ir para o conteúdo
 • 

Patrocinado por

18/VII/11

Livio Oricchio, de Nice

Amigos:

Nos últimos  dias corri para todos os lados, aqui na França, resolvendo uma série de questões pessoais, normais de um cidadão que vive fora de seu país de origem. Sei que há várias perguntas no ar no blog. Amanhã pretendo responder a maioria. Em especial explicar em detalhes como funciona o escapamento aerodinâmico nas frenagens. Na prova de Silverstone me submeti a um curso intensivo sobre o tema com minhas fontes. Aprendi bastante coisa.

Enquanto isso, redigi esse texto ontem à noite, depois de boa sacada do nosso editor, Alec, que me perguntou há quanto tempo não ocorria de as equipes principais não substituírem seus pilotos por três temporadas seguidas. Fiz a pesquisa no Guia Marlboro e descobri que isso nunca aconteceu. É mesmo uma estabilidade histórica.

Abraços!

O texto:

A história da Fórmula 1 mostra que entre pilotos e equipes tudo pode ocorrer. Os contratos nem sempre representam garantia de alguma coisa. Mas depois de nove etapas disputadas, este ano, já é possível se projetar, com elevada probabilidade de sucesso, a formação pilotos-equipes em 2012.

A manutenção das duplas atuais entre as quatro grandes, Red Bull, McLaren, Ferrari e Mercedes, como parece bem provável, representará um marco histórico. Pois será a terceira temporada seguida sem troca entre os que lutam pelas primeiras colocações, situação ainda não experimentada pela Fórmula 1 envolvendo as suas quatro melhores escuderias.

O fim de semana em Nurburgring, na Alemanha, quando será disputado o GP da Alemanha, décimo do calendário, pode começar a revelar de forma mais definitiva a cara da Fórmula 1 na próxima temporada e essa característica de estabilidade inovadora. Com a proibição de treinos particulares, os pilotos quase não mais se deslocam até a sede de suas escuderias. Por isso parte das conversas sobre seu futuro ocorre nos dias de competição.

Red Bull, McLaren, Ferrari e Mercedes apenas em 2013, quando os contratos de alguns de seus pilotos vai expirar e haverá substancial revisão do regulamento, os substituirão. Sebastian Vettel seguirá na Red Bull e Fernando Alonso na Ferrari. Os demais seis pilotos, Mark Webber, Lewis Hamilton, Jenson Button, Felipe Massa, Nico Rosberg e Michael Schumacher, não têm contrato para depois de 2012.

Se havia dúvida a respeito dos pilotos da atual campeã do mundo, a Red Bull, em 2012, seu proprietário, Dietrich Mateschitz, esclareceu quarta-feira. “Vamos renovar com Mark Webber”, disse o austríaco. A dupla da Red Bull para 2012 será a mesma de hoje, Vettel-Webber.

Na Ferrari, tanto Fernando Alonso quanto Felipe Massa têm compromisso assinado para o ano que vem. Os rumores sobre a saída de Massa não procedem. Seria necessário que nas próximas corridas Massa cometesse erros seguidos ou apresentasse desempenho bastante fraco, sem marcar pontos com regularidade, para Stefano Domenicali pensar em substituição. Não é impossível, mas pouco provável.

Quanto a Rubens Barrichello, Adam Parr, diretor da Williams, já adiantou que deseja renovar seu contrato. Frank Williams, também. Rubinho, por sua vez, também já manifestou interesse em permanecer na Williams. “Estão reestruturando a equipe na sua base. E vão correr de motor Renault. É uma bela opção.”

Lewis Hamilton afirmou ao Estado, na China “Em 2012 não saio da McLaren, tenho contrato. Depois, nunca se sabe”. O outro piloto da McLaren, Jenson Button, não tem compromisso, ainda, para 2012. Está negociando. “Há interesse dos dois lados em acertarmos tudo”, disse, em Valência. Button deve renovar com a McLaren.

