Semana passada escrevi que o fato de Corinthians e Flamengo ocuparem a parte de baixo da tabela era sintoma de que as coisas não andavam bem no futebol brasileiro. Logo recebi algumas mensagens me acusando de pessimista, ou de corintiano ou rubro-negro enrustido. Essas mensagens diziam que, para a parte da torcida que representavam, o campeonato ia muito bem, obrigado.
Melhor rir, não é? Entrei no site do Corriere della Sera para dar uma olhada nas matérias sobre a morte de Antonioni. Como fazem os jornais de todo o mundo, o Corriere também providenciou a sua repercussão. Foram ouvir o cineasta Dino Risi, impávido em seus 91 anos. Risi disse logo de entrada que ele mesmo pode morrer de um dia para outro. “Mas, depois de Bergman e Antonioni, acho melhor esperar um pouco, senão a minha morte ganharia cantinho de página nos jornais e seria divulgada nas TVs depois do noticiário esportivo”, disse.
De Antonioni, falou que seu cinema “era muito bom, mas um pouco chato”. Eram amigos pessoais e, quando se encontravam, preferiam conversar sobre mulheres do que sobre estética cinematográfica. Risi não esconde que deu “uma bela dormida” durante a projeção de A Noite. Aliás, o personagem de Vittorio Gassman no filme mais famoso de Dino Risi, Il Sorpasso (Aquele que Sabe Viver), a certa hora pergunta ao seu amigo mais jovem, vivido por Jean Louis Trintgnant: “Você viu O Eclipse? Eu dormi. Grande diretor, o Antonioni!”.
Dino garante que Antonioni se divertia muito com esse diálogo.
Cinema da alienação ou cinema da incomunicabilidade. Essas classificações cabem, mas não esgotam a obra de um dos maiores diretores de todos os tempos, Michelangelo Antonioni, que nasceu em Ferrara no dia 29 de setembro de 1912. Completa hoje 90 anos. Autor de vários filmes considerados clássicos, como a trilogia formada por A Noite, O Eclipse e A Aventura, além de Profissão: Repórter, Zabriskie Point e Deserto Vermelho, Antonioni sofreu há anos um derrame que o impediu de falar. Mesmo assim, em 1996, ainda dirigiu Além das Nuvens, em parceria com Wim Wenders, e baseado num livro seu, Bowling sul Tevere.
Bem, deve haver uma estranha sincronicidade nisso tudo, pois ontem foi a vez de Bergman e hoje é anunciada a morte de outro grande mestre do cinema, o italiano Michelangelo Antonioni. Também com idade avançada, Antonioni morreu em Ferrara, com 94 anos. Havia muito estava doente e já não falava há anos, desde quando sofreu um acidente vascular cerebral. Conheci-o quando esteve no Brasil, participando do Festival de Gramado e acompanhando, com muita emoção, a projeção de uma de suas obras-primas, A Noite.
Revi Antonioni anos depois, no Festival de Veneza, quando apresentou seu último trabalho, um dos episódios do filme Eros. Estava já em cadeira de rodas e o filme, se não era comparável a um dos seus clássicos, mostrava por vezes o “toque” Antonioni, o que não é pouca coisa.
Antonioni, assim como Fellini e Visconti, veio da escola neo-realista, a mais fértil do cinema italiano dos anos 40-50. Mas, em seguida desenvolveu estilo e preocupações temáticas próprias. Assim como Bergman, tinha interesse pelas situação do homem em sociedade e, sobretudo, as complicadas relações do casal moderno.
Também como o mestre sueco, Antonioni tentou compreender a alma feminina, mesmo sabendo que tal tarefa é sempre destinada ao fracasso, como aliás já sabia o próprio Freud.
Foi chamado também de cineasta da incomunicabilidade, o que aceitou de bom grado durante muito tempo, mas depois acabou por entediá-lo, pois, como dizia, tentava desesperadamente se comunicar com seus filmes. No entanto, a relação difícil entre homem e mulher, e destes com o mundo, sempre esteve no centro de suas preocupações. É assim com a chamada trilogia da incomunicabilidade – A Noite, A Aventura, O Eclipse. Este último, para mim, é uma das maiores obras-primas do cinema em todos os tempos. Seu final, com a natureza e a cidade parando durante um eclipse solar é um dos mais desalentados – e estranhamente belos – que já se viram numa tela. Mesmo porque o senso de composição pictórica era um traço forte de Antonioni, que usava por vezes composições de quadros como as de De Chirico.
Muitos outros são seus filmes importantes, como o angustiado Deserto Vermelho, com Mônica Vitti, ou o formidável Passageiro: Profissão Repórter, que filmou com Jack Nicholson no papel principal. E que papel! Nicholson nunca fez nada melhor do que esse personagem que troca de identidade com outro e leva a farsa dessa segunda pele até as últimas conseqüências. O longo plano-seqüência final, entre a praça e o hotel, numa cidadezinha espanhola é considerado com justiça um dos mais belos do cinema.
