Só eu mesmo… Precisei mandar algumas mensagens, e o fiz do computasdor de casam, mas agora, para postaer, dei-me ao trabaslho de pegar um táxi e vir ao Centro, em busca de uma lan house. Lembro-me daquele filme, ‘Denise Está Chamando’. Aqueles amigos usam todo o aparato que o desenvolvimento tecnológico lhes propicia para se comunicar vitualmente, sem sair de casa. Eu fora. O Festival dos Melhores Filmes, em homenagem a Leon Cakoff, exibe verdadeiras preciosidades neste fim de semana. Estou pensando se vou ver às 2 da tarde ‘Paixões Que Alucinam’. Revi o o filme de Sam Fuller não faz muito tempo, em Paris, acho que no Accatone, rue de Cujas, grudadinho na Sorbonne. É curiosio como a simples menção ao filme faz desfilar um monte de imagens no meu imaginário. Lembro-me dos amigos, alguns que já se foram. Jefferson Barros escreveu um belo texto sobre o filme. Ele amava o cinema ‘demencial’ do Fuller e é bem de demência que ‘Paixões Que Alucinam’ trata. Um jornalista interna-se num instituto psiquiiátrico para escrever a matéria de sua vida. Mas os deuses enlouquecem primeiro aquelesd a quem querem destruir e ele termina doidinho. O mundo dentro da casa de loucos é a expressão da loucura aqui fora. Por volta de 1960, Fuller já havia imaginado o negro que se toma por integrante da Ku Klux Klan, a KKK, que pregava a supremacia branca. Nenhum outro filme da época radicalizou desse jeito o foco no racismo. E o filme tem Constance Towers. Constance quem? Eu a amava, ela foi atriz de Fuller, dois filmes – este e o posterior ‘Beijo Amargo’, e dois de John Ford, ‘Marcha de Heróis’ e ’Audazes e Malditos’. Em ‘Beijo Amargo’, Comnstance é a prostituta que diz que fará tudo para deixar aquela vida, mas quando se casa com um milionário e descobre que ele é pedófilo e o casamento é só fachada, não há arranjo possível. Grande Fuller. A programação de hoje no MIS, Museu da Imagem e do Som, inclui ‘Uma Rua Chamada Pecado’, ou ‘Um Bonde Chamado Desejo’, de Elia Kazan, baseado em Tennessee Williams, com Vivien Leigh como Blanche Dubois, às 4 e, na sequência, acho que às 6 e 20, ‘Paisagem na Neblina’, de Theo Angelopoulos, o grande diretor grego que morreu em janeiro. Os planos sequência de Angelopoulos! De todos esses filmes, é o que mais gostaria de rever, hoje. Amanhã, às 2, tem John Ford, ‘O Homem Que Matou o Facínora’ e o western nunca mais foi o mesmo depois que Tom Doniphom/John Wayne matou Liberty Valance/Lee Marvin, deixando que Ranson Stoddard/James Stewart ficasse com a fama. A glória dos derrotados, a essência de Ford. Posso preferir ‘Rastros de Ódio’, mesmo com o índio morto que respira, mas nunca esquecerei a emoção que tive ao písar em Monument Valley, um solo sagrado do cinema, descobrindo aquele lugar que se chama ‘Ford’s View’, onde ele gostava de colocar sua câmera. Os filmes da minha vida. Das nossas vidas. Cada um tem o seu, os seus. Independentemente de preferência, a homenagem a Leon é duplamente atraente. Permite homenagear o criador da Mostra e, para muita gente – os jovens -, quantos desses filmes, mesmo existindo em DVD ou podendo ser baixados na internet, não serão novidade?
É verdade, Merten, mesmo com o índio morto que respira, é um grande Ford.
Fico emocionado com aquele início de Rastros…, ao escurecer, os índios que não aparecem, só a revoada de pássaros mas, o ataque à família é iminente. Considero essa sequência, com aquela fotografia belíssima, uma cena aterradora, sutilmente sugerida.
Abraço.
Ei, Merten
Tudo lindo? Olha que doido: acabo de comprar o DVD de O Passo Suspenso da Cegonha, do Angelopoulos, com Mastroianni e Jeane Moreau, e daí chego em casa e te leio falando do cara. Vi só quando passou na Mostra. Te gusta?
Abraços.
Vilmar
PS: o post do show do Chico é uma maravilha.
Os filmes de minha vida Merten sao Rocco e seus Irmãos (Visconti), Morangos Silvestres (Bergman), O Ano Passado em Marienbad (Resnais), Aurora (Murnau), Pacto Sinistro (Hitchcock), Jules ét Jim (Truffaut), M – O Vampiro de Dusselforf (Fritz Lang), Crepúsculo dos Deuses (Billy Wilder), Ivan, o Terrível (Eisenstein) e O Homem que Matou o Facínora (Ford).
Lindo post e perfeita menção no final à possibilidade de que jovens entrem em contato com esses filmes.O que me leva à algumas perguntas: estes filmes da Mostra do Leon estão sendo todos exibidos em película ou em cópias digitais novas (embora duvide que cópias novas digitais fossem feitas destes filmes pela pouca possibiilidade de retorno comercial)?
