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Luiz Zanin

31.janeiro.2007 21:01:45

De perto ninguém é normal

Vi hoje em cabine de imprensa Pecados Íntimos, cujo título em português é mais uma contribuição criativa dos nossos tradutores à história do cinema. O original é Little Children, e tem lá sua razão de ser, como se verá. Detalhes à parte, me impressionou muito bem o filme de Todd Field sobre uma idílica cidadezinha americana. Casais perfeitos, filhos maravilhosos e uma nota dissonante entre eles – a presença de um pervertido, acusado de molestar crianças e que foi libertado há pouco. Mas, como diz Caetano Veloso, ninguém, visto de perto, é normal. Assim, esses seres ideais se mostram, digamos, longe da perfeição. Atravessando as relações, as exigências da sexualidade. E, no fundo, o desamparo de todos nós. Somos como criancinhas em busca de um pouco de amor, amparo e aprovação. Não gostamos de nos responsabilizar por nossos atos. Daí o título original – Criancinhas. Voz em off narrando, o que dá um certo distanciamento, boas atuações de conjunto (Kate Winslet, Jennifer Connely, Patrick Wilson, etc.) e uma veia corrosiva que, pena, se atenua no final, fazem deste filme um destaque entre os concorrentes ao Oscar. Disputa três estatuetas: atriz (Kate Winslet), ator coadjuvante (Jackie Earle Haley) e roteiro adaptado.

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Essa é a (agradabilíssima) tarefa que me imponho como forma de purgar o esquecimento dos dez anos da morte de Antonio Callado. Quarup foi o chamado romance formador de minha juventude. Uma imersão agônica no Brasil, com alguns personagens inesquecíveis, a começar pelo protagonista padre Nando. Callado tinha um estilo fluido, envolvente, gentil e apaixonado. A escolha do termo exato, boas vírgulas, boa capacidade descritiva, qualidades adquiridas e mantidas em uso pela prática do jornalismo. Quarup é marcante mas talvez seu melhor livro seja mesmo Reflexos do Baile, romance epistolar sobre a época dos seqüestros de embaixadores no Brasil da luta armada. Aliás, o Brasil da ditadura militar foi preocupação constante de Callado e tema dos seus livros. Além dos dois romances citados, escreveu também Bar Don Juan e Sempreviva, cercando o mesmo assunto mas, curioso, com técnicas narrativas diversas. Um escritor do porte de Antonio Callado faz falta no Brasil de hoje, e essas não são palavras de circunstância.

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Assisti agora de manhã um filme muito legal, Dias de Glória, do francês Rachid Bouchareb. O filme, título original Indigènes, foi ganhador do prêmio de melhor ator no festival de Cannes 2006, numa premiação coletiva dada aos cinco protagonistas (Jamel Debbouze, Samy Naceri, Roschdy Zem, Sami Bouajila e Bernard Blancan). Foi também pré-selecionado para representar a França no Oscar e teve público de 3 milhões de pessoas em seu país.

Bouchareb relembra a presença dos 130 mil soldados das colônicas africanas na Segunda Guerra Mundial. O centro da coisa é o tratamento diferente dado aos soldados – em primeiro lugar, no topo da hierarquia, os franceses, depois os “pied noirs”, ou seja, os franceses da Argélia e de outros países do Magreb; terceiro os “indigènes”, os naturais desses países, sem ascendência francesa, e literalmente tratados como buchas de canhão.

Todos, no contexto da guerra, são convocados para libertar a “mãe-pátria”, a França ocupada pelos nazistas. Mas será que a França é mesmo uma mãe para todos esses soldados, sem distinção de cor e origem? É bem o que o filme discute e, pelo grande sucesso na França, ficamos sabendo que esse é um problema sensível. E é claro que é, pois a questão da integração dos filhos de famílias árabes está ainda em aberto. O filme entra em cartaz na sexta.

