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Lúcia Guimarães

17.outubro.2012 00:40:24

A volta de Obama

O close up do rosto de Barack Obama quando ele abraçou a mulher Michelle, depois do segundo debate presidencial, disse muito. Obama não sorriu e sua expressão grave revelou o peso que deve ter sentido nos últimos dias, quando viu sua reeleição repousar sobre 90 minutos de um debate.

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A expressão de alívio dos assessores de Obama nos bastidores da Hofstra University era evidente. O presidente, castigado pela passividade no primeiro confronto com Mitt Romney, há duas semanas, mostrou que é mais efetivo quando decide partir para o ataque.

Obama se comportou como um chefe de Estado quando Romney tentou esticar o tema da Líbia, num dia em que a Secretária de Estado, Hillary Clinton, havia deixado claro que a Casa Branca não esteve envolvida nas decisões sobre a segurança de embaixadas. Virou-se para Romney e disse que suas insinuações eram ofensivas.

Parabéns à mediadora Candy Crowley, que tomou a decisão de não fazer valer todas as regras do debate, impostas pela comissão organizadora em acordo com as duas campanhas. Ela deixou os dois candidatos se enfrentarem diretamente. Obrigou Romney a voltar ao assunto do porte de armas. Interrompeu o presidente com autoridade e checou fatos ao vivo.

E quando Crowley perguntou se, caso a conta fiscal de Romney não feche, como afirmam vários economistas, o candidato reconsidera elevar impostos, a resposta de Romney foi: “É claro que a conta fecha”, mas ele repetidamente evitou explicar como pretende baixar tantos impostos, proteger a classe média e aumentar o orçamento da Defesa em US$ 2 trilhões não solicitados pelo Pentágono.

Uma jovem perguntou a Obama sobre a desigualdade no local de trabalho e ele não só defendeu uma lei que passou mas continuou adiante falando da saúde da mulher e tocou no tema da reprodução, sem falar diretamente em aborto. É bom lembrar que 70% das mulheres solteiras americanas são eleitoras de Obama.

Defensivo. Mitt Romney parecia mais defensivo, diferente do candidato confiante que passou duas semanas surfando numa onda de euforia partidária, com a recuperação nas pesquisas. Prometeu ser duro com a China, promover carvão e petróleo como um leque de opções de energia e atacou Obama sistematicamente como um mau gerente da economia.

E confirmando sua reputação de competitivo jogador de basquete, Obama guardou a cesta mais letal para os dois minutos de conclusão. Depois de dizer que Romney é um bom homem, pai de família e religioso, tocou na ferida dos 47%: o vídeo gravado secretamente em maio passado em que Romney aparece dizendo que quase metade dos americanos não importam porque não pagam impostos e querem favores do governo. Com elegância e firmeza, Obama argumentou como devia ter feito no primeiro debate: o que se pode esperar de quem pensa assim?

A primeira reação na mídia americana mostra comentaristas republicanos dando boa nota para Obama e os democratas quase eufóricos dizendo: o Obama eloquente de 2008, o presidente que passou o seguro saúde voltou. O último debate, na próxima segunda-feira, 22, vai se limitar à política externa, o que favorece o ocupante da Casa Branca, especialmente um que está trazendo soldados para casa e mandou matar Osama bin Laden.

Mas, ainda que as pesquisas voltem a registrar o impacto do debate, até o fim da semana, a eleição americana, no dia 6 de novembro, dificilmente será decidida pelos três confrontos de 90 minutos.

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Barack Obama caminha com Chefe de Gabinete Jack Lew num intervalo do ensaio para o debate em Williamsburg, Virginia (Foto Pete Souza/ Casa Branca)

Num ano em que a TV americana luta para se manter relevante diante do assalto das mídias digitais, em que os jovens cada vez mais abandonam a TV ao vivo, o segundo debate presidencial deve bater recorde de audiência e justifica todas as metáforas esportivas. E, para aumentar o suspense, não são só os dois candidatos, Mitt Romney e Barack Obama, que são tratados como pugilistas. A mediadora e veterana jornalista Candy Crowley, da CNN, já comprou briga e avisou que não vai acatar as regras rígidas impostas pela Comissão de Debates Presidenciais, uma fundação sem fins lucrativos criada em 87 e financiada por corporações bastante lucrativas. Só em 92 a comissão escalou a primeira mulher, Carole Simpson, também a primeira negra americana a ancorar um telejornal de rede, para  mediar um debate presidencial, o famoso confronto entre George Bush pai, Bill Clinton e o bilionário histriônico Ross Perot.
A revista Time revelou hoje um memorando de entendimento entre as duas campanhas e a Comissão, um documento de bastidores que revela a preocupação em controlar a atmosfera do debate.  Um ítem que trata do papel de Candy Crowley no debate estilo town hall, com perguntas da platéia, determina que a jornalista não deve dar sequência a perguntas. Ora, disse Crowley, se um membro do público perguntar sobre maçãs e o candidato responder sobre laranjas, vou cobrar, sim.
Os participantes do debate foram selecionados apenas entre os eleitores indecisos, esta parte da população que decididamente desafia a nossa credulidade ao se declarar em cima do muro depois de dois anos de campanhas e candidatos com diferenças que afetam radicalmente a vida de cada americano. Vamos ver se o formato engessado dos debates dificilmente resiste a mais uma eleição.
Vantagens e perigos: Barack Obama detesta debates e gosta de falar para platéias. Mas ele já desperdiçou a chance, no primeiro debate, de denunciar as falsidades proferidas por Mitt Romney diante de 67 milhões de americanos. No formato de hoje, Obama não pode olhar para  Mitt Romney e dizer, a conta do seu plano fiscal não fecha. Mitt Romney, que passou a maior parte da campanha ridicularizado como um cyborg, tem se sentido mais à vontade depois de seu bom desempenho contra Obama e mostra mais energia com a subida nas pesquisas. Ele precisa relaxar diante da platéia sem parecer falso como a sua repentina virada para o centro.
O efeito do primeiro debate na campanha, quando Barack Obama surpreendeu até os adversários com sua apatia, tem sido exagerado pela mídia, dizem especialistas em pesquisas de opinião. Obama já apresentava uma ligeira queda antes do debate de Denver e Romney já perdeu um pouco a vantagem pós-debate. Na contagem Estado por Estado, a que decide a eleição por causa dos números do Colégio Eleitoral, a vantagem continua com  presidente. Se Obama conseguir superar seu desprezo pelo que considera um triste espetáculo, ele tem chances de reparar o estrago que fez, sozinho, na própria campanha.

