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A propósito dos preços…

  • 1 de março de 2010|
  • 10h53|
  • Por Luiz Américo Camargo

Em meu último post, além de comentar sobre o Magari, eu falei do cenário gastronômico em São Paulo pelo ponto de vista das contas – vivemos um momento de refeições preocupantemente caras. Porém, cruzadas contra os preços abusivos à parte, quero reforçar que, independentemente dos valores que saem do bolso, quero mesmo é comer bem. Imagino que vocês queiram também.

Curiosamente, se eu for fazer a contabilidade de todos os restaurantes visitados no fim de semana, o menos satisfatório foi o mais barato (considerando o total em reais). É o tal do custo/benefício, um parâmetro difícil de estabelecer, mas que quase todo mundo consegue perceber. É a tal diferença entre preço e valor. De novo, bato naquela minha já desgastada tecla: boa parte do problema está na tal média restauração, que se arvora em haute cuisine. E o público também tem sua parcela de responsabilidade. Paulistanos gostam de taça Riedel, produtos trufados, manobristas e muitos garçons no salão em todo e qualquer lugar. Isso tem custo.

Se houvesse um dr. Freud da gastronomia, talvez então ele perguntasse: “Afinal, o que querem os frequentadores de restaurantes?”. Da minha parte, não estou pedindo D.O.M. e Jun Sakamoto para o povo – são restaurantes de exceção, não de massa. Nem estou rogando que os estabelecimentos médios cobrem preço de boteco. Só estou propondo que as coisas assumam seu real tamanho – o que depende dos restaurateurs, de um lado,  e dos clientes, de outro.

Aproveitando, escrevi um post, um ano atrás, que fala mais a respeito. Na média, continuo achando aquilo mesmo (pois posso mudar de ponto de vista, por que não? Como dizia o grande editor Murilo Felisberto, não sou escravo das minhas opiniões; especialmente em comida).

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11 Comentários Comente também
  • 01/03/2010 - 12:21
    Enviado por: Marcos Lee

    Apoio 100% sua luta! Talvez se surgisse um guia anual importante, analisando o custo/benefício dos estabelecimentos, a coisa melhorasse um pouco!

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  • 01/03/2010 - 13:34
    Enviado por: espressa-mente!

    Freud não explica, Marx não explica, Adam Smith não explica e nem Keynes explica ! Quem explica bem é o Gérson, aquele do “levar vantagem em tudo.”!

    Quando um chef ou dono de restaurante conseguir me explicar e convencer o por que da carne músculo que custa R$6,00/kg quando entra no cardápio e vira ossobuco salta para R$68,00/prato com 300g!

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    • 19/03/2010 - 19:15
      Enviado por: Cristiano

      Expressa-mente!:
      O kilo do ossobuco esta em média 25 reais. E em alguns restaurantes está a R$ 68,00 pois tem o acompanhamento, as velas, as flores naturais, uma brigada muito grande, talheres de prata, copos de cristal entre outros fatores. O custo/beneficio vem disto, se você compra musculo a R$ 6,00 e se contenta com isto sinta-se a vontade de degusta-lo em sua residência.
      Obrigado

  • 01/03/2010 - 14:21
    Enviado por: Fernando

    Essa é uma discussão que não terminará nunca, Luiz. A impressaõ que eu tenho é que a formação de preços em um restaurante é feita ao contrário. A chamada conta de chegada. Explico: o sujeito determina quanto ele quer que as pessoas gastem em sua casa. E a partir daí, determina quanto vão custar os pratos. R$ 150, por pessoa? R$ 30 a entrada, R$ 60 os pratos principais, R$ 20 as sobremesas e R$ 15 o couvert. Com bebidas e seriço, chegaremos ao número desejado. Aí é só tirar um real aqui, colocar 2 lá e voilá!!

    Abraço.

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    • 01/03/2010 - 14:56
      Enviado por: espressa-mente!

      Fernando, Formação de preços so existe se houver gestão de custos! E este pessoal não sabe a diferença entre “custos” e “custa”!
      Abs!

  • 01/03/2010 - 19:24
    Enviado por: Paulo

    Luis aqui vai, mais uma vez, a comparacao de precos entre jantar em San Francisco – California em um restaurante italiano e jantar em Sao Paulo.
    O preco da lasanha em San Francisco varia entre US$ 7,25 e US$ 18,00. Em Sao Paulo, como vc ja disse, uma lasanha alcanca facilmente R$ 56,00 ou US$ 30,00 aproximadamente.