Meus outros favoritos de Antonioni são Zabriskie Point, com seu final apocalíptico, e Blow Up – Depois daquele Beijo, livre adaptação do conto de Julio Cortazar, Las Babas Del Diablo. Nessa história de um crime que se resolve na ampliação de uma fotografia (daí o título em inglês), o que há na verdade é um trabalho sobre a função do olhar. Fala do homem perdido em uma sociedade que não lhe serve mais de abrigo, no qual ele é um estranho. Pouca gente, como Antonioni, percebeu a condição alienada do homem moderno em seu mundo.
Em 1980, Antonioni foi pioneiro do trabalho com vídeo em O Mistério de Oberwald. Em 1995, já doente, dirigiu com o auxílio de Wim Wenders seu último longa-metragem, Além das Nuvens. É o último que se vai do grande grupo de diretores que fizeram a Itália ter, entre os anos 60 e 70 o melhor cinema do mundo. Muito devemos a ele.
Acabei de saber da morte de Ingmar Bergman, aos 89 anos. Morreu de causas desconhecidas, em sua casa, na ilha de Faro. Ok, morreu de velhice, de vida bem vivida. Muito vai se escrever agora sobre ele, que era um dos últimos mestres do cinema ainda em vida. Nesse primeiro momento, quero apenas registrar que um homem que nos deu filmes como Noites de Circo, O Sétimo Selo, Morangos Silvestres, Através de um Espelho, O Silêncio, Cenas de um Casamento, Persona (me recuso a usar o título brasileiro Quando Duas Mulheres Pecam), Gritos e Sussurros e Fanny & Alexander, ficará para sempre na história do cinema como um dos seus grandes.
Haverá mesmo quem sustente que foi o maior de todos, usando a sua arte para o mais radical mergulho na alma humana, naquilo que ela tem de tenebroso e de sublime. Bergman, muitas vezes trabalhando com seu fotógrafo favorito, Sven Nykvist, esculpia em luz e sombras as contradições humanas, em especial quando elas se defrontam com a experiência amorosa. Seus personagens são seres atormentados, em busca de algum sentido mais transcendente, ou da simples felicidade, vista por ele como impossibilidade radical em seu aspecto mais ingênuo.
Bergman fazia um cinema profundo mas não por acaso. Era um homem profundo, meditativo e, ao se tornar cineasta, foi em busca dos meios formais para expressar em luz e som essa profundidade. É a diferença em relação a quem dispõe apenas de meios técnicos mas não articula essa relação complexa com a existência. Cinema, qualquer arte, aliás, se faz primeiro na mente.
Em sua longa trajetória de mais de 60 anos dedicados a esta arte maltratada, Bergman refletiu sobre a os sofrimentos da infância, os dilemas da vida adulta, o medo da velhice; sobre os impasses do amor, a busca inútil da felicidade, a procura da paz íntima, o enigma da morte. Dizer que foi o cineasta dos relacionamentos amorosos é muito pouco. Procurava no amor aquilo que ele tem de trágico e ia além. Fez do cinema uma metafísica e procurou por o dedo em questões tão complexas que dificilmente são abordadas por uma arte que alguns dizem industrial. Seu legado ainda vai nos abastecer de problemas não resolvidos por algumas gerações de críticos e estudiosos do cinema.
Cabe ainda registrar que Bergman afirmou que se aposentava do cinema com Fanny e Alexander, em 1982. Voltou-se para o seu amado teatro, para seu adorado Strindberg, mas continuou escrevendo roteiros, eventualmente filmados por outros, inclusive por sua ex-mulher Liv Ullmann, que dele dirigiu Infiel, há pouco lançado em DVD.
Mas Bergman ainda voltou a dirigir. Seu último trabalho fica sendo Saraband, espécie de continuação de Cenas de um Casamento, com a mesma dupla de atores, Liv Ullman e Erland Josephson, que saiu aqui direto em DVD, sem passar pelo cinema, o que vale como um comentário à sensibilidade artística do nosso circuito exibidor.
Quem gosta de cinema para valer, tem de se perguntar agora qual ou quais são seus Bergmans favoritos. Eu fico entre Persona e Gritos e Sussurros – este último talvez o mais radical enfrentamento com a questão da morte já ensaiado pelo cinema. Mas guardo um lugar muito grande no coração cinéfilo para Morangos Silvestres, o longo caminho do frio dr. Isak Borg (Victor Sjöström) ao encontro consigo mesmo. É um dos filmes mais comoventes que conheço.
