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As invasões bávaras

  • 7 de julho de 2014|
  • 23h19|
  • Por Luiz Américo Camargo

Estamos na véspera da semifinal da Copa e eu não resisto em falar da “Germânia-paulistana” de nossos restaurantes. Muito tem se comentado, desde o início da competição, sobre a simpatia da seleção da Alemanha, nossa adversária de amanhã. Particularmente, da personalidade afável e expansiva de Bastian Schweinsteiger, do Bayern. Schweinsteiger é bávaro, nasceu perto de Munique, no Sudeste do País – região historicamente associada a um comportamento mais festivo, em contraposição à introspecção prussiana. Com seus chalés, canecas de chope, salsichões, a Baviera mítica, coloquemos assim, é a referência principal de muitos de nossos restaurantes alemães. Acho que a cozinha germânica vigente em SP – já discorri a respeito em outras oportunidades – é a mais carente de um certo aggiornamento, entre as modalidades étnicas praticadas por aqui. Conserva, basicamente, as tradições dos imigrantes do século 20. E cultua, predominantemente, a referida estética bávara. Mas nem tudo é assim, em preto e branco. Há nuances.

Gosto de algumas casas do gênero, a maioria na zona sul, e aprecio vários de seu pratos. O decano Windhuk, por exemplo, capricha no paprika schnitzel. Mas se destaca em itens da cuisine internationale: faz belos canapés e um alentado steak tartare, muito bem condimentado. O Bierquelle, ainda que ostente um cardápio pan-germânico, se esmera nos embutidos artesanais e serve bons maultaschen, o ravioli típico da Suábia. Já o Weinstube, embora enalteça seu chucrute garni, também oferece a “pizza” da Alsácia, a flammkuchen. E o Lukullus, por fim, o caçula do grupo, segue por uma outra linha. Não abre mão de filés e salsichas, claro, mas dá atenção especial a pratos típicos da Suábia, região natal do chef (este sim, radicado no Brasil há poucos anos). Até por esse traço mais contemporâneo, digamos (e por comportar também uma padaria), o Lukullus é o que mais foge das ambientações bávaras. Mas aí eu me pergunto: do mesmo modo que ainda existe um segmento do público que faz questão da toalhinha xadrez em casas de inspiração italiana, será que a clientela aficionada por einsbein e que tais está pronta para casas alemãs sem canecões nem decoração de chalé?

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