10/VII/11
Livio Oricchio, de Silverstone
Não existe comunicado oficial. Mas parece ser apenas o que falta. A proibição do escapamento aerodinâmico, que ontem teve responsabilidade direta no resultado do GP da Grã-Bretanha, pode ser revogada já para a próxima etapa do calendário, dia 24, em Nurburgring, Alemanha. “Sim, houve um acordo entre as equipes”, afirmou, ontem, Bernie Ecclestone, promotor do Mundial, confirmado, depois, por Charlie Whiting, delegado da FIA: “Tudo ok”.
Stefano Domenicali, da Ferrari, contudo, apesar de ter expressado sua confiança numa definição para o desgastante episódio, deu a entender que nem tudo está 100% acertado, ainda. Na reunião de ontem de manhã, antes da largada, Domenicali e Peter Sauber não concordaram com a volta do recurso. A Sauber compete com motor e câmbio Ferrari.
E depois de ver a sua equipe dominar a corrida de Silverstone, em parte por causa da perda de desempenho da Red Bull e McLaren, provocada pela ausência do escapamento aerodinâmico, é mais que provável que Domenicali esteja pensando se, caso não tenha assinado o acordo, irá mesmo fazê-lo. A FIA distribuiu comunicado, sábado, informando que aceitaria rever a proibição desde que todos os times concordassem.
Quem também lançou dúvida no ar foi Rubens Barrichello, da Williams, escuderia que utiliza motor Cosworth, empresa sem orçamento para desenvolver o seu sistema de escapamento aerodinâmico. “Se eles querem unanimidade não vão ter”, afirmou Rubinho, ao expressar o pensamento de Frank Williams.
Há no ar, portanto, duas informações: a de Ecclestone e Whiting, de que já se chegou a um acordo, e a de Domenicali e da Williams, negando a unanimidade.
Apesar das negativas estratégicas dos pilotos e integrantes da Red Bull, de que o sistema não interveio como se pensa no seu desempenho, ontem, poucos acreditam proceder. Portanto, o que vai acontecer no campeonato nas dez etapas que restam está intimamente relacionado ao resultado desses encontros entre representantes das equipes.
Se o escapamento aerodinâmico for liberado, a Fórmula 1 voltará ao que era até a prova de Valência, dia 26: domínio, por méritos, da Red Bull. Mas se prevalecer a política e o recurso continuar proibido, a competição provavelmente verá Fernando Alonso e Felipe Massa lutando contra Sebastian Vettel e Mark Webber pelas primeiras colocações, nos treinos de classificação e nas corridas. Bom para o campeonato. Péssimo para o moral da Fórmula 1.
Tags: Charlie Whiting, escapamento aerodinâmico, Fórmula 1, GP da Grã-Bretanha, Red Bull, Rubens Barrichello
09/VII/11
Livio Oricchio, de Silverstone

Agora a responsabilidade foi transferida para as equipes. A FIA distribuiu comunicado, há pouco, para informar o resultado da reunião extraordinária do Technical Working Group (TWG), hoje de manhã, quando se discutiu a questão do quanto de aceleração, em frenagem, cada motor poderia ter.
Em outras palavras, se o escapamento aerodinâmico seria permitido novamente, desde que fossem porcentagens elevadas de aceleração, ou proibido, se ficasse nos 10% impostos antes de virmos cá para Silverstone.
Para o treino de classificação, realizado há duas horas, e a corrida, amanhã, todas as equipes deveriam regular meus motores para não ultrapassar 10% de aceleração quando o piloto aciona o freio. A exceção é a Mercedes, com 20%, por ter conseguido provar para Charlie Whiting, delegado da FIA, que sem essa porcentagem mínima de aceleração seus motores se romperiam.
Hoje e amanhã, portanto, o escapamento aerodinâmico está proibido.
Christian Horner, diretor da Red Bull, disse que foi uma derrota de seu time. “Mas há o compromisso de discutirmos novamente o tema antes do GP da Alemanha (dia 24).”
O comunicado da FIA explica que existe a possibilidade de tudo voltar como antes, ou seja, regressarmos ao regulamento de Valência, quando não havia controle dessa aceleração em frenagem e todos desfrutavam do escapamento aerodinâmico, ainda que uns mais outros menos. “Para o escapamento aerodinâmico ser permitido novamente é preciso que todas as equipes concordem” , escreve a FIA.
