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14/VI/11

Livio Oricchio, do aeroporto Pierre Trudeau, em Montreal

Amigos, cheguei em casa, aqui em Nice, há instantes. São 18 horas desta terça-feira para mim. Estou começando me inteirar agora do noticiário da Fórmula 1. Na viagem e na parada em Zurique conversei horas com profissionais da Fórmula 1. É sempre um aprendizado. Se não nos informa, nos forma. E quanto isso é importante nesse universo de valores muito próprios como a Fórmula 1. Escrevi o texto a seguir ontem, antes de embarcar, em Montreal. Acho que ainda não se perdeu totalmente, por isso o coloco no ar. Abraços!

  É possível a um piloto de Fórmula 1 ocupar a 21.ª e última colocação nas voltas 37, 38, 39 e 40, numa corrida de 70, e vencer a competição? Jenson Button, da McLaren, mostrou, domingo em Montreal, que sim. Com impressionantes 21 ultrapassagens durante o GP do Canadá e nada menos de seis passagens pelos boxes, Button é manchete no seu país. “Uma das vitórias mais espetaculares da história” é o tom das publicações inglesas, como o Daily Telegraph.

  A mesma publicação destaca, também, o pesadelo vivido por seu companheiro de equipe, Lewis Hamilton, bem mais popular, que mais uma vez se envolveu em acidentes, desta vez com o próprio Button.

   “A maior vitória da minha carreira”, definiu Button. O que os números não mostram é que Button sobreviveu a uma prova de demolições também. Primeiro com o próprio Hamilton, ainda na sétima volta. Ao tentar ultrapassar Button, Hamilton foi espremido no muro e acabou colidindo. Para Hamilton, o time e os próprios comissários, Button alegou que, com a chuva, não viu Hamilton do seu lado. Sua lisura com piloto o isentou de culpa. Não mentiria mesmo.

  O próximo da lista foi Fernando Alonso, da Ferrari. Na 36.ª volta, Button e Alonso percorreram a reta que antecede a curva 5 e ao iniciar o contorno da chicane a roda dianteira esquerda da McLaren tocou na traseira direita de Alonso, lançando-o para fora da pista. Acidente de corrida, segundo os comissários. É a visão da maioria também. Mais: com o safety car na prova, Button excedeu o limite de velocidade, o que lhe valeu um drive through.

  Todos esses episódios justificariam, por exemplo, um resultado desfavorável de um piloto favorito à vitória. E não a vitória de um piloto que poucos apostavam poderia vencer o GP do Canadá. A lógica foi afrontada em Montreal. Felizmente. Quando isso ocorre, quase sempre é uma garantia de refinado show.

   Como gran finale, Button registrou na 69.ª volta, uma antes da bandeirada, quando acelerava tudo o que o seu talento permite, e não é pouco, para se aproximar de Sebastian Vettel, líder desde a largada, estabeleceu a melhor volta do frenético e emocionante GP do Canadá, sétimo do calendário: 1min16s956, à média de 204,0 km/h. O excepcional resultado deu a vice-liderança do Mundial a Button, com 101 pontos, mas ainda distante do primeiro colocado, Sebastian Vettel, da Red Bull, segundo no circuito Gilles Villeneuve, com 161.

 Já Hamilton 

 Em Mônaco, para não ir distante, Hamilton teve responsabilidade no abandono de Felipe Massa e causou o de Pastor Maldonado. Acabou punido. Ontem, envolveu-se num incidente com o próprio Button. Embora não tivesse culpa, as circunstâncias sugeriam não haver necessidade de forçar daquela forma extrema, em especial contra o companheiro, ainda na sétima volta. O risco de dar errado era maior que ele ganhar a posição.

  A regressar para os boxes, recebeu o dedo em riste de Ron Dennis, diretor da McLaren, e responsável por bancar sua carreira antes da Fórmula 1. Hamilton lhe virou as costas e foi para o fundo dos boxes. No sábado à noite, manteve longa conversa com Christian Horner, diretor da Red Bull. E foi objetivo: ofereceu-se como piloto. O contrato com a McLaren termina no fim de 2012. É o que conta o site da revista inglesa Autosport.

