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Luiz Carlos Merten

31.dezembro.2010 14:24:13

A primeira onda

Houve um momento, antes da filmagem de ‘Acossado’, em que Jean-Luc Godard quase perdeu Jean Seberg. Ela estava presa por um contrato de exclusividade a Otto Preminger e precisava da autorização do cineasta para fazer um dos filmes faróis da nouvelle vague. Godard confidenciou a Bernadette Laffont – se não conseguisse Jean Seberg, ele ia desistir de Jean-Paul Belmondo e faria o filme com ela – Bernadette – e Charles Aznavour. Teria sido outra coisa. Melhor? Dificilmente… Bernadette Laffont conta isso na edição de outubro de ‘Cahiers du Cinéma’, que homenageia Claude Chabrol, morto no mês anterior. O título da entrevista com Bernadette não poderia ser mais sugestivo – ‘La première vague’, A primeira onda. Entre 1957 e 61, Bernadette foi a estrela do período nouvelle vague de Chabrol. Ela conta que era casada com Gérard Blain e que François Truffaut havia elogiado o marido pelo filme de Julien Duvivier, ‘Sedução Fatal’ (Voici les Temps des Assassins). Blain telefonou a Truffaut para agradecer e nasceu daí uma amizade que levou a que Blain e Bernadette fizessem o curta ‘Les Mistons’ e, depois, ‘Nas Garras do Vício’ (Le Beau Serge), o primeiro Chabrol que, por sinal, está saindo em DVD. Bernadette lembra os tempos heroicos da nova onda. Fala do ciúme entre os autores. Todos queriam ser os pigmaliões das novas Galatéias. Quando Truffaut ofereceu um papel para Bernadette em ‘Atirem sobre o Pianista’, Chabrol rapidamente lhe propôs outro, para evitar que ela aceitasse. Ela fazia a própria maquiagem e escolhia o figurino nos filmes de Truffaut e Chabrol. Seu papel em ‘Le Beau Serge’ parecia vir do cinema mudo – Jacques Doniol Valcroze dizia que ela era uma vamp cômica. Sua blusa decotada era uma imitação de Brigitte Bardot em ‘E Deus Criou a Mulher’, de Roger Vadim, e o blusão de couro de Gérard Blain era uma reminiscência de James Dean, que ele (Gérard) adorava. Não sei do interesse de vocês por essas velhas histórias, mas eu adoro, sem ser necessariamente nostálgico. Elas sempre me trazem alguma coisa. Iluminam a obra, e o artista. ‘Cahiers’ observa para Bernadette, meio en passant, que ‘Les Bonnes Femmes’, de Chabrol é o grande filme esquecido da nouvelle vague e ela diz que é a obra-prima do diretor. Bernadette diz que nunca deixa de rever ‘Les Bonnes Femmes’, sempre que tem oportunidade, porque é um filme extraordinário e ela sempre descobre alguma coisa nova naquelas imagens. Por exemplo, tem uma cena noturna numa boate, uma explosão de violência, um nariz falso. Bernadette está segura de que Stanley Kubrick viu ‘Les Bonnes Femmes’, aquilo ali  é a antecipação de ‘A Laranja Mecânica’. Havia comprado essa ‘Cahiers’ e esquecido, mas me lembrava que tinha um texto de um historiador sobre ‘Fora da Lei’, de Rachid Bouchareb, que estreia hoje (amanhã, porque hoje a maioria das salas está fechada). Procurei a revista e a trouxe para o jornal, para um box na edição de sábado do ‘Caderno 2’. Li a entrevista de Bernadette no táxi e resolvi compartilhar com vocês. Agora, chega. Como todo dia 31 de dezembro, desde que estou em São Paulo, vou dar uma espiada na São Silvestre.

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Conversei bastante com Antônio Gonçalves Filho sobre os filmes de Francis Ford Coppola e Marco Bellocchio que encabeçaram minha lista de melhores, ‘Tetro’ e ‘Vincere’. Ambos tratam da dificuldade de viver à sombra do gênio (ou do tirano). São filmes sobre a família, tragédias familiares. Toninho detestou um e outro. Coppola não vê saída fora da família, mas a família de Coppola nunca é a tradicional, bastando lembrar a saga do ‘Chefão’ ou o encontro geracional de Dennis Hopper e Mickey Rourke em ‘O Selvagem da Motocicleta’. A personagem de Vittoria Mezzogiorno em ‘Vincere’ é uma vítima, mas é uma simplificação considerá-la vítima do fascismo. Ela é vítima de si mesma e, neste sentido, é uma louca que criou o monstro que se voltou contra ela (Mussolini) e agora quer garantir os direitos do filho, que mimetiza o pai e Vittoria, no fundo, espera que ele seja monstruoso igual. É o que faz a complexidade de ‘Vincere’. Vittoria Mezzogiorno foi a melhor atriz de 2010 – olhaí, Severo. Sua sorte é que não tenha entrado ‘Cisne Negro’, porque neste caso não teria para ninguém. Seria Natalie Portman. O melhor ator do ano, não penso duas vezes, foi o chadiano Youssouf Djaoro, de ‘Um Homem Que Grita’, de Mahamat Saleh Haroun. Que que é aquilo, meu Deus? Mass poderia ter sido, por que não?, o Wagner Moura de ‘Tropa 2′. A melhor trilha? Coppola. Tango! A melhor fotografia? Coppola. Preto e branco, suntuoso. O melhor roteiro? ‘A Rede Social’. Labiríntico. A melhor montagem? ‘A Origem’. Que palavra usar para defini-la? ‘Kubrickiana’. São os ‘meus’ melhores de 2010. Sintam-se à vontade para acrescentar ao blog os de vocês.

