11/VI/11
Livio Oricchio, de Montreal

O que há em comum entre Sebastian Vettel, Michael Schumacher, Jacques Villeneuve e Damon Hill? Todos já conquistaram o título mundial. Ponto. Mas existem, claro, outras coincidências. Se for tomado como exemplo o GP do Canadá, os quatro viveram em Montreal uma experiência que nada tem a ver com conquistas, glória, júbilo. Villeneuve, Schumacher, Hill e, desde sexta-feira, Vettel bateram no mesmo local, no muro da entrada da reta dos boxes. O muro ganhou até nome, com fundamentadas razões: “Muro dos Campeões”.
Fazia tempo que o muro não recebia a presença de um legítimo representante da classe. O último havia sido ainda em 1999, Michael Schumacher, com Ferrari. Damon Hill, da Jordan, não gostou desse privilégio dado a Schumacher e também, na mesma prova, tratou de colidir no muro. “Onde já se viu!”
O primeiro a começar a definir a fama procedente do muro foi Jacques Villeneuve, em 1997, com Williams. Ok, verdade, não era ainda campeão, mas seria naquele campeonato. E agora, este ano, no primeiro treino, na primeira temporada como campeão do mundo, Vettel não decepcionou o muro que tanto atrai essa categoria específica de pilotos: foi direto colaborar com a campanha. A pressa em juntar-se ao grupo denota até certa ansiedade em Vettel. Deve estar aliviado.
Importante: o Muro dos Campeões não rejeita pilotos menos dotados. Teria dito numa entrevista: “Privilegiar campeões não quer dizer excluir os não campeões”.
Hoje, ao longo das 70 voltas da corrida no circuito Gilles Villeneuve, o muro pode novamente receber a visita de Vettel, Fernando Alonso, da Ferrari, Lewis Hamilton e Jenson Button, McLaren, e Schumacher. Seus favoritos. Aliás, Schumacher não aparece por lá há 11 anos. Com sete títulos nas costas, deveria dar o exemplo. Um verdadeiro “ausente”! Como Villeneuve e Hill, os cinco já receberam da FIA o troféu de campeão do mundo e estão em atividade. A história do Muro dos Campeões tem de manter-se viva. E cabe a eles preservá-la!
Mas há benevolência também nessa história. O muro não gosta de ferir ninguém. Os choques se dão sempre quando a velocidade já é reduzida. “Nós chegamos ao final da longa reta que dá acesso aos boxes em sétima marcha, a 330 km/h. Freamos na placa dos 100 metros e iniciamos a primeira perna da chicane, onde na saída encontra-se o muro, em segunda marcha, a 120 km/h”, explica Rubens Barrichello, da Williams, o piloto mais experiente da Fórmula 1, com presença em 312 GPs e presidente da associação dos pilotos (GPDA). Hoje, Rubinho disputa seu 19.º GP do Canadá.
“Esse muro dos campeões é um mito. Não há segredo na chicane. O que existe, e essa é a razão dos acidentes, são duas zebras bem altas. Dependendo de como você toca nelas o carro voa e, como não há área de escape, bate no muro”, comenta Rubinho. A zebra alta, por mais paradoxal que possa parecer, existe para aumentar a segurança. “Sem ela, contornaríamos a chicane muito mais rápido e o choque, no caso de erro, seria em velocidade bem maior”, diz Rubinho.
Outros pilotos, não campeões, não foram rejeitados pelo muro famoso, conforme teria declarado na entrevista, o que atesta seu liberalismo: Kamui Kobayashi, com Sauber, Nick Heidfeld, Sauber, Vitantonio Liuzzi, Toro Rosso, e Ricardo Zonta, BAR.
O piloto mais completo em atividade, Fernando Alonso, deu sua visão do porquê acontecerem tantos acidentes naquele ponto da pista: “Se você contornar a segunda perna da chicane 5 km/h mais lento do que o carro permite, a velocidade de entrada na reta dos boxes será menor e todo o trecho estará comprometido.”
