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09/VII/11

Livio Oricchio, de Silverstone

  Agora a responsabilidade foi transferida para as equipes. A FIA distribuiu comunicado, há pouco, para informar o resultado da reunião extraordinária do Technical Working Group (TWG), hoje de manhã, quando se discutiu a questão do quanto de aceleração, em frenagem, cada motor poderia ter.

 Em outras palavras, se o escapamento aerodinâmico seria permitido novamente, desde que fossem porcentagens elevadas de aceleração, ou proibido, se ficasse nos 10% impostos antes de virmos cá para Silverstone.

  Para o treino de classificação, realizado há duas horas, e a corrida, amanhã, todas as equipes deveriam regular meus motores para não ultrapassar 10% de aceleração quando o piloto aciona o freio. A exceção é a Mercedes, com 20%, por ter conseguido provar para Charlie Whiting, delegado da FIA, que sem essa porcentagem mínima de aceleração seus motores se romperiam.

  Hoje e amanhã, portanto, o escapamento aerodinâmico está proibido.

  Christian Horner, diretor da Red Bull, disse que foi uma derrota de seu time. “Mas há o compromisso de discutirmos novamente o tema antes do GP da Alemanha (dia 24).”

  O comunicado da FIA explica que existe a possibilidade de tudo voltar como antes, ou seja, regressarmos ao regulamento de Valência, quando não havia controle dessa aceleração em frenagem e todos desfrutavam do escapamento aerodinâmico, ainda que uns mais outros menos. “Para o escapamento aerodinâmico ser permitido novamente é preciso que todas as equipes concordem” , escreve a FIA.

  Mas vamos pensar juntos, amigos. Depois do que vimos hoje aqui na sessão que definiu o grid do GP da Grã-Bretanha, restando ainda, portanto, 11 corridas para o fim do campeonato, contando com a de amanhã, alguém acredita que, por exemplo, a Ferrari vai concordar em voltar atrás?

  Alonso ficou a 117 milésimos de Webber num traçado que, em condições normais, tomaria mais de um segundo na classificação. Tudo bem que sua Ferrari tem importantes modificações em Silverstone, mas essencialmente o que explica essa proximidade foi a proibição do escapamento aerodinâmico que, por enquanto, atingiu a Red Bull provavelmente mais do que eles próprios imaginavam.

  Se o que vimos hoje aqui tem mesmo representatividade, é bom não esquecer que foi apenas uma classificação, dá para pensar que em outros traçados menos favoráveis à Red Bull a Ferrari possa sonhar em largar na pole position. Se levarmos em consideração que o ritmo de corrida da Ferrari já era bom em relação à Red Bull, com as restrições impostas agora pela FIA pode ser que amanhã Alonso e Massa enfrentem mesmo Vettel e Webber em condições semelhantes.

  A dúvida é como a Ferrari vai se comportar quando colocar os pneus duros. Em Barcelona, passou a tomar um segundo por volta da Red Bull. Alonso disse, ontem, que nas 5 ou 6 voltas que deu com os pneus duros, hoje de manhã, sentiu notável evolução. A conferir, amanhã.

  Isso tudo para dizer que duvido muito que a Ferrari, quietinha até agora, vá desejar voltar ao que vivíamos até Valência. A nova regra, ao que parece, a favoreceu e afastou a McLaren da luta também. Curiosamente Hamilton já havia previsto na corrida anterior. Vocês viram a diferença de Button e Hamilton para Webber. Vamos lá: 1 segundo e 499 milésimos e 1 segundo e 977 milésimos. Um universo de extensão!

 O momento parece ser, a julgar pelos ensinamentos de hoje, não conclusivos, por favor, dos italianos.

  Eu e muita gente se surpreenderia muito se no GP da Alemanha a Renault, marca do motor da Red Bull, poderá aumentar seu percentual de aceleração em frenagem por causa de todas as equipes concordarem em voltar ao regulamento de Valência. E as escuderias que competem com motor Cosworth, Williams, Marussia Virgin e Hispania também não vão desejar ver a Red Bull voar na classificação e as expor ao risco de ficar de fora das corridas por causa da exigência de tempo 107% do pole position. A Williams foi muito bem ontem, com Pastor Maldonado, 7.º no grid. A Cosworth não tem dinheiro para desenvolver seu escapamento aerodinâmico.