   Ao Estado, Hamilton disse, com exclusividade, na China: “Até o fim de 2012 fico onde estou. Depois, vamos ver.” A Fórmula 1 está começando ver. Mas o Hamilton de hoje, velocíssimo, impulsivo, brilhante, por vezes desequilibrado, outras irrepreensível, e na etapa seguinte não medir o que faz, a ponto de destruir a corrida de seus adversários, pode ser um gerador de problemas ao mesmo tempo que uma garantia de resultados. É essa imagem contrastante a do piloto mais agressivo em atividade. E dos mais talentosos.

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12/VI/11

Livio Oricchio, de Montreal

Os termos usados por Felipe Massa para definir o indiano Narain Karthikeyan, da Hispania, não podem ser publicados. O piloto da Ferrari disputou seu melhor fim de semana desde o início do ano passado e esteve bem perto do pódio até perder o controle do carro na 52.ª volta, bater no muro, e precisar trocar o aerofólio dianteiro. Caiu para 12.º e numa recuperação excelente chegou em sexto no GP do Canadá.

A última ultrapassagem, sobre Kamui Kobayashi, da Sauber, ocorreu na bandeirada, quando cruzou 45milésimos de segundo na frente do japonês.

“Ele é um ……”, disse Massa, repetindo o palavrão. “Eu estava com os pneus slick (pista seca) e ele permaneceu na trilha seca, muito mais lento. Para ultrapassá-lo tive de ir no molhado e era como guiar sobre o gelo”, disse Massa. “Perdi minha maior oportunidade de me terminar no pódio. O carro estava ótimo, embora com pneus de chuva escapasse um pouco de traseira.”

Em entrevista exclusiva ao Estado, sexta-feira, Stefano Domenicali, diretor da Ferrari, atribuiu a difícil fase de Massa, sem marcar pontos nas três etapas anteriores à de Montreal, por exemplo, a perda de autoconfiança (clique aqui para ler). Desempenho como o dos três dias no circuito Gilles Villeneuve, em Montreal, podem permitir que o piloto resgate o que Domenicali define como a causa de suas dificuldades. O italiano elogiou o trabalho de seu piloto.

Já o parceiro de Massa, o espanhol Fernando Alonso, não tinha cara de bons amigos. Um toque de Jenson Button, o vencedor, o lançou para fora da pista e da corrida. “Ele bateu com sua roda dianteira esquerda na minha traseira direita. Os comissários entenderam como incidente de corrida. Eu tenho a minha opinião.” Não a expressou, mas nem precisaria. “Choveu justo na pista onde não deveria, onde poderíamos ter vencido.”

Para quem largou em 16.º, como Rubens Barrichello, da Williams, classificar-se em nono representa um bom resultado. “Decidimos sempre certo sobre a hora e o pneu a ser utilizado. A entrada do último safety car me custou a sétima colocação.” Foi a segunda vez seguida que Barrichello termina nos pontos, pois em Mônaco também recebeu a bandeirada em nono. Assim, a Williams, a melhor equipe da década de 90, apesar de estar à frente apenas das três estreantes no ano passado, Virgin, Hispania e Lotus, começa a reagir, com os quatro pontos conquistados.

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12/VI/11

Livio Oricchio, de Montreal

  Festa igual, Jenson Button fez apenas quando foi campeão do mundo, com a Brawn, em 2009, em Interlagos. Ontem, em Montreal, depois de vencer a corrida mais eletrizante até agora da temporada, o inglês da McLaren rindo, pulando, afirmou: “A volta mais importante para se liderar é a última. E eu liderei metade dela. Essa foi melhor corrida da minha carreira”.

  Sebastian Vettel, da Red Bull, assumiu a ponta na largada do GP do Canadá, aproveitando-se da pole position, e a manteve praticamente até a cerca de 2.500 metros da linha de chegada, na 70.ª volta, tendo administrado com rara precisão cinco relargadas do safety car e variações significativas na aderência do asfalto, em razão de chover pouco, forte e depois parar. “É dolorido fazer um trabalho perfeito em condições tão difíceis e errar na última volta”, disse, sentido.

  Mesmo tendo ido ao boxes seis vezes, Button estava nas voltas finais bem colocado e com um carro fantástico nas mãos. “Estava muito rápido. Mas se Sebastian não erra não sei se conseguiria ultrapassá-lo.” O alemão estava acelerando tudo o que podia para evitar de Button entrar na grande reta, antes dos boxes, um segundo atrás, o que lhe permitiria usar o flap móvel e, provavelmente, ultrapassá-lo, como o inglês fez com Mark Webber, parceiro de Vettel, terceiro colocado.