Mas vamos pensar juntos, amigos. Depois do que vimos hoje aqui na sessão que definiu o grid do GP da Grã-Bretanha, restando ainda, portanto, 11 corridas para o fim do campeonato, contando com a de amanhã, alguém acredita que, por exemplo, a Ferrari vai concordar em voltar atrás?
Alonso ficou a 117 milésimos de Webber num traçado que, em condições normais, tomaria mais de um segundo na classificação. Tudo bem que sua Ferrari tem importantes modificações em Silverstone, mas essencialmente o que explica essa proximidade foi a proibição do escapamento aerodinâmico que, por enquanto, atingiu a Red Bull provavelmente mais do que eles próprios imaginavam.
Se o que vimos hoje aqui tem mesmo representatividade, é bom não esquecer que foi apenas uma classificação, dá para pensar que em outros traçados menos favoráveis à Red Bull a Ferrari possa sonhar em largar na pole position. Se levarmos em consideração que o ritmo de corrida da Ferrari já era bom em relação à Red Bull, com as restrições impostas agora pela FIA pode ser que amanhã Alonso e Massa enfrentem mesmo Vettel e Webber em condições semelhantes.
A dúvida é como a Ferrari vai se comportar quando colocar os pneus duros. Em Barcelona, passou a tomar um segundo por volta da Red Bull. Alonso disse, ontem, que nas 5 ou 6 voltas que deu com os pneus duros, hoje de manhã, sentiu notável evolução. A conferir, amanhã.
Isso tudo para dizer que duvido muito que a Ferrari, quietinha até agora, vá desejar voltar ao que vivíamos até Valência. A nova regra, ao que parece, a favoreceu e afastou a McLaren da luta também. Curiosamente Hamilton já havia previsto na corrida anterior. Vocês viram a diferença de Button e Hamilton para Webber. Vamos lá: 1 segundo e 499 milésimos e 1 segundo e 977 milésimos. Um universo de extensão!
O momento parece ser, a julgar pelos ensinamentos de hoje, não conclusivos, por favor, dos italianos.
Eu e muita gente se surpreenderia muito se no GP da Alemanha a Renault, marca do motor da Red Bull, poderá aumentar seu percentual de aceleração em frenagem por causa de todas as equipes concordarem em voltar ao regulamento de Valência. E as escuderias que competem com motor Cosworth, Williams, Marussia Virgin e Hispania também não vão desejar ver a Red Bull voar na classificação e as expor ao risco de ficar de fora das corridas por causa da exigência de tempo 107% do pole position. A Williams foi muito bem ontem, com Pastor Maldonado, 7.º no grid. A Cosworth não tem dinheiro para desenvolver seu escapamento aerodinâmico.
Em resumo, amigo, se com as mudanças que Newey vai introduzir no carro a Red Bull não se tornar mais veloz, o que assistimos neste sábado aqui em Silverstone demostrou ser possível pensarmos em lutas pela pole position e pelas vitórias nas corridas. Não quer dizer uma reviravolta no campeonato porque a vantagem da Red Bull é considerável, mas provas mais emocionates quanto à briga pelas primeiras colocações, com Vettel e Webber enfrentando maior resistência.
Faz sentido acreditarmos nisso.
Abraços!
Tags: Charlie Whiting, Christian Horner, Cosworth, escapamento aerodinâmico, Ferrari, FIA, Fórmula 1, GP da Grã-Bretanha, Mark Webber, Mercedes, motor, Red Bull, TWG
09/VII/11
Livio Oricchio, de Silverstone
Amigos, ouvi de Christian Horner, diretor da Red Bull, que para a classificação e a corrida, amanhã, as coisas não vão mudar. Ou seja, as equipes Renault, Red Bull e Lotus, que competem com motor Renault, poderão manter apenas 10% do acelerador aberto nas frenagens, assim como as que têm motor Ferrari e Cosworth. Já as que utilizam motor Mercedes, 20%, por razões de confiabilidade do motor, segundo Charlie Whiting, delegado da FIA.
Horner disse numa tumultuada entrevista que aceita “momentaneamente” a desvantagem para a Red Bull, mas estabeleceu com Whiting o compromisso de rever a regra nos próximos dias, antes do GP da Alemanha, próximo do calendário, dia 24, em Nurburgring.