  Em resumo, amigo, se com as mudanças que Newey vai introduzir no carro a Red Bull não se tornar mais veloz, o que assistimos neste sábado aqui em Silverstone demostrou ser possível pensarmos em lutas pela pole position e pelas vitórias nas corridas. Não quer dizer uma reviravolta no campeonato porque a vantagem da Red Bull é considerável, mas provas mais emocionates quanto à briga pelas primeiras colocações, com Vettel e Webber enfrentando maior resistência.

  Faz sentido acreditarmos nisso.

  Abraços!

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09/VII/11

Livio Oricchio, de Silverstone

Charlie Whiting, delegado da FIA, enviou agora de manhã documento às equipes que competem com motor Renault, a própria equipe, Red Bull e Lotus, informando que a concessão de utilizar 50% de aceleração nas frenagens, estabelecida ontem, não vale mais. Terá de ser apenas 10%, conforme decidido previamente pela FIA. Já a permissão à Mercedes de manter 20% de aceleração continua válida.

É isso mesmo que você acabou de ler. A FIA voltou atrás. Como, aliás, tem sido sua rotina. Fica o dito pelo não dito e não dito pelo dito.

Mas é bom não acreditarmos totalmente que a história terminou. O histórico do episódio sugere prudência.

Hoje de manhã, Whiting com representantes das equipes, discutiram uma forma de atender os interesses de cada fabricante de motor. E, obviamente, não foi possível chegar a uma solução de consenso. Cada um tem suas características.

A expressão de Christian Horner nesse momento, 10 horas para mim, 6 horas de Brasília, no muro dos boxes, é reveladora do que aconteceu há instantes: a Red Bull perdeu a batalha. O motor Renault não poderá acelerar mais, nas frenagens do carro, de 10% da aceleração que utilizava em 2009, para aquela condição, quando o escapamento aerodinâmico não existia. Enquanto a Mercedes pode atingir 20%.

A razão para a política distinta da FIA é que, para Whiting, o argumento da Mercedes, de que seu motor vai quebrar sem os 20% procede, enquanto o da Renault, sem os 50% não tem comprometimento de resistência.

 Difícil acreditar que haja mesmo um motivo técnico comprovando tudo isso. Parece mais uma decisão política que visa a conter o desempenho da Red Bull, como foi a de proibir o escapamento aerodinâmico.

Vejo Adrian Newey e Christian Horner caminhando pelo paddock com pastas nas mãos, bem como a chegada de Jean Todt, presidente da FIA. Como escrevi, a história não acabou.

Enquanto isso, os carros prosseguem o terceiro treino livre. Pista seca, depois úmida e agora novamente, pelo que compreendo, seca. Depois da bandeirada o clima cai esquentar.

Abraços!

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04/VII/11

Três equipes anunciaram ontem importantes medidas de reestruturação que, necessariamente, as farão crescer.

O time da década de 90, como é conhecida a Williams, competirá nas próximas temporadas com motor Renault. É uma parceria de sucesso. Foram campeões do mundo em 1992, 1993, 1996 e 1997.

A Marussia Virgin estabeleceu uma parceria técnica com a McLaren. É tão profunda que a escuderia de Lewis Hamilton e Jenson Button terá participação na diretoria da companhia.

Por fim, o empresário espanhol Ramon Carabante vendeu a Hispania para o grupo de investimento espanhol Thesan Capital.

Primeiro o diretor-geral da Williams, Adam Parr (foto ao lado), dispensou o diretor-técnico Sam Michael e trouxe para seu lugar o experiente Mike Coughlan, ex-projetista da McLaren envolvido no escândalo que espionava os segredos da Ferrari. Rubens Barrichello deverá ser mantido na organização.

O novo grupo de engenheiros que trabalha na Williams no projeto de 2012 tem em Rubinho o seu ponto de referência para conceber o carro. Agora terá o mesmo motor Renault da equipe que domina o Mundial, a Red Bull.

Se tiver um melhor orçamento no próximo campeonato, como parece possível com essa importante reestruturação, a Williams voltará a crescer. Hoje está à frente apenas dos três times que estrearam no ano passado, cujas dependências em nada se assemelham às da Williams. “Não há razão para não pensarmos em voltar a vencer já em 2012”, afirmou Parr.

