Mauro Brider comenta o post sobre Fritz Lang e a psicanálise e pede que fale sobre ‘Os Corruptos’, que, para ele, é a obra-prima do grande diretor. Pode ser, Mauro, mas eu confesso que gosto muito dos dois filmes de Lang com Glenn Ford. ‘Desejo Humano’, um remake de Jean Renoir, é tão bom quanto, embora sua fama seja de obra menor e aquele movimento circular da câmera quando o marido volta para casa, expondo a mediocridade do seu universo fechado que exaspera a mulher, aquilo é minimalista, feito com economia, mas tem uma potência cênica que me deixa embasbacado. Mas, para um leitor de aventuras, como eu, ‘O Tesouro do Barba Rubra’ tem um significado todo especial. Revi o filme não faz muito, num daqueles cineminhas de art et essai de Paris, e saí no sétimo céu. O que vou escrever agora talvez me crie problemas, mas Paris é o sonho romântico de muito casal. Eu curto Paris acompanhado, mas gosto mais da cidade quando estou sozinho. Vou ao nirvana, sem droga nenhuma, quando me sento naquele café, na esquina do Boulevard Saint Michel com o Sena e fico vendo a vida passar. Havia, quando era jovem, por volta de 1960 – 15 anos, fodido, sem grana – uma música que até hoje ecoa em meus ouvidos. Aprendi a falar francês no ginásio. Era bom, mas Paris me parecia simplesmente o sonho impossível. Hoje, quando ando por ali, a música vem, a toda hora. ‘Mesmo estando só eu me sinto feliz/huu/cantando a canção que embala Paris./Mulheres que passam…’ Santo Bergman, o desfecho de ‘Gritoas e Sussurros’. A vida é feita de momentos. E, de volta a Lang, o cinema dele tem muitos momentos que me inundam. No cinema norte-americano, ainda mais, mesmo que o grito de socorro de Peter Lorre em ‘M’ – ‘Alguém, me ajude!’ – seja dilacerante e a troca de olhares que precede a dança que termina em assassinato no ‘Tigre da Índia’ seja outro toque de gênio.
Merten,
Embora gosto não se discute, acho difícil não considerar M, o vampiro de Dusseldorf a obra-prima de Lang, Entre outras qualidades desse clássico, o uso do som (em seu primeiro filme falado) é feito de forma revolucionária para a época e até hoje está presente em muitos filmes. Os Corruptos é muito bom (com aquela nunca assaz louvada cena em que Lee Marvin despeja água quente no rosto de Gloria Grahame), mas talvez nem seja o melho Lang da fase americana. Ha Furia, Vive-se só uma vez, Almas Perversas , oO Segredo da Porta Fechada e até aquele faroeste com Marlene Dietrich. Para o meu gosto. Saudações, Francisco Sobreira.
E por falar em “M”, foi lançado aqui o remake que o Losey fez em 51, que eu nem sabia que existia. Fiquei curioso em saber o que você acha dele, já que como eu é fã de carteirinha do Losey.
Merten, que fim levou o Brian de Palma? Faz anos que não vejo falar em nenhum filme dele. O cara foi um dos precursores da chamada “Nova Hollywood” e hoje está no esquecimento total.
Felipe e De Palmanianos (como eu),
Mertem falou de um dos próximos projetos de De Palma (“Heat”, refilmagem de uma obra estrelada pelo Burt Reynolds, com Jason Statham) alguns posts atrás. Mas de imediato ele começa a rodar dia 05 de março em Berlim “Passion” com Rachel MacAdams e Noomi Rapace. É outra refilmagem (parece que ele está numa onda de fazê-las), de suspense francês, “Crimes de Amor”, com Ludvigne Seigner e Kristin Scott Thomas, lançado direto em DVD aqui pela California Filmes.
Para toda e qualquer informação sobre De Palma (De Palma À La Mod: http://www.angelfire.com/de/palma/blog/), eis este blog completíssimo, com muitas atualizações mensais, funciona como uma verdadeira agência de notícias sobre o diretor, trazendo o máximo de dados possíveis sobre tudo que se refere ao cara, numa amplitude incrível, de novos DVD até notícias sobre o musical criado a partir de “Carrie, a Estranha”, passando por críticas quando uma nova obra chega aos cinemas. Ao longo dos anos o site falou de muitos projetos de De Palma que não foram para a frente, incluindo um que parecia sensacional, “Toyer”, suspense passado no Carnaval de Veneza com Colin Firth como um assassino e Juliette Binoche. Aproveite!
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