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Luiz Horta
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Desculpem as moléstias

  • 19 de março de 2010
  • 8h32
  • Por Luiz Horta

Estou com fadiga de materiais, na verdade, em bom português: quebrei um dente e está uma coisa bem dolorosa. Mas como no samba de Cartola, “quem me vê sorrindo, pensa que estou alegre” coloco a foto aí para animar os leitores. Leitores que me deixaram feliz: acertaram na hora que a foto anterior era do hotel da Marqués de Riscal, en El Ciego, Rioja Alavesa.

Estamos trabalhando para voltar logo. Tem muito post na fila, só não consegui escrevê-los. Os vinhos já voltam.

COLUNISTAS - PROJETO GRAFICO

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7%

  • 17 de março de 2010
  • 23h16
  • Por Luiz Horta

Amanhã no Paladar (lindo, o jornal está bonito, mas o Paladar me deu a mesma sensação de quando vou a Sala São Paulo, a de estar num microclima algo escandinavo, eficiência, elegância e beleza) as Viagens Engarrafadas de Glupt! atingem o destino número 7. Vinhos de uma região que todo mundo conhece, sem saber que estão ali, e entre meus favoritos. Só como teaser, a foto mostra um hotel renomado do lugar.

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[foto divulgação, rede Starwoods]

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Compensa sim

  • 13 de março de 2010
  • 3h14
  • Por Luiz Horta

O Estado passa domingo, amanhã, por uma bela mudança. Não só gráfica, há muito entusiasmo envolvido. Deixando de lado uma certa nonchalance típica da profissão, tem dias que nem durmo (eu que já durmo tão precáriamente…) sonhando com o poft do jornal chegando as 5 da manhã no meu portão, renovado e muito melhor.Orgulhinho modesto de estar lá nesta hora, mesmo que tratando do frívolo assunto de vinhos.

Como era preciso festejar, o Glupt! engalanou-se e fez uma degustação especial. De uma região favorita. Estará 5a. feira no primeiro Paladar a sair no novo formato.

Depois do dia de hoje, arranjando garrafas, provando-as, tomando notas, fui comer um super megablaster sanduíche de roast-beef estilo deli, no 210 Diner. Mesa cheia de amigos, várias garrafas, um Sauternes bem sautérnico, delicioso.

E um jerez amontillado. Pois é dele que quero falar. Cheguei em casa e um cheiro bom e inebriante estava na minha mão. Era uma gota do jerez. Ele ficou grudado, mesmo depois do banho. Acho que nunca bebi um jerez tão intenso. E no mundo sempre inesgotável das combinações possíveis, foi o companheiro perfeito para o roast-beef!

Vou atrás de informações, nome, preço. Mas preciso mais deste amontillado.

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A língua do oki

  • 10 de março de 2010
  • 0h35
  • Por Luiz Horta

Perguntam, como desdobramento de um post anterior, se a palavra Languedoc significa vinho ruim, porcaria, quando estampada nos rótulos. Se é necessário fugir correndo dos vinhos da região.

A resposta é um não gigante e sublinhado. Não! O que acontece lá é o tamanho. Languedoc é uma palavra imprecisa no caso de vinhos, engloba desde alguns gostosos vinhos do Minervois e os vetustos investimentos de alguns produtores de Bordeaux até cooperativas sérias, e outras nem tanto.

A região tem má fama, era a origem do vinho vagabundo francês desde o final da 2a guerra, usando mesmo uvas compradas ou contrabandeadadas da Argélia e do Marrocos. Parece que as bicicletas vermelhas já eram pedaladas faz tempo por ali.