E complementa: “Seu tempo de volta será ruim. Mas se estiver 5 km/h mais rápido do que a condição permite, provavelmente colidirá com o muro. Essa diferença bem pequena entre ser eficiente e errar é a razão de vermos, por vezes, batidas naquele muro.”
Felipe Massa, seu companheiro, não enxerga desafio maior na chicane do muro: “Não é uma curva como a Eau Rouge, que você prende a respiração. O desafio é saber tocar nas zebras de forma a poder ser rápido sem ser lançado no ar.” Hoje, na corrida, os 24 pilotos do grid já estão desafiados pelo Muro dos Campeões. Embora, lógico, a preferência seja pelos cinco que venceram o Mundial. Se mais de uma vez, melhor ainda.
Tags: Damon Hill, Fórmula 1, GP do Canadá, Jacques Villeneuve, Michael Schumacher, Muro dos Campeões, Rubens Barrichello, Sebastian Vettel
10/VI/11
Livio Oricchio, de Montreal
Olá amigos!
Estava há pouco atrás da grade, próximo ao Muro dos Campeões, quando, de repente, quem bate lá também, para aumentar as estatísticas? Sebastian Vettel.

Que eu vi, lembro-me de Jacques Villeneuve, Damon Hill e Michael Schumacher, todos campeões do mundo, e todos se acidentarem no mesmo muro, daí ser conhecido, agora, como Muro dos Campeões.
Vettel entrou na lista. Aliás, é a segunda vez na temporada – o GP do Canadá é o sétimo do calendário – que o alemão compromete sua sexta-feira por se acidentar. Na Turquia, sob chuva, destruiu o carro na saída da curva 8. Aqui, como sua velocidade era bem menor, os estragos no RB7 foram reduzidos. Deve participar da sessão da tarde. Tirei essa foto, depois de pedir ao cameramen para subir na sua plataforma. Gentilmente me autorizou. Assim, fiquei sem a grade na frente.
O Muro dos Campeões é aquele posicionado na área externa na entrada da reta dos boxes, na desafiadora chicane. Fui ver como os pilotos percorrem o trecho com os pneus Pirelli quando Vettel travou a roda dianteira direita na freada do fim da reta e comprometeu sua trajetória na chicane. Há uma zebra lá que te catapulta.
Ao observar a barreira de pneus protegida por uma manta grossa de borracha, agora, me meio à mente o grave acidente de Oliver Panis, com Prost, na edição de 1997 da corrida neste mesmo circuito Gilles Villeneuve. Panis perdeu o controle do carro na curva 5, contornada com o acelerador no curso máximo, em quinta marcha, a cerca de 230 km/h. Bateu na proteção de pneus, não revestida da manta.
Como não havia a manta, a frente da Prost de Panis entrou entre os pneus e o monocoque dobrou, causando a fratura das duas pernas do francês. Desde então, Charlie Whiting exige a manta à frente das barreiras de pneus. Funciona bem.
Nesse momento, 12h20, para mim, está em curso um treino com carros antigos de Fórmula 1. É de emocionar. Todos impecáveis, pertencentes a colecionadores, tal qual os modelos originais em todos os detalhes.
Vejo a Ferrari 312T3 com que Gilles Villeneuve venceu a corrida, aqui mesmo, em 1978, sob chuva intensa, a Lotus 79, o monoposto mais lindo que já vi na Fórmula 1, campeão do mundo com Mario Andretti, em 1978, uma Shadow DN5 incrível. O mesmo modelo que em 1975 voou em Interlagos, estabelecendo a pole position e liderando até quebrar, no fim, e permitir a única vitória de José Carlos Pace, com Brabham. Ano passado fui ver esses carros de perto, no seu paddock. É extraordinário. Seus donos os preservam com a máxima fidelidade.
Assisti-los correr neste circuito, como farão amanhã, assusta um pouco, considerando-se sua segurança. E o pessoal manda ver, aceleram mesmo. Só evitam os toques porque reconstruir esses monopostos é difícil e custa caro.
Volto daqui a pouco com mais informações.
Tags: Damon Hill, Fórmula 1, GP do Canadá, Jacques Villeneuve, Michael Schumacher, Muro dos Campeões, Red Bull, Sebastian Vettel
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