Fui ao Memorial para o encerramento do 2º Festival Latino-Americano de São Paulo e acabei de chegar em casa. Que frio faz nesta cidade! Mas valeu. A sala principal do Memorial estava cheia para ver o maravilhoso Frida, Natureza Viva, de Paul Leduc, filme de silêncios, de música, de clima e poucos diálogos. Cinemaço, numa cópia muito boa que não sei a quem pertence pois estava legendada em francês (havia também legendas eletrônicas em português, mas, como disse, os diálogos são raros).
Não havia um júri oficial do festival, mas foram atribuídos três prêmios. Um, ao homenageado da noite, o mexicano Paul Leduc. Outro, o do público, para o equatoriano Que tan Lejos, de Tania Hermida. O terceiro, da crítica, para Arcana, documentário do chileno Cristóbal Vicente. É isso: o do público para o mais popular, um road movie simpático e gostoso de ver. O da crítica, para um doc exigente, formalmente muito rigoroso, sobre o último ano de funcionamento de uma prisão em Valparaíso. Ficaram bem, ambos.
E, em especial, caiu bem a homenagem a Leduc, cineasta de quem pouco se fala mas que é um senhor talento. Foi um privilégio ter podido acompanhar uma retrospectiva quase completa da sua obra.
Já me referi algumas vezes ao escritor chileno Roberto Bolaño, morto em 2003 com 50 anos. Para mim, foi um choque muito agradável conhecer a sua literatura, feroz, inventiva, poética e polifônica. Fiquei encantado com seu caudaloso Os Detetives Selvagens e li, em seguida, as duas outras obras até agora publicadas em português, Noturno do Chile e A Pista de Gelo. Na minha opinião, Bolaño é um sopro de vida numa literatura cansada. Tudo isso para dizer que hoje o Caderno Cultura do Estadão faz uma edição especial, com cinco páginas de artigos dedicados ao escritor. Imperdível, para quem gosta de literatura. O primeiro texto, de Francisco Foot Hardman, já está aberto no portal. Para lê-lo, clique aqui. Bom domingo a todos.
Tenho aproveitado bem o Festival de Cinema Latino-americano de São Paulo. Vi um Buñuel raro, A Jovem, da fase mexicana. Vi, aliás, vários outros filmes que não conhecia, ou só por ouvir falar, casos de Barroco, de Paul Leduc, Iawar Mallku, de Jorge Sanjinés, e, em especial, O Chacal de Nahueltoro, de Miguel Littín, que é mesmo tudo aquilo que meu colega Luiz Carlos Merten sempre disse que era.
Engraçado que, na saída do Chacal, conversamos com o cineasta João Batista de Andrade, o curador da mostra. Ele disse que via pontos de semelhança entre a história do criminoso chileno, julgado e condenado à morte, e o seu documentário Wilsinho Galiléia, sobre um matador de periferia. Littín não conhecia o trabalho de João Batista e vice-versa, mas, mesmo assim, mostram preocupações semelhantes e, mais do que isso, pontos de aproximações formais em suas obras.
Como pode ser? É que havia, naquela época uma – se me permitem o termo – “intertextualidade” entre os cineastas do continente, que trocavam idéias, textos e manifestos, e polemizavam entre si, mesmo que indiretamente ou por vozes interpostas. Isso não existe mais.
Enfim, tem sido ótimo ir ao Memorial da América Latina, nestes dias de frio e chuva em São Paulo, e vê-lo lotado de rostos jovens, interessados nesse tipo de cinema que não tem vez no circuito comercial. E não tem vez porque os exibidores garantem que não existe ninguém que se interessa por esses filmes.
Bem, a boa notícia é que, ao que tudo indica, o festival, que está em sua segunda edição, pegou e vai continuar nos próximos anos. Foi o que deu a entender em conversa conosco o presidente da Fundação Memorial da América Latina, Fernando Leça. Há planos, também, para construção de duas salas de cinema permanentes no Memorial, para abrigar projeções de filmes latino-americanos o ano todo. Fazemos votos para que tudo isso se concretize. Quanto mais espaços alternativos houver no Brasil, melhor para todos nós.
O festival acaba hoje (domingo, 29) e ainda há chance de ver alguns filmes bem interessantes. Destaco Frida, Natureza Vida, de Paul Leduc, que fecha o festival às 19h, no Memorial, antes da premiação. Lá mesmo, às 13h, há o documentário Etnocídio, também de Leduc, muitíssimo bom, embora em cópia sofrível. Às 19h, também no Memorial, reprisa-se o clássico de Fernando Birri, Os Inundados e, lá mesmo, às 17 outro clássico, este cubano, A Primeira Carga de Machete, de Manuel Octávio Gómez. São programas imperdíveis para quem gosta do bom cinema, tout court.
E, sim, uma última chance para ver O Chacal de Nahueltoro, às 22h deste domingo, desta vez no Cine Sesc, lá na rua Augusta. Não perca. É nunca menos que sublime.