Sei que a pergunta seguinte será: “então cooperativa só produz vinho ruim?”. Outra vez a resposta vai ser: não. Só que um não menos animado, dessa vez.
A idea da cooperativa é brilhante. Eu tenho dois hectares de uva, meu vizinho 3 e o dele 1. Nenhum de nós pode investir num bom maquinário para desengaço, nem numa esteira para separação de uvas, nem em barricas de qualidade. Somados, com algumas centenas de outros, todo o instrumental adequado para a produção correta custa muito menos e é usado por todos, em revezamento. Ótimo.
Só que cooperativas imensas como as maiores do Languedoc, além deste papel de dividir custos e manter atualizada a capacidade técnica de produção do microprodutor, produzem também vinhos próprios. E usam uvas de toda a região, compram todo o Merlot de todos os que preferem vender as uvas que fazer vinho, compram o excedente de diversos produtores, compram vinho já feito. E tudo isto vai ser vendido, em centenas de gamas de bebida, desde garrafões ou bag-in-box de 1 euro até alguns top de linha. E aí reside o perigo.

Seu Fulano com suas uvinhas, sabe tudo que aconteceu num ano de vinhedo, usa a cooperativa só para o que não pode fazer sózinho, fica lá ao lado controlando, vê o engarrafamento, paga sua cota à empresa e vai para casa com suas garrafas. Mas a Coop não sabe muito do que se passa nos vinhedos, exerce um controle genérico sobre os produtores, sabe superficialmente do uso de pesticidas, faz visitas de inspeção, mas nunca irá conhecer cada cacho de uva utilizado.

Eu já vi, é deprimente e muito pedagógico (não foi na França, nem no Brasil) o processo acontecendo. Chegam caminhões basculantes lotados de uvas e vão despejando num piscinão. Boa parte daquilo já está fermentando, com vespas sobrevoando. Como brinca um amigo, entra tudo, pedaço de pneu (que vai dar o toque empireumático no nariz), toco de cigarro (toque de tabaco) e as abelhas que zunem sobre a ante-casca do inferno vinícola. Tudo vai sendo puxado com pás por operários e móido, com cabinho e tudo.

Para ajudar a limpar o nome da região, fiz uma degustação para “As Viagens engarrafadas de Glupt!”. Deve aparecer em breve, no Paladar. Mas posso adiantar que todos os vinhos eram bons, tanto no preço quanto na qualidade. Só que, infelizmente, nenhum era de cooperativa.

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Vidro em cacos

  • 7 de março de 2010
  • 20h09
  • Por Luiz Horta

O Glupt! tem um amigo na Alemanha, o Fábio Monteiro, que além de saber tudo de música ( tem até música para download na Amazon e vive corrigindo educadamente meus pitacos resvalantes no assunto), é um animado conhecedor de vinhos. Ele me mandou um email sobre taças que achei bom demais para ficar mofando na minha caixa de mails. Vai aqui, o título é “que coisa horriedel”:

A propósito do seu post recente sobre a taça Riedel de GV que quebrou, li agorinha sobre um teste que balançou o palanque da turma.

Em dezembro passado, a revista alemã Stern testou 30 taças de vinho em três categorias: Riesling, Borgonha e Bordeaux. Os jurados eram dez sommeliers, jornalistas especializados – e os próprios fabricantes! Entre estes, havia nomes mais do que respeitáveis: Georg Riedel, Eberhard Eisch, Gerhard Frank (Zwiesel), Oliver Kleine (Leonardo) e outras feras. Cada jurado tinha os olhos vendados e luvas espessas o suficiente para não reconhecer a taça da vez pelo tato. E vamos aos resultados (tchantchantchantchaannn…):

Riesling: em primeiro lugar Zalto Denk’Art Weisswein (27,50 euros). Segundo: Zwiesel 1872 The First Riesling (31,95 euros). Terceiro prêmio pra Lobmeyr, Trinkservice 276 Champagne A (50 euros)
Borgonha: ouro pra Zalto Denk’Art Burgund (30,50 euros), prata pra Zwiesel 1872 The First Burgundy (31,95 euros), bronze pra Orrefors Difference Primeur (39 euros)