Ao menos conhecemos o regulamento para o restante do fim de semana. Mas a história está longe de terminada. A Red Bull até estuda um protesto oficial se não houver acordo, que seria julgado pelo tribunal de apelo da FIA.
Vamos assistir à classificação que é o que mais importa. O treino dessa manhã, realizado com 10% de aceleração, ainda que não conclusivo, deu a entender que a Red Bull poderá perder mais do suposto inicialmente. Mas a sessão teve muitas variáveis, como a aderência do asfalto mudar, e não permitiu leituras mais apropriadas.
Abraços!
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09/VII/11
Livio Oricchio, de Silverstone
Charlie Whiting, delegado da FIA, enviou agora de manhã documento às equipes que competem com motor Renault, a própria equipe, Red Bull e Lotus, informando que a concessão de utilizar 50% de aceleração nas frenagens, estabelecida ontem, não vale mais. Terá de ser apenas 10%, conforme decidido previamente pela FIA. Já a permissão à Mercedes de manter 20% de aceleração continua válida.
É isso mesmo que você acabou de ler. A FIA voltou atrás. Como, aliás, tem sido sua rotina. Fica o dito pelo não dito e não dito pelo dito.
Mas é bom não acreditarmos totalmente que a história terminou. O histórico do episódio sugere prudência.
Hoje de manhã, Whiting com representantes das equipes, discutiram uma forma de atender os interesses de cada fabricante de motor. E, obviamente, não foi possível chegar a uma solução de consenso. Cada um tem suas características.
A expressão de Christian Horner nesse momento, 10 horas para mim, 6 horas de Brasília, no muro dos boxes, é reveladora do que aconteceu há instantes: a Red Bull perdeu a batalha. O motor Renault não poderá acelerar mais, nas frenagens do carro, de 10% da aceleração que utilizava em 2009, para aquela condição, quando o escapamento aerodinâmico não existia. Enquanto a Mercedes pode atingir 20%.
A razão para a política distinta da FIA é que, para Whiting, o argumento da Mercedes, de que seu motor vai quebrar sem os 20% procede, enquanto o da Renault, sem os 50% não tem comprometimento de resistência.
Difícil acreditar que haja mesmo um motivo técnico comprovando tudo isso. Parece mais uma decisão política que visa a conter o desempenho da Red Bull, como foi a de proibir o escapamento aerodinâmico.
Vejo Adrian Newey e Christian Horner caminhando pelo paddock com pastas nas mãos, bem como a chegada de Jean Todt, presidente da FIA. Como escrevi, a história não acabou.
Enquanto isso, os carros prosseguem o terceiro treino livre. Pista seca, depois úmida e agora novamente, pelo que compreendo, seca. Depois da bandeirada o clima cai esquentar.
Abraços!
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08/VII/11
Amigos, é inacreditável o que está acontecendo aqui em Silverstone nesse momento, 19h30 para mim, 15h30 horário de Brasília.
Os representantes das equipes, acompanhados de seus técnicos de motor, estão reunidos para discutir a questão do escapamento aerodinâmico. Tudo o que noticiamos até agora, nos últimos dias, pode não ser bem assim. É verdade!
Só para recordar: a FIA estabeleceu que a partir desta prova, o GP da Grã-Bretanha, os motores poderiam permanecer apenas 10% acima da aceleração normal quando os pilotos retirassem o pé do acelerador. Até a prova de Valência, os engenheiros de motor regulavam a central de gerenciamento de forma a manter aceleração mesmo com o pedal do acelerador não acionado.
O objetivo era continuar emitindo gases no escapamento para gerar pressão aerodinâmica, em razão de seu posicionamento na porção traseira do carro. Há um post que explico em detalhes a questão.
Parecia claro. Mas não é. Mercedes e Renault alegam que com os 10% seus motores podem quebrar. Por isso, Charlie Whiting concordou com a solicitação da Mercedes: 20% a mais de aceleração. A Renault alegou ser necessário 50% de aceleração para seu motor também não se romper. E é isso que estão discutindo agora. Estão todos lá.
Senhores, a FIA está perdida. Não sabemos o regulamento não do ano que vem, mas do treino de amanhã. Vou permanecer até tarde aqui a fim de tentar obter mais informações. O fato é que já é possível concluir que haverá concessões. Em resumo, amigo, está cheirando uma coisa: não deve mudar quase nada em relação ao que estamos assistindo na temporada.