  Além das cinco relargadas depois do safety car, a prova foi interrompida ao final da volta 25 em razão da chuva forte que caiu sobre o circuito Gilles Villeneuve. Foram duas hora de paralisação. E valeu a pena esperar. As 45 voltas restantes mantiveram o excelente público nas arquibancas, apesar de ensopado, em pé. Os duelos se sucediam a cada volta. “Devo agradecer minha equipe pela eficiência nas paradas nos boxes”, disse Button. E ele foi nada menos de seis vezes aos boxes.

  Como o asfalto hora apresentava uma aderência e ora outra, decorrente da mudança nas condições do clima, por vezes o melhor era manter o pneu de chuva enquanto outras ocasiões, o intermediário e, no fim, os para pista seca. Button é um dos pilotos mais inteligentes do grid.

  No ano passado, o piloto da McLaren venceu na Austrália e Malásia, também quando o que mais contava era a precisão na condução e, principalmente, identificar a hora de realizar a parada e qual tipo de pneu utilizar. “Adoro este lugar, tenho bons amigos, ontem foi aniversário de um deles, portanto terei muito o que comemorar hoje à noite.”

  Por um momento, parecia que Michael Schumacher, da Mercedes, conquistaria seu primeiro pódio desde a volta à Fórmula 1, em 2010. Mas no circuito onde já venceu sete vezes, recorde, acabou ultrapassado por Button e Webber para acabar em quarto.

  A exemplo do GP de Mônaco, Lewis Hamilton, companheiro de Button, envolveu-se em dois acidentes. Desta vez abandonou. Um deles com o próprio Button, embora nesse caso não se possa culpá-lo. Mas o toque em Webber, na primeira curva, depois da largada, mereceu o comentário irônico do australiano: “Lewis pensou que receberia a bandeirada logo em seguida”.

  A primeira colocação de Button ficou sob júdice. Por ele também estar sob investigação por causa do incidente com Hamilton e com Fernando Alonso, da Ferrari, na 36.ª volta, o que custou o abandono do espanhol. Com o resultado de ontem, Vettel chegou a impressionantes 161 pontos diante de 175 possíveis depois de sete etapas. Button assumiu a segunda colocação, com 101 pontos, enquanto Webber ultrapassou Hamilton, 94 a 85. O próximo GP será o da Europa, nas ruas de Valência, na Espanha, dia 26.

A última volta do GP do Canadá você pode ouvir pela rádio Estadão ESPN, clicando abaixo:

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11/VI/11

Livio Oricchio, de Montreal

  O que há em comum entre Sebastian Vettel, Michael Schumacher, Jacques Villeneuve e Damon Hill? Todos já conquistaram o título mundial. Ponto. Mas existem, claro, outras coincidências. Se for tomado como exemplo o GP do Canadá, os quatro viveram em Montreal uma experiência que nada tem a ver com conquistas, glória, júbilo. Villeneuve, Schumacher, Hill e, desde sexta-feira, Vettel bateram no mesmo local, no muro da entrada da reta dos boxes. O muro ganhou até nome, com fundamentadas razões: “Muro dos Campeões”.

  Fazia tempo que o muro não recebia a presença de um legítimo representante da classe. O último havia sido ainda em 1999, Michael Schumacher, com Ferrari. Damon Hill, da Jordan, não gostou desse privilégio dado a Schumacher e também, na mesma prova, tratou de colidir no muro. “Onde já se viu!”

 O primeiro a começar a definir a fama procedente do muro foi Jacques Villeneuve, em 1997, com Williams. Ok, verdade, não era ainda campeão, mas seria naquele campeonato. E agora, este ano, no primeiro treino, na primeira temporada como campeão do mundo, Vettel não decepcionou o muro que tanto atrai essa categoria específica de pilotos: foi direto colaborar com a campanha. A pressa em juntar-se ao grupo denota até certa ansiedade em Vettel. Deve estar aliviado.

 Importante: o Muro dos Campeões não rejeita pilotos menos dotados. Teria dito numa entrevista: “Privilegiar campeões não quer dizer excluir os não campeões”.

  Hoje, ao longo das 70 voltas da corrida no circuito Gilles Villeneuve, o muro pode novamente receber a visita de Vettel, Fernando Alonso, da Ferrari, Lewis Hamilton e Jenson Button, McLaren, e Schumacher. Seus favoritos. Aliás, Schumacher não aparece por lá há 11 anos. Com sete títulos nas costas, deveria dar o exemplo. Um verdadeiro “ausente”! Como Villeneuve e Hill, os cinco já receberam da FIA o troféu de campeão do mundo e estão em atividade. A história do Muro dos Campeões tem de manter-se viva. E cabe a eles preservá-la!

