderno 2, 28/9/07)

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28.setembro.2007 14:02:08

Noel Rosa

Fui ver agora de manhã Noel Rosa, o Poeta da Vila, de Ricardo Van Steen. É bem-feito e, como filme de época, até que não compromete. E, claro, o diretor tem um senhor material nas mãos, da vida breve de um gênio (Noel Rosa morreu tuberculoso aos 26 anos) à música que legou e serve como trilha do próprio filme. Algo, porém, empaca. Talvez a maneira estilosa como é feita a reconstituição, talvez uma certa frieza com que o material dramático é trabalhado, talvez ainda a preocupação excessiva em mostrar que se trata de um “filme de arte” e portanto não pode comportar movimentos de câmera e enquadramentos banais. Esse virtuosismo às vezes gratuito não ajuda. Enfim, vê-se bem. Mas eu esperava mais. Afinal, o cara compôs músicas como Feitio de Oração, Feitiço da Vila, Palpite Infeliz, Último Desejo e outras quetais. “Noelista” militante que sempre fui, esperava o máximo. E, falando nisso, o filme é adaptado da biografia de João Máximo e Carlos Didier, considerada exemplar. Volto a Noel quando estrear, em novembro.

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27.setembro.2007 15:15:19

Faz-me Rir

Outro dia, a propósito do Corinthians, referi-me à canção Faz-me Rir, que inspirou o apelido da torcida ao time em má fase, como “samba”. Vários amigos do blog me corrigiram. É bolero. De E.Arias e F. Yoni, versão em português de Teixeira Filho, que Edith Veiga gravou em 1961. A título de reparo, segue abaixo a letra do bolerão alvi-negro.

Como podes pensar que eu te quero
Como podes sonhar com meu amor
Se uma vez eu te dei meu carinho
E a tua ilusão encheu-me de dor
Não é dizer que eu sou vaidosa
Mas estou orgulhosa de ser
A mulher que outros homens pretendem
E a ti já não quero voltar a perder

Faz-me rir o que andas dizendo
Que te adoro e que morro por ti
Não te enganes dizendo mentiras
Não te enganes, não me faças rir

Até parece impossível que um dia
Foste o homem sonhado por mim
Esta cínica farsa de agora
Faz-me rir, faz-me rir

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27.setembro.2007 12:36:41

Futebol-arte…das mulheres

Será que vou ser muito pichado se disser que o verdadeiro futebol brasileiro, o velho e bom futebol brasileiro, de arte, elegância e, sim, eficiência, está sendo praticado não pelos homens mas pelas mulheres? É a conclusão a que chego depois de ver o show de bola de Marta, Cristiane & Cia nos 4 a 0 sobre a seleção norte-americana. O quarto gol, de Marta, foi uma pintura, com direito a um drible sobre a zagueira como há muito um marmanjo não aplica. Sei, sei muito bem…tem mais espaço para jogar, etc. Mesmo assim, é uma festa para os olhos. Temo que o futebol masculino, em especial o praticado no Brasil, venha perdendo esse aspecto, tão importante, da plasticidade, da beleza atlética em nome do pragmatismo. Nosso consolo são as mulheres. Como sempre.

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Desconfio que as eventuais virtudes cinematográficas de Tropa de Elite, de José Padilha,acabarão em segundo plano, pelo menos por enquanto. O que irá se discutir é se o filme é “fascista” ou não. Essa preocupação tem aparecido, menos pelo filme em si, do que pelas reações que tem despertado nas platéias onde foi exibido, no Rio de Janeiro em particular. Boa parte do público aplaude quando os policiais do Bope torturam ou matam de maneira sumária. Ora, a reação não é nova e se repete em situações de insegurança pública como a que vivemos hoje. É semelhante ao apoio ao Esquadrão da Morte ou à palavra de ordem “Rota na rua”, que já ouvimos aqui em São Paulo. Em suma, a solução pela violência. O filme induz a isso? Bem, as platéias têm respondido que sim.

No entanto, o protagonista, o capitão Nascimento vivido por Wagner Moura, é um homem em conflito. Leva aquilo que considera sua missão a ferro e a fogo, mas está louco para se livrar do comando e transformar-se em instrutor da tropa. Quer sair da linha de fogo, dedicar-se à família, e para isso terá de fazer um sucessor. Essa divisão interna bastará para fazer de Tropa de Elite um filme “aberto” a conclusões? Esse é um ponto a ser discutido.