    Um menu degustacao em um dos restaurantes italianos mais famosos, tanto por sua comida como por tradicao, varia entre US$ 60,00 menu com tres pratos, US$ 72,00 menu com quatro pratos e US$ 82,00 menu com 5 pratos.
    O menu degustacao do chefe no mesmo restaurante custa US$ 94,00.
    Ai vai a webpage do restaurante que me referi:
    http://www.acquerello.com

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  • 01/03/2010 - 20:52
    Enviado por: Manuela

    Olá Luiz,
    Concordo com você e acho que os preços, chefs e restaurantes de São Paulo estão super-valorizados. Por que pagar, por exemplo, R$18,00 pra comer pão-de-queijo, que é o preço do couvert na churrascaria Rodeio? Acho que porque o público desses lugares procura mais a badalação do que a boa comida e não pensa no quanto custa de verdade e se aquilo vale o que estão cobrando. Viu ou foi visto pelo fulano de tal? Está valendo! Aí o dono, empresário, se aproveita e cobra caro mesmo.

    Já que falei de churrascaria e o tema é custo/benefício, indico o Leôncio, Na Vila Madalena. A carne é de primeira , o ambiente, o quintal de uma casa, agradabilíssimo e o preço mais do que justo para um almoço de domingo low profile. Meu pai descobriu por acaso e desde então somos habitués.

    Abs

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  • 02/03/2010 - 16:36
    Enviado por: Vitoria Zambrone

    Luiz, concordo em gênero, número e grau com sua luta por preços honestos em SP! Mas, como você bem lembrou, os paulistanos também têm sua parcela de culpa nisso: a exigência por taças de cristal, garçons em uniformes estilosos e toalhas impecavelmente brancas nas mesas contribui – e muito – para os altos preços praticados nos menus da cidade. Se o foco passasse do ambiente à comida, do serviço perfeito ao apenas cortês, talvez a ida a estes estabelecimentos passasse também de “todo aniversario de casamento” a “todo primeiro sábado do mês”…

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    • 04/03/2010 - 18:36
      Enviado por: Luiz Américo Camargo

      Vitória,
      Creio que todo mundo gosta de comer num bom ambiente, numa atmosfera decente. Mas, como concordamos, quando todos começam a exigir o luxo, o supérfluo (no bom e no mau sentido) em todo e qualquer lugar, aparecem as distorções. É saudável que existam casas de perfis e níveis variados. E seria mais saudável ainda se a comida estivesse sempre em primeiro plano.

  • 04/03/2010 - 09:13
    Enviado por: Marcos

    Luiz,

    Gostei do post, o problema é que os restaurantes são lançados em bairros onde o custo de instalação é mais elevados e aliado à pressão de um retorno rápido do investimento os preços se tornam estratrosféricos só que os pratos não te levam ao céu, longe disso, rs.
    Talvez seja hora do público garimpar mais, há restaurantes bacanas em bairros não tão badalados, acho que essa deva ser a busca, enfim, alguma coisa está errada quando uma lasanha custe US$30,00 ou um churraco de contra à la argentina fique nos US$ 40,00.

    Abs

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  • 09/03/2010 - 22:09
    Enviado por: Rogerio

    O problema, principalmente em SP é que se criou uma classe de abastados solteiros que faz questao de distinguir-se pelo que tem, e, honestamente, que nao se importa em gastar quanto seja para comer, dentre outras coisas… Se estivesse ruim, os restaurantes nao pipocavam como está acontecendo…
    E eu mesmo (e todos meus amigos) faco parte desse grupo.Adoro manobrista, faxineira e garcom e nao me importo de pagar por tudo isso. E admito que passei um tempo na Italia, e me irritava ter de estacionar o carro e esperar horas pelo servico do lugar. É meio que cultural, coisa de novo rico, um capitalismo diferente do europeu onde os restaurantes tem reservas e mesmo que estejam vazios, nao deixam voce ocupar uma mesa… Pois o plano é servir exatamente aquele numero de refeicoes…É uma questao complicada, mas que REALMENTE faz a vida das familias mais dificeis. Coisa da ma distribuicao de renda… Acho que vai demorar prá isso melhorar…

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