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Não sou muito de fazer isso, mas vou colar aqui no blog minha capa de anteontem do ‘Caderno 2′, com os melhores de 2010. Fui redigindo o texto e, no calor da hora, ou da escrita, não apenas ‘O Profeta’ ficou de fora como descobri que meus dez mais na verdade foram onze! Vamos lá.
Ao contrário da irmã, Sofia, o talentoso filho de Francis Ford Coppola, Roman, não conseguiu se desenvolver na carreira e, após um primeiro filme promissor, dirige a segunda unidade de ‘Tetro’. O filme é, entre outras coisas, sobre a dificuldade de viver à sombra do gênio. Foi um tema recorrente no ano que se encerra. Também está em ‘Vincere’, de Marco Bellocchio. Ambos tratam de relações familiares. Um garoto que procura o irmão mais velho, a quem adora, e descobre segredos familiares – desvenda o mistério da própria identidade. A mulher renegada de Benito Mussolini, internada como louca porque ousa proclamar ao mundo o que o Duce quer que permaneça secreto – que ele tem um filho.
‘Tetro’ e ‘Vincere’ foram os melhores filmes do ano? Seria desconsiderar o extraordinário aporte do cinemão – sim, Hollywood –, por meio de obras como ‘A Origem’, de Christopher Nolan, e ‘Toy Story 3′, de Lee Unkrich. Na retrospectiva da década, que o ‘Caderno 2′ publicou no domingo, 26, José Padilha, autor do fenômeno do ano – ‘Tropa de Elite 2′ –, observou que os processos digitais, que permitiram a entrada das tecnologias computadorizadas no cinema, mudaram não apenas os métodos e os meios de filmagem, mas também a força das imagens na tela. Basta ver o realismo fantástico que os desenhos animados alcançaram – azar de quem acha que ‘Toy Story 3′ é só sobre bonecos (e para crianças).

