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Aleluia!

Luiz Carlos Merten

quinta-feira 12/06/14 20:22

Imagino que a Calvin Klein não tenha pagado tanto a Oscar quanto teria de pagar a Neymar para estampar a barriga tanquinho dele nos outdoors espalhados pela cidade.  Quem bolou a campanha mirou certo. São Neymar! Dois gols, mas um veio de um passe de Oscar, que fez o terceiro e foi soberano no gramado. Por nada do mundo gostaria de me colocar na pele de Marcelo, que deve ter vivido a pior meia-hora da vida dele, até o primeiro gol do Brasil. Prefeito de merda. Votei nesse Haddad – investi em passagens aéreas de ida e volta durante o Festival do Rio -, mas hoje queria passar sobre ele como um trator. Onde se viu fechar o Anhangabaú, daquele jeito, para que Coca, Itaú, Brahma e sei lá quem mais (havia um quarto patrocinador) fizessem no espaço por excelência de São Paulo um evento fechado? O Anhangabaú deveria ser do povo, mas, nós, o povo, ficamos espremidos nas laterais. Tiveram o peito, essas empresas, de erigir um muro, uma parede, para isolar seu telão. O muro de Berlim, o de Israel, todo mundo reclama. Ainda bem que não houve tumulto, porque qualquer coisa ali naquele espaço ia terminar esmagando um monte de gente. Cerveja não bebo – sou do vinho -, e agora menos ainda. Alguma Guinness, escura, até que cai bem com comida mexicana. Brahma, nem se me enfiarem pela goela. E eu odeio o Itaú, e não por ser o banco do Luciano Hulk – quer dizer, também por isso. Como não conseguia ver o jogo espremido daquele jeito, fui procurar outro lugar e caí no bar Guanabara, na esquina da São João. Dei sorte. Saboreava minha caipirosca quando Neymar fez o primeiro gol do Brasil e eu pensei comigo que era uma questão de tempo para vir o segundo (Neymar, de novo). Estava, como se diz no Sul, pelada a coruja, mas a partida seguia instável e veio o terceiro (do Oscar).  Quem vê o jogo no estádio, ou em casa, não faz ideia do que é ver no meio daquele povo. No estádio, gritavam sem parar ‘Dilma, vai tomar no c…’, me contou o Dib. Pergunto-me quem gritava? Burguesinhos, com certeza. Sou Inter, já trabalhei (como redator) no Esporte, em Zero Hora. Foi uma fase gloriosa da minha vida. Conheci – não vou dar conta do nome de todos – Antônio Oliveira, Mauro Torales, Emanuel Mattos, Marcelo Matte, Roberto d’Azevedo, Júlio Sortica. Foram essenciais em minha vida. Mas não tenho alma de torcedor, tenho de admitir. Minha filha, a Lúcia, é gremista e muito mais passional que eu. Só ensandeço na Copa do mundo. Os jogos viram épicos, bigger than life. Vão tomar nos c… (no plural, cada um no seu) seus black blocs. Hoje, naquele Anhangabaú, e no Guanabara, retomamos tudo. A bandeira, o verde e amarelo, a cidadania, que (também) se expressa pelo futebol. Chorei, gritei. Não foi um grande jogo – o começo foi sofrível. Mas foi emocionante. Neymar – nunca fui muito fã do moleque. Hoje ele é um deus para mim. E o próprio Senhor, se existir, vai concordar comigo. Que siga a Copa.