Bordeaux: primeiro prêmio de novo pra Zalto Denk’Art Bordeaux (29,50 euros), segundo de novo pra Zwiesel 1872 The First CS-Bordeaux (31,95 euros). E o terceiro lugar foi pra Stölzle Experience Bordeaux (que custa só 5,55 euros, por não ser artesanal…)

Não é preciso citar o grande ausente entre os premiados. Mais interessante é saber que o vencedor se chama Josef Karner, também austríaco e participante do teste, que representou a manufatura Zalto. Pois as taças que levaram a taça foram criadas… por um padre, Hans Denk (daí o “Denk’Art”). Mais informações e fotos das bichinhas no site da firma Zalto.

Não resisti à tentação e logo conferi na net os preços atuais das taças Zalto. Eram ainda os mesmos de dezembro de 2009. Só que a concorrência parece que ficou mais barata“.

zalto

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Magia magiar

  • 5 de março de 2010
  • 4h33
  • Por Luiz Horta

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Eu bem que achava que o nome húngaro para seu próprio povo: Magyar, tinha alguma conotação extra, remoto parentesco com mágicas. Hoje, na degustação do Glupt! para o Paladar da próxima semana, José Luiz Pagliari apareceu com uma garrafa que parecia retirada do Titanic. Era um Tokaj de 1949, que pertencera ao pai dele. “Não tenho ideia de como esteja, provavelmente é só uma curiosidade, melhor não criar expectativa”, avisou cauteloso.

Como não? Um Tokaj de 61 anos de idade, produzido após a 2a Guerra e antes da invasão russa que deu cabo na revolução húngara em 1956. Os vinhos de Tokaj, sob os soviéticos, perderam qualidade, viraram uma piada, produzida em escala industrial, água com açucar e corante. Só depois do fim da URSS e com a  Hungria novamente independente, Tokaj foi recuperando prestígio.

Logo, um vinho desta época tinha que estar bom.

A cor marrom escura não era muito alvissareira. Pagliari fez uma verdadeira cirurgia para tirar a rolha. À primeira cheirada parecia um Pedro Ximenez. Mas na boca não tinha a viscosidade dos vinhos andaluzes.

Deu taquicardia, era preciso provar o líquido: estava vivíssimo, uma acidez imutável, uma doçura bem abrandada, elegante. Cada minuto acordava mais, apareceu de tudo: tâmaras, figos secos, alecrim fresco, incenso, vela apagada. Parecia a catedral de Budapeste no final de uma missa, tinha ecos e ruídos, música e silencio, vento e calor de chama. Foi curioso testemunhar a garrafa se defrontando com um iphone que a fotografava, ela que tinha entrado em sono antes de tudo isto e acordou agora noutro século.

Vinho que roubou o dia, a cena e a degustação. Não deu para falar de outra coisa.

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5%

  • 3 de março de 2010
  • 16h38
  • Por Luiz Horta

Amanhã no Paladar, na quinta parada das “Viagens engarrafadas de Glupt!” faremos um passeio pela Bairrada. Pensou em Luís Pato na hora, não foi? A surpresa é que não tem Pato na degustação, mas claro que o admirado produtor aparece mencionado toda hora. O vinho que ficou em maior destaque é uma delícia e tem bom preço (estou salivando pensando nele agora). Foi o patinho feio, 100% Baga, que estava melhor.

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[Patolino, personagem do Looney Tunes,  copyright Warner Brothers]

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Isto é um anúncio

  • 3 de março de 2010
  • 3h18
  • Por Luiz Horta

Eu nunca fiz nada direito, comércio então…não sei vender e não sei comprar. Sei ler, leio muito bem, deitado, em pé, sentado. Releio então que é de dar gosto. Sou um orgulho como releitor. Então nunca me meteria a vender vinhos, que sou velho o bastante para saber o fiasco que viria. Mas se um dia fosse vender vinhos, minha primeira providência seria evidente: contratar o Kermit Lynch!