Num certo sentido, a retrospectiva do ano corrobora a da década. As novas tecnologias continuaram dando as cartas, mas tivemos gloriosas exceções – os filmes que ainda apresentam suntuosas imagens captadas em celuloide. Independentemente do processo de captação, o perigo, advertia Padilha, é achar que imagens incríveis podem substituir a boa dramaturgia. ‘Vincere’ reinventa Antígona, ‘Toy Story 3′ dá nova roupagem ao desfecho do western clássico ‘Os Brutos Também Amam’ (Shane) e, no caso de ‘A Origem’, o próprio título tem valor de esclarecimento. O cinema e a interpretação dos sonhos, segundo Freud, nasceram juntos e Nolan transformou em pathos as ferramentas de investigação freudianas.
Num ano rico de ideias e formas, o Brasil fez história ao estabelecer novos recordes de participação no próprio mercado. Já virou lugar comum dizer-se, o que é verdade, que o mercado de cinema do País é formatado para a produção estrangeira. ‘Tropa 2′ não é apenas o filme brasileiro de maior sucesso de todos os tempos – o mais visto – como, ao ultrapassar 11 milhões de espectadores, se converteu também no número 1, incluídas as produções de Hollywood. Embora os críticos vivam dizendo que o sucesso de público não é a única ferramenta – o que eles dizem, na verdade, é mais incisivo, que não é a melhor – para se avaliar a qualidade de um filme, ninguém é louco de subestimar o extraordinário significado da vitória de Padilha e de seu ‘Tropa 2′. O filme, além do mais, antecipou um movimento da sociedade e a invasão das favelas cariocas, numa operação policial/militar para erradicar o tráfico, dificilmente teria ocorrido sem o aval do capitão, agora coronel Nascimento da ficção.
Viver à sombra, encaminhar-se para a luz – a busca da consciência. Por uma curiosa – estranha? – coincidência, o tema do ano virou metáfora da política brasileira, porque a presidente eleita (e que assume depois de amanhã) também terá de sair da sombra do atual presidente para dizer a que vem. Por falar em sombras, a mais terrível história de vingança do ano veio confirmar as qualidades que o público gosta de atribuir ao cinema argentino, no fundo lamentando que a produção brasileira não se assemelhe à do Prata. Um cinema de classe média, de testemunho, solidificado por virtudes de diálogo, interpretação e realização – ‘O Segredo dos Seus Olhos’, de Juan José Campanella. O desfecho de ‘O Segredo’ é puro horror – o torturador torturado, encerrado na própria miséria. Mas o filme de horror do ano, dos últimos anos, foi outro.
‘A Rede Social’, de David Fincher, usa a história do criador do Facebook para indagar sobre o aspecto mais sinistro desse desenvolvimento tecnológico que, até aqui, temos elogiado. As novas tecnologias – o digital – democratizaram o acesso à cultura e à informação. Hoje em dia, qualquer um consegue fazer um filme por dois vinténs, difícil é conseguir uma plataforma parta ele – a menos que seja a virtual. Põe no YouTube, divulga pelo twitter. Assim se criam os fenômenos na atualidade. ‘A Rede Social’ vai além do terrível. O mundo novo é admirável ou assustador? O hacker que criou o Facemash, base do Facebook, atropela o humanismo, exibe sua falta de ética ao expor a namorada e chega ao final do filme como o grande babaca que é. Em vez de ser execrado em praça pública, vira bilionário.
Antonio Gonçalves Filho definiu Mark Zuckerberg como um Cidadão Kane autista que reflete o hedonismo vicioso da juventude do século 21. A crítica, evidentemente, não é aos jovens, mas à sociedade amoral e competitiva que os impulsiona, mais do que estimula, a ser como são. Neste sentido, não houve outro filme tão poderoso quanto ‘A Rede Social’ em 2010. Contra essa nova barbárie, um pouco de inocência não faz mal – ‘Um Doce Olhar’, do turco Semih Kaplanoglu, é colírio contra tanta impureza que nos assalta.
Só não foi, disparado, o melhor filme sobre a infância do ano porque houve ‘O Pequeno Nicolas’, com que Laurent Tirard deu vida aos personagens de Sempé, e também ‘Antes Que o Mundo Acabe’, uma joia de delicadeza da cineasta Ana Luiza Azevedo, que fala, com imensa sensibilidade, sobre o mito de passagem e a paternidade. Esse é sempre um temas essencial. Posto que a família é a célula mater da organização social, a figura do pai coloca sempre em discussão a autoridade. Do Chade, raridade – um filme africano! –, veio ‘Um Homem Que Grita’, de Mahamat Saleh Haroun. Um pai rival do próprio filho. Outra tragédia familiar, num ano que foi pródigo nelas.

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31.dezembro.2010 11:21:00

Pendências

Tenho algumas pendências para resolver antes de encerrar o ano. Marcelo Magalhães sente que fiquei frio com ele depois que se assumiu como protestante. Que é isso, cara? Não tem nada a ver e saudações luteranas para iniciar 2011. Nogelli me corrige e lembra que Thelma Shoonmaker, a viúva de Michael Powell, ganhou três Oscars em filmes de Martin Scorsese. Além de ‘Touro Indomável’ e ‘Os Infiltrados’, ganhou também por ‘O Aviador’. Confesso que achava que eram três e até fui conferir no guia de Leonard Maltin, mas procurei no verbete de ‘Gangues de Nova York’ e, claro, não havia encontrado. Acho ‘O Aviador’ tão ruim que tendo a ignorá-lo, mas por que mesmo Thelma ganhou por aquele filme? Pela cena do acidente aéreo, talvez? Gilberto Bonk Jr. lamenta que eu não goste de musicais – o que é verdade, em termos; gosto de alguns, não é preconceito contra o gênero, em geral -, mas pede que fale de ‘Holiday Inn’, de Mark Sandrich, com Bing Crosby e Fred Astaire, de 1942. No Brasil, chamou-se ‘Duas Semanas de Prazer’ e conta justamente a história da criação desse hotel que só funciona no Natal. Mark Sandrich! Jean Tulard, no ‘Dicionário de Cinema’, diz que seu nome está vinculado à passagem da dupla clássica Fred Astaire/Ginger Rogers pela RKO. “O Picolino’ é bem legal e vi com prazer ‘A Alegre Divorciada’ na TV, mas Tulard não exagera ao dizer que restava a Sandrich, nesses filmes, passar para o lado de lá da câmera e dar algumas dicas ao operador para que ele enquadrasse bem as evoluções de Fred e Ginger. As equipes eram tão perfeitas, a dupla tão carismática! A história de ‘Duas Semanas de Prazer’ é nula, ou quase, mas ‘White Christmas’, de Irving Berlin, virou a canção clássica de Natal e ganhou o Oscar da categoria. Fred Astaire tinha uma voz de veludo e cantava ‘intimista’, antecipando João Gilberto, mas Bing Crosby era foda, me desculpem a expressão. Foi a voz que mudou tudo e influenciou todo mundo, incluindo Sinatra. Não foi por acaso que, em ‘Adorável Pecadora’, de George Cukor, o milionário Yves Montand, querendo impressionar a corista Marilyn Monroe, toma aulas com os melhores – de dança com Gene Kelly, de humor com Milton Berle e de canto com quem? Bing Crosby, claro. E ainda tem o Mauro Brider, que me informa que a Versátil lança ‘Tarde Demais’ em janeiro e pergunta que lembrança tenho do melodrama que William Wyler adaptou do romance de Henry James, anos antes que o escritor virasse a Bíblia da dupla Merchant/Ivory. Para dizer a verdade, ‘The Heiress’ baseia-se numa peça adaptada do livro e os próprios autores – lembro-me que formavam um casal – fizeram a transposição. ‘A Herdeira’, título original, é de 1949, e fecha a década que Wyler começara tão bem com os melodramas estrelados por Bette Davis. ‘Jezebel’ ainda é dos anos 1930 (1938), mas ‘A Carta’ e ‘Pérfida’ são de 1940 e 41. Em todos, encontram-se as melhores qualidades do ‘estilista sem estilo’, do cineasta que se autodefinia como sendo da velha vaga. Sóbrios, ascéticos, esmerados, elegantemente teatrais, assim Sérgio Augusto definia os melodramas de Wyler, que sempre se abrigou no psicologismo e nos roteiros sólidos, mas cuja grande arte repousa basicamente na fotografia, e na profundidade de campo, qaue ele já praticava (com Greg Tolland) bem antes de Orson Welles (e de ‘Cidadão Kane’). Teremos tempo de falar de ‘Tarde Demais’ e das quase 40 vezes (37!) que o diretor fez Olivia De Havilland descer uma escadaria, em busca de um efeito dramástico que não estava conseguindo. ‘Tarde Demais’ é sobre herdeira sem graça que se deixa envolver pelo caçador de dotes Montgomery Clift – antecipando o herói trágico de ‘Um Lugar ao Sol’, de outro perfeccionista da velha Hollywood, George Stevens. Olivia ganhou o Oscar e é soberana ao som da trilha de Aaron Copeland, também vencedora do Oscar, especialmente na cena famosa – ‘Too late’ – que deu título ao filme, no Brasil. Vai ser um grande começo de ano na Versátil. E viva 2011, que já está pintando.