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Matéria minha no Caderno 2 de balanço do Festival de Tiradentes:

A recém-encerrada 10ª edição da Mostra de Cinema de Tiradentes equilibrou-se entre atrações acessíveis ao público e outras situadas no extremo oposto do espectro cinematográfico – obras de risco, de estética inovadora, de assimilação mais difícil. A mostra não tem júri oficial – distribui apenas prêmios do júri popular. É ele, então, que fica com a última palavra e elegeu como melhor longa-metragem a cinebiografia Noel Rosa – o Poeta da Vila, de Ricardo van Steen, o curta Vida Maria, de Márcio Ramos, e o vídeo Mauro Shampoo – Jogador, Cabeleireiro e Homem, de Paulo Henrique Fontenelle e Leonardo Cunha Lima. São filmes narrativos, situados no extremo ‘fácil’ do espectro.

Por outro lado, pela tela do Cine Tenda, na cidade histórica de Minas Gerais, passaram títulos, digamos, árduos como O Quadrado de Joana, de Tiago Mata Machado, O Céu Está Azul com Nuvens Vermelhas, de Dellani Lima, Conceição – Autor Bom É Autor Morto, direção coletiva de André Sampaio, Cynthia Sims, Daniel Caetano, Guilherme Sarmiento e Samantha Ribeiro; e Acidente, de Cao Guimarães e Pablo Lobato. Foram exibidos em Tiradentes também alguns dos mais badalados filmes brasileiros da safra recente e que estarão no circuito em breve: Antonia, de Tata Amaral, Proibido Proibir, de Jorge Durán, O Cheiro do Ralo, de Heitor Dhalia, Querô, de Carlos Cortez, etc. Enfim, uma amostra da produção brasileira recente que vai dos filmes ‘narrativos’ de qualidade aos experimentais.

Com esse modelo adotado, o festival continua a fazer grande sucesso de público. De acordo com números divulgados pela coordenação, 40 mil pessoas participaram do evento, no qual foram exibidos 219 títulos entre longas-metragens, curtas e vídeos. A idéia dominante tem sido transformar o festival numa grande festa do cinema, composta de programação infantil, oficinas, seminários e debates.

Em relação aos últimos anos, o festival cresceu, o número de filmes aumentou e os problemas logísticos idem. Por causa das chuvas, muitas vezes a programação que deveria ser realizada na praça teve de ser transferida para a tenda, encavalando filmes, com sessões terminando de madrugada e público adormecido. São desconfortos do crescimento e todo evento tem de enfrentar decisões na hora de definir a sua dimensão justa. Do jeito que está, a fruição dos filmes foi prejudicada.

Os seminários e debates, bem como a escolha dos filmes participantes, refletem a presença da nova curadoria de Tiradentes, a cargo de Cléber Eduardo e Eduardo Valente na área de cinema. São críticos da nova geração e procuraram imprimir ao festival suas concepções de cinema e vida, renovando com a programação de filmes alternativos e incrementando a presença dos críticos que se contam entre suas afinidades eletivas, em especial a geração surgida nos últimos anos em sites e revistas eletrônicas. São eles que dão as cartas hoje em Tiradentes.

Na curadoria dos filmes o efeito foi a presença maior de obras de risco. É um fato importante, mas deve-se ressalvar que esse segmento específico da seleção foi muito irregular. Concentrou-se basicamente na produção de Minas Gerais, o que pode ter sido uma concessão política do evento. De qualquer forma, Acidente (que já fora visto em versão mais curta como um Doc-TV) é um documentário estruturado e instigante. O mesmo não se pode dizer de O Céu Está Azul com Nuvens Vermelhas, de Dellani Lima, cujo formalismo não esconde a concepção infantil. E O Quadrado de Joana, de Tiago Mata Machado, que mescla algumas seqüências de grande beleza com outras pouco notáveis, não esconde a sua precariedade. Embora o diretor tenha tentado transformar essa mesma precariedade numa suposta vantagem de linguagem.