Se for mesmo assim, se Jean Todt, que soube de fonte segura está louco da vida, não aparecer aqui e determinar ditatorialmente “será assim e acabou”, os escapamentos aerodinâmicos continuarão existindo. Nesse instante essa é a situação. Se terminar assim, se terá feito justiça ainda que sem desejar.
Nos falamos.
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07/VII/11
Livio Oricchio, de Silverstone

Mecânicos trabalham na montagem do Red Bull de Sebastian Vettel, para o GP da Grã-Bretanha
Poucos treinos livres na história recente da Fórmula 1 reuniram tanto interesse quando as duas sessões de amanhã. Não sei quantas vezes ouvi hoje aqui em Silverstone algo do tipo “temos de esperar amanhã, os dois treinos já nos dirão algo sobre como será o restante da temporada”.
Não tenho essa certeza. Penso que o real efeito da proibição do escapamento aerodinâmico veremos na etapa seguinte, o GP da Alemanha, em Nurburgring, dia 24, pista em que os projetos de Adrian Newey não têm tanta vantagem sobre os concorrentes como este onde estamos. Como já escrevi algumas ocasiões: os carros de Newey para a Williams, McLaren e Red Bull venceram 12 das últimas 20 edições da corrida em Silverstone.
Mas será interessante acompanhar de perto o que vai se passar amanhã. Se Vettel e Webber ficarem bem mais lentos, os dirigentes da Fórmula 1 vão estourar champanhe. Não acredito nessa hipótese, mas não a desconsidero também. Sabe o que Newey disse hoje? “Num certo sentido, vivemos situação semelhante à de 2009. Foi uma corrida para ver quem adaptava melhor seu carro para desfrutar dos benefícios do duplo difusor, lançado pela Brawn. Agora será quem melhor modificar seus carros para trabalhar sem o escapamento aerodinâmico.”
Newey lembrou ainda que desta vez seu time assumiu o papel da Brawn. “Se eles perdessem o duplo difusor, a perda de performance seria significativa porque conceberam o projeto ao redor do recurso. Como nós agora.” No dia anterior, e em Valência, para o Estado, Newey estava inconformado. “Ferrari, McLaren e Mercedes copiaram nossa solução. Se a retirarem no projeto, vão sentir menos de nós que concebemos o RB7 para, como um todo, aproveitar o escapamento aerodinâmico, legal até a última etapa.”
Sei que Newey trabalha desde a primeira tentativa de proibir o recurso, previsto para entrar em vigor no GP da Espanha, quinto do calendário, dia 22 de maio, para diminuir a perda. Na inspeção dos carros, os mecânicos os colocam em fila indiana na entrada do box 1, controlado por Jo Bauer, delegado técnico da FIA. Não sei se é por que eu viajo, agora, regularmente com ele, nos aviões da Swiss, o suíço passou a me dar atenção que antes negava. Aliás a todos. É orientado pela FIA a não falar com a imprensa.
Na observação que fiz ainda há pouco na fila indiana dos carros, vi que os terminais de escape do carro de Vettel não estão mais sobre o assoalho, bem visíveis, como antes. Exalam os gases por baixo, como até metade do ano passado. Foi o que o meu conhecimento permitiu compreender de diferente. Mas tenho certeza de que há outras soluções associadas a essa a fim de reduzir o impacto da geração de pressão aerodinâmica provocado pela proibição do escapamento aerodinâmico.
Já estou com o meu tabard, jaleco distribuído pela FIA, para circular pelo circuito, amanhã. Quero ver de perto como afetará os carros. Em 1992, permaneci durante a classificação do GP da Grã-Bretanha, aqui mesmo, com Gil de Ferran, campeão britânico da Fórmula 3 naquela temporada, na equipe de Jackie Stewart, na excepcional sequência de S de alta velocidade formada pela Maggots, Beckets e Chapel.
“Foi a volta da minha vida”, disse Nigel Mansell, com aquele fenomenal modelo FW14 da Williams, com suspensão ativa, projetado por, claro, Adrian Newey. Gil me ensinou a enxergar muitas coisas.
Vou repetir a experiência amanhã. Pena que não mais existe o morrinho, por dentro desse S de alta, como em 1992. Mas com certeza vou encontrar um lugar que me permitirá ver o que necessito para entender essa mudança do regulamento.
