ir para o conteúdo
 • 

Patrocinado por

29/VI/11

Livio Oricchio, de São Paulo

Até o primeiro pit stop do GP da Espanha, na 10.ª volta de um total de 66, Fernando Alonso, da Ferrari, liderou a corrida no Circuito da Catalunha. Largou em quarto e, na melhor manobra até agora este ano, subiu para a primeira colocação, ultrapassando Lewis Hamilton, da McLaren, terceiro no grid, Sebastian Vettel, Red Bull, segundo, e o pole position, Mark Webber, da Red Bull.

A Pirelli levou para Barcelona os pneus macios e os duros. Mas uma nova versão dos duros em razão de a anterior, utilizada no GP da Turquia, apresentar desgaste elevado, “acima do esperado”, como definiu Paul Hembery (foto), diretor da empresa italiana. Os novos duros eram, de fato, mais duros. E pneus confeccionados com composto de borracha mais duro tendem a expor mais a capacidade de os carros gerarem aderência aerodinâmica e mecânica. Uma espécie de hora da verdade para os projetos.

O que se assistiu na Espanha foi o que Fernando Alonso e Felipe Massa sinalizam desde a prova de abertura do Mundial, em Melbourne: “Não produzimos a mesma pressão aerodinâmica da Red Bull”. Alonso deu mais detalhes: “Enquanto a maior parte da aderência veio dos pneus, no caso os macios, que a 150 Italia aceitou bem, meu ritmo foi bom. Mas foi só passar para os duros que, de repente, tornei-me mais de um segundo mais lento que Vettel.”

Dia 10 de julho será disputada a nona etapa do calendário, o GP da Grã-Bretanha, em Silverstone, cujo traçado apresenta curvas longas e velozes, guardando alguma semelhança com trechos das pistas de Istambul e Barcelona. Por esse motivo, a Pirelli informou, hoje, que as equipes vão dispor dos mesmos pneus do GP da Espanha: macios e duros. E os mesmos duros que fizeram Alonso perder tanto rendimento que, na bandeirada, cruzou uma volta atrás do vencedor, Vettel, o mesmo que manteve atras de si nas dez primeiras voltas, quando liderou a corrida diante da sua torcida.

Paul Hembery comentou ter ouvido as equipes a respeito da escolha. E ela representa, segundo explicou, não apenas a opção técnica da Pirelli, mas os interesses dos times. “A fim de maximizar as oportunidades de estratégia”, explicou o inglês.

Depois de Alonso levar uma volta de Vettel em Barcelona, Stefano Domenicali conversou com a direção da Pirelli a fim de literalmente pedir que a empresa italiana repensasse sua opções de pneus duros dali para a frente. O modelo 150 Italia simplesmente não funciona com os duros versão do GP da Espanha.

Por tudo isso, o anúncio de hoje demonstra:

Primeiro: A isenção da Pirelli, em completa oposição ao que se chegou a falar quando a FIA divulgou, há um ano, que a marca italiana substituiria a Bridgestone como fornecedora de pneus da Fórmula 1:  poderia privilegiar a italianíssima Ferrari.

Segundo: Procede a informação dada por Hembery. Todas as equipes têm exatamente o mesmo contrato com a Pirelli, no valor de 1 milhão e 250 mil euros, com os mesmos espaços publicitários, direitos e obrigações.

Terceiro: A Ferrari vive outra realidade hoje na Fórmula 1. Não tem mais o poder que possuía na maior parte dos quase 20 anos de Max Mosley na presidência da FIA. Para a saúde da competição. Enganam-se muito os que acreditam provir da casa de Maranello a iniciativa de forçar a revisão das regras do jogo, a partir de Silverstone, com a proibição do escapamento aerodinâmico. Esse é outro capítulo que abordarei oportunamente.

A Ferrari já usou em Valência uma suspensão traseira que visa a melhorar a eficiência dos pneus duros. Nessa corrida, os médios assumiram o papel dos duros e, como disseram Alonso e Massa, o carro reagiu de forma surpreendentemente bem. Mas os duros de Silverstone serão  os verdadeiros duros. Dessa forma, é pouco provável que o modelo 150 Italia, de repente, passe a aceitá-los bem, a ponto de encarar a McLaren. A Red Bull seria quase impossível.