Nos seminários, procurou-se maior foco em questões temáticas importantes para o cinema em geral e brasileiro em particular. Uma análise de conjunto é impossível para quem só participou da parte final do evento. Pela amostragem, no entanto, deu para perceber que alguns debates continuam a patinar na mesmice, enquanto outros se destacam pela troca generosa de idéias (como aquele com o diretor de Proibido Proibir, Jorge Durán). A cota de tédio e pedantismo foi preenchida pelo debate com o diretor de O Quadrado de Joana, Tiago Mata Machado, e a de emoção pelo encontro com participantes de Batismo de Sangue, de Helvécio Ratton.

Neste, houve o encontro histórico dos frades dominicanos que participaram da luta contra a ditadura militar, foram presos e torturados, como Frei Betto, autor do livro que dá origem ao filme, e freis Oswaldo e Fernando. O público entupiu o auditório. Havia gente espirrando pelo ladrão e a comoção tomou conta da sala. No entanto, viram-se poucos críticos de cinema no recinto. A maioria provavelmente estava ocupada demais e não iria gastar seu tempo com aquela gente que, afinal, tinha feito pouca coisa de importante na existência como, por exemplo, colocar a vida em risco para interferir na história do Brasil. O encerramento do festival, com a exibição de Batismo de Sangue, foi uma apoteose de público, e também recebida com indiferença pela maior parte da crítica.

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29.janeiro.2007 20:43:02

Volver ganha o Goya

E por falar em prêmios, segue aí a lista do Goya, o “Oscar” espanhol. Como se esperava, deu Volver na cabeça, estatueta de melhor filme e prêmio de melhor direção para Almodóvar e atriz para Penélope Cruz, entre outros. Segue a lista:

XXI Goya 2007:

Filme: “Volver”.

Diretor: Pedro Almodóvar (‘Volver’).

Ator: Juan Diego (‘Vete de mi’).

Atriz: Penélope Cruz (‘Volver’).

Ator Coadjuvante: Antonio de la Torre (‘Azul Oscuro Casi Negro’).

Atriz Coadjuvante: Carmen Maura (‘Volver’).

Novo Diretor: Daniel Sánchez-Arévalo (‘AzulOscuroCasiNegro’).

Ator Revelação: Quim Gutiérrez (‘Azul Oscuro Casi Negro’) e Walter Vidarte.

Atriz Revelação: Ivana Baquero (‘O Labirinto do Fauno’).

Roteiro Original: “O Labirinto do Fauno”.

Roteiro Adaptado: “Salvador”.

Trilha Sonora Original: “Volver”.

Canção Original: “Tiempo Pequeno” (‘La Educación de Las Hadas’).

Fotografia: “O Labirinto do Fauno”.

Montagem: “O Labirinto do Fauno”.

Direção de Arte: “Alatriste”.

Direção de Produção: “Alatriste”.

Figurinos: “Alatriste”.

Maquiagem: “Alatriste”.

Som: “O Labirinto do Fauno”.

Efeitos Especiais: “O Labirinto do Fauno”.

Filme Estrangeiro Falado em Espanhol: “Las Manos” de Alejandro Doria.

Filme Europeu: “The Queen” de Stephen Frears (Reino Unido).

Goya Honorífico: Tadeo “Teddy” Villalba (Produtor).

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Os prêmios do sindicato dos atores são uma ótima prévia para o Oscar, pois afinal são os atores votando em seus pares. E atores são maioria no colégio eleitoral do Oscar. Forest Whitaker, como todos esperavam, venceu por sua atuação em O Último Rei da Escócia, no papel do ditador de Uganda Idi Amin Dada. Vi o filme hoje de manhã em sessão para a imprensa. Gostei e não gostei. Explico. Whitaker, de quem gosto muito e lembro como Charlie Parker, em Bird, de fato se parece com o déspota a ponto de causar confusão no espectador. Passa aquela sensação de ameaça com sua violência mesclada a certa infantilidade mental, blend comum em ditadores. Mas a música em excesso prejudica o filme e corta o tom documental em proveito de uma tentativa de thriller na parte final. Talvez dê também para discutir a maneira como coloca a relação do homem branco europeu com os negros da África. Tudo se presta a um certo preconceito, mas, afinal, a África não é mesmo para principiantes.