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O sociólogo Todd Gitlin, um dos fundadores do movimento estudantil na década de 60  e hoje diretor da pós-graduação em jornalismo da Universidade de Columbia, diz que o movimento Occupy, embora disperso, mudou o diálogo político americano em 2012.

A seguir, a conversa com o autor de Occupy Nation: The Roots, The Spirit and The Promise of Occupy Wall Street (Nação Occupy: As Raízes,o Espírito e a Promessa de Occupy Wall Street).

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Randy Newman (Foto: Cortesia Nonseuch Records)

 

Ele já tratou de jecas (Rednecks) e baixinhos (Short People). Compôs canções para The Natural, Ragtime, Toy Story e Monsters, Inc. Coleciona 2 Oscars, 6 Grammys e dezenas de indicações, como um dos mais celebrados compositores do cinema americano.

Agora, Randy Newman resolveu  apontar para o elefante na sala e cantar sobre a presença do racismo na eleição presidencial.

“I’m dreaming of a white President / Just like the ones we’ve always had” (“Estou sonhando com um presidente branco/ Como os que sempre tivemos”), canta Newman em “I’m Dreaming”. Parte da força do compositor vem das melodias doces que acompanham letras cheias de sarcasmo. A gravadora Nonesuch oferece a canção I’m Dreaming (referência  a White Christmas, de Irving Berlin) grátis para download.

 

“I’m Dreaming” 

George Washington was a white man

Adams and Jefferson too

Abe Lincoln was a white man, probably

And William McKinley the whitest of them all

Was shot down by an immigrant in Buffalo

And a star fell out of heaven

 

I’m dreaming of a white President

Just like the ones we’ve always had

A real live white man

Who knows the score

How to handle money or start a war

Wouldn’t even have to tell me what we were fighting for

He’d be the right man

If he were a

 

I’m dreaming of a white President

Someone whom we can understand

Someone who knows where we’re coming from

And that the law of the jungle is not the law of this land

In deepest darkest Africa nineteen three

A little boy says, “Daddy, I just discovered relativity.

A big eclipse is coming

And I’ll prove it. Wait and see!”

 

“You better eclipse yourself outta here, son

And find yourself a tree

There’s a lion in the front yard

And he knows he won’t catch me.”

 

How many little Albert Einsteins

Cut down in their prime?

How many little Ronald Reagans

Gobbled up before their time?

 

I don’t believe in evolution

But it does occur to me,

What if little William Howard Taft had to face a lion

Or God forbid, climb a tree?

Where would this country be?

 

I’m dreaming of a white President

Buh buh buh buh

‘Cause things have never been this bad

So he won’t run the hundred in ten seconds flat

So he won’t have a pretty jump shot

Or be an Olympic acrobat

So he won’t know much about global warming

Is that really where you’re at?

He won’t be the brightest, perhaps

But he’ll be the whitest

And I’ll vote for that

 

Whiter than this?

Yes

Whiter than this?

Yes

Whiter than this?

Yes

Whiter than this?

Oh yeah

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O  candidato republicano Herman Cain, cuja campanha pode se tornar inviável por causa de múltiplas acusações de assédio sexual, foi a um talkshow noturno se defender. A entrevista ao Jimmy Kimmel Live foi provocada pela coletiva de Sharon Bialek,  a primeira acusadora a mostrar a cara e descrever em detalhes – um tanto explícitos para este jornal família – o que Cain teria feito com ela no carro, quando Bialek lhe pediu ajuda para conseguir um emprego.

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Herman Cain (Foto: Divulgação/Herman Cain For President)

O argumento de Cain, citando sua mulher, a discreta Gloria Cain, com quem é casado há 45 anos: “Ela disse, o que esta mulher descreveu não soa como você.”

Sim, porque nada como a mulher de um executivo acusado por quatro ex-funcionárias de assédio sexual para saber com precisão como ele soa quando supostamente pula a cerca.

Debate Republicano  Rick Perry comete uma gafe épica no debate.

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  • Quem Faz

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    Lúcia Guimarães

    Lúcia Guimarães é colunista do Caderno 2, colaboradora dos suplementos Aliás e Sabático e colunista da Rádio Estadão ESPN.

    Email: lucia.guimaraes@estadao.com.br

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