  Mas há benevolência também nessa história. O muro não gosta de ferir ninguém. Os choques se dão sempre quando a velocidade já é reduzida. “Nós chegamos ao final da longa reta que dá acesso aos boxes em sétima marcha, a 330 km/h. Freamos na placa dos 100 metros e iniciamos a primeira perna da chicane, onde na saída encontra-se o muro, em segunda marcha, a 120 km/h”, explica Rubens Barrichello, da Williams, o piloto mais experiente da Fórmula 1, com presença em 312 GPs e presidente da associação dos pilotos (GPDA). Hoje, Rubinho disputa seu 19.º GP do Canadá.

  “Esse muro dos campeões é um mito. Não há segredo na chicane. O que existe, e essa é a razão dos acidentes, são duas zebras bem altas. Dependendo de como você toca nelas o carro voa e, como não há área de escape, bate no muro”, comenta Rubinho. A zebra alta, por mais paradoxal que possa parecer, existe para aumentar a segurança. “Sem ela, contornaríamos a chicane muito mais rápido e o choque, no caso de erro, seria em velocidade bem maior”, diz Rubinho.

  Outros pilotos, não campeões, não foram rejeitados pelo muro famoso, conforme teria declarado na entrevista, o que atesta seu liberalismo: Kamui Kobayashi, com Sauber, Nick Heidfeld, Sauber, Vitantonio Liuzzi, Toro Rosso, e Ricardo Zonta, BAR.

O piloto mais completo em atividade, Fernando Alonso, deu sua visão do porquê acontecerem tantos acidentes naquele ponto da pista: “Se você contornar a segunda perna da chicane 5 km/h mais lento do que o carro permite, a velocidade de entrada na reta dos boxes será menor e todo o trecho estará comprometido.”

   E complementa: “Seu tempo de volta será ruim. Mas se estiver 5 km/h mais rápido do que a condição permite, provavelmente colidirá com o muro. Essa diferença bem pequena entre ser eficiente e errar é a razão de vermos, por vezes, batidas naquele muro.”

  Felipe Massa, seu companheiro, não enxerga desafio maior na chicane do muro: “Não é uma curva como a Eau Rouge, que você prende a respiração. O desafio é saber tocar nas zebras de forma a poder ser rápido sem ser lançado no ar.” Hoje, na corrida, os 24 pilotos do grid já estão desafiados pelo Muro dos Campeões. Embora, lógico, a preferência seja pelos cinco que venceram o Mundial. Se mais de uma vez, melhor ainda.

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11/VI/11

Livio Oricchio, de Montreal

  As características dos 4.361 metros do circuito Gilles Villeneuve, em Montreal, sem curvas de alta velocidade, e a previsão de chuva e vento forte para hoje, na corrida, fazem com que, segundo o autor da pole position do GP do Canadá, Sebastian Vettel, da Red Bull, “a prova seja a mais difícil até agora, este ano”.

  A exemplo de sexta-feira, a Ferrari mostrou que pode vencer pela primeira vez na temporada. Fernando Alonso larga em segundo e Felipe Massa, terceiro, os dois a 203 e 185 milésimos do tempo registrado por Vettel. “Costumava ser superior a um segundo”, lembrou Alonso.

  “Essa não é a melhor pista para nós. Desde o primeiro treino deu para ver que a Ferrari seria forte concorrente aqui em Montreal”, afirmou o alemão da Red Bull, autor da sexta pole em sete disputadas este ano, a 21.ª na carreira. “Mas nós também estamos na luta. Pena Mark (Webber, seu companheiro) ter enfrentado problemas no Kers (sistema de recuperação de energia)”. Webber, sem o Kers e seus 80 cavalos extra de potência, obteve o quarto tempo, ontem.

  Se para o diretor da Ferrari, Stefano Domenicali, a falta de melhores resultados de Massa decorre da perda de autoconfiança, o ótimo treino de ontem pode lançá-lo a outra realidade, ou seja, resgatar o melhor de si. Massa larga em terceiro, tendo sido apenas 18 milésimos mais lento que Alonso. A diferença média entre ambos, em geral, é de meio segundo. “Desde a primeira saída o carro se mostrou rápido, fácil de guiar. Cabe a nós, agora, aproveitá-lo, seja no molhado, como preveem, ou no seco.”

