LONDRES – Aqui estou em Londres, para ver daqui a pouco Prometheus e entrevistar amanhah a equipe do filme – Ridley Scott, Michael Fassbender, Charlize Theron, Naomi Rapace etc. Quase perdi meu voo pela manhah, rolou um erstresse, mas aqui estou. Joaoh Roorda me pergunta como a imprensa francesa reagiu aa premiacaoph de Cannes? Eh o tema de uma materia que enviei hoje para o Caderno 2./ Reagiu muito mal, como era de se esperar. A proposito, uma jornalista australiana – a Ellen – perguntou a Alexander Pasyne se ele naoh estava conm medo de voltar aos EUA? Afinal, com tantos filmes norte-americanos na competicaoh, era de sde esperar que o juri premiase algum, para contemporizar, pelo menos. Payne naoh achou graca na pergunta e Jean-Paul Gaultuier se apressou a dizer que tambem havia muitros franceses e nenhum foi premiado. O presidente Nanni Mretti chegou a deizer que adoraria ter premiado os atores de Michael Haneke, Jean-Louis Ttintigfnant e Emmanuelle Riva, mas as novas regras do festival impede que os vencedores da Palma, do premio de direcaoh e do grande premio acumulem trofeus. Cheguei a pensar que foi por isso que Christian Mungiu ganhou o prenmio de roteiro, e noah o de mise-en-scene (que ele merecia) – para que o juri pudesse premiar as atrizes de Beyond the Hills. Mas a imprensa francesa caiu matando, sim. Pouparam a Palma – Le Monde chegou a escrever que Cannes foi salvo pelo `amor` -, mas principalmente os premios para Reygadas, melhor direcaoh, e Matteo Garronde, o grande premio, provocaram um vendaval de criticas e indignacaoh. Eu sustento – numa selecaoh que naoh convidou aa unanimidade, o juri fez seu recorte, naoh se preocupou com as repercussoes, mas foi coerente. Mesmo que Haneke, de `Amor`, e Reygadas, de `Pos Tenebras Lux, naoh fossem meus candidatos, a escolha – toda ela – foi consistente. Agora, bye, estou indo para o Ridley Scott.
PARIS – Aqui estou, somente hoje. Amanhah de manhah voo para Londres e aa tarde assisto a Promtheus, para fazer na quarta as entrevistas programadas – com Ridley Scott, Michael Fasabender, Charlize Theron, Naomi Rapasce. Estou nos cascos, como se diz, mas Paris tambem tem seus atrativos e, de todos, eu escolhi o que muita gente consideraria o mais improvavel. Durante tanto tempo clamei para que Vagas Estrrelas da Ursa, do meu amado Visconti, fosse lancado em DVD no Brasil. Melhor que isso foi ver o filme nos cinemas, como fiz hoje. Vagas Estrelas, com o titulo de Sandra – a personagem de Claudia Cardinale -, foi relancado nos cinemas em copia nova, zero bala. Foi indiscritivel minha emocaoh, porque alem do filme, com sua grandeza, havia minha lembranca. Fiquei andando feito um zumbi, com aquela tri9lha do Cesar Frank nos meus ouvidos. E o vento! Meu Deus, o vento no jardim em que vai ser inaugurada a estatua que homenageia o pai de Sandra. Electra, Claudia Cardinasle no que talvez seja su maior papel, e Agamenon, e Clitemnestra, a poderosa Marie Bell. E Roberto Carlos na trilha… Hah muita coisa [para ver em Paris. Sempre hah, mas imagino que Antonio Goncalves Filho gostasria de se mudar para a Filmoteca do Quarteier Latin, que abriga uma integral de Pier-Paolo Pasolini. Uccellacci e Uccellini, Carnet de Notes pour Une Orestiader Africaine, Enquete Sur la Sexualiteh. E claro – Accatone, Mamma Roma, Edipo Rei, Teorema, Saloh. a trilogia da vida. Tudo isso eh muito bacana, mas confesso que, no Pariscope, o que mais me interessou foi a noticia do lancamento de um livro. Via-a somente agora, quase 11 da noite na Franca. Vou ter de deixar para comprar o livro no aeroporto, ou na volta de Londres. Jean Valere – quantos de voces sabem da existencia desse cara? Em plena nouvelle vague, Valere foi o que se pode chamar de corpo estranho. Assistente de Max Ophuls, Andre