Amanhã eu conto como foi a experiência.
Abraços!
Tags: Adrian Newey, Beckets, Chapel, Circuito de Silverstone, FIA, Fórmula 1, GP da Grã-Bretanha, Jo Bauer, Maggots
07/VII/11
Livio Oricchio, de Silverstone
Início

Percorri a pé e com olhar criterioso a área nova do circuito. Escrevo agora, 18 horas para mim, 14 horas em Brasília, da nova sala de imprensa. Confesso não ter compreendido algumas das soluções aplicadas no autódromo. Sem presunção, por favor. Tomo como base o que aprendi observando as demais pistas do calendário.
Por exemplo: o tempo que um piloto percorrerá a área dos boxes é menor que o de permanecer na pista. Me lembrei do circuito de Buenos Aires, que também é assim. Ou era, não sei mais. O piloto evita curvas, ao vir para os boxes, onde é necessário tempo considerável para percorrê-las.
Os pilotos vão sair da Stowe, posicionar-se à direita, para entrar na pista de acesso aos boxes, cortando por dentro as duas pernas lentas da Club. Quem permanece no circuito é obrigado a percorrer essas duas pernas. A distância física é menor.
Tudo isso é agravado pela área em que a velocidade será controlada. É bem pequena em relação à extensão dessa pista de acesso e saída dos boxes. Os pilotos vão estar mais velozes na maior parte do tempo que os que estão completando a volta pelo traçado normal.
Não gostei também da saída dos boxes, numa curva em que os pilotos que estão na pista chegarão em sexta marcha a cerca de 260 km/h. Como a topografia é plana, tiveram facilidades de projeto, tempo e recursos financeiros para realizar a obra, não dá para entender as soluções escolhidas.
Quanto ao menor tempo de percorrer os boxes em relação a quem está no circuito, claro que os responsáveis pela definição da estratégia das equipes devem estar já pensando e muito a respeito do que será melhor fazer.
De repente, parar mais, manter o carro mais rápido na pista, por causa de pneus em melhor estado, pode ser uma opção melhor que mantê-lo na corrida com pneus já com algum desgaste. O que se irá perder nos boxes é pouco perto das vantagens oferecidas pelos pneus em melhor estado.
Também é difícil entender a razão de implantarem um jardim entre a pista de rolamento, dentro dos boxes, e o chamado pit wall, muro dos boxes (foto acima), onde permanecem os integrantes das equipes, controlando a corrida. Ficou desnecessariamente estreito para o espaço disponível. Além do muro excessivamente baixo nos canteiros. Carros que se tocam podem parar em cima deles.
A nova posição de largada é mais segura, já que todos os pilotos se posicionam, agora, numa reta, e não mais em curva, como era na Woodcote. Mas dá um frio na espinha ver as duas curvas que se seguem logo na sequência de os carros iniciarem a prova, Abbey e Farm. Desafiadoras. Hamilton disse há pouco que esse segmento rapidíssimo facilitará a ultrapassagem na largada.
E como as ultrapassagens não serão fáceis em Silverstone, essas manobras, nessa hora, já estão supervalorizadas. O trecho de uso do flap móvel é curto e será numa seção apenas da pista de 5.891 metros de extensão. Em Valência e em Montreal foram em duas seções do traçado.
O edifício da sala de imprensa é novo também. Como em Spa-Francorchamps, não vemos o circuito. Optaram por instalar as cabines de TV e rádio entre a sala de imprensa e a parede que nos permitiria ver os boxes e a reta de largada e chegada. Cada vez mais somos dependentes de acompanhar tudo via TV. Não faz sentido. Mas as acomodações são muito boas.
Nos falamos mais tarde.
Abraços!
Tags: boxes, Circuito de Silverstone, Fórmula 1, GP da Grã-Bretanha
Livio Oricchio, de Wood Burcote
1590. Essa é a data de construção da casa em que me encontro, agora, em Wood Burcote, próximo ao circuito de Silverstone. Passa da meia noite. Quinta-feira, portanto. Há na casa vários quartos, salas, ampla área externa, garagem com carros antigos em reparação. Localiza-se no meio de propriedades rurais.