  A última vez que Massa foi para a entrevista coletiva, reservada aos três primeiros, ocorreu no GP da Itália do ano passado, quando largou em terceiro também, em Monza. As 70 voltas da corrida, hoje, serão “completamente imprevisíveis”, disse. “Esperamos chuva, as grades ficam ao lado da pista, vimos várias bandeiras vermelhas no fim de semana (interrupção do treino), decorrentes de acidentes, safety cars, será uma longa prova e não fácil.” Alonso foi mais incisivo quanto às chances da Ferrari: “Temos condições de vencer”.

  Apesar de Lewis Hamilton e Jenson Button, a dupla da McLaren, terem se classificado em quinto e sétimo, Alonso acredita que ambos entrem também na luta pela vitória, hoje. “Eles costumam registrar sempre algumas das melhores velocidades nas retas e aqui não foi o caso”, comentou. “Lewis e Jenson devem ter acertado o carro para a chuva, amanhã (hoje), o que os tornaria muito velozes no asfalto molhado.”

  Se a opção da McLaren foi pela chuva, hoje, a da Mercedes pode lhe ser favorável na eventualidade de pista seca. “Tanto Michael (Schumacher) quanto Nico (Rosberg) têm um jogo de pneus supermacios novos, sem uso”, explicou Ross Brawn, diretor técnico da Mercedes. Rosberg larga em sexto e Schumacher, oitavo. Rubens Barrichello, da Williams, teve um problema no disco de freio dianteiro direito e não foi além da 16.ª colocação. O GP do Canadá começa às 14 horas, horário de Brasília, e será transmitido ao vivo pela TV Globo.

Abaixo, a reportagem para a rádio Estadão ESPN – clique e ouça!

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10/VI/11

Livio Oricchio, de Montreal

Olá amigos!

Estava há pouco atrás da grade, próximo ao Muro dos Campeões, quando, de repente, quem bate lá também, para aumentar as estatísticas? Sebastian Vettel.

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Que eu vi, lembro-me de Jacques Villeneuve, Damon Hill e Michael Schumacher, todos campeões do mundo, e todos se acidentarem no mesmo muro, daí ser conhecido, agora, como Muro dos Campeões.

Vettel entrou na lista. Aliás, é a segunda vez na temporada – o GP do Canadá é o sétimo do calendário – que o alemão compromete sua sexta-feira por se acidentar. Na Turquia, sob chuva, destruiu o carro na saída da curva 8. Aqui, como sua velocidade era bem menor, os estragos no RB7 foram reduzidos. Deve participar da sessão da tarde. Tirei essa foto, depois de pedir ao cameramen para subir na sua plataforma. Gentilmente me autorizou. Assim, fiquei sem a grade na frente.

O Muro dos Campeões é aquele posicionado na área externa na entrada da reta dos boxes, na desafiadora chicane. Fui ver como os pilotos percorrem o trecho com os pneus Pirelli quando Vettel travou a roda dianteira direita na freada do fim da reta e comprometeu sua trajetória na chicane. Há uma zebra lá que te catapulta.

Ao observar a barreira de pneus protegida por uma manta grossa de borracha, agora, me meio à mente o grave acidente de Oliver Panis, com Prost, na edição de 1997 da corrida neste mesmo circuito Gilles Villeneuve. Panis perdeu o controle do carro na curva 5, contornada com o acelerador no curso máximo, em quinta marcha, a cerca de 230 km/h. Bateu na proteção de pneus, não revestida da manta.

Como não havia a manta, a frente da Prost de Panis entrou entre os pneus e o monocoque dobrou, causando a fratura das duas pernas do francês. Desde então, Charlie Whiting exige a manta à frente das barreiras de pneus. Funciona bem.

Nesse momento, 12h20, para mim, está em curso um treino com carros antigos de Fórmula 1. É de emocionar. Todos impecáveis, pertencentes a colecionadores, tal qual os modelos originais em todos os detalhes.