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Não sei como me caiu a ficha. Estava em Porto e, ao chegar a São Paulo, tinha textos bem definidos para redigir – a retrospectiva de hoje na capa do ‘Caderno 2’, as críticas de ‘72 Horas’ e ‘Amor por Contrato’ (The Joneses), as ‘trocentas’ entrevistas que fiz por telefone, de filmes nacionais e estrangeiros que estreiam por agora. Com tudo isso, terminei esquecendo a retrospectiva da dupla Michael Powell/Emeric Pressburger, que começou terça no Centro Cultural Banco do Brasil. Lembrei-me agora há pouco. Powell/Pressburger! Há um culto a esses dois e ele beneficia principalmente a reputação do primeiro, que diretores como Martin Scorsese e Bertrand Tavernier costumam colocar nas nuvens. Tavernier, a quem entrevistei várias vezes, ao vivo ou por telefone, tem sido um interlocutor frequente sobre Michael Powell. Em Lyon, o Institut Lumière, que ele presidiu/preside, de forma honorária, foi dos primeiros a dedicar uma ampla retrospectiva ao diretor e ainda editou um livro, um álbum luxuoso, sobre sua vida e obra. Em Cannes, Scorsese se vestiu de gala para apresentar a versão restaurada de “Sapatinhos Vermelhos’. Lá estava a eterna viúva de Powell, a montadora Thelma Schoonmaker, que ganhou dois Oscars em filmes dirigidos por Scorsese (‘Touro Indomável’ e ‘Os Infiltrados’). Scorsese destacou o uso da cor, a fluidez da câmera, a integração das várias artes (cinema, teatro, dança etc). Agora mesmo, em ‘Tetro’, Coppola também presta sua homenagem a Powell/Pressburger incorporando cenas de ‘Contos de Hoffman’. Powell foi assistente de Rex Ingram – que depois fez o gênio da lâmpada na versão de ‘O Ladrão de Bagdá’ –, antes de virar diretor de fotografia, roteirista e, ele próprio, diretor. Jean Tulard, no ‘Dicionário de Cinema’, cita Lefèvre e Lacourbe, que escreveram – ‘O cinema é uma arte que, por vezes e com a ajuda de seus impactos puramente físicos, consegue atingir o coração e, depois, o espírito.’ Michael Powell, assinalam os críticos, foi um dos dois ou três grandes autores que conseguiram esse milagre. Embora ao custo de minimizar o aporte de Pressburger – basicamente, ele era escritor, concentrando-se na confecção do roteiro –, Scorsese e Tavernier dizem que o gênio da parceria era Powell e toda a invenção e audácia visual de filmes como ‘Coronel Blimp’, ‘Narciso Negro’, ‘Sapatinhos Vermelhos’ e ‘Coração Indômito’ deve-se a ele. Para um autor tão visual, e inventivo, é curioso que Powell tenha primeiro chamado a atenção por ‘The Edge of the World’, de recorte documentário, muito influenciado pelo Robert Flaherty de ‘O Homem de Aran’. Encerrada a dupla, ele fez sozinho, por volta de 1960, ‘A Tortura do Medo’, Peeping Tom, terror com Karl Böhm como serial killer que mata mulheres com sua câmera, tentando arrancar delas, nos estertores, a definitiva expressão de dor (ou de êxtase, na morte). Tentei emplacar uma matéria sobre o ciclo no ‘Caderno 2’ de amanhã ou depois, mas são edições pré-planejadas, com retrospectivas e o escambau. Espero que o post cumpra seu papel de despertar nos cinéfilos o desejo de ir ao CCBB. Michael Powell (e Emeric Pressburger) vale(m) o esforço.