Michael Schumacher, até demonstrando certa irritação, afirmou na coletiva de Silverstone, há dez dias: “Quantas vezes tenho de dizer que assinei com a Mercedes por três anos e irei cumprir meu contrato?”. O próximo campeonato é o último. Mesmo com 43 anos, em 2012, continuará sendo o companheiro de equipe de Nico Rosberg na Mercedes. Rosberg já tem compromisso com o time alemão.

Na Renault, se provar que está recuperado Robert Kubica será o número 1. Já Vitaly Petrov vai ter de contribuir com bem mais dinheiro de hoje para permanecer. Kamui Kobayashi e Sergio Perez ficam na Sauber, têm contrato, enquanto na Toro Rosso Sebastian Buemi ou Jaime Alguersuari cederá a vaga para Daniel Riccardo, hoje na Hispania. Nas demais escuderias as indefinições são ainda grandes.

Tags: , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,

Comentários (20) | comente

09/VII/11

Livio Oricchio, de Silverstone

Charlie Whiting, delegado da FIA, enviou agora de manhã documento às equipes que competem com motor Renault, a própria equipe, Red Bull e Lotus, informando que a concessão de utilizar 50% de aceleração nas frenagens, estabelecida ontem, não vale mais. Terá de ser apenas 10%, conforme decidido previamente pela FIA. Já a permissão à Mercedes de manter 20% de aceleração continua válida.

É isso mesmo que você acabou de ler. A FIA voltou atrás. Como, aliás, tem sido sua rotina. Fica o dito pelo não dito e não dito pelo dito.

Mas é bom não acreditarmos totalmente que a história terminou. O histórico do episódio sugere prudência.

Hoje de manhã, Whiting com representantes das equipes, discutiram uma forma de atender os interesses de cada fabricante de motor. E, obviamente, não foi possível chegar a uma solução de consenso. Cada um tem suas características.

A expressão de Christian Horner nesse momento, 10 horas para mim, 6 horas de Brasília, no muro dos boxes, é reveladora do que aconteceu há instantes: a Red Bull perdeu a batalha. O motor Renault não poderá acelerar mais, nas frenagens do carro, de 10% da aceleração que utilizava em 2009, para aquela condição, quando o escapamento aerodinâmico não existia. Enquanto a Mercedes pode atingir 20%.

A razão para a política distinta da FIA é que, para Whiting, o argumento da Mercedes, de que seu motor vai quebrar sem os 20% procede, enquanto o da Renault, sem os 50% não tem comprometimento de resistência.

 Difícil acreditar que haja mesmo um motivo técnico comprovando tudo isso. Parece mais uma decisão política que visa a conter o desempenho da Red Bull, como foi a de proibir o escapamento aerodinâmico.

Vejo Adrian Newey e Christian Horner caminhando pelo paddock com pastas nas mãos, bem como a chegada de Jean Todt, presidente da FIA. Como escrevi, a história não acabou.

Enquanto isso, os carros prosseguem o terceiro treino livre. Pista seca, depois úmida e agora novamente, pelo que compreendo, seca. Depois da bandeirada o clima cai esquentar.

Abraços!

Tags: , , , , , , , ,

Comentários (3) | comente

08/VII/11

Livio Oricchio, de Silverstone

  Que o tema era complexo já se sabia. Os próprios fabricantes de motor, Mercedes, Ferrari, Renault e Cosworth, já haviam alertado a FIA. Estabelecer um valor de aceleração para todos não funcionaria. E foi o que aconteceu ontem, depois dos primeiros treinos livres do GP da Grã-Bretanha, em Silverstone, realizados sob chuva. Felipe Massa, da Ferrari, registrou o melhor tempo.

  Hoje será disputada a sessão de classificação. Mas até ontem, tarde da noite, por incrível que possa parecer, ninguém tinha certeza sob qual regulamento. Representantes da Mercedes e Renault alegaram que seus motores, com o valor estabelecido pela FIA, iriam se romper.