Outro aspecto: não há dúvida que Tropa de Elite põe em pauta uma espécie de pragmatismo bem contemporâneo. O Bope (Batalhão de Operações Especiais da PM carioca) se define como “incorruptível”, o que soa como música para um público que elegeu a corrupção como o principal problema do País. Incorruptível, o Bope, na pessoa do capitão Nascimento, se permite extrapolar suas funções policiais. Prende e tortura em busca de informações, julga e executa as sentenças – em geral, de morte. Livre do pecado principal, a corrupção, pode se permitir qualquer tipo de barbárie, ao arrepio da lei. O Bope é uma ilha de moralidade, cercada de corruptos por todos os lados. Nesse sentido, por se definir exceção ética, com exclusão de todo o entorno restante, venal,Tropa de Choque consolida-se como um filme para o momento, portanto, e não apenas porque trata do tráfico de drogas e da violência urbana. Bate em cheio no imaginário de determinada parcela da sociedade e na posição que ela supõe ocupar no contexto do País.O Bope não se vende. E, se exagera, é porque as circunstâncias especiais assim o exigem. Os fins justificam os meios.

Não é à-toa, portanto, que tem propiciado esse tipo de reação catártica de gente que costuma freqüentar os cinemas. São pessoas que estão fartas da insegurança urbana e cansadas da corrupção em todos os níveis, da polícia à política. O filme, portanto, presta-se como eficiente estopim desse tipo de reação emocional.

Isso não quer dizer que Tropa de Elite contenha uma mensagem explicitamente “fascista”, considerando esse termo, com alguma liberdade, sinônimo de atitudes sociais como intolerância, adesão a situações violentas, pouca disposição ao diálogo, autoritarismo, um nacionalismo primitivo, negação da diferença, etc. Seria simplismo confundir a obra com a reação que pode, eventualmente, provocar em determinado tipo de público. Seria o mesmo que condenar Wagner por ter servido como trilha sonora da barbárie nazista.

Portanto, seria preciso analisá-lo mais a fundo, como filme. E verificar se, em sua narrativa, existem espaços abertos para a contradição e a respiração crítica. Por exemplo, o personagem em crise seria um desses pontos de abertura e ele seria suficiente para despertar mais questões que certezas? Pode ser, mas, talvez, a narrativa em off, constante ao longo de todo o tempo, iniba um pouco a liberdade do espectador de construir a própria história em sua cabeça e tirar conclusões mais abertas, pelo menos durante o tempo em que está na sala. Porque, sim, um filme se constrói sobretudo depois que o vemos, na maneira como o assimilamos e o discutimos na volta para casa, no bar com os amigos, na conversa com a namorada.

Não me parece que o público, como um todo, seja tão influenciável a ponto de assumir como seu um determinado ponto de vista, que seria o do diretor, ou, menos ainda, o de um determinado personagem. Minha tendência é ver essas reações pontuais da platéia carioca como manifestações de um momento particularmente histérico da vida brasileira. O filme, em si, não pode ser culpabilizado por isso. Mas é uma primeira impressão, parcial, que ainda precisa ser discutida.

A outra questão, também a ser debatida, é a expectativa criada em torno do filme, e que acaba sendo o fator que alimenta a venda de cópias piratas, um fenômeno, que eu saiba, jamais visto em se tratando de produção nacional. Apesar de todo o discurso em torno dos prejuízos comerciais com a pirataria, a Paramount já avisou que o filme será lançado com mais de 200 cópias em 12 de outubro. Ao que parece, os estragos com o vasamento de uma cópia, matriz das piratas, não devem ser tantos assim. Talvez pessoas que não assistiriam ao filme de outra maneira, o vejam em cópias piratas, mas esta é uma longa e inevitável discussão num país em que o salário mínimo é de R$ 380 e um ingresso de cinema em shopping chega a R$ 18.

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O belo filme de Cao Hambúrguer acaba de ser escolhido como o representante brasileiro que vai disputar uma das cinco vagas ao Oscar. Foi uma boa escolha? Em tese, sim, é um filme gentil, que trata de um período histórico problemático, porém de forma serena, tem uma criança como protagonista e é ambientado no bairro judaico do Bom Retiro, o que pode render pontos junto à Academia. Derrota Tropa de Elite, que entrou de última hora e ameaçou o favoritismo de O Ano… até o último momento. O júri pode ter agido certo, como saber? Mas vai carregar o seguinte ônus: deixou de indicar o filme da hora, o filme-polêmica, aquele que tem despertado mais paixões e sentimentos contrários de todos que os assistem. E, isso, sem mesmo ter estreado. Enfim, veremos. Volto ao assunto depois.