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Millie Perkins foi a Anne Frank de George Stevens. É curioso que esteja começando este post pelo autor do western clássico ‘Shane’. Stevens acompanhou o Exército norte-americano em seu avanço pela Europa. Documentou a descoberta dos campos de concentração – Martin Scorsese inspirou-se nas imagens desses filmes para recriar o passado que atormenta Leonardo DiCaprio em ‘A Ilha do Medo’. O horror do Holocausto perseguiu Stevens e ele fez ‘O Diário de Anne Frank’ para se purgar. Usou o formato cinemascope para contar uma história intimista e claustrofóbica – um grupo de judeus que se esconde dos nazistas no sótão de uma casa. Stevens com certeza encarou a técnica como um desafio. Cineasta da paisagem – ‘Os Brutos Também Amam’ e ‘Assim Caminha a Humanidade’/Giant –, usou aquele formato, e aquelas lentes, no espaço mais exíguo possível, para criar primeiros planos, campos e contra-campos. Volto a Millie Perkins. O papel marcou e o público não a aceitou em papéis de adolescentes mais, digamos, ‘convencionais’. Como é mesmo que se chamava o filme dela com Elvis Presley, aquele em que ele fazia o transviado que queria ser escritor? ‘The Wild Country’? E em português? Em meados dos anos 1960, Millie fez história em, dois westerns de Monte Hellman, ambos interpretados (e um escrito) por Jack Nicholson. Por que estou falando sobre Millie Perkins? Porque ontem, naquela loja de DVDs na rua ao lado do Teatro Municipal, encontrei os dois westerns de Monte Hellman. ‘A Vingança do Pistoleiro’ (Ride the Whirlwind) e ‘Disparo para Matar’ (The Shooting). Os dois foram feitos simultaneamente no deserto do Utah, anos antes que o local abrigasse a produção de ‘Butch Cassidy’. As paisagens não poderiam ser mais distintas. Três pistoleiros em fuga, confundidos com ladrões, sobem a montanha e encontram lá no alto a cabana desse velho que mora com a filha, é ‘A Vingança’. Uma mulher contrata dois pistoleiros – um deles é Warren Oates – para vingar a morte do marido. Junta-se ao trio um pistoleiro satânico, como o Jack Palance de ‘Shane’. É o outro Jack, o Nicholson, e o filme é ‘Disparo para Matar’ – que Stanley Kubrick viu, com certeza, antes de fazer ‘O Iluminado’. Os dois westerns de Monte Hellman dispõem de excelente reputação na Europa. Nos EUA, são cults. Jack Nicholson co-escreveu o primeiro, o roteiro do segundo é de Adrien Joyce, que também escreveu ‘Cada Um Vive Como Quer’ para Bob Rafelson (e Nicholson). São westerns existenciais. A subida da montanha equivale a uma ascese, embrenhar-se no deserto equivale à busca do sentido da vida. Quando vai ocorrer o duelo inevitável – ‘The Shooting’ –, a dúvida permanece. Por que aquelas pessoas chegaram ali, àquele momento decisivo? Como? Qual será o desdobramento? Jack Nicholson só ia estourar com ‘Sem Destino’ (Easy Rider), de Dennis Hopper, em 1969, mas já tinha carisma e uma personalidade forte nos filmes de Monte Hellman. Millie Perkins é muito interessante – uma falsa frágil. Hellman e Nicholson formaram-se nas usinas de Roger Corman. Como fazer filmes sem dinheiro? Os dois westerns foram rodados a troco de banana. Hellman filmava um ou dois dias um, depois o outro. Jack Nicholson e Millie trafegavam entre ambos. Os códigos não eram os tradicionais do gênero. Iniciava-se a década de ouro dos independentes e da contracultura. ‘Disparo para Matar’, em versão remasterizada, custa míseros R$ 9,90. Reencontrei Jack Nicholson em grande forma, em Nova York, na junket de ‘Como Você Sabe’, mas o novo filme de James L. Brooks, que estreia em 4 de fevereiro, não é bom. Monte Hellman continua marginalizado, mas na ativa. Foi homenageado em Berlim, ‘Cahiers du Cinéma’ dedicou-lhe, não faz muito tempo, um extenso dossiê, reavaliando sua obra e falando no novo filme, que, para (não) variar, é uma produção ínfima (e complicada). Você não precisa ser fã de westerns para curtir a obra cultuada de Monte Hellman, mas se for – melhor.