A turma do anauê não gosta, mas preciso voltar ao assunto. Que culpa tenho eu se a Globo programou o longa-metragem Carandiru, de Hector Babenco, para domingo à noite, e o Caderno 2 traz hoje excelente reportagem de Beth Néspoli sobre a polêmica envolvendo a peça Salmo 91, que Dib Carneiro Neto adaptou do best-seller de Drauzio Varella? Não adianta, pessoal, essas coisas pedem para ser discutidas. Não se pode silenciar. Assinantes podem ler a reportagem aqui.
Assisti a Bobby, de Emilio Estevez, no Festival de Veneza do ano passado. Achei o filme ok, e um tanto ingênuo politicamente. Revi-o agora e gostei de novo, em especial pelo genenoso ar dos sixties que ele passa. A discussão política me parece rala mesmo, mas o background da história é bacana. O texto que segue abaixo é o que escrevi para o Caderno 2.
Esse é um filme do qual se sabe o fim sem que isso estrague o prazer de vê-lo. Bobby Kennedy será assassinado no desfecho, mas isso não tem a menor importância, mesmo porque o diretor Emilio Estevez se decidiu pelo pano de fundo da tragédia, focando a lente nos bastidores. Bobby não é um documentário sobre o assassinato de Robert Francis Kennedy. É um filme sobre as expectativas dos liberais dos anos 60, depositadas em Bobby Kennedy, e obviamente frustradas por sua morte.
Aliás, Bobby é mais ainda do que isso. Realizado nos Estados Unidos da era Bush, pode também ser visto como manifesto desolado com o presente e nostálgico em relação a uma América que poderia ter sido e não foi. Estevez se refere às grandes perdas dos Estados Unidos nos anos 1960 – Martin Luther King, John e Robert Kennedy, os três assassinados. De certa forma, eles podem ser vistos como os mortos insepultos de sonhos (ou ilusões) jamais realizados e hoje arquivados – o de uma América mais tolerante e justa no plano interno; menos intervencionista e belicosa, no externo.
É difícil dizer quanto essas idéias comportam de romantismo e mesmo de ingenuidade – por exemplo, a mitificação dos Kennedys foi questionada quando Bobby disputou o Leão de Ouro no Festival de Veneza do ano passado. E Emilio Estevez não pôde, ou não quis, se defender. Talvez não tenha se dado conta das possíveis limitações políticas do projeto. Entendeu que um filme deve falar por si mesmo, o que é o correto.
E, nessa medida, Bobby fala mesmo por si só, com seu ar agradavelmente anos 60, embalado por canções maravilhosas como The Sound of the Silence, e histórias cruzadas de 22 personagens, que tornam fervilhante o Hotel Ambassador, onde Kennedy está sendo esperado para o ato final de campanha nas primárias da Califórnia. Quem são esses personagens? Um funcionário do hotel aposentado (Anthony Hopkins) que joga xadrez com um amigo (Harry Belafonte); o gerente (William S. Macy) que trai a mulher (Sharon Stone) com uma telefonista; a cantora alcoólatra e decadente (Demi Moore) casada com um ex-baterista (o próprio Emilio Estevez), etc. No bastidor dos bastidores, a cozinha, discute-se beisebol entre imigrantes hispânicos e ocorrem cenas de racismo, devidamente punidas. Alguns membros do estafe de Kennedy se drogam e fazem experiências com LSD, fármaco que não poderia faltar em filme ambientado nos sixties.
São dramas, pequenas histórias entrecruzadas à maneira de Nashville, filme de Robert Altman no qual Estevez confessadamente se inspira. Quer dizer, a proposta é de uma história coral, contada a muitas vozes, um clima de época revivido por incidentes de inúmeras vidas banais (como as de todos nós) mas que, em conjunto, fazem uma nação. Testemunhas anônimas de um momento da grande História, essa que está se fazendo à revelia de todos, na obscuridade, e se concretizará nos tiros disparados naquele 5 de junho de 1968 pelo palestino Sirhan Bishara Sirhan contra Robert Francis Kennedy. Os motivos? Até hoje são pouco claros.
Estevez sente essa tragédia (Kennedy morreu 26 horas depois de atingido por três dos quatro disparos) como decisiva para o (mau) encaminhamento posterior do seu país. Em vez de Bobby, Nixon. Em vez de paz, mais guerra. Em vez de mais tolerância, Bush, pai e depois filho. É a sua interpretação de uma história que expõe, de maneira às vezes brilhante, tudo aquilo que fermentou durante os anos 60 e não foi anulado com os assassinatos de Luther King e de Bobby Kennedy: a emancipação feminina e o avanço nos direitos civis de negros e minorias. O resto foi involução mesmo, mas não se sabe como teria sido com Bobby Kennedy.
(Estadão, Caderno 2, 27/7/07)
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