  A FIA ordenou, na prática, o fim do chamado escapamento aerodinâmico a partir já dos treinos de ontem, ao exigir que todo motor não elevasse mais de 10% sua aceleração quando o piloto tirasse o pé do acelerador. Até a prova de Valência, há duas semanas, cada equipe definia a aceleração de acordo com sua conveniência. Essa aceleração extra automática ajudava a gerar pressão aerodinâmica por causa da posição dos terminais dos canos de escape na traseira do carro.

  Ocorre que Ross Brawn, da Mercedes, alegou que seu motor utilizava 20% de aceleração em 2009, quando não havia o escapamento aerodinâmico. Uma redução colocaria em risco a confiabilidade do motor alemão. Charlie Whiting, delegado da FIA, acatou o pedido. A Renault fez o mesmo com Eric Boullier, seu diretor. E foi além. Demonstrou necessitar de 50% a mais de aceleração. O pedido da Ferrari era desconhecido ontem.

 Como Whiting tinha os mapas de gerenciamento dos motores de todos os times em 2009, não lhe restou alternativa a não ser concordar com os pedidos. Procediam. Estabeleceu-se 50% para todos. Não mudaria nada em relação ao que já existia. A Red Bull não seria afetada, propósito do fim do escapamento aerodinâmico.

  Aí a chiadeira dos times que correm com motor Cosworth, Williams, Marusia Virgin e Hispania, foi geral: não dispõem do recurso na prática.

  A reunião de ontem à noite procurou estabelecer parâmetros que atendam os interesses de todos, como se fosse possível, para as equipes adotarem já hoje, no treino da manhã. O clima do encontro foi tenso. Hoje deverá ser anunciada a decisão final da FIA. Os carros devem começar o treino livre com aceleração máxima em frenagem de 50%, conforme autorizado ontem por Whiting. Mas a história não vai terminar aí.

  Jean Todt, presidente da entidade, está em Paris e louco da vida, segundo uma fonte. É desgaste demais para a FIA e sua gestão. São indefinições, hesitações demais. Como já havia ocorrido com o cancelamento, a reativação e o novo cancelamento do GP de Bahrein. Todt pode assumir uma postura ditatorial e fazer todos a acatarem. O que está faltando à Fórmula 1 é uma liderança forte que coordene a criação de regras claras e depois cobre o seu cumprimento com rigor.

Tags: , , , , , , , , , , ,

Comentários (16) | comente

08/VII/11

Amigos, é inacreditável o que está acontecendo aqui em Silverstone nesse momento, 19h30 para mim, 15h30 horário de Brasília.

Os representantes das equipes, acompanhados de seus técnicos de motor, estão reunidos para discutir a questão do escapamento aerodinâmico. Tudo o que noticiamos até agora, nos últimos dias, pode não ser bem assim. É verdade!

Só para recordar: a FIA estabeleceu que a partir desta prova, o GP da Grã-Bretanha, os motores poderiam permanecer apenas 10% acima da aceleração normal quando os pilotos retirassem o pé do acelerador. Até a prova de Valência, os engenheiros de motor regulavam a central de gerenciamento de forma a manter aceleração mesmo com o pedal do acelerador não acionado.

O objetivo era continuar emitindo gases no escapamento para gerar pressão aerodinâmica, em razão de seu posicionamento na porção traseira do carro. Há um post que explico em detalhes a questão.

Parecia claro. Mas não é. Mercedes e Renault alegam que com os 10% seus motores podem quebrar. Por isso, Charlie Whiting concordou com a solicitação da Mercedes: 20% a mais de aceleração. A Renault alegou ser necessário 50% de aceleração para seu motor também não se romper. E é isso que estão discutindo agora. Estão todos lá.

Senhores, a FIA está perdida. Não sabemos o regulamento não do ano que vem, mas do treino de amanhã. Vou permanecer até tarde aqui a fim de tentar obter mais informações. O fato é que já é possível concluir que haverá concessões. Em resumo, amigo, está cheirando uma coisa: não deve mudar quase nada em relação ao que estamos assistindo na temporada.

Se for mesmo assim, se Jean Todt, que soube de fonte segura está louco da vida, não aparecer aqui e determinar ditatorialmente “será assim e acabou”, os escapamentos aerodinâmicos continuarão existindo. Nesse instante essa é a situação. Se terminar assim, se terá feito justiça ainda que sem desejar.