Veja a relação completa do Actor’s Guild, na parte de cinema:

Cinema – Ator: Forest Whitaker (‘O ultimo Rei da Escócia’).
Atriz: Helen Mirren (‘The Queen’).
Ator Coadjuvante: Eddie Murphy (‘Dreamgirls’).
Atriz Coadjuvante: Jennifer Hudson (‘Dreamgirls’).
Elenco em Filme: “A Pequena Miss Sunshine”.

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Recebo, através do Almanaque da Maria do Rosário, a informação de que A Grande Família, versão cinematográfica do seriado da Globo, estourou na bilheteria. Estreou na sexta e fez 303 mil pessoas no final de semana, com média de 1.100 espectadores por cópia, o que é muita coisa. Segundo uma fonte da Globo Filmes, desde Se Eu Fosse Você, de Daniel Filho, uma produção nacional não liderava o ranking de público e renda, como agora é o caso de A Grande Família. Leia crítica do filme neste blog.

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29.janeiro.2007 14:30:25

Cena paulistana

Estava hoje de manhã no carro, na Alameda Jaú, em frente ao Colégio Dante Alighieri. O trânsito pára na faixa de pedestres para que mães atravessem a rua com seus filhos. Do automóvel ao lado do meu ouço partir um grito raivoso: “Anda logo, p…!”. Protestos gerais de quem estava em frente ao colégio. O carro começa a avançar e a ameaçar as pessoas que estão sobre a faixa de pedestres. No sinal de trânsito seguinte, esse carro pára ao meu lado e vou conferir a cara do troglodita: trata-se de uma senhora com rabo de cavalo, uns 65 anos de idade aparentes. Em que cidade moramos? As pessoas vivem se queixando de que o governo não presta, os impostos são altos, não há segurança, etc. Será que ninguém se lembra de perguntar a parte que lhe cabe neste latifúndio do caos?

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Via Láctea é ‘um corpo-a-corpo com a cidade’. É dessa maneira que a diretora Lina Chamie define seu segundo longa-metragem, atualmente em fase de finalização. De fato. Apesar de seu nome etéreo, Via Láctea tem os pés bem no chão. São Paulo não é apenas uma locação onde os personagens vivem seus dramas e alegrias – é, ela própria, a cidade enorme e caótica, uma personagem em si mesma, que interage e, em mais de um sentido, interfere no destino do trio principal presente em cena – Heitor (Marco Ricca), Júlia (Alice Braga) e Thiago (Fernando Alves Pinto).

Por isso mesmo, o filme viaja por ruas, avenidas e construções conhecidas de Sampa: Avenidas Paulista, Dr. Arnaldo, 23 de Maio, Tiradentes, Praça da Sé, Viadutos do Chá e Santa Efigênia, Teatro Oficina, Edifício Martinelli, Livraria Francesa da Barão de Itapetininga. Essas locações abrigam a história de amor entre Heitor, um professor de literatura e escritor, a atriz Júlia e Thiago, um colega de teatro.

Mas um tempo grande se passa no interior do automóvel de Heitor. Como todo paulistano, ele também precisa se deslocar de lá para cá e enfrenta as dificuldades de praxe no trânsito. Sim, o implacável, congestionado e estressante tráfego da capital é, também ele, personagem de Via Láctea. Heitor o enfrenta, como nós o enfrentamos no dia-a-dia, e essa impotência diante do deslocamento de um ponto a outro será um aspecto essencial da trama, escrita pela própria Lina e roteirizada por ela e por Alexei Habib.

