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Luiz Carlos Merten

06.outubro.2010 01:18:34

‘Tropa 2′

CAMPINAS – Estou de volta ao hotel, em Campinas, depois de assistir, em Paulínia, a ‘Tropa de Elite 2′. Vim na mesma van com parte da equipe do filme – o diretor José Padilha. Wagner Moura. Ele recebeu um torpedo. Foi o melhor ator do Festival do Rio, por ‘VIPs’. Não sei nem se a informação é verdadeira. Vou checar depois. O resultado já deve estar na internet. Perdi a premiação para estar aqui na pré-estreia de ‘Tropa 2′. Quando o filme terminou, fiquei parado, impactado. Me deu uma tremenda vontade de chorar, um vazio. Vocês talvez sintam isso quando assistirem ao filme. É tanta miséria, falo da miséria moral, esse casamento de milícia e política que Padilha critica e que não se circunscreve ao Rio, cenário da ação. São imagens de Brasília, sobre as quais se superpõe a voz do coronel Nascimento, dizendo que lutou contra o sistema e sua luta agora era pessoal. O sistema é f…, ele diz, e é verdade. Imagino que o filme poderia ter feito um estrago, se fosse lançado antes da eleição de domingo. O debate sobre segurança vai continuar, para os presidenciáveis. Não creio que Dilma e Serra consigam passar incólumes pelo efeito ‘Tropa 2′. Terão de se manifestar. No caminho de Paulínia, fui em outra van, com atores e o diretor de fotografia Lula Carvalho. O clima era de euforia, mas também de guerra. Cantaram toda a viagem, ‘Uma Vez Flamengo’, ‘Mangueira’. A torcida do Fla, a caminho do Maracanã, deve entoar todos aqueles hinos. senti que havia pisado na bola quando falei no Tiririca carioca, uma coisa que tenho ouvido muito no rio, nas ruas e de taxistas. ‘O Gla, pior do que está, não fica.” Receberam mninha pisada com o maior silêncio, só o Lula, o Carvalho, riu. A volta não foi tão festiva, eu, pelo menos, estava mergulhado em pensamentos sombrios. Tudo aquilo que Wagner Moura, o roteirista Bráulio Mantovani e o músico Pedro Bromfman me disseram se confirmou. O filme é mais maduro, mais forte. Nascimento está mais denso, e Wagner, melhor ainda. O filme é centrado na sua relação com o filho e na guerra com a milícia. Enquanto escrevo, ouço o clamor das vozes. A equipe comemora o sucesso da noite aqui ao lado. Não tenho condições de ir adiante. queria somente deixar registrada essa primeira impressão. É tarde, preciso viajar cedo. Volto ao Rio para assistir, à noite, a ‘Lope’, de Andrucha Waddington. Preparem-se para o ‘Tropa 2′. Padilha conseguiu. O filme é uma porrada.

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2 Comentários Comente também
  • 06/10/2010 - 03:05
    Enviado por: Rogério de Moraes

    Oi Merten. Sou o cara que fez questão de te cumprimentar na saída do Tropa 2 pra dizer que adora seus textos. Também sou o cara que uma vez te viu no centro (você tinha ido cortar o cabelo, eu, comprar um Tarkovisk). Na primeira vez fiquei tímido e deixei passar. Dessa vez venci minha assombrosa timidez e falei. Me senti bem por ter falado. Queria falar mais, muito mais. Bater papo, cinema, claro. Beber um pouco de uma conversa com você. Mas não era oportuno. Não consigo dar uma de louco…rs. Também gostei do filme. Mas com todo o atraso na sessão pude perceber quem são meus “famosos”. Enquanto muitos procuravam os “globais” para babar e ver, ou ver e babar. Eu ficava de longe, vendo “meus famosos” conversando, três fileiras abaixo. Você e o Zanin. Vontade da porra de estar lá, junto no mesmo papo. Mas tenho ainda que comer muito arroz e feijão para ter esse mérito. Por enquanto fico só como tiete, deslumbrado e tímido no meu canto. Abraços.

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  • 06/10/2010 - 22:10
    Enviado por: Eduardo R

    Fico feliz que um dos temas princípais do filme seja as milícias e torço para que essa discussão ganhe uma dimensão maior, que as pessoas abram os olhos pra esse que é o problema mais grave no Rio de Janeiro. E que pelo menos assim, como vc mencionou, os presidenciáveis abordem o tema. Achei incrível como nem o Plínio levantou a questão, que é uma grande ameaça a democracia.

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