Cayatte e Marcel Carneh, pertencia aaquilo que Francois Truffaut chamava, pejorativamente, de cinema de qualiteh. Mas eu nunca me esqueci de La Sentence, que Valere fez com Robert Hossein, Roger Hanin e Marina Vlady. Valere lancou um livro de memorias, O Filme de Minha Vida, Le Film de Ma Vie. Conta tudo sobre os diretores com quem trabalhou, os astros da velha guarda francesa, os filmes que realizou. E o prefacio eh de Umb erto Eco, o que naoh representa pouca coisa. Simultaneamente com esse lancamento, vi que Le Desperado apresenta um festival dedicado ao cinema frances dos anos 1940. Vou tentar ver na volta de Londres, antes de regressar ao Brasil (no sabado). Battement de Coeur, de Henri Decoin, com Daniele Darrieux e Claude Dauphin. Henri quem? Nunca revi, mas por volta de 1960, ele fez um filme chamado La Chatte, com Francoise Arnoul. Era muito jovem, 14/15 anos. Impressionei-me com Francoise. O filme era bom? Naoh sei, mas hah um movimento, na Franca, para recuperar Decoin e seu cinema. A nouvelle vague foi-se e os diretores que Godard, Truffaut & cia. desautorizavam estaoh voltando. Nada como o tempo, para recolocar as coisas em perspectiva.
CANNES – Depois dos posts durante a cerimônia de premiação, tive de fazer as matérias da edição de amasnhã do ‘Caderno 2′. Gravei um boletim para a portal do ‘Estado’, fui jantar – com o Ernesto, do Recife, que me lembrou que já havíamosa jantado após a premiação de 2011 – e agora aqui estou eu, no hoterl, acrescentando o que deve ser meu último post de Cannes neste ano. Amanhã, vou para Paris e, na terça, para Londres, para assistir a ‘Prometheus’ – e entrevistar Ridley Scott, Michael Fassbender, Charlize Theron… Achava mais ou menos inevitável que Michael Haneke ganhasse a Palma, embora o prêmio de ‘Amor’ não fosse tão esperado quanto o de ‘A Árvore da Vida’ no ano passado, outro filme de que não gosto, ou melhor, gosto até masis do de Haneke, pela cena da caçada ao pombo, que acho magnífica (vocês vão ver, quando o filme passsar aí). Mas respeitei muito a premiação, em, bloco, do júri de Nanni Moretti, em especial os prêmios pasra Matteo Garrone e Christian Mungiu, o único a emplacar duas premiações. Tudo bem que o regulamento impedia de dar outros prêmios aos vencedores da Palma, do grande prêmio e do prêmio de direção. Se Moretti e seus jurados tivessem premiado a direção de Mungiu, e não o roteiro de ‘Beyond the Hills’, não poderiam ter premiado as atrizes – excepcionais – do filme romeno. Mesmo não tendo sido uma premiação que me satisfizesse – Walter Salles, Jacques Audiard e Sergei Loznitsa ficaram de fora -, ahei consistentre e só o fato de o júri ter resistido aos bando de imbecis, incluindo a turma de ‘Cahiers’, que queria a Palma para Leos Carax, já me faz tirar o chapéu para Moretti. Na coletiva do júri, muito elucidativa, ele disse que não houve unanimidade para nenhum prêmio. Assumiu que o ideólogo da premiação foi Raoul Peck, o diretor haitiano, e o próprio Peck revelou porque fez campanha pelo desconcertante filme de Carlos Reygadas, ‘Pos Tenebras Lux’. Mesmo tendo achado que o filme mexicano tem imagens (e cenas) belíssimas, até agora não consegui penetar em seu mistério nem elaborar um discurso convincente para mim, mas Peck contou como o a luz de Reygadas ficou com ele (e a jurada alemã). As imagens, os temas foram tão convincentex (mais que o filme), na avaliação de Raoul Peck, que fiquei me sentindo burro, por não ter gostado tanto. Moretti confessou que, por ele, teria premiado Jean-Louis Trintignant e Emmanmuelle Riva, mas o regulamento não permitia. Foi a sorte das garotas de Christian Mungiu e do Mads Mikkelsen, que ganhou por ‘The Chase’, do Thomas Vinterberg, que a Califórnia vai distribuir no Brasil. Com todas as ressalvas que possa