Por tudo isso, Via Láctea jamais poderia ter sido filmado em um estúdio. ‘Interessa muito o entorno, para ver como o mundo interior dos personagens sofre interferência e é invadido pelo caos que está em volta deles’, diz Lina em conversa com o Estado. Não que São Paulo seja vista de maneira inteiramente negativa. Paulistana da gema, Lina sabe decifrar a cidade e identificar a ‘beleza que há na feiúra’, como diz. Por exemplo, no encanto do centro velho, para onde ia, com o pai, o poeta Mário Chamie, quando menina: ‘Ir à Livraria Francesa, na Barão de Itapetininga, era um programa’.

Por outro lado, a São Paulo retratada não tem nada de cartão postal. Não esconde seus problemas e suas mazelas. Pelo contrário. Filtra-os através de uma câmera amorosa, que parece muito mais preocupada em compreender do que em avaliar ou julgar. Ou mesmo se distanciar. É um olhar participativo e parceiro em relação aos seus personagens e, vale insistir, São Paulo é um desses personagens. Áspera em muitos momentos, humana em outros. ‘A proposta era filmar com uma câmera pequena, leve, sem luz mesmo em cenas noturnas, um corpo-a-corpo semidocumental’, diz, usando novamente a metáfora física. Para falar tecnicamente, Lina captou as imagens, 80% delas, com uma mini-DV. Os 20% restantes em película, parte em super 16mm, parte em 35 mm. ‘Eu precisava de texturas diferentes para exprimir momentos distintos da história’, diz.

Via Láctea alterna essa vocação semidocumental muito realista com momentos poéticos. E, não por acaso, esse filme tão paulistano se origina de uma célula poética de outra origem: ‘Como se trata de uma história descontínua no tempo, fragmentada, era preciso ter uma espinha dorsal muito forte, e ela me foi fornecida pelo poema Campo de Flores, de Carlos Drummond de Andrade’. O que ‘diz’ esse poema do grande escritor mineiro? Em suas primeiras estrofes: ‘Deus me deu um amor no tempo de madureza,/Quando os frutos ou não são colhidos ou sabem a verme. /Deus – ou talvez o Diabo – deu-me este amor maduro,/e a um e outro agradeço, pois que tenho um amor.’

Essa é a linha temática. O amor maduro de Heitor, em relação a quem Júlia não passa de uma criança. Ao mesmo tempo os impasses desse amor. Em outros versos do mesmo poema, Drummond se adverte que, tendo lhe tocado esse amor de maturidade, teria de se armar ‘de uma grave paciência’. Virtude difícil no tempo atual, na cidade atual, na dimensão da pressa atual – características em todo opostas à serenidade prescrita pelo poeta a si mesmo. Daí os desencontros presentes no filme, arestas que se expressam na trama, na textura, nos tempos oblíquos da narração.

Na esfera íntima desse caso de amor exasperado, o social não fica de fora; não entra pelas portas dos fundos e nem é colocado de maneira artificial. Ele se entrelaça na narrativa, suavemente, porque as próprias vidas humanas se desenvolvem e se entretecem com as outras vidas de que se compõe o social, naturalmente. A bordo do seu carro, Heitor, esse amante apressado e em crise, não pode ficar indiferente ao que se passa lá fora. Poderia até tentar ignorar a cidade e suas contradições, mas não conseguiria se instalar nesse esplêndido isolamento, como nenhum de nós é de fato capaz.

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A Mostra de Tiradentes não tem júri oficial. Distribui prêmios apenas aos vencedores do júri popular. Segundo o gosto do público, os vencedores foram:

Melhor longa-metragem: Noel Rosa, o Poeta da Vila, de Ricardo van Steen
Melhor curta-metragem: Vida Maria, de Márcio Ramos
Melhor vídeo: Mauro Shampoo – Jogador, Cabeleireiro e Homem, de Paulo Henrique Fontenelle e Leonardo Cunha Lima.

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