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Voltei ontem, embora, teoricamente, ainda estivesse na minha folga de Natal. E não parei mais de trabalhar, o que é sempre ótimo. Entrevistei pelo telefone Julie Bertucelli, Ferzan Ozpetek, Maria Paula, Ingrid Guimarães, Roberto Santucci etc. Julie é ótima. Já a havia entrevistado, também por telefone, na estreia de ‘Quando Otar Partiu’. Falamos agora sobre ‘A Árvore’, com Charlotte Gainsbourg, que estreia em 14 de janeiro, daqui a duas semanas. O filme baseia-se num romance australiano, sobre essa mãe cuja filha acredita que o pai morto reencarnou na árvore do título. Julie me contou como o processo de criação foi difícil, porque seu marido morreu – de câncer – quando ela ainda trabalhava no roteiro. Ela é filha de um diretor importante, Jean-Louis Bertucelli, autor de um filme cult, ’Remparts d’Argile’, sobre habitantes de um lugarejo na Argélia que trabalham quebrando pedras. Até onde me lembro, o filme é muito bom, muito forte, áspero como a própria paisagem em que se desenrola. Sempre converso com Julie sobre seu pai e os grandes diretores de quem foi assistente – Kieslowski, na trilogia das cores, Otar Iosseliani. Com um e outro, ela aprendeu a não trapacear. A busca pela árvore consumiu mais de um ano, porque tinha de ser uma árvore especial -uma verdadeira personagem -, não um efeito cenográfico. Acho, sinceramente, que esses momentos de troca, quando encontro pessoas deveras interessantes, os mais apaixonantes da minha profissão. Não consigo aceitar que colegas se privem disso em nome da isenção crítica, mas, enfim, cada cabeça é uma sentença. Acrescento que redigi hoje minha lista de melhores do ano para a capa de amanhã do ‘Caderno 2′. Sorry, mas não vou furar o jornal. Vocês vão ter de esperar para que eu a copie, ou formule outra, aqui no blog. O básico é aquilo que vocês já sabem – ‘A Rede Social’, ‘A Origem’, ‘Toy Story 3′, ‘Vincere’, ‘Tetro’, ‘Tropa de Elite 2′. Quando Alessandro Giannini me pediu uma lista de dez para a internet, ‘O Profeta’, de Jacques Audiard, me veio naturalmente. Hoje, comecei a redigir cruzando ‘Tetro’ e ‘Vincere’, ou a dificuldade de se viver à sombra (do gênio, do tirano). De repente, o próprio texto foi me conduzindo e ‘O Profeta’ sumiu da minha lista, o que não significa que tenha deixado de gostar do filme de Audiard, mas dentro do raciopcínio que vinha desenvolvendo entrou muito melhor ‘Um Homem Que Grita’, do chadiano Mahamat Saleh Haroun. Estou pensando, para o blog, em fazer uma lista mais abrangente, com melhor ator e atriz, essas coisas. Pelo menos a gente se diverte e fica lembrando grandes momentos do cinema em 2010.

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28.dezembro.2010 14:15:34

Creio em lágrimas

Saio daqui a pouco da redação do ‘Estado’ para assistir a ‘De Pernas pro Ar’. Espero me divertir com a comédia de Roberto Santucci, mas antes acrescento um post que me sai do fundo do coração. Fui rever ‘O Concerto’ em Porto e gostei ainda mais do filme de Radu Mihaileanu, que estreou na sexta-feira passada, no apagar das luzes da temporada de 2010.  Foi a última grande estreia do ano, porque nesta não teremos nada tão expressivo. Havia dedicado a capa do ‘Caderno 2′ ao filme que vi duas vezes – no cinema, em Paris, e numa versão reduzida, nos aviões da Air France. ‘O Concerto’ é da mesma vertente de ‘O Trem da Vida’ na obra do autor. Encanta-me a riqueza de observação de Mihaileanu, a forma sucinta como ele, com duas ou três pinceladas, usa seus personagens para traçar um vasto painel da  ‘condição humana’. Judeu de ascendência romena, criado na França, ele traz para o cinema essa singular característica da cultura judaica, que consiste em rir dos outros, mas principalmente de si mesmo. Mihaileanu é mestre do chiste, o dito espirituoso, que tanto pode ser piada ou frase de efeito cômico. O judeu e o filho que vão para Paris, integrando a orquestra – o pai leva uma mala de caviar, que não interessa a ninguém; o filho vende celulares chineses. Aquilo é muito engraçado – Hollywood talvez achasse politicamente incorreto -, mas quando eles chegam atrasados para o concerto, atrasados e atrapalhados, o humor cede espaço para outra coisa, o sublime, quando Anne-Marie, a violinista, seguindo as anotações de Léa, sua mãe, toca a perfeição no concerto de Tchaikovski, aquela perfeição que o maestro dedicou sua vida a perseguir e que atinge, depois de ter sua busca truncada por 30 anos. É emocionante. Merten, mais uma vez, crê em lágrimas, a boa e velha catarse, mas não bastam as lágrimas espontâneas, que escorrem, independetemente de a gente querer ou não. ‘O Concerto’ me dá vontade de chorar alto, de urrar, um choro para ninguém botar defeito. E tem a atriz. Mélanie Laurent interpreta, basicamente, a mesma personagem que faz em ‘Bastardos Inglórios’, de Quentin Tarantino. Como é boa, a Mélanie. Linda e talentosa. Vou ver o filme de novo, para tentar colocar meu foco só nela. O problema é que ‘O Concerto’ é tão denso e os personagens tão maravilhosos – o materialista russo que agradece a Deus pelo ‘milagre’ – que já tentei. Não consigo colocar meu foco só em Melanie, por melhor que seja. Quando vejo, estou viajando nas emoções do novo Mihaileanu.

