Nesta quinta-feira, em Nova York e várias cidades americanas, membros do grupo que começou como Ocupem Wall Street, prometem descentralizar manifestações e marcar os dois meses do movimento com a maior ação coordenada, desde setembro.
Ouça o boletim na Estadão ESPN.

Panfleto do Ocupem Wall Street
(Reprodução)
Policiais foram convocados para comparecer de madrugada ao Zuccotti Park, desocupado terça-feira. Alguns planos de parar Nova York no “dia de solidariedade”, divulgados pela mídia local: uma concentração para impedir a abertura da bolsa às 9:30 da manhã (12:30, hora de Brasília); marchas para bloquear pontes de acesso a Manhattan; tentativa de interromper linhas de metrô, com a ocupação simultânea de 16 estações. O protesto coordenado vai afetar áreas que ainda não foram expostas à rotina do Ocupem Wall Street e testar a paciência e o apoio da população. Nova York recebe, todos os dias, mais de meio milhão de moradores de subúrbios e outros municípios que vêm trabalhar na cidade. Manifestantes planejavam usar terno e gravata para se misturar aos empregados do centro financeiro nova-iorquino sem chamar atenção.
Entre as outras cidades com protestos programados para esta quinta-feira estão Washington, D.C., Seattle, Detroit e Portland. Um panfleto distribuído pelo Ocupem Wall Street convoca para uma concentração às 5 horas da tarde (8 de Brasília) em Foley Square, uma praça vizinha à sede da prefeitura, no sul de Manhattan, e uma caminhada num “festival de luzes” através da Ponte do Brooklyn. Uma coalizão de sindicatos que já expressou apoio ao OWS instruiu seus membros a comparecer à Foley Square no fim da tarde e acompanhar a marcha, que deve contar com a participação de famílias e grupos comunitários.

Manifestante protesta logo após a desocupação do Zuccotti Park (Foto Lúcia Guimarães)
Os organizadores do protesto enfatizaram a necessidade de usar táticas não-violentas de desobediência civil, em panfletos com instruções para os participantes. Mas, assim como o acampamento desmantelado pela polícia no Zuccotti Park abrigava também grupos de sem teto e solitários em busca de encrenca, a polícia prendeu, quarta-feira à noite, Nkrumah Tinsley, de 29 anos, depois de assistir um vídeo no YouTube, em que ele ameaçava jogar um coquetel molotov na loja de departamentos Macy’s.
Depois da operação de despejo, manifestantes, policiais, mídia e turistas lotam a área em torno do Zuccotti Park.
Atualização: Pouco mais de 30 manifestantes passaram a noite de terça para quarta-feira no Zuccotti Park. A praça, ainda com cercas de metal, está sob a proteção de seguranças contratados pela imobiliária responsável pela manutenção do terreno público. Os segurança revistam quem entra no parque para impedir que os manifestantes levem sacos de dormir. Embora grupos ligados ao Ocupem Wall Street estejam procurando locais alternativos para um novo acampamento, a expectativa é que o Zuccotti Park continue o ponto de referência para os protestos.
O acampamento do Ocupem Wall Street, no Zuccotti Park, vai se transformando com a chegada do inverno.
Coluna de hoje Domingo no Parque.
Imagens Lúcia Guimarães
Uma plateia de algumas centenas de pessoas formou uma barreira em torno de David Crosby e Graham Nash, da banda Crosby, Stills and Nash, no Zuccotti Park. Foi uma tarde memorável para o movimento Ocupem Wall Street. Os dois ícones da década de 60 cantaram clássicos como “Military Madness” e exortaram os manifestantes a seguir em frente com o protesto que já completa 2 meses, na praça próxima à bolsa de valores de Nova York.

Esta repórter, acompanhada de um cinegrafista, não conseguiu romper a muralha humana. Nem quando nos separamos e tentamos furar o bloqueio de lados diferentes da praça conseguimos chegar perto dos músicos. Depois de um concerto acústico que durou cerca de meia hora, Crosby e Nash deram uma caminhada pelo emaranhado do acampamento. A presença policial era forte e não notamos incidentes, apesar do ambiente caótico.
Muitos dos manifestantes acampados pareciam nem ter sido avisados da chegada das celebridades. Continuaram com suas mini-assembleias e promoviam suas causas como este senhor, que deve defender a reforma do financiamento das campanhas eleitorais. Hoje foi dia de eleições locais nos Estados Unidos e o cartaz anunciava uma liquidação: “Compre um político e leve outro de graça.”

Fotos de Lúcia Guimarnaes
2013
2012
2011
2010