Abraços!

Tags: , , , , ,

Comentários (9) | comente

12/VI/11

Livio Oricchio, de Montreal

  Eu mesmo critico a introdução do flap traseiro móvel, por permitir a um piloto um recurso, que se mostra decisivo em pistas como esta onde estou, em Montreal, e ao adversário que está sendo ultrapassado, não. Do ponto de vista esportivo, estamos tratando de oportunidades distintas. O que não agrada a muita gente. Pertenço a esse grupo.

  Mas depois de assistir às corridas este ano, todas, sem exceção espetaculares, no mais amplo sentido do vocábulo, sinto que deveria começar a admitir seu uso. Somado aos pneus produzidos pela Pirelli, propositalmente concebidos para durarem pouco, revolucionou a Fórmula 1.

 Deixamos para trás provas monótonas, previsíveis, sem emoções maiores. Você pode dizer que as corridas da Austrália, Malásia, China, Turquia, Espanha, Mônaco e aqui do Canadá foram chatas, desinteressantes?

  Por mais crítico e purista que alguém possa ser, não há como não reconhecer que nos prenderam a atenção máxima até a bandeirada. Mais: ficamos, agora, torcendo para o GP seguinte chegar logo. Estamos nos contaminando com essas corridas maravilhosas, repletas de duelos, decididas nos últimos instantes, como o GP do Canadá. Você já se deu conta de que Button liderou apenas 2.500 metros da competição? Claro, os mais importantes, os que antecedem a bandeirada.

  Em outras palavras: o conjunto de regras introduzido este ano para tornar a competição mais atraente é um sucesso. Imenso.

  Há uma curiosidade nisso tudo. Se observarmos a classificação do campeonato, veremos que o líder, Sebastian Vettel, da Red Bull, conquistou 161 pontos em 175 possíveis depois de sete etapas. O dado, isolado, poderia sugerir um Mundial sem graça, afinal existe hegemonia de um piloto e uma equipe.

  Mas me reponda, por favor: É essa a imagem que você tem da temporada, de um campeonato desinteressante? As corridas são tão densas de emoção que mesmo que se Vettel definir a conquista do título no GP de Cingapura, digamos, 14.º de um total de 19, e até lá sabermos de antemão que ele deverá ser o campeão, não nos sentiremos incomodados.

  O conteúdo das provas é tão bom que, no fim das contas, a disputa pelo título se torna, por mais paradoxal que possa parecer, secundária.

  Vamos para as ruas de Valência, agora, a próxima etapa do calendário, dias 24, 25 e 26. Traçado de rua, com características semelhantes às da pista canadense, os mesmos pneus supermacios e macios distribuídos pela Pirelli em Mônaco e aqui em Montreal e, essencialmente, o mesmo conjunto de regras. Eu estou, desde já, ansioso para que o GP da Europa, em Valência, chegue logo. Mesmo tendo quase 350 presenças em corridas de Fórmula 1. É que fui, como afirmei, contaminado pela temporada.

Tags: , , , , ,

Comentários (37) | comente

11/VI/11

Livio Oricchio, de Montreal

Não vale. Ou melhor, vale, sim. Vettel pegou um belo vácuo de uma Williams, na longa reta antes dos boxes, e estabeleceu 1min13s381. Penso que deve lhe ter dado uns três décimos de segundo. Assim, faria, em condições normais, cerca de 1min13s681. Na frente, ainda, de Alonso, 1min13s701, mas bem diferente dos cerca de um segundo que impunha a todos, pelo menos. São as características do traçado de 4.361 metros, com curvas breves e lentas.

Tudo isso aconteceu há pouco, no terceiro treino livre. A Ferrari está rápida. Massa obteve o quarto tempo, 1min13s956. Nico mostrou que a Mercedes está na briga, terceiro, 1min13s919. Esperava mais da McLaren. Button marcou o quinto tempo, 1min14s335, e Hamilton o sexto, 1min14s469.

Não acredito que haja encenação nesse resultado. Vi esse pessoal exigir tudo do equipamento. Pode até ser que na classificação, daqui a uma hora e meia apenas, as coisas se modifiquem, mas não penso que será muito distinto do que acabamos de assistir. No máximo vai embaralhar esses seis e por diferenças reduzidas. Será surpreende se for muito diferente.