Nos falamos.

Tags: , , , , , , , , ,

Comentários (5) | comente

04/VII/11

Três equipes anunciaram ontem importantes medidas de reestruturação que, necessariamente, as farão crescer.

O time da década de 90, como é conhecida a Williams, competirá nas próximas temporadas com motor Renault. É uma parceria de sucesso. Foram campeões do mundo em 1992, 1993, 1996 e 1997.

A Marussia Virgin estabeleceu uma parceria técnica com a McLaren. É tão profunda que a escuderia de Lewis Hamilton e Jenson Button terá participação na diretoria da companhia.

Por fim, o empresário espanhol Ramon Carabante vendeu a Hispania para o grupo de investimento espanhol Thesan Capital.

Primeiro o diretor-geral da Williams, Adam Parr (foto ao lado), dispensou o diretor-técnico Sam Michael e trouxe para seu lugar o experiente Mike Coughlan, ex-projetista da McLaren envolvido no escândalo que espionava os segredos da Ferrari. Rubens Barrichello deverá ser mantido na organização.

O novo grupo de engenheiros que trabalha na Williams no projeto de 2012 tem em Rubinho o seu ponto de referência para conceber o carro. Agora terá o mesmo motor Renault da equipe que domina o Mundial, a Red Bull.

Se tiver um melhor orçamento no próximo campeonato, como parece possível com essa importante reestruturação, a Williams voltará a crescer. Hoje está à frente apenas dos três times que estrearam no ano passado, cujas dependências em nada se assemelham às da Williams. “Não há razão para não pensarmos em voltar a vencer já em 2012”, afirmou Parr.

Segundo se comenta na Fórmula 1, porém, para a organização de Frank Williams ter a certeza de poder estar no caminho certo da evolução só substituindo seu diretor-geral. Parr é um advogado perspicaz mas sem experiência alguma com o complexo universo da Fórmula 1. O difícil é convencer Frank Williams de que Parr, apesar de hábil nas negociações com patrocinadores, não pode conduzir a escuderia por absoluta falta de conhecimento. O atual estágio de ineficiência do time seria o atestado de sua inexperiência.

Richard Branson, empresário empreendedor muito bem-sucedido, sócio da Marussia Virgin, não assistiria mesmo a seu projeto de Fórmula 1 fracassar. Em conjunto com seu sócio, a empresa russa Marussia, dispensou o projetista Nick Wirth e comprou sua estrutura técnica. Agora fez um acordo com a McLaren para uso de seus recursos que dará resultados a curto prazo.

A própria gestão do projeto terá o dedo dos profissionais da McLaren, bem como a superdependência da escuderia, em Woking, ao sul de Londres, estará à disposição do time de Brenson. Será a primeira vez que fará um teste em túnel de vento. Até agora seus dois carros, o do ano passado e desta temporada, foram projetados apenas por modelos matemáticos, algo impensável na Fórmula 1. “Precisávamos de uma medida de impacto como essa para atingir os objetivos que temos na Fórmula 1”, disse o diretor da equipe Andy Webb.

Havia dúvida se a Hispania terminaria a temporada. Não existe mais: o grupo espanhol Thesan garante não só a permanência na Fórmula 1 como um ambicioso planejamento para evoluir. Possui um competente diretor-técnico, Geoff Willis, que, se dispuser de recursos financeiros, poderá produzir um carro bem mais veloz que o atual.

Tags: , , , , , , , , , , , , , , ,

Comentários (13) | comente

27/VI/11

Livio Oricchio, de Valência

  Depois de oito etapas realizadas, Sebastian Vettel, da Red Bull, lidera com 186 pontos diante de 109 de Jenson Button, McLaren, e Mark Webber, Red Bull, empatados. São nada menos de 77 pontos de diferença. Como a cada prova o vencedor soma 25 pontos, Vettel poderia não disputar as três próximas corridas, Grã-Bretanha, Alemanha e Hungria, Button ou Webber vencerem as três, que mesmo assim regressaria à competição, na Bélgica, como líder. A pergunta mais feita, hoje na Fórmula 1, é: em que GP o alemão da Red Bull definirá o bicampeonato?