Faz frio. Não mais de 10ºC. Venta forte e cai aquela típica garoa da região. É o verão inglês. A primeira vez em que cá estive foi em 1978, como espectador. Como jornalista, em 1989. Desde então não perdi mais um GP da Grã-Bretanha. Amo intensamente este lugar. A atmosfera no autódromo é única.
Várias ocasiões fui assistir aos treinos livres junto do torcedor, nas arquibancadas ou sobre as vastas áreas de grama espalhadas pela pista. Chama muito a atenção o entusiasmo do inglês pelo automobilismo e o seu grau de conhecimento. Não há nada similar no mundo.
Foi aqui mesmo, em Silverstone, que ouvi de Ayrton Senna, em 1989, que “o GP da Grã-Bretanha é disputado em meio às ovelhas”. Até hoje o cenário é exatamente o mesmo. Enquanto o entorno do Circuito da Catalunha é o que mais se modificou desde a estreia na Fórmula 1, em 1991, o de Silverstone quase nada foi alterado nesse período.
Mike é o proprietário da casa, engenheiro especializado em energia nuclear aplicada em submarinos. Ele pede para não pularmos aqui no andar de cima por não saber o que pode acontecer. As vigas de madeira são as mesmas da construção da propriedade. Impressionante. Há alguns anos passei um dia inteiro na Renault, em Enstone, não distante daqui, e me hospedei num pequeno hotel cujo prédio era de 1475, ou seja, de antes da descoberta do Brasil.
Estão aqui, cada um num quarto, Tatiana Cunha, da Folha de S.Paulo, Luis Fernando Ramos, o Ico, do Lance! e da rádio Bandeirantes, Felipe Motta, da rádio Jovem Pan e do site TotalRace, e Kethy, um jornalista chinesa de 24 anos que pela primeira vez começou a sair de seu país para descobrir o mundo. Imagine como ela se sente com essa enxurrada de valores novos e radicalmente distintos de tudo o que viu na vida até agora. É inteligente, interessada e está aprendendo muito.
Nesta quinta-feira coloco no ar as fotos do local que farei antes de ir para o autódromo. Havia já pouca luz quando cheguei, hoje.
Com o carro alugado, saímos do aeroporto de Heathrow às 16h30 e às 18h30 estávamos aqui. Direção M25 Norte e então M40 sentido Oxford, com saída para Silverstone na junção com a A43. Cerca de 150 quilômetros de deslocamento.
Da casa até o circuito são cerca de oito quilômetros e há um caminho por entre os pastos de gado ovino e bovino que nos deixa na porta de Silverstone. Nesta quinta-feira iremos conhecer os novos boxes, paddock e sala de imprensa. Pelas fotos que vi ficou funcional e bonito.
Mas Bernie Ecclestone vai continuar reclamando da corrida aqui. Não é difícil compreender a razão. Trata-se do GP que paga a menor promoter fee do campeonato, ou a taxa do promotor. Menos até mesmo de Mônaco.
Estima-se que seja apenas 5 milhões de libras, ou cerca de 6 milhões de euros. Pelo que se sabe, Mônaco passou a pagar, este ano, o dobro, 12 milhões. E nações mais recentes como Bahrein, Coreia do Sul, Índia, pagam a bagatela de 30 milhões de euros por edição do GP.
Cheguei há pouco do restaurante. Fomos jantar no famoso Rice Bowl, comida chinesa, em Towcester, mais ou menos três quilômetros da casa do Mike até lá, pela estradinha que corta os pastos. A primeira vez que ouvi falar no Rice Bowl foi ainda em 1989. Quem nos indicou foi Ayrton Senna.
O vi várias vezes lá, sempre na mesma mesa, mais retirada um pouco, com sua turma. Dentre eles, claro, Galvão Bueno. Nunca jantei com o Ayrton, ao menos informalmente, apenas nos eventos profissionais. Mas foi aqui em Silverstone, em 1989, que pela primeira vez conversei com o Ayrton, sem aquela barreira jornalista-entrevistado.
O prato de hoje foi o recomendado pelo Ayrton em 1989: pato. Crocante, saboroso, macio, acompanhado de discos com massa de panqueca, uma verdura e arroz frito. Absolutamente delicioso. Pena que hoje eu não comi o pato.
Explico: o Rubinho, Rubens Barrichello, nos convidou para jantarmos juntos lá no Rice Bowl. Refiro-me a essa turma que está na casa. Estavam com ele o Felipe Massa e o Pietro Fantin, menino de 19 anos que estreia este ano no automobilismo, na Fórmula 3 britânica.