Chamou a atenção a volta em que o pneu supermacio, identificado com a tinta vermelha, respondeu com o melhor resultado: 3.ª, 4.ª e 5.ª, depende do carro. Dá para imaginar que na classificação não seja distinto.

O céu está ficando cada vez mais escuro e há a previsão de chuva para o período da tarde. A classificação aqui em Montreal será às 13 horas, 14 horas de Brasília. E as possibilidades de ser com asfalto molhado existem. Com esses guardrails tão próximos da pista, será uma obra do acaso se ninguém bater o treino não for interrompido.

Nos falamos mais tarde.

Abraços

Tags: , , , , , , , , , , , , , ,

Sem Comentários | comente

08/VI/11

Olá amigos:

Escrevo já do meu hotel, em Montreal. Agora passa das 21 horas e a temperatura lá fora deve estar na casa dos 29 graus Celsius. Está quente. Se em condições normais o traçado já é exigente quanto a pneus e freios, estou curiosíssimo para ver como será este ano. Pneus macios e supermacios, de desgaste elevado, e freios que aqui no Canadá trabalham sempre no limite.

Se existe uma corrida em que Sebastian Vettel pode ser vencido na pista é aqui. O tempo que os carros passam em curva no circuito Gilles Villeneuve é muito pequeno, um dos menores do calendário. E há apenas uma curva de média velocidade. O restante é tudo de baixa. Falta o substrato para o modelo RB7 da Red Bull expor suas maiores virtudes: curvas de média e alta velocidade. Em Montreal, nesse aspecto, é mais crítico que Mônaco.

Viajei com o pessoal da Sauber, como de costume, partindo de Zurique, minha base para voos. Por muitos anos, mais de 15, utilizei-me do aeroporto de Frankfurt. Tenho dois amigos, em especial, na Sauber, Francesco e Gianpaolo, os engenheiros de Kamui Kobayashi e Sérgio Perez. Conversamos bastante, em especial com Francesco, com quem, por vezes, saímos para jantar. Sua esposa é brasileira, ex-assessora da Toyota, a competente Fernanda.

Francesco me fez os maiores elogios a Kobayashi. Minha bateria está no fim e estou sem adaptador para o carregador. Emprestei o meu a um colega na Turquia, não o recebi de volta, compreendi apenas agora, e o hotel já distribuiu aos hóspedes os que possuía. Amanhã eu conto a visão do engenheiro de Koba a respeito de Koba.

Gianpaolo foi o primeiro engenheiro de Massa, no seu teste com a Sauber, em Mugello, em 2001. Lá estava eu. Gianpaolo me disse que Sergio Perez esteve na sede da Sauber, em Hinwill, meia hora de carro de Zurique, esta semana, e o viu muito bem. Reclamou um pouco de dor, ainda, na perna direita, mas se sentia em condições de disputar o GP do Canadá. Deve mesmo correr.

O alerta de bateria fraca apitou. Amigos, até amanhã na sala de imprensa. Em Montreal não alugo carro. Vou de metro. De onde estou, é apenas uma estação. Não dá para ir a pé porque é longe e o metro passa em baixo do rio São Lorenzo, bastante largo. Da saída da estação do metro, já na ilha artificial de Notre Dame, onde está a pista, espero o shuttle da imprensa. Você vê vários (três palavras com V) marmotas no parque da ilha. Para ver os castores, um dos meus animais preferidos, basta sair um pouco da cidade.

 Queria lembrar, amigos, que foi o que assistimos aqui, no ano passado, aquele sem número de pit stops, que levou Ecclestone a solicitar à Pirelli pneus de breve vida útil a fim de tornar a competição menos previsível. Como será este ano, então, com pneus que se desgastam mais que em 2010? Você consegue me dizer?

Ah, passaremos a nos encontrar com maior frequência no blog. Tomei algumas providências para viabiliar esse maior contato, como deixar de traballhar para a revista japonesa Autosport. Sobrará mais tempo para nós.

Abraços!

Tags: , , , , , , , ,

Comentários (30) | comente

Arquivos

Blogs do Estadão