BERLIM – Não quero provocar ninguém, mas em Paris comprei um livrinho, de uma nova coleção de ensaios críticos. Chama-se ‘Clint Fucking Eastwood’ e o autor é Stephane Boucquet, ex-Cahiers du Cinéma. Comprei porque era pequeninho, baratinho e seria uma boa leitura no avião. Deu para ler inteiro no voo para Berlim. O autor destroi o mito de Clint, misturando estética, política e psicanálise. Sua análise de ‘J. Hoover’ é devastadora, mas o mais importante – e não é provocação, hein? – é como ele considera o pênis, e o tamanho do pênis, essencial na obra de Clint. Nem me lembrava que existem tantas cenas e diálogos referentes ao assunto – em ‘Os Imperdoáveis’, ‘O Mundo Perfeito’, ‘O Poder Absoluto’, ‘O Jardim do Bem e do Mal’ (com aquela Lady Chablis), ‘Mystic River’ etc. O ponto de Boucquet é que só a qualidade dos filmes – que ele contesta, e de forma muito pertinente; algum editor deveria lançar o livro no Brasil – não justifica o mito do ‘xerife’. Fica subentendido que se trata de uma projeção/sublimação dos críticos no machismo do astro/autor. Tem neguinho querendo ser Clint no escurinho do cinema, o último macho, essas coisas. Folclore à parte, a análise se sustenta. E, no caso de ‘J. Hoover’, assino embaixo.
No final das contas o Clint é uma figura interssantíssima, porque ao longo da sua vida sempre o elevam a mito de qualquer coisa – do western, do policial, da masculinidade, da direita, da América, do autorismo contemporâneo e por aí vai. O excesso de expectativa em relação a sua figura faz com que volta e meia ele despenque no ridículo ou simplesmente não corresponda ao que seus cultuadores estão esperando. Ele é um diretor compentente, mas não extraordinário, tirando algumas excessões aqui e ali. Seus filmes são honestos e ele me parece um senhor de 80 anos que está só querendo dirigir mais um coisinha aqui e ali pra não se aposentar, sem querer surpreender ninguém ou ser mito de nada.
deve dar pra conferir na internet, mas só em francês…aí é sacanagem….
Não sei, acho “Mystic River” uma obra-prima. Não sei sobre J. Hoover porque não assisti. Mas acho o Clint um bom diretor, com filmes bons e ruins na carreira. Normal.
Mas Boucquet provoca riso sim
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