Segundo se comenta na Fórmula 1, porém, para a organização de Frank Williams ter a certeza de poder estar no caminho certo da evolução só substituindo seu diretor-geral. Parr é um advogado perspicaz mas sem experiência alguma com o complexo universo da Fórmula 1. O difícil é convencer Frank Williams de que Parr, apesar de hábil nas negociações com patrocinadores, não pode conduzir a escuderia por absoluta falta de conhecimento. O atual estágio de ineficiência do time seria o atestado de sua inexperiência.

Richard Branson, empresário empreendedor muito bem-sucedido, sócio da Marussia Virgin, não assistiria mesmo a seu projeto de Fórmula 1 fracassar. Em conjunto com seu sócio, a empresa russa Marussia, dispensou o projetista Nick Wirth e comprou sua estrutura técnica. Agora fez um acordo com a McLaren para uso de seus recursos que dará resultados a curto prazo.

A própria gestão do projeto terá o dedo dos profissionais da McLaren, bem como a superdependência da escuderia, em Woking, ao sul de Londres, estará à disposição do time de Brenson. Será a primeira vez que fará um teste em túnel de vento. Até agora seus dois carros, o do ano passado e desta temporada, foram projetados apenas por modelos matemáticos, algo impensável na Fórmula 1. “Precisávamos de uma medida de impacto como essa para atingir os objetivos que temos na Fórmula 1”, disse o diretor da equipe Andy Webb.

Havia dúvida se a Hispania terminaria a temporada. Não existe mais: o grupo espanhol Thesan garante não só a permanência na Fórmula 1 como um ambicioso planejamento para evoluir. Possui um competente diretor-técnico, Geoff Willis, que, se dispuser de recursos financeiros, poderá produzir um carro bem mais veloz que o atual.

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23/VI/11

GP da Europa

Livio Oricchio, de Valência

  Os 39 comandos que Fernando Alonso tinha até o GP do Canadá para intervir no volante da sua Ferrari parecem ser poucos. Além do “pequeno detalhe” da pilotagem, lógico. A proibição de as equipes modificarem os ajustes eletrônicos do motor entre o treino classificatório a partir do GP da Europa, amanhã, e a corrida, domingo, está transferindo para os pilotos a função de reajustá-los para as condições do dia da prova.

Trata-se, portanto, de uma fonte de distração dos pilotos. Somada à provável maior instabilidade do carro nas freadas, em especial, por conta da proibição do escapamento aerodinâmico a partir de Silverstone, dia 10, a medida tende a aumentar o nível de acidentes na Fórmula 1. Os carros foram concebidos para desfrutar do recurso. Retirá-lo condiciona um comportamento no monoposto bem distinto de não possui-lo desde a sua concepção.

  “Se sábado estiver 30 graus, por exemplo, e domingo 15, essa diferença de temperatura impõe outro funcionamento do motor”, explica Ricardo Penteado, brasileiro, chefe dos engenheiros da Renault, fornecedora de motor do próprio time e da Red Bull e Lotus.

  A partir da etapa de Valência, a FIA adotou a nova regra com o objetivo de evitar que os engenheiros usem ajustes eletrônicos do motor que façam os gases do escapamento auxiliar enormemente na geração de pressão aerodinâmica. A Red Bull é também a que melhor explora o conceito, o que ajuda a explicar as enormes diferenças impostas aos concorrentes este ano.

   A medida tende a fazer com que Sebastian Vettel e Mark Webber, pilotos da Red Bull, enfrentem maiores dificuldades para estabelecer, amanhã, a pole position, como fizeram nas sete etapas realizadas até agora. Seis com Vettel, uma com Webber.

  “Se não mexermos na regulagem do motor e tivermos essa diferença grande nas condições, haverá autodetonação e risco elevado de quebra do motor”, afirma Ricardo. “Nós explicamos o caso para os comissários e tivemos como resposta que só seremos autorizados a intervir quando eles considerarem que as condições são outras das do sábado.”

Jo Bauer, delegado técnico, disse ao Estado a respeito: “Estamos aprendendo ainda com essa regra. Se de fato considerarmos que a nova situação, no domingo, exigirá ajustes, para a segurança de todos e dos equipamentos, enviaremos através da nossa página de computador a informação da área em que as equipes poderão mexer nos ajustes”.

  Por essa razão, os pilotos estão sendo instruídos sobre o que fazer de dentro do cockpit dos seus carros ao longo das 57 voltas da corrida, domingo. “Não deverão ser, em princípio, intervenções regulares, constantes, porque pressão e temperatura não se alteram com frequência, mas eles terão de ajustar o motor para as novas condições”, diz Ricardo.

