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São muitas emoções

Luiz Carlos Merten

22 junho 2014 | 18:01

Não tenho postado muito, um porque não me canso de fazer matérias para o jornal e o portal, de ver filmes e fazer entrevistas, e ainda tem os jogos da Copa. Até aí, normal, mas o problema, e se há um, pode muito bem haver dois – não estou entendendo as mudanças no blog, que me impedem de ver acessos e/ou possíveis comentários. Não estou conseguindo ver nem meus posts publicados, o que me parece uma demência. Sem retorno – não sei se tuítam, recomendam, comentam ou se simplesmente os leitores me esqueceram -, ando à deriva. Sensação esquisita. Mas agora posto,. quem sabe para pensar em voz alta e compartilhar comigo mesmo. Saí tarde – para um domingo – da redação. Tinha um monte de matérias para amanhã – a crítica do novo Clint Eastwood, a maratona que o MIS vai dedicar ao xerife, o livro de Dino Risi, Mes Monstres, o retorno de Embalos de Sábado à Noite, tudo isso e mais o destaque de filmes na televisão, que fiz sobre Cidade de Deus, que vai ter sessão na TV paga. Na saída da redação, e a caminho do almoço, peguei o Aliás para dar uma olhada. Li com muito interesse a entrevista com o historiador e ex-combatente no Vietnã Andrew Bacevich, sobre a situação no Iraque, emendei com a notícia da morte de 25, o último integrante do bando de Lampião; com a análise de Renato Janine Ribeiro – A Quarta Agenda Democrática – sobre o que os candidatos não estão vendo nos protestos dos jovens. O próprio Janine verbaliza uma coisa que acho muito relevante. Tenho amigos, alguns até gays (assumidos), que entenderam como legítima aquela multidão mandando a Dilma tomar no c… no Itaquerão. Dizem que brasileiro é assim mesmo, manda todo mundo tomar no c… Eu mando, mas não mandaria a Dilma nem a Marina. E o que o Janine vê no fato é uma reação machista à governanta mulher, e a isso, por saberem o que é discriminação, os amigos gays deveriam ter sido mais sensíveis (ou antenados). Mas ainda houve outro texto que me calou fundo, o de Sérgio Augusto. Carpe ludos. Ele parte dos slogans a que nos acostumamos nos últimos tempos – ‘Não haverá Copa’ e ‘Imagine na Copa’ (o caos). Lembra que somos o país do futebol, o esporte mais popular do planeta e nenhum outro evento, nem Olimpíada nem Oscar bate o que está sendo a audiência planetária desta Copa. Acrescenta que, certo, a conta virá depois, mas agora o mais sábio é relaxar e aproveitar. Está sendo uma Copa de muitos gols e grandes surpresas. Quem diria que a Costa Rica seria a primeira classificada do grupo da morte, derrotando Uruguai e Itália, ou que Espanha e Inglaterra seriam despachadas tão cedo? Que Gana ia fazer aquele jogo e, se não fosse o gol de Klose, garantindo o empate, teria parado a Alemanha? Que são Messi ia salvar a Argentina do vexame de perder para o Irã? Ou que a Holanda teria de suar tanto para bater a Austrália? Sou bobo, sei, mas quando ouvi a entrevista do capitão da Costa Rica, no rádio, e ele lembrou como foram, ridicularizados, que todo mundo dizia que vinham para apanhar dos grandes, me deu uma euforia e lamentei não haver batalhado para comprar ingressos. Não basta ver na TV. Queria ter estado num monte desses jogos. Queria ter visto Argélia e Coreia na Arena de Porto, jogo que terminou há pouco. Volto ao cinema, e hoje espero assistir a Tarja Branca, que ainda não vi.