Vejo a Ferrari 312T3 com que Gilles Villeneuve venceu a corrida, aqui mesmo, em 1978, sob chuva intensa, a Lotus 79, o monoposto mais lindo que já vi na Fórmula 1, campeão do mundo com Mario Andretti, em 1978, uma Shadow DN5 incrível. O mesmo modelo que em 1975 voou em Interlagos, estabelecendo a pole position e liderando até quebrar, no fim, e permitir a única vitória de José Carlos Pace, com Brabham. Ano passado fui ver esses carros de perto, no seu paddock. É extraordinário. Seus donos os preservam com a máxima fidelidade.

Assisti-los correr neste circuito, como farão amanhã, assusta um pouco, considerando-se sua segurança. E o pessoal manda ver, aceleram mesmo. Só evitam os toques porque reconstruir esses monopostos é difícil e custa caro.

Volto daqui a pouco com mais informações.

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09/VI/11

Livio Oricchio, de Montreal

Foi uma postura estratégica. E não sei se inocente de minha parte, sincera. Hamilton ligou para Felipe Massa e conversou pessoalmente com Pastor Maldonado, a fim de pedir desculpas a ambos pelo ocorrido em Mônaco.

Nunca escondi que sou grande fã de Hamilton, o estreante mais capaz que vi na Fórmula 1. Não há treino livre, classificação ou corrida que não se exponha a riscos, por vezes elevados, visando ser o mais veloz. Está sempre com a faca entre os dentes e na maioria das ocasiões sabe o que faz. Dá espetáculo. Venha vê-lo correr de perto, na pista, atrás do guardrail para entender melhor. Sua condução é uma arte.

Mas em Mônaco abusou. Na Loews espremeu o Massa na saída da curva, onde não havia mais espaço para o piloto da Ferrari. Depois, o que aconteceu no túnel é outra coisa. Massa perdeu o lugar e achou que poderia ir por fora para tentar reconquistá-lo. Esquece. Como diria o grande Edgar de Mello Filho, foi para a farofa, a sujeira ao lado da trilha, não volta mais, especialmente hoje, com os pneus que desprendem elevada quantidade de borracha.

Agora, Hamilton começa amanhã o GP do Canadá como que “zerado”. Com os colegas e os comissários, que estavam de olho nele. Atenuaram o foco. Imagine que Todt declarou que pensou em lhe dar seis corridas de suspensão. O que é isso? O que mereceria então seu piloto nos tempos de Ferrari pelo que fez nesse sentido? Refiro-me a Michael Schumacher. Brilhante, mas por vezes perigoso.

Minha visão: por ter forçado a ultrapassagem sobre Massa, como fez, e em razão de provocar a batida de Maldonado na Saint Devote, no seu melhor trabalho na F-1, puniria Hamilton não apenas com o drive through e os 20 segundos no tempo de prova, como foi o caso. Aplicaria a duas penas mais a perda de dez colocações no grid aqui em Montreal.

Arrojo, sim, mas sem manobras que gerem conseqüências aos adversários como as de Mônaco. Estou com Massa, apesar de achar que errou no túnel: Hamilton sentiria na carne a punição e pensaria duas vezes da próxima vez.

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09/VI/11

Livio Oricchio, de Montreal

Bom dia.

Escrevo da sala de imprensa do circuito Gilles Villeneuve. Há três anos usávamos uma sala que era inacreditável. Imagine mais de 300 pessoas em duas salas de, vamos dizer, 20 m por 10 m, com mesas, equipamentos, banheiros… impensável. Agora estamos num ambiente bem maior e no nível do paddock, o que é raro e ótimo.

De onde estou, se me levantar, vejo a passagem dos carros na curva logo depois da linha de chegada. Mas temos monitores por todo lado também.

Acabei de marcar os três lugares de praxe: para mim, Luis Vasconcelos, excelente jornalista português, e o italiano Roberto Chinchero, da Autosprint. Sentamos sempre próximos. Excepcionalmente não cobram pela internet no GP do Canadá. Em geral, pagamos cerca de 200 euros pelos quatro dias no circuito. Aqui não, e funciona bem.

Nesse instante, 10h45 para mim, em Montreal, 11h45 no horário de Brasília, há nuvens negras, densas e baixas sobre o autódromo. Posso chamá-lo assim? Já choveu há cerca de uma hora.  Ontem à noite, disse-me a amiga Heike, da Hispania, o vento era tão forte na pista que algumas equipes tiveram de sair correndo atrás de equipamentos que voaram. Dá pinta, agora, de pode ocorrer o mesmo. Tomara que não.