  Os pilotos evitaram comentar o caso. Parecem desejar aguardar ao menos os primeiros treinos livres do GP da Europa, hoje, para entender através das experiências que todas as equipes vão fazer.

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22/VI/11

GP da Europa

Amigos:

Escrevo já de Valência. Há um ditado que muitos cultuam aqui na Europa e que hoje se mostrou perfeito: quem tem pressa vai de carro. De casa, em Nice, até aqui em Valência, são cerca de 850 quilômetros. Respeitando os limites de velocidade, algo importante em especial nas estradas francesas – nas espanholas dá para ir um pouquinho além -, são oito horas de viagem. Já fiz algumas vezes nas sessões de pré-temporada. Pois hoje, de avião, necessitei de oito horas e meia, desde que saí de casa e pousei em Valência, via Zurique. Congestionamento aéreo foi a explicação.

Antes que tudo feche e eu fique só com o sanduíche que comi a bordo e faz tempo, vou correr aos restaurantes mais próximos do hotel desta bela cidade. Como come-se bem em Valência. E não é só a paella não! Frutos do mar, em geral, e como não?, carnes também.

Redigi o texto a seguir agora. Torço para Newey responder com a competência de sempre ao desafio de sábado aqui em Valência, mas sei também que é a chance para seus adversários quebrarem a hegemonia de sete poles da Red Bull em sete etapas.

Vamos nos falar muito ao longo do fim de semana. Está um calor danado aqui.

Abraços!

  Texto:

  Até agora foram disputadas sete sessões de classificação, este ano. E sempre a Red Bull estabeleceu a pole position. Seis vezes com Sebastian Vettel e uma com seu companheiro, Mark Webber. Sábado, no circuito de rua de Valência, na Espanha, McLaren, Ferrari e até a Mercedes vão ter a primeira oportunidade de romper a hegemonia da Red Bull. A FIA modificou as regras do jogo. Não mais será permitido usar o ajuste do motor para gerar pressão aerodinâmica, recurso que a Red Bull melhor desenvolveu. Mas os carros vão estar também menos estáveis e o risco de acidente será maior.

  Diferenças de mais de um segundo para os adversários nas sessões de definição do grid, verificadas este ano, parecem ser coisa do passado para a Red Bull. Por melhor que Adrian Newey, seu projetista, responda ao novo desafio imposto pela FIA, seu time deverá ser um dos mais afetados com a mudança. Não será de se estranhar se sábado Lewis Hamilton ou Jenson Button, da McLaren, e Fernando Alonso ou Felipe Massa, Ferrari, por exemplo, obtenham a primeira colocação no grid. É a sua primeira chance na temporada. Depois, claro, se estenderá para as demais etapas.

  Hoje os pilotos vão comentar a alteração do regulamento em pleno campeonato. O anúncio foi feito terça-feira. E abordarão, da mesma forma, o que pode ocorrer a partir da prova seguinte, o GP da Grã-Bretanha, dia 10, quando essa limitação de ajuste eletrônico do motor se estenderá para a corrida também. Já em Montreal Alonso deixou transparecer que representa uma grande oportunidade para se aproximar da Red Bull. A diferença, no entanto, é enorme. Vettel lidera com 161 pontos diante de 101 de Button. Alonso é  o quinto, com 69.

  Como os treinos são proibidos na Fórmula 1, os pilotos vão aproveitar as duas sessões livres do GP da Europa, amanhã, sob o calor intenso que faz na cidade, para conhecer as reações do carro sem um importante recurso que o torna mais equilibrado. O desafio maior será sábado, pois na definição do grid os pilotos atingem o limite extremo do carro, sendo que desta vez vão dispor de um conjunto mais arisco e os muros da pista de Valência são bem próximos ao asfalto.

  Futuro

  A mudança de motor na Fórmula 1 estava acertada para 2013: eles passariam a ser 1,6 litro, em vez de 2,4 litros, como hoje, e quatro cilindros em linha, em vez do V-8 atual. Voltariam a ser turboalimentados, tecnologia que perdurou na Fórmula 1 de 1977 a 1988, na sua última adoção no Mundial, e não mais seriam aspirados, como agora. Ontem, os representantes das equipes entraram num acordo: a alteração fica para 2014 e os motores serão 1,6 litro turbo e de arquitetura V-6.

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