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Cá estou de volta a São Paulo. Desde ontem, mas cheguei à tarde e já me enfurnei no cinema. Estou agora na redação do ‘Estado’, embora, teoricamente, esteja de folga até amanhã. Vim para redigir algumas críticas sobre filmes que havia omitido nas estreias de sexta passada – ‘ 72 Horas’ e ‘Amor por Contrato’. Também tenho de fazer a retrospectiva do ano, vamos lá. Não resisto a destilar mais um pouquinho do meu ódio pela pior das companhias aéreas, a Gol. Saudades da Varig, meu Deus! Como não tenho mais preferência, compro bilhete onde a oferta for melhor, mas é uma surpresa  atrás da outra. Na volta de Natal, na estreia dos Cloowns de Shakespeare (e Gabriel Villela), a poltrona não reclinava e foram cerca de três horas de voo, à noite. Teria dormido legal, mas de luz ligada e poltrona na vertical ficou mais difícil. Ontem, no check-in, a garota gentilmente me ofereceu a janela – 8F -, que topei movido pelo desejo de ver Porto Alegre do alto. Ela só se esqueceu de me dizer que não tinha janela e, portanto, não veria nada.  Independentemente de ocorrer comigo, fico indignado com essas coisas. Se as outras poltronas reclinam e têm janela, por que algumas não oferecem o mesmo serviço? E, se não oferecem, é justo pagar o mesmo preço? Se eu vou num hotel de frente para a praia de Copacabana, sei que vou pagar por isso, mas se fico na lateral, o preço é menor. Como deixam construir essas aeronaves? Já não chega o espaço entre poltronas ser coisa para deixar todo mundo feito sardinha em lata? É a chamada economia de resultado. As companhias e sei lá quem mais deveria zelar pelo consumidor nesses casos (a Infraero?) estão cagando. Francamente… Desabafei, pronto. Agora, quero falar de ‘Sob o Sol da Toscana’. Revi na TV paga, em Porto, o longa de Audrey Wells com Diane Lane. Para o que pretendo relatar a seguir, fui fazer uma pesquisa na internet. Encontrei um catatau de críticas contra o filme. O tom dominante é que a diretora reduz a Itália a um monte de clichês. Ué, Woody Allen fez a mesma coisa com a Espanha em ‘Vicky Cristina Barcelona’ e por isso era bom para esses mesmos críticos. Não dá para levar essa gente a sério. ‘Sob o Sol da Toscana’ meio que filtra a região pelo cinema, por meio de um monte de referências. Mas eu não me lembrava do essencial! Quando Mario Monicelli morreu, esqueci-me completamente de ‘Sob o Sol da Toscana’. Monicelli faz uma raríssima participação como ator. E, embora o papel seja pequeno, é ele quem detém a chave do filme. Me emocionei muito vendo o velho. A sua generosidade me encantou. Talvez Monicelli tenha aceitado – tenha aceito me soa mal – por galanteria. Afinal, Diane Lane é deslumbrante. Fiquei tocado. E renovei comigo, pela segunda vez, depois do filme de Abbas Kiarostami com Juliette Binoche, meus votos de um dia me soltar pela Toscana. Passar férias inteiras viajando pela região, descobrindo aquelas cidadezinhas todas. Pode ser que nunca realize esse desejo. Não faz mal. Sempre terei o cinema. Os filmes dos irmãos Taviani, Bernardo Bertolucci, Audrey Wells…

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26.dezembro.2010 12:54:17

Sobrevivi!