Vim de metrô. Uma estação apenas. Passamos por baixo do rio São Lorenzo e desembocamos já na ilha de Notre Dame, em cujo perímetro se estende o traçado sem graça de 4.361 metros. Por que sem graça? Não gosto de pista onde não haja pelo menos uma seção de curvas de alta velocidade. Aqui é tudo acelera, freia, acelera, freia. Claro, tem seus desafios, como administrar o desgaste de freios e pneus, em especial este ano, mas é diferente do que se exige dos pilotos em “S” de alta, por exemplo.

Da saída do metrô para cá, do outro lado da ilha, é uma bela caminhada. Em geral a navete que serve os jornalistas e vem da cidade para a fim de nos transportar. Ou se alguém te reconhece lá, onde os carros passam quase parando, como regra param e te trazem para onde estou, no paddock.

Este ano foi a van da Lotus. O Luiz Razia estava na van e solicitou que parassem. No ano passado, quem me trouxe foi o Nick Heidfeld, sem equipe, ainda, apenas piloto reserva da Mercedes. Estava inconformado e expressou sua decepção comigo. É uma figura simples, despojada.

A coletiva vai começar. Vou correndo para lá. Até mais tarde. Abraços!

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08/VI/11

Olá amigos:

Escrevo já do meu hotel, em Montreal. Agora passa das 21 horas e a temperatura lá fora deve estar na casa dos 29 graus Celsius. Está quente. Se em condições normais o traçado já é exigente quanto a pneus e freios, estou curiosíssimo para ver como será este ano. Pneus macios e supermacios, de desgaste elevado, e freios que aqui no Canadá trabalham sempre no limite.

Se existe uma corrida em que Sebastian Vettel pode ser vencido na pista é aqui. O tempo que os carros passam em curva no circuito Gilles Villeneuve é muito pequeno, um dos menores do calendário. E há apenas uma curva de média velocidade. O restante é tudo de baixa. Falta o substrato para o modelo RB7 da Red Bull expor suas maiores virtudes: curvas de média e alta velocidade. Em Montreal, nesse aspecto, é mais crítico que Mônaco.

Viajei com o pessoal da Sauber, como de costume, partindo de Zurique, minha base para voos. Por muitos anos, mais de 15, utilizei-me do aeroporto de Frankfurt. Tenho dois amigos, em especial, na Sauber, Francesco e Gianpaolo, os engenheiros de Kamui Kobayashi e Sérgio Perez. Conversamos bastante, em especial com Francesco, com quem, por vezes, saímos para jantar. Sua esposa é brasileira, ex-assessora da Toyota, a competente Fernanda.

Francesco me fez os maiores elogios a Kobayashi. Minha bateria está no fim e estou sem adaptador para o carregador. Emprestei o meu a um colega na Turquia, não o recebi de volta, compreendi apenas agora, e o hotel já distribuiu aos hóspedes os que possuía. Amanhã eu conto a visão do engenheiro de Koba a respeito de Koba.

Gianpaolo foi o primeiro engenheiro de Massa, no seu teste com a Sauber, em Mugello, em 2001. Lá estava eu. Gianpaolo me disse que Sergio Perez esteve na sede da Sauber, em Hinwill, meia hora de carro de Zurique, esta semana, e o viu muito bem. Reclamou um pouco de dor, ainda, na perna direita, mas se sentia em condições de disputar o GP do Canadá. Deve mesmo correr.

O alerta de bateria fraca apitou. Amigos, até amanhã na sala de imprensa. Em Montreal não alugo carro. Vou de metro. De onde estou, é apenas uma estação. Não dá para ir a pé porque é longe e o metro passa em baixo do rio São Lorenzo, bastante largo. Da saída da estação do metro, já na ilha artificial de Notre Dame, onde está a pista, espero o shuttle da imprensa. Você vê vários (três palavras com V) marmotas no parque da ilha. Para ver os castores, um dos meus animais preferidos, basta sair um pouco da cidade.

 Queria lembrar, amigos, que foi o que assistimos aqui, no ano passado, aquele sem número de pit stops, que levou Ecclestone a solicitar à Pirelli pneus de breve vida útil a fim de tornar a competição menos previsível. Como será este ano, então, com pneus que se desgastam mais que em 2010? Você consegue me dizer?

Ah, passaremos a nos encontrar com maior frequência no blog. Tomei algumas providências para viabiliar esse maior contato, como deixar de traballhar para a revista japonesa Autosport. Sobrará mais tempo para nós.

Abraços!

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