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Artesanato fino, estilo argentino

  • 11 de junho de 2014|
  • 21h26|
  • Por Luiz Américo Camargo

Vou confessar que fiquei na dúvida se a La Guapa, aberta em abril no Itaim Bibi, seria mesmo uma boa recomendação para os leitores da coluna. Não por causa da comida, que é excelente. Mas porque se trata de uma casa pequena, com um balcão apertado e uma mesa coletiva. Que parece muito mais conveniente para uma refeição rápida do que para um almoço ou um jantar com mais conforto – pois, na média, imagino que seja isso que esperam da minha resenha semanal.

Felizmente, eu mesmo tinha os contra-argumentos. Se nunca fiz distinção de restaurantes por critérios como luxo ou localização; se já escrevi inclusive sobre caminhão de comida; e se, em minhas visitas, me deliciei com seus quitutes e sobremesas, por que não dividir isso com os leitores?

La Guapa. Empanadas artesanais com a assinatura de Paola Carosella. FOTO: Márcio Fernandes/Estadão

Então, vamos lá. A La Guapa é a casa de empanadas aberta por Paola Carosella, do Arturito, em sociedade com Benny Goldenberg, do Mangiare. São sete variedades, custando R$ 6,30 cada, mais uma opção de salada (muito boa, melhor ainda com queijo da Serra da Canastra e noz-pecã, R$ 12,90) e três sugestões de sobremesa. O cliente faz suas escolhas, paga no caixa e espera o pedido ficar pronto – o que coincide, mais ou menos, com o tempo de surgir um assento livre. Quantas unidades são suficientes? Duas ou três para começar, quem sabe. Eu, que provei os sete tipos, acho que cabem mais, e já explico o porquê.

Paola Carosella prepara uma empanada de chef. Assenhorou-se de uma especialidade tradicional, deu uma volta a mais no parafuso e, no La Guapa, serve um produto que é o estado da arte em massa (feita com banha de porco) e recheio, em acabamento e cocção. Isso vale tanto para a “salteña”, com carne, azeitona, ovo caipira e batata cozida, como para a “cremosas de espinafre”, com brócolis e mussarela; tanto para a de frango caipira com legumes como para a “porteñas”, com três queijos e tomate assado. Por vezes, elas parecem quase queimadas, mas não estão: apenas refletem a segurança de quem não tem medo do forno, de quem sabe que os melhores sabores emanam das crostas bem douradas.

Mas as sobremesas também justificam a visita. Prove o sorvete de doce de leite (R$ 8, uma bola) e o tabletón (R$ 12), um alfajor gigante e para ser fatiado, crocante, com doce de leite, cacau, chantilly. Ambos são fartos, opulentos. Quando chegamos na última colherada, talvez pareçam até excessivos, como se a saturar as papilas com tamanha exuberância. Porém, isso é algo que só se percebe quando não resta mais nenhum vestígio, mais nada a ser raspado pelo talher.

Por que este restaurante?
Porque é uma boa novidade. Pelas empanadas e sobremesas de qualidade.

Vale?
Sim, vale. Cada empanada custa R$ 6,30. Mesmo pedindo várias (não são grandes) e sobremesa, gasta-se abaixo dos R$ 50. A menos que tome vinho, que é caro, considerando a proposta geral. São duas opções, um branco e um tinto, R$ 20 a taça. O copo custa mais, por exemplo, do que o menu Guapa, que inclui duas empanadas, salada e água (ou refrigerante) e sai a R$ 19.

SERVIÇO – La Guapa
R. Bandeira Paulista, 446, Itaim-Bibi
Tel.: 3079-2631
Horário de funcionamento: 10h/22h (sáb., 12h/20h; fecha dom.)
Cc.: todos
Estac.: Não tem (mas há várias estacionamentos nos arredores)

>> Veja a íntegra da edição do Paladar de 12/6/2014

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2 Comentários Comente também
  • 13/06/2014 - 16:56
    Enviado por: Orlando Ribeiro

    Oi Luiz, tudo bem? Que boa dica, vou já este fim de semana para conhecer. Estou achando muito interessante este movimento de lugares informais, com propostas mais acessíveis e boa comida. Um abraço e obrigado!

    responder este comentáriodenunciar abuso
    • 14/06/2014 - 14:25
      Enviado por: Luiz Américo Camargo

      Orlando,
      Espero que goste. Acho que precisamos de diversidade com qualidade, não é? E isso passa pela possibilidade de contar com lugares simples, mas de boa comida. Obrigado!

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