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Imaginação no poder

Luiz Carlos Merten

23 junho 2014 | 12:27

Acabo de vir da Paulista, depois de entrevistar Barbara Sturm no canteiro de obras do novo Belas Artes. Eu que fiz a matéria da última sessão do Belas Artes para o Estado espero fazer a primeira do novo, em julho. Papai André estava lá e me disse que gostaria de inaugurar o conjunto de salas num domingo, uma semana após a Copa – 20? Ele vai ficar puto, sorry. Lembro-me da despedida. Il Gattopardo. O príncipe Salinas/Burt Lancaster assiste naquele baile à derrocada de sua classe. ”Pode ser que cada um de meus filmes esconda outro – meu verdadeiro filme, nunca realizado, sobre os Visconti de ontem e hoje.’ Palavras do grande Luchino. Como a fênix, o Belas Artes vai ressurgir das próprias cinzas – espero que com melhores poltronas, porque já brinquei com André e Barbara. As antigas eram meu tormento. Eram anatômicas não sei de quem, pois nunca consegui me encaixar nelas. Barbara me antecipou que a Pandora comprou, em Cannes, o vencedor da Palma de Ouro – Winter Sleep, de Nuri Bilge Ceylan -, que você vai ver na Mostra. E há uma campanha – Belas Artes, Eu Te Amo -, que está vendendo poltronas da Sala 1, a Villa-Lobos. Você poderá ter uma poltrona com direito a placa com seu nome, e poderá ver filmes todos os dias, com direito a acompanhante. Saí do Belas Artes em obras, um monte de operários lá dentro, trabalhando a todo vapor, e caí na Paulista, engalanada como nunca. Gringos de todas as nacionalidades passeando com suas cores e bandeiras nacionais. Brasileiros de verde-amarelo, eu, inclusive. São Paulo e a Paulista nunca foram mais cosmopolitas, uma Babel de raças e línguas. E devemos isso à Copa, que tanta gente amaldiçoou. Sérgio Augusto tem razão – a conta virá depois, mas agora o negócio é relaxar e desfrutar. Carpe ludos. Na banca do Conjunto Nacional, comprei o novo número da Empire. A revista lista os 301 maiores filmes de todos os tempos. O 301 é Ladrões de Bicicletas, de Vittorio De Sica; o 300 é Andrei Roublev, de Andrei Tarkovski. Ao azar – o 189 é Crepúsculo dos Deuses, de Billy Wilder; o 172, Rastros de Ódio, de John Ford; o 100, Indiana Jones e a Última Cruzada, de Steven Spielberg; o 88, City of God, sim, Cidade de Deus, de Fernando Meirelles; o 77, O Terceiro Homem, de Carol Reed; o 52, …E o Vento Levou; o 43, Vertigo/Um Corpo Que Cai, de Alfred Hitchcock (Psicose ficou em 70.º); o 33, Cidadão Kane, de Orson Welles; o 1o, Inseption/A Origem, de Christopher Nolan; e o 1, tatatatã, Star Wars Episódio 5 – O Império Contra-Ataca, realmente o melhor de toda a saga intergaláctica de George Lucas, com direção de Irwin Kershner, mas eu não diria que é o melhor filme de todos os tempos, por mais que me encante a ideia de Yoda pendurado de cabeça para baixo, naquela árvore, ensinando a Luke Sywalker que se pode mover o mundo só com a força da imaginação. ‘A imaginação no poder’, era uma das palavras de ordem, ‘a’ palavra de ordem dos surrealistas. ão se pode reclamar de falta de imaginação na lista de Empire.