Como eu precisava escrever para o jornal, cheguei mais tarde, quando eles estavam terminando de comer o pato. Pedi hoje frango com limão. Come-se muito bem no Rice Bowl.
O Rubinho é muito divertido nesses encontros. Hospeda-se no seu requintado motorhome, estacionado ao lado do paddock. O Felipe está num hotel um pouco mais retirado e chegou com uma linda Maserati que a Ferrari disponibiliza para seus pilotos nos fins de semana de corrida. Os dois contaram cada história.
Falaram muito de uma competição que participam pela internet. Sobre Fórmula 1, bem pouco. O que cada um acha que vai acontecer no fim de semana, o frio, a possibilidade elevada de chuva até sábado, por exemplo.
Bem, tá batendo um soninho… quase não dormi no voo de São Paulo a Zurique e depois para Londres. Vou desligar. O texto já está grande demais e acredito que a maioria não o vai ler até o fim.
Como faço sempre, preciso ler antes de dormir. Gosto intensamente do tema Segunda Guerra Mundial. Já li várias publicações a respeito. Leio agora um livro chamado Dresden. Quem se interessa pelo conflito sabe que o ataque aéreo aliado à cidade alemã de Dresden, em 13 de fevereiro de 1945, destruindo-a por completo, não teve fins militares. Isso é o que se diz.
Frederick Taylor fez um estudo profundo da questão utilizando documentos raros e tomando vários depoimentos para tentar explicar melhor o que parte dos próprios aliados condenou na época. Quem gostou foi o povo inglês, em especial. Por se tratar do que pareceu ser uma revanche dos ataques aéreos alemães sobre Londres e, na época, fim já do conflito, das temidas bombas V1 e em especial a V2, capazes de aniquilar quarteirões da cidade inglesa.
Mike me disse que sua mãe, de 90 anos, quando soube que não sobrou pedra sobre pedra de Dresden, esfregou as mãos de satisfação, a exemplo de milhões de britânicos. O livro conta as várias nuanças dessa história.
Boa noite, amigos. Nos falamos, agora, da nova sala de imprensa de Silverstone.
Abraços!
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06/VII/11
Livio Oricchio, de Silverstone

É preciso esperar o resultado do fim de semana, em Silverstone. Mas se Sebastian Vettel e Mark Webber, a dupla da Red Bull, perderem muito desempenho por causa da proibição do escapamento aerodinâmico, no GP da Grã-Bretanha, as reações contra a FIA serão contundentes. Ontem, a exemplo do que afirmara ao Estado na prova de Valência, Adrian Newey (foto acima), projetista da Red Bull, chegou a sugerir uma “conspiração” armada por Ferrari e McLaren contra sua equipe. Em Valência, incluiu nessa história a Mercedes também. Os treinos livres da nona etapa do Mundial começam amanhã.
Vettel venceu seis das oito etapas realizadas até agora e classificou-se em segundo das outras duas. Lidera o Mundial com extraordinária folga. Soma 186 pontos diante de 109 de Jenson Button, da McLaren, e Mark Webber, Red Bull, empatados. Com 77 pontos de vantagem, Vettel pode não disputar as três corridas seguintes e Button ou Webber vencerem que mesmo assim permanecerá em primeiro no campeonato. Ao proibir o escapamento aerodinâmico, tão bem explorado por Newey, a FIA tenta estender a definição do título para as provas finais do calendário.
“Nós concebemos nosso carro para desfrutar o conceito do escapamento aerodinâmico porque era legal já no ano passado e até a última prova”, disse Newey. Ao Estado, em Valência, falou: “Quem não sabe criar copia. E foi isso que Mercedes, McLaren e Ferrari fizeram. Copiaram nossa solução”. Mais: “Apesar de ser impossível prever o que irá acontecer em Silverstone, pode ser que eles percam menos que nós por causa de adaptarem seus carros ao recurso enquanto nós concebemos quase tudo em sua função”.
Muita gente, como Sam Michael, engenheiro da Williams, acredita que o GP não será representativo para se compreender quanto a Red Bull irá perder de rendimento, por se tratar de um traçado excepcionalmente favorável aos carros de Newey. Nas últimas 20 edições da corrida no circuito inglês, os projetos de Newey para Williams, McLaren e Red Bull venceram 12.
