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Imaginando na Copa

  • 3 de junho de 2014|
  • 22h25|
  • Por Luiz Américo Camargo

Em meu comentário de hoje na Rádio Estadão, tratei de um tema com o qual tenho me deparado com frequência: onde levar os famintos turistas que estão chegando para a Copa? As possibilidades são várias e mesmo algumas publicações estrangeiras de alto nível, como o Guardian, citado aqui na semana passada, tem apresentado suas sugestões. Meu conselho, contudo, aponta em duas direções: comida brasileira, comida japonesa. Explico melhor, até porque, no limite, temos mais é que conduzir nossos amigos a lugares onde eles comerão bem, independentemente de bandeiras e nações culinárias. O que inclui, por que não, a sua trattoria preferida e a sua brasserie do coração. Mas vamos considerar que o comensal do hemisfério norte (ou do cone sul, sei lá eu) queira provar novidades, ampliar horizontes. Aí, não vejo tanto sentido em convidá-lo para matar a fome com as receitas italianas, francesas, espanholas preparadas em SP. Por outro lado, creio que a cena nipônica vale o passeio. E a brasileira, por razões óbvias, deveria ser a viga mestra dos programas.

Faço aqui uma rápida digressão. Lembro que, anos atrás, era comum ir a alguma praia do Nordeste e, ao pedir dicas para um bom jantar, sempre surgir um hipotético “restaurante do francês”. Pois sempre havia um cozinheiro (ou mesmo algum diletante) vindo de Paris ou coisa do tipo que, ao decidir viver de chinelo e bermuda no litoral, abria também um bistrô. E dá-lhe, então, o turista paulista que trocava a moqueca por uma crepe fuleira. Quero crer que, aos poucos, fomos nos acostumando aos pratos da comunidade, nos orgulhando do costume local, dos produtos regionais. Nada contra o francês, que precisa ganhar o seu pão. Mas é bom que possamos olhar (e apreciar) a cozinha da terra. Retorno, então, à capital.

Ir ao Dona Onça, por exemplo, não é a chance de, numa tacada só: explorar um apetitoso repertório brasileiro/paulista, visitar o Centro e perambular pelo edifício Copan? Conhecer o Tordesilhas não é a oportunidade de se embrenhar por toda uma paleta de sabores nacionais (sem contar a ótima feijoada de sábado)? Se D.O.M. e Maní já fazem parte de todos os guias e reportagens internacionais, por que não incluir o Epice (paulatinamente, cada vez mais conhecido no exterior) nesse hall de contemporâneos? Isso sem mencionar o Jiquitaia, os dois Mocotós…

Sobre os japoneses daqui, pensando nos restaurantes de primeiro time: defendo que eles são melhores dos que os da Europa. Perdem, talvez, para o que se faz nos EUA, nos estabelecimentos de ponta  (muitas vezes, há equilíbrio… E, quanto ao Japão, evidentemente que se trata de outra coisa, não há termo de comparação). Contudo, não devem nada a casas da França, da Itália, da Espanha, quem sabe até Inglaterra… Digo isso sem ufanismos, até porque nenhum desses lugares têm comunidades japonesas numerosas e influentes como a que se organizou em nossa cidade. A ponto de ter massa crítica capaz de gerar Shin Zushi e Jun Sakamoto (para os visitantes mais abonados), de um lado, Izakaya Issa e Bueno, de outro (para a comida de bar, para o repertório do cotidiano). Isso, para ficar em poucos exemplos. Agora, se a ideia é misturar gastronomia e futebol, imaginem se não é um belo programa ir ao Koji, um japonês competente instalado no estádio do Morumbi? Se eu fosse um dos turistas da Copa, toparia a aventura de bom grado.

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2 Comentários Comente também
  • 06/06/2014 - 22:13
    Enviado por: Flávio

    Concordo com você Luiz , sobretudo em mostrar a culinária brasileira.
    Por outro lado muitos turistas já chegam com aquele viéis de uma boa carne. Neste ponto tentaria convencê-los a fugir dos rodízios e ir a la carte no Bassi ou no Varanda.
    E se por outro lado eles ” não queiram só jantar” e foquem no ambiente, levaria no Kaa , Adega Santiago do Shopping Cidade Jardim ou ainda o Figueira.
    Se forem mais jovens direto para o astral da Vila Madalena.
    Mas acho as suas sugestões bem mais atraentes.

    responder este comentáriodenunciar abuso
    • 07/06/2014 - 19:46
      Enviado por: Luiz Américo Camargo

      Flávio,
      Bem lembrado. Carne é outro ponto forte, sem dúvida, ainda que espanhois e italianos disponham de grandes chuletas e bistecche. Mas valeria muito, sim.

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