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Luiz Carlos Merten

31.janeiro.2012 15:42:18

‘Madame’ Ingrid

Acabo de receber o novo pacote de lançamentos em DVD da Cult. Toda vez a distribuidora prestigia um clássico, ou cult, gay e o deste mês é ‘Diferente dos Outros’, de Richard Oswald, produção alemã muda com Conrad Veidt, o César de ‘O Gabinete do Dr. Caligari’, de Robert Wiene. O pacote contempla também John Waters – ‘Pink Flamingos’, famoso pela cena em que Divine, o travesti, perdão, a travesti de 200 quilos que era a estrela favorita do autor, come cocô de cachorro -; ‘A Montanha dos Canibais’, de Sérgio Martino, cuja glória é mostrar Ursula Andress seminua na trilha dos canibais de Ruggero Deodato; e ‘Salon Kitty’, de Tinto Brass, em que o viscontiano Helmut Berger faz oficial nazista que transforma o bordel da bergmaniana Ingrid Thulin no laboratório de pesquisas sexuais que envolvem as pensionistas da casa com anões, opbesos e todo tipo de deformados, numa celebração do grotesco cara ao autor de ‘Calígula’. Esse tipo de filme, nazismo com sexo selvagem – e uniformes SS para incrementar o fetiche -, terminou por se constituir num gênero à parte do cinema italiano, frequentado por diretores que, nos anos 1970, eram apedrejados e hoje foram ‘descobertos’  pela crítica. Não acreditei no dia, em que, em Los Angeles/Beverly Hills, encontrei numa estante da Barnes and Noble ‘n’ livros dedicados a Lucio Fulci, um dos mais ativos diretores desse cinema de carregação, agora investido de ‘arte’. A Cult Classics anuncia que se trata da versão ‘estendida’ do ‘autor’. Para onanistas e voyeurs, é o máximo. Muito excesso, mais, muito mais, de tudo.

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2 Comentários Comente também
  • 31/01/2012 - 21:37
    Enviado por: CELDANI

    É Merten, creio que ninguém pode negar que Tinto Brass sabia filmar o erotismo sem ser pornográfico! E, pornografia pura e simples é uma coisa, erotismo é outra.

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  • 01/02/2012 - 07:04
    Enviado por: césar

    Essas “coisas” dos anos 70 agora são arte, cult, na América? Então também aqui tem que ser pois “O que é bom para os Estados Unidos é bom para o Brasil”. A eterna vassalagem; a criadagem sem libré para servir Tio Sam. E a imprensa leva carradas de culpa nisso porque nunca vi e li tanta paparicação em torno do Oscar. E os pequenos burgueses daqui adoram. Sentem-se americanos do norte vivendo no quintal do sul.

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