08/VII/11
Livio Oricchio, de Silverstone
Que o tema era complexo já se sabia. Os próprios fabricantes de motor, Mercedes, Ferrari, Renault e Cosworth, já haviam alertado a FIA. Estabelecer um valor de aceleração para todos não funcionaria. E foi o que aconteceu ontem, depois dos primeiros treinos livres do GP da Grã-Bretanha, em Silverstone, realizados sob chuva. Felipe Massa, da Ferrari, registrou o melhor tempo.
Hoje será disputada a sessão de classificação. Mas até ontem, tarde da noite, por incrível que possa parecer, ninguém tinha certeza sob qual regulamento. Representantes da Mercedes e Renault alegaram que seus motores, com o valor estabelecido pela FIA, iriam se romper.
A FIA ordenou, na prática, o fim do chamado escapamento aerodinâmico a partir já dos treinos de ontem, ao exigir que todo motor não elevasse mais de 10% sua aceleração quando o piloto tirasse o pé do acelerador. Até a prova de Valência, há duas semanas, cada equipe definia a aceleração de acordo com sua conveniência. Essa aceleração extra automática ajudava a gerar pressão aerodinâmica por causa da posição dos terminais dos canos de escape na traseira do carro.
Ocorre que Ross Brawn, da Mercedes, alegou que seu motor utilizava 20% de aceleração em 2009, quando não havia o escapamento aerodinâmico. Uma redução colocaria em risco a confiabilidade do motor alemão. Charlie Whiting, delegado da FIA, acatou o pedido. A Renault fez o mesmo com Eric Boullier, seu diretor. E foi além. Demonstrou necessitar de 50% a mais de aceleração. O pedido da Ferrari era desconhecido ontem.
Como Whiting tinha os mapas de gerenciamento dos motores de todos os times em 2009, não lhe restou alternativa a não ser concordar com os pedidos. Procediam. Estabeleceu-se 50% para todos. Não mudaria nada em relação ao que já existia. A Red Bull não seria afetada, propósito do fim do escapamento aerodinâmico.
Aí a chiadeira dos times que correm com motor Cosworth, Williams, Marusia Virgin e Hispania, foi geral: não dispõem do recurso na prática.
A reunião de ontem à noite procurou estabelecer parâmetros que atendam os interesses de todos, como se fosse possível, para as equipes adotarem já hoje, no treino da manhã. O clima do encontro foi tenso. Hoje deverá ser anunciada a decisão final da FIA. Os carros devem começar o treino livre com aceleração máxima em frenagem de 50%, conforme autorizado ontem por Whiting. Mas a história não vai terminar aí.
Jean Todt, presidente da entidade, está em Paris e louco da vida, segundo uma fonte. É desgaste demais para a FIA e sua gestão. São indefinições, hesitações demais. Como já havia ocorrido com o cancelamento, a reativação e o novo cancelamento do GP de Bahrein. Todt pode assumir uma postura ditatorial e fazer todos a acatarem. O que está faltando à Fórmula 1 é uma liderança forte que coordene a criação de regras claras e depois cobre o seu cumprimento com rigor.
Tags: Cosworth, escapamento aerodinâmico, Ferrari, FIA, Fórmula 1, Jean Todt, Marusia Virgin, Mercedes, regulamento, Renault, Ross Brawn, Williams
08/VII/11
Amigos, é inacreditável o que está acontecendo aqui em Silverstone nesse momento, 19h30 para mim, 15h30 horário de Brasília.
Os representantes das equipes, acompanhados de seus técnicos de motor, estão reunidos para discutir a questão do escapamento aerodinâmico. Tudo o que noticiamos até agora, nos últimos dias, pode não ser bem assim. É verdade!
Só para recordar: a FIA estabeleceu que a partir desta prova, o GP da Grã-Bretanha, os motores poderiam permanecer apenas 10% acima da aceleração normal quando os pilotos retirassem o pé do acelerador. Até a prova de Valência, os engenheiros de motor regulavam a central de gerenciamento de forma a manter aceleração mesmo com o pedal do acelerador não acionado.
O objetivo era continuar emitindo gases no escapamento para gerar pressão aerodinâmica, em razão de seu posicionamento na porção traseira do carro. Há um post que explico em detalhes a questão.
Parecia claro. Mas não é. Mercedes e Renault alegam que com os 10% seus motores podem quebrar. Por isso, Charlie Whiting concordou com a solicitação da Mercedes: 20% a mais de aceleração. A Renault alegou ser necessário 50% de aceleração para seu motor também não se romper. E é isso que estão discutindo agora. Estão todos lá.
Senhores, a FIA está perdida. Não sabemos o regulamento não do ano que vem, mas do treino de amanhã. Vou permanecer até tarde aqui a fim de tentar obter mais informações. O fato é que já é possível concluir que haverá concessões. Em resumo, amigo, está cheirando uma coisa: não deve mudar quase nada em relação ao que estamos assistindo na temporada.
Se for mesmo assim, se Jean Todt, que soube de fonte segura está louco da vida, não aparecer aqui e determinar ditatorialmente “será assim e acabou”, os escapamentos aerodinâmicos continuarão existindo. Nesse instante essa é a situação. Se terminar assim, se terá feito justiça ainda que sem desejar.
Nos falamos.
Tags: Charlie Whiting, escapamento aerodinâmico, FIA, Fórmula 1, GP da Grã-Bretanha, Jean Todt, Mercedes, regulamento, Renault, Silverstone
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