  “Como acredito que essa diferença vai crescer, apostaria que em Suzuka Vettel feche a temporada”, diz o diretor esportivo da Renault, Steve Nielsen. O GP do Japão, dia 09 de outubro, será o 15.º do calendário que terá 19 etapas. Bernie Ecclestone, promotor do Mundial, disse domingo, em Valência, que Vettel “será com certeza campeão”, mas não deu palpite em que prova. “Ele e Lewis (Hamilton) são os melhores dessa nova geração.”

  Flavio Briatore, ex-diretor da Benetton e Renault, falou em entrevista à rádio Montecarlo que Vettel seria campeão em Monza. Para isso, o alemão de apenas 23 anos teria de abrir uma diferença de 150 pontos para o concorrente mais próximo, pois após a corrida de Monza, 13.ª do Mundial, dia 11 de setembro, serão disputadas ainda mais seis. Vettel deveria ter, portanto, o dobro da diferença de hoje. É bem pouco provável.

  Para o diretor da Ferrari, Stefano Domenicali, é preciso esperar o que vai acontecer depois da próxima etapa, dia 10, em Silverstone, quando o escapamento aerodinâmico será proibido. “Poderá haver uma mexida na ordem de forças que vimos até agora. Reconheço, contudo, que Sebastian tem uma vantagem considerável.” E a situação pode tornar ainda mais favorável para a Red Bull se a previsão de Hamilton proceder, como muitos acreditam: “Sem o escapamento aerodinâmico vamos perder muito”, disse em Valência, domingo.

  A McLaren só deu um passo de gigante no seu desempenho, este ano, quando levou o carro para a abertura da temporada, em Melbourne, com o recurso, não utilizado nos testes. “Dispomos de outro carro”, afirmou Button, na Austrália. O caso da Mercedes é semelhante. Se essa tese for comprovada, em vez de a FIA estender a luta pelo campeonato, como pretende com a mudança da regra, poderá dar um tiro no próprio pé. Quem perderia mais seriam os adversários da Red Bull e não a equipe de Vettel e Webber.

  A exemplo do diretor esportivo da Renault, Rubens Barrichello, da Williams, também considera mais provável que Vettel defina o título no GP do Japão. “Ele tem de aumentar a diferença para 100 pontos, o que é possível nessa projeção.” E para Felipe Massa, Ferrari, Vettel terá de realizar uma proeza para perder o título: “Terá de aprontar muito, mas muito mesmo”. A corrida de Silverstone, dia 10, responderá se a definição do Mundial será apressada ou retardada. De qualquer forma, parece pouco provável que passe da etapa de Suzuka.

Tags: , , , , , , , , , , , ,

Comentários (13) | comente

23/VI/11

GP da Europa

Livio Oricchio, de Valência

  Os 39 comandos que Fernando Alonso tinha até o GP do Canadá para intervir no volante da sua Ferrari parecem ser poucos. Além do “pequeno detalhe” da pilotagem, lógico. A proibição de as equipes modificarem os ajustes eletrônicos do motor entre o treino classificatório a partir do GP da Europa, amanhã, e a corrida, domingo, está transferindo para os pilotos a função de reajustá-los para as condições do dia da prova.

Trata-se, portanto, de uma fonte de distração dos pilotos. Somada à provável maior instabilidade do carro nas freadas, em especial, por conta da proibição do escapamento aerodinâmico a partir de Silverstone, dia 10, a medida tende a aumentar o nível de acidentes na Fórmula 1. Os carros foram concebidos para desfrutar do recurso. Retirá-lo condiciona um comportamento no monoposto bem distinto de não possui-lo desde a sua concepção.

  “Se sábado estiver 30 graus, por exemplo, e domingo 15, essa diferença de temperatura impõe outro funcionamento do motor”, explica Ricardo Penteado, brasileiro, chefe dos engenheiros da Renault, fornecedora de motor do próprio time e da Red Bull e Lotus.