Basta ler o texto que recebi agora, quem não sairia correndo para comprar uma magnum destas de que ele fala? (prometo que traduzo depois).

Eu desconfio que no dia que deixarmos de comprar vinhos por catálogos coloridos, papel excelente e preços elevados de impressão, verdadeiros livros para jogar fora (o dele é uma newsletter, antes era impressa em 2 cores, depois vinha em PDF, agora é um email mesmo). Ou por símbolos correlacionados de chiquezas. E comprarmos um vinho por um texto deste, que faz você saltar da cadeira e correr com os 80 dólares na mão para pedir a magnum ( e nunca ouvi falar no Bandol que ele sugere), desconfio que no dia que acontecer isto, teremos entendido de que se trata vinho e seremos melhores.

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Gros’Noré in Magnum

By Kermit Lynch

From my house near Bandol, I can see Alain Pascal’s Domaine du Gros ’Noré across the valley. He has created a beautiful estate—he came up with the design himself, and with friends even laid the stones and tiles. Now his wines are putting the place on the map.

Gros ’Noré? Well, Alain’s father’s name was Honoré and he was a huge chunk of a man, so people called him Big ’Noré. Gros ’Noré.

Alain and I have become friends. Drinkin’ buddies. We might meet early and go to La Ciotat to await the fishing boats’ return and buy the catch still wriggling. Octopus is often available, slippin’ and a-slidin’. Also, Alain hunts and invites me for roast boar or various fowl cooked over vine cuttings.

Once, he loaned me his shotgun so I could take care of a pesky wabbit that was dining out in my vegetable garden with such appetite that there was nothing left for me. I took my well-fed organic victim to Alain, who skinned it and cooked it with lots of garlic and thyme. I uncorked a Cornas from Allemand, 1995. Zounds and gadzooks!

Another evening, this year before the harvest, Alain brought out a magnum of his 1999 Bandolrouge. For the two of us. I told him his eyes were bigger than my stomach, but he said no, no, he just likes wine better in magnums. He says they always taste better. And then it came out that he has a bunch of magnums he has never offered for sale.

And here they come. My advice? Go for it!

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O Tondonia e seus (meus) amigos

  • 2 de março de 2010
  • 3h48
  • Por Luiz Horta

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Foi uma “vaya semanita”, tudo desculpa para acompanhar a solene abertura dos Tondonias Rosados. Respondo (demoro mas faço): era um Crianza 1997. A cor é pele de cebola, o aroma é incompáravel, de tutti-frutti: uma mistura de flores secas, frutas passa, açucar cristalizado e algo longamente esquecido na gaveta de especiarias de um indiano. Na boca, a marca registrada da casa, excelente acidez e duração. Houve certa discussão, alguns diziam que era um branco de alma vermelha, outros um tinto evoluído, já além do claret. A unanimidade era sua perfeição.

Nas fotos se nota um Cos d’Estournel 1986 (que era ainda um baby nos seus 24 anos e aguentaria mole mais uns 10, um vinho assim é quando me reconcilio com Bordeaux), tirado da cartola imaginária do prestidigitador Pagliari e otras cositas más, incluindo, no canto direito, um Quinta do Vale do Meão, vinho favorito da Frederica.

Não aparece o quiabo com músculo desfiado, feito por Nazira, mulher do Didú, nem o amontillado La Bota #9, nem meu sorriso de rolha a rolha, com uma leve gotícula de emoção no olho. Como se diz em catalão: feliç, feliç.

[Nem bem postei e já me corrigem: aparece sim o rótulo amarelinho do La Bota #9 do Equipo Navazos. Agora vi]

Homem do Ano

  • 1 de março de 2010
  • 23h23
  • Por Luiz Horta

O Nobel dos vinhos é o título de Man of the Year da revista inglesa Decanter. O de 2010 acaba de ser anunciado: Aubert de Villaine, proprietário do Domaine de la Romanée-Conti.

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