Mas o que fica claro com o discurso do diretor-técnico da Red Bull é que se ocorrer o que poucos esperam, seu carro tornar-se bem mais lento e instável, a organização austríaca com sede na Inglaterra irá pegar pesado.
O que os dirigentes que comandam a Fórmula 1 precisariam entender é que uma medida dessas desestimula profundamente empresários com fôlego financeiro a investir na Fórmula 1. Dietrich Mateschitz, proprietário da Red Bull, injeta cerca de 250 milhões de euros no seu projeto de Fórmula 1, em duas escuderias, Red Bull e Toro Rosso. E quando por conta da competência dos profissionais contratados, planejamento e muito dinheiro investido atinge o sucesso, de repente os próprios responsáveis pelo evento buscam forma de conter sua eficiência. Com certeza o péssimo exemplo já deve ter circulado em mesas de reuniões de potenciais investidores da Fórmula 1.
Uma nova área de boxes, paddock, instalações para a imprensa será inaugurada no fim de semana. Apesar de ser um autódromo privado, pertencente ao British Racing Drivers Club (BRDC), Silverstone se equipara agora em estrutura aos melhores do mundo, construídos por governos, como China, Bahrein, Turquia, com a vantagem de possuir um traçado histórico, veloz e profundamente seletivo.
Faz frio em Northamptonshire, região da pista, como de costume, e essa é a previsão para o fim de semana, o que tende a tornar o desafio de aquecer os pneus duros, em especial para a Ferrari, ainda maior. Ontem a temperatura não passou de 16 graus. Daniel Riccardo, australiano talentoso, 21 anos, piloto de testes da Toro Rosso, estreia na Fórmula 1 no GP da Europa, substituindo Narain Kathikeyan na Hispania.
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26/VI/11
GP da Europa
Livio Oricchio, de Valência
A primeira tentativa de reduzir a eficiência da Red Bull e gerar maior competitividade no campeonato não deu certo. Sábado Sebastian Vettel largou na pole position e ontem ninguém se aproximou para tentar lutar pela liderança do GP da Europa, em Valência. A FIA exigiu que o mesmo ajuste do motor usado sábado, na classificação, fosse usado na corrida, ontem. Agora, na próxima etapa, dia 10, em Silverstone, o chamado escapamento aerodinâmico será proibido.
No ano passado, Adrian Newey, projetista da Red Bull, descobriu nova forma de utilizar os gases do escapamento para aumentar a pressão aerodinâmica sobre o carro, o que o deixa mais veloz nas curvas, em especial de alta velocidade, mais equilibrado nas frenagens e favorece a economia de pneus, dentre outros benefícios. O mesmo conceito foi utilizado na concepção do modelo deste ano. E vários times o copiaram. Mas Newey soube explorar melhor sua ideia.
Não há dúvida de que a proibição atinge a escuderia austríaca, por ser a equipe que melhor aplica o conceito. Por outro lado, o modelo RB7-Renault de Sebastian Vettel e Mark Webber é rápido, constante e resistente não apenas por causa dessa solução genial. Todas as áreas do carro funcionam bem e, essencialmente, respondem com extraordinária eficiência em conjunto, segredo técnico maior da Fórmula 1.
Mais: os projetos de Adrian Newey para Williams, McLaren e Red Bull venceram 12 dos 20 últimos GPs da Brã-Bretanha em Silverstone. Não é o melhor circuito para se mensurar o quanto a Red Bull vai perder sem o escapamento aerodinâmico. É uma “pista Newey”.
É pouco provável que Vettel e Webber percam desempenho a ponto de permitir aos concorrentes os superarem com regularidade por estes também serem afetados pela medida. Há até quem acredite que Renault, McLaren e Mercedes sofram mais que a Red Bull, por terem se tornado velozes apenas depois de copiarem o escapamento aerodinâmico de Newey. Com ele, a Red Bull é rápida. Sem, apenas menos rápida. Já os adversários, sem o sistema, lentos. O fato foi lembrado por Lewis Hamilton, da McLaren, ontem.
É a última cartada dos dirigentes para tentar estender a definição do título às etapas finais do campeonato. A possibilidade maior é de que não dê certo, como já aconteceu no fim de semana em Valência.

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