fazer, adorei que Moretti tenha premiado Matteo Garrone e só agora me lembrei que M. le président acompanhou os irmãos Taviani em Berlim, onde eles ganharam com ‘Cesare Deve Morire’. Moretti vai distribuir o filme dos Taviani na Itália. Fecha-se, aqui em Cannes, um ciclo. ‘Cesare’ é sobre detentos que montam, numa cadeia italiana, o ‘Júlio César’ de Shaskespeasre. ‘Reality’, sobre os reality shows e o culto das celebridades que fazem a cabeça dos italianos – e nisso, os brasileriros chegam junto -, também é interpretado por um ator que está na cadeia, na Itália. Garrone diz que fez o filme por amor ao personagem e ao ator (Aniello Arena). A cena inicial,. uma longa tomada de helicóptero, a câmara acompanhando, de cima, uma carruagem que atravessa Nápóles, até chegar a um casamento, é de uma beleza de cortar o fôlego. Barroco puro, de deixar meu querido amigo Gabriel Villela com inveja (no bom sentido). Qual a cena mais bela do festival? A da carruagem? A caçada ao pombo de ‘Amor’? Aquela em que o garoto, ao comemorar o êxito do golpe, quebra a garrafa com o uísque raro de ‘The Angel’s Share’, de Ken Loach? A da abertura de ‘Pos Tenebras’, com a menina, filha do diretor, no meio do gado? O triângulo de ‘On the Road’, quando Dean, Garret Hedlund, chama Sol/Sam Riley para o sexo com Marylou/Kristen Stewart e os dois quase se beijam? É um privilégio estar aqui em Cannes e ver, em primeira mão, essas imagens. O festival mal terminou, ainda nem fui embora e já estou sonhando em voltar no ano que vem.
CANNES – Vou dar meu braco a torcer. A vitoria de Michael Haneke, que o presidente do juri, Nanni Moretti, atribuiu aa contribuicaoh dos atores, permitiu que o veterano Jean-Louis Trintignant dissesse a frase mais bela da noite – `E se a gente tentasse ser feliz, nem que fosse soh para dar o exemplo?`
CANNES – Pela contribuicaoh sem par dos dois atores, Jean-Louis Trintignant e Emmanuelle Riva, Nanni Moretti acaba de atribuir a Palma de Ouro do 65.o Festival de Cannes a… Amor, de Michael Haneke. Naoh era o meu favorito, mas foi uma premiacaoh coerente e consistente, aa luz das outras escolhas. Naoh dah para reclamar do juri.
CANNES – Moretti dificilmente vai atribuir a Palma a Christian Mungiu, mas ele acaba de dar o premio de interpretacaoh feminina as duas atrizes de Beyond the Hills. E o grande premio do juri foi para Matteo Garrone. Quem sobra para a Palma…? Haneke?
CANNES – Me desculpem pelo que vai parecer vulgaridade, mas naoh estah faltando culhaoh a Nanni Moretti. Ele deu seu premio de direcaoh ao mexicano Carlos Reygadas e o ator para Mads Mikkelsen. Soh mesmo um polemista para bancar essas escolhas…
CANNES – Ontem, ele ganhou uma mencaoh do juri de Tim Roth. Agora, o juri da Camera d`Or, presidido por Cacah Diegues, acaba de premiar Beasts of the Southern Wild, de Benh Zeitlin. Berenice Bejo estah chamando o juri. O primeiro premio do juri oficial, justamente o do juri, foi para Ken Loach, por Angels Share. Bravo! O premio de roteiro foi para Christian Mungiu, Beyond the Hills. Serah que vai ficar nisso? Preferiria se tivesse recebido o de mise-en-scene.
CANNES – Comecou! A cerimonia de premiacaoh de 65.o Festival de Cannes acaba de demarrer, como dizem os franceses. Berenice Bejo, de O Artista, eh a maitresse de ceremonie. O primeiro premio,. de curta – o juri era integrado por Karim Ainouz -, foi para o turco Silencio. Naoh sei se voces podem acompahnhar em dreto pelo site do festival, mas naos custa tentar. www.festival-cannes.org (ou fr).
CANNES – Realmente, seria inadimissivel que um esquerdista de carteirinha como Nanni Moretti deixasse de fora o ultimo marxista do cinema, Ken Loach. O velho acaba de dar entrada no palais. The Angels Share estah no pareo.
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