Abaixo, o texto que escrevi no Caderno 2 quando o filme estreou, em 2/11/2006:

Muito estranho foi o ano de 1970 no Brasil. Vivia-se sob a ditadura Médici, torturava-se e matava-se nos porões dos DOI-Codis da vida. A economia falava em milagre para definir uma taxa de crescimento superior à média mundial.Mas o próprio general-presidente via-se obrigado a dizer que a economia ia bem enquanto o povo ia mal. A imprensa continuava sob censura e não se votava para presidente, governador ou prefeito.

Nesse quadro torpe, o País formara aquela seleção considerada a melhor de todos os tempos e na qual brilhavam talentos como Pelé, Tostão, Rivellino, Gérson, Clodoaldo, Carlos Alberto Torres e outros.A melhor seleção do mundo para um país que vivia nas trevas.Tal era o paradoxo.

Esse é o período que Cao Hamburger escolhe para ambientar o sensível O Ano em Que Meus Pais Saíram de Férias. A história é vista pelo olhar de um garoto, Mauro (Michel Joelsas). Ele mora com a família em Minas. Como os pais são militantes de algum grupo que combate a ditadura, e precisam fugir, decidem deixar o menino aos cuidados do avô (Paulo Autran), que mora em São Paulo, no bairro judeu do Bom Retiro. Mas será um estranho quem acabará assumindo a guarda do garoto. Ele permanece lá, no Bom Retiro, à espera dos pais, que lhe prometeram voltar antes do jogo final da Copa do Mundo no México.

Esse é o ambiente:o Bom Retiro de 1970, com a Copa do Mundo como pano de
fundo.O Brasil que vai pra frente em primeiro plano, e tudo o que o
contradiz no segundo.O filme tem o frescor de uma visão infantil, vale
dizer de alguém que está descobrindo o mundo e tem de assimilar o que é
agradável e o que não é: as novas amizades, as rivalidades, a sensação de se sentir um estranho no ninho, a falta da proteção do pai e da mãe e a
abertura para um mundo estranho, assustador e fascinante.

Há outro dado interessante do filme, talvez o mais comovente dos seus
aspectos: o retrato muito fiel que Cao Hamburger faz de uma cidade de
imigrantes como São Paulo. Está aí, talvez, a característica melhor desta cidade tão áspera sob outros aspectos: a vocação para o cosmopolitismo, já que Sampa é inevitavemente multicultural e multiétnica. Era assim mesmo o Bom Retiro daquela época – predominantemente judeu, mas com forte presença de italianos e espanhóis e árabes. E também nordestinos que começavam a chegar, gente dos outros Estados, negros, mestiços.

Enfim, essa bela mescla a que costumamos chamar de povo brasileiro.
Nesse ambiente, o futebol aparece como elemento de sociabilidade. Na tela da TV passa o grande futebol, a seleção maravilhosa para a qual todos torcem. Nos campinhos do Bom Retiro, impera o futebol doméstico, pequeno, no qual todos nós somos iguais perante a lei. No Brasil da ditadura, quer dizer, sem lei, o campo de jogo é o lugar onde valem as regras e onde o dono da fábrica de tecidos vale tanto quanto o operário que trabalha para ele.

Essa isonomia é uma das utopias do futebol. E Mauro, que é aspirante a goleiro, parece aproveitar bem a lição: no futebol, como na vida, vale nem tanto o resultado, mas a maneira como se joga. Pode-se apostar no sucesso desse filme terno, às vezes duro, emocionado e emocionante.

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26.setembro.2007 09:26:23

Brasil no Oscar

Hoje à tarde será divulgado o filme brasileiro escolhido para disputar uma das cinco vagas como finalista do Oscar de produção estrangeira. Até há pouco, O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias, de Cao Hambúrguer, era dado como virtual eleito. Até que entrou no páreo um peso pesado, Tropa de Elite, de José Padilha. É um filme controverso, que muita gente viu e amou e outro tanto simplesmente chamou de “fascista”. Violento, mostra as operações da polícia nos morros cariocas e põe nos cornos da Lua o Bope, pelotão formado por incorruptíveis que não se eximem em usar a tortura e a execução sumária como métodos de trabalho. Além disso, é muito bem filmado e tem um Wagner Moura em estado de graça como protagonista. O jornal O Globo tem dado matérias e mais matérias sobre esse filme, discutindo-o a fundo. Cheira a campanha a favor. Não há como negar: é o filme da hora e fazia anos que uma produção brasileira não chamava tanto a atenção como ele. Ainda falaremos muito de Tropa de Elite por aqui. Mas, por enquanto, a pergunta é: qual será o escolhido? Saberemos à tarde o título eleito por uma comissão formada por cineastas (Hector Babenco e Bruno Barreto) e jornalistas (Pedro Butcher, Ana Paula Sousa, Rubens Ewald Filho e Leon Cakoff).

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