Escrevo de BH, sou leitor assíduo do “Estadão” impresso, mas não de absolutamente todos os dias, pois às vezes não acho o jornal. Dois filmes importantes do cinema da “Nova Hollywood” dos anos 70 (“Taxi Driver” e “Cada Um Vive Como Quer”), foram reprisados recentemente em película 35 mm no que me parece um cinema de massas, grande sala, muito significativo daí, o Cine Olido (que se não em engano agora pertence à prefeitura ou e programado por ela). O “Caderno 2″ fez alguma reportagem sobre isso? Quando? De quem foi a idéia, do dono ou programador da sala ou de alguém dono de uma distribuidora, etc? Esta é uma “tendência”? Isto é, além da mostra sobre Alberto Salvá que está lá, outros filmes importantes da Nova Hollywood podem ser reprisados por lá? Há previsão de “viagem” dessas reprises por outras capitais?
Toda a vez que Rastros de Ódio é mencionado no “post” dá uma vontade danada de escrever algo sobre o filme. A música da cena inicial do filme é um arranjo do grande Max Steiner da bela balada “Lorena”, escrita em 1856 pelo Reverendo Henry D. L. Webster, depois de ter perdido a noiva para um concorrente mais abonado. Tudo a ver com a paixão de Ethan Edwards pela cunhada Martha. Apesar de a música ter origem nortista, era cantada pelos soldados dos dois lados durante a Guerra da Secessão. A letra da balada, cheia de referências aos valores familiares, foi apontada como incentivadoradora de deserções e a música acabou sendo proibida pelos oficiais. Tudo a ver com o retorno de Ethan à casa de seu irmão. A balada foi aproveitada outros filmes, como “The Horse Soldiers” (Marcha de Heróis), também de J. Ford, e no recente “Cowboys & Aliens”. Quanto a questão de aparecer no filme um índio morto que respira, pra mim não tem a menor importânica. O filme é tão superlativo que não me importaria em ver no filme um índio usando óculos rayban.
Reassisti ontem a “Paisagem na Neblina”, exibida em película – cópia da Pandora – e lamentei ainda mais a morte do grande cineasta Theo Angelopoulos.
O único aspecto que me incomodou um pouco nessa revisão foi a música – presente ao longo de todo o filme – que apesar de bonita, é triste e, portanto, excessiva em um filme já carregado de melancolia.
Já tinha comentado com amigos, por ocasião da retrospectiva de Béla Tarr no Indie 2011, o quanto Angelopoulos deve ter influenciado Tarr. Além dos longos travellings, a seqüência das pessoas paralisadas observando a chuva que cai incessantemente em “Maldição” (ou “Danação”) lembra muito a seqüência das pessoas paralisadas observando a neve que cai em “Paisagem na Neblina”. Isso em falar na cena do violinista no bar, presente, se não me engano, em ambos os filmes.
A carcaça da baleia exposta no filme “As Harmonias de Werckmeister” lembra a seqüência da mão gigante emergindo do mar e suspensa pelo helicóptero em “Paisagem”.
Outro filme programado para ser exibida em película é o magnífico “O Passageiro – Profissão: Repórter”, de Michelangelo Antonioni (quarta, 20h30).
A sequência final – a câmera que entra na cadeia e sai pelas grades, sem cortes – é inacreditável. Ouvi comentários de que a grades estavam pré-cortadas e foram sendo afastadas à medida em que a câmera . Isso é verdade?
Dos filmes de Samuel Fuller a que assisti gostei imensamente de “Agonia e Glória”, “Beijo Amargo” e “Paixões que Alucinam”. A boa notícia é que a retrospectiva completa de Fuller é um dos projetos selecionado pelo CCBB para este ano.
Complementando a frase sobre “O Passageiro – Profissão: Repórter”: as grades, pré-cortadas, foram afastadas à medida em que a câmera recuava.
Merten, assisti Uma Rua Chanada Pecado apenas em DVD. O filme é incrível. Superou todas as minhas expectativas, pois minha mãe passou anos falando dele. Ela achava que era a melhor interpretação do Brando, acima do Poderoso Chefão e de Sindicato de Ladrões. Eu li a peça antes de ver o filme. Acho que está na minha lista dos que me causaram mais impacto em toda a minha vida. Essas mostras são fantásticas para resgatar todos esses sentimentos. Mil abraços, Paula.
Um parênteses só para dizer que gostei de ver citado o interessante ‘Denise Está Chamando’, uma belezinha de filme que nunca foi lançado em DVD no Brasil…
Ainda estou bem triste com a morte tão trágica e estúpida de Theo Angelopoulos.
Gostava tanto dos filmes dele. Não que os compreendesse inteiramente, mas a estética me fascinava. Era uma viagem literalmente. Lindos filmes mesmo lidando com temas pesados.
Merten, escreva um pouco mais sobre Angelopulos e principalmente me explique por que o povo do Cahiers não gostava dele^. O que quer dizer exatamente aquele termo “pompier” ???
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