  A partir da etapa de Valência, a FIA adotou a nova regra com o objetivo de evitar que os engenheiros usem ajustes eletrônicos do motor que façam os gases do escapamento auxiliar enormemente na geração de pressão aerodinâmica. A Red Bull é também a que melhor explora o conceito, o que ajuda a explicar as enormes diferenças impostas aos concorrentes este ano.

   A medida tende a fazer com que Sebastian Vettel e Mark Webber, pilotos da Red Bull, enfrentem maiores dificuldades para estabelecer, amanhã, a pole position, como fizeram nas sete etapas realizadas até agora. Seis com Vettel, uma com Webber.

  “Se não mexermos na regulagem do motor e tivermos essa diferença grande nas condições, haverá autodetonação e risco elevado de quebra do motor”, afirma Ricardo. “Nós explicamos o caso para os comissários e tivemos como resposta que só seremos autorizados a intervir quando eles considerarem que as condições são outras das do sábado.”

Jo Bauer, delegado técnico, disse ao Estado a respeito: “Estamos aprendendo ainda com essa regra. Se de fato considerarmos que a nova situação, no domingo, exigirá ajustes, para a segurança de todos e dos equipamentos, enviaremos através da nossa página de computador a informação da área em que as equipes poderão mexer nos ajustes”.

  Por essa razão, os pilotos estão sendo instruídos sobre o que fazer de dentro do cockpit dos seus carros ao longo das 57 voltas da corrida, domingo. “Não deverão ser, em princípio, intervenções regulares, constantes, porque pressão e temperatura não se alteram com frequência, mas eles terão de ajustar o motor para as novas condições”, diz Ricardo.

  Os pilotos evitaram comentar o caso. Parecem desejar aguardar ao menos os primeiros treinos livres do GP da Europa, hoje, para entender através das experiências que todas as equipes vão fazer.

Tags: , , , , , , , , , ,

Comentários (3) | comente

11/VI/11

Livio Oricchio, de Montreal

  Técnicos das equipes não se conformam com a intenção dos dirigentes da FIA de proibir o chamado escapamento aerodinâmico. O recurso tem sido muito utilizado pelas equipes, em especial este ano, para gerar maior pressão aerodinâmica e tornar o carro mais rápido. A FIA quer torná-lo ilegal a partir do GP da Grã-Bretanha, dia 10 de julho.

  Já era para ter sido em Barcelona, dia 22 de maio, mas diante do protesto dos times foi adiada. A questão é tema de muitas conversas entre integrantes das equipes em Montreal. “Aceito que se mude a regra em pleno campeonato se for por um bom motivo, como segurança. Mas esse não é o caso agora. É um absurdo”, afirma o maior nome em engenharia da Fórmula 1, Adrian Newey, diretor técnico da Red Bull. Seu modelo RB7 é um dos que melhor desfruta dos benefícios desse conceito.

  A Renault foi ainda mais fundo. “Concebemos nosso carro sob esse princípio, já em uso no ano passado por algumas equipes. Passamos pela inspeção técnica no início do campeonato. Mudar agora provavelmente comprometeria nossas possibilidades de conquistar bons resultados este ano”, comenta Eric Boullier, chefe da Renault.

  Não há dúvida de que se a FIA, de fato, proibir o escapamento aerodinâmico a atual ordem de forças pode ser alterada. Por exemplo: a Red Bull perder parte da vantagem que possui sobre os adversários, o que tornaria o restante da temporada mais competitivo. Não são poucos na Fórmula 1 que veem a iniciativa da FIA, com o apoio de Bernie Ecclestone, promotor do evento, como uma forma de fazer com que o torcedor não perca interesse pelo campeonato, já bastante alinhado na direção de Sebastian Vettel, da Red Bull, pole position no GP do Canadá, líder do Mundial com 143 pontos diante de 85 de Lewis Hamilton, da McLaren.

Tags: , , , , ,

Comentários (9) | comente

Arquivos

Blogs do Estadão