PORTO ALEGRE – Olá pessoal. Estou desde quinta em Porto. Sorry por não ter dado notícias antes. Não estava me sentindo bem no primeiro dia, era o aniversário da Dóris, minha ex. Mal cheguei, tinha para redigir as matérias de hoje do ‘Caderno 2′, com a retrospectiva da década, centrada no aporte das novas tecnologias. Foi um sofoco. Não me adaptei ao laptop da Dóris e saí atrás de uma lan house. Redigi o primeiro texto, grandinho, com cerca de 5 mil caracteres e, na hora de colar no e-mail, o texto associou com outro e eu perdi o que havia escrito. Tive de começar de novo e, se já não estava muito bem, com o estresse piorou bastante. Houve o jantar de aniversário, só Dóris, Lúcia e eu, Não consegui dormir a noite inteira, paralisado das cintura para baixo, as pernas me pesavam – me doíam – como se tivessem cem quilos cada. Passei metade da sexta-feira na emergência do Hospitasl Mãe de Deus. Me fizeram todo tipo de exame – sangue, urina, tomografia. Os sintomas eram desencontrasdos ernão permitirasm um diasgnóstico. O bom foi que me deram um analgésico que terminou tirando a dor, mas também me deixou sonolento. Na ceia e, depois, na entrega dos presentes, já estava dormindo. Capotei e durmi cerca de 12 horas seguidas, durante as quais um toró medonho se abateu sobre Porto. Chuva que não acabava mais, com trovões, raios. Não vi nada. Ao acordar, estava me sentindo outro e aí fui para…. o cinema, claro. Vi ’72 Horas’, de Paul Haggis, remake do francês ‘Tudo por Ela’, de Fred Cavayé, com Vincent Lindon no papel que agora é de Russell Crowe e Elizabeth Banks substituindo Diane Kruger. Não sabia nada do filme, muito menos que era uma refilmagem. Crowe faz de tudo para tirar a mulher da cadeia, para onde ela foi, acusada de assassinato. Foi interessante ver o filme antigo – na verdade, recente, deve ter dois ou três anos, assisti-o em Paris, durante os Rencontres du Cinema Français – voltar na minha lembrança. Haggis seguiu praticamente o roteiro original e, até onde me lembro, repetiu Cavayé plano por plano até que Crowe & Baanks atravessam o pedágio, em fuga, A partir daí, o filme muda, toma outro rumo. Emendei com ‘Amor por Contrato’ (The Joneses), de Derrick Borte, que eu não faço a menor ideia de quem seja. Era outro filme sobre o qual não sabia nada, sobre uma família aparentemente perfeita, mas aí, de repente, a filha está indo para a cama do pai, que dorme separado e e a garota é pilhada pelas mãe na hora H. Que raio de família é essa? Não vou entrar em detalhes, mas o filme é muito interessante ao discutir a célula sobre a qual se alicerça a sociedade e ao discutir o consumismo que aquece a economia global. Liberdade, que já foi uma calça azul e desbotada, hoje é o direito de escolher aquilo para o qual fomos sugestionados. Lembrei-me de Richard Brooks, de ‘Thje Happy Ending’, na cena em que Lloyd Brisges – é ele, não? -, explica porque as pessoas se casam. Amor não tem nada a ver com isso. As pessoas são estimuladfas a se casar, porque quem casa quer casa e tem de montar uma, c0mprando tudo e é o que faz a economia – o mundo – andar. Brooks fez o filme dele por volta de 1970, há 40 anos, e Derrick mostra asgora essa fasmília formastada para desenvolver nos outros o desejo de comprar todos os objetos supérfluos que sinalizam para o sucesso – e luxo – de seus integrantes. O filme foi uma supresa, mas o final, não é que seja bobo. O diretor arregla, em vez de radicalizar. Demi Moore é um fenômeno. Sei lá o que ela faz e a vitamina do Ashton Kutcher também deve ajudar, mas a mulher está mais exuberante do que há não sei quantos asnos atrás. Gostei da filha que está entrando na caminha de papai David Duchovny e, se não me engano, Olivia Wilde está no elenco de ‘Tron, o Legado’. Agora ´pela manhã, vi mais cinema na TV paga. Aliás, na quinta já hasvis visto parte de ‘Kill Bill 2′. Estava zapeando, entraram as imagens do duelo entrte Uma Thurman e Daryl Hannah e aquilo é tão eletrizante que não consigo desgrudar o olho. Vi o Tarantino até o fim, como hoje sintonizei ‘A Noviça Rebelde’, Julie Andrews, ‘Maria’, e as crianças cantavam suas coisas favoritas e, claro, a partir daí, fiquei refém do musical de Robert Wise. Agora, chega, dei notícias. Quero (re)ver ‘O Concerto’, de Radu Mihaileanu. Espero que tenham tido um bom Natal. Ah, sim, visitei minha irmã, Marlene. Meu cunhado, Mário Pacheco, é louco por cinema. Conversamos sobre filmes ‘natalinos’. O preferido dele é ‘A Felicidade não se Compra’, de Frank Capra. O meu é ‘Gremlins’, de Joe Dante. E o de vocês?

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