11/VII/11
Livio Oricchio, de Nice
Boa parte das pessoas que se interessam por Fórmula 1 está dizendo, hoje, que a vitória da Ferrari, ontem em Silverstone, tem sabor de derrota. Teria sido obtida com o fim do escapamento aerodinâmico, imposto pela FIA, recurso que a Red Bull, por competência de seus técnicos, domina melhor de todos. E a Ferrari seria a mentora da iniciativa. Historicamente a equipe italiana sempre teve mesmo força política, mas desta vez o grupo coordenado por Stefano Domenicali tem responsabilidade menor do imaginado nesse episódio.
A FIA passou a acompanhar mais de perto o uso do escapamento como elemento para gerar maior pressão aerodinâmica depois das primeiras etapas da temporada. Curiosamente, desde o ano passado os times o incorporam em seus carros. Ficou no ar a forte suspeita de desejar vetá-lo para diminuir a vantagem técnica de Sebastian Vettel e Mark Webber e, com isso, estender a definição do título para as provas finais do calendário.
Depois do que aconteceu em Silverstone, Domenicali compreendeu os imensos benefícios de se proibir o escapamento aerodinâmico. Sem ele, a Red Bull perde mais desempenho do que todos pensavam. Somada ao extraordinário avanço do modelo 150 Itália da Ferrari, e as condições da corrida, explicam a vitória de Fernando Alonso, domingo.
A direção da Ferrari até ontem vivia esse dilema. Assinar o documento que garante a volta do escapamento aerodinâmico, e a possível volta do domínio da Red Bull, ou enfrentar a opinião pública mundial e vetar o uso novamente do recurso, o que lhe permitiria até sonhar, quem sabe, em lutar pelo título.
Mas, originalmente, não foi a Ferrari que procurou a FIA e ameaçou protestar contra o uso do escapamento aerodinâmico. Foram duas outras escuderias, a Williams e a Hispania, que competem com motor Cosworth, sem recursos financeiros para desenvolver o sistema. A Hispania teme que a Red Bull seja tão veloz nas classificações que comprometa sua presença nas corridas por causa da obrigação de estabelecer 107% do tempo do pole position, no mínimo, para largar.
A Ferrari desta vez pegou o bonde andando. Na quinta-feira, em Valência, quando se sabia que o escapamento aerodinâmico seria proibido a partir de Silverstone, Adrian Newey, diretor-técnico da Red Bull, em conversa exclusiva com o Estado, não incluiu a Ferrari dentre as organizações que foram procurar a FIA. Desta vez os italianos não têm culpa.
Agora, no entanto, se aproveitam da situação porque depende, essencialmente deles, a volta da liberação a partir da próxima etapa, o GP da Alemanha, dia 24. São os únicos que faltam para fechar a unanimidade exigida pela FIA. Tudo indica que esse será o desfecho da história, mas ainda não está sacramentado.
Para o bem de valores como ética, seriedade, respeito ao bom trabalho dos concorrentes, seria importante a Ferrari concordar com a volta do escapamento aerodinâmico. Mas, como deu a entender Domenicali, domingo, sua empresa não pode ser acusada de tentar mudar as regras.
10/VII/11
Amigos, esse é o texto de minha coluna nesta segunda-feira no Jornal da Tarde
Há atenuantes para explicar a perda de desempenho da Red Bull. Primeiro tanto a classificação quanto a corrida de Silverstone foram disputadas com importante variação na aderência do piso. Ora molhado, ora apenas úmido, ora seco. Essas condições costumam mascarar os resultados.
Depois a equipe de mecânicos de Sebastian Vettel, sempre supereficiente, ontem o fez perder cerca de 8 segundos a mais do normal no segundo pit stop, na 27.ª volta. O GP teve 52. Mais: Lewis Hamilton foi responsável por segurar Vettel da 27.ª a 36.ª volta, fazendo-o perder um segundo, em média, por volta.
Tudo isso explica Fernando Alonso tê-lo vencido em Silverstone? Não. A principal razão foi uma combinação de fatores, dentre eles os mencionados, mas não o principal.
O que mais permitiu à Ferrari ganhar a prova ontem foi a proibição do escapamento aerodinâmico, responsável maior por a Red Bull ter, quando a pista secou, rendimento semelhante e por vezes pior que o da equipe italiana. Vettel reconheceu, ontem: “Hoje eles eram mais rápidos que nós”.
Por maior que tenha sido a evolução da Ferrari com os novos assoalho e aerofólio traseiro, não se recupera mais de um segundo nas classificações, em especial num circuito com o de Silverstone, sob medida para a Red Bull, de uma etapa para a outra. O avanço da Ferrari é real como é a limitação do modelo RB7-Renault da Red Bull sem o escapamento aerodinâmico.
Deu para entender depois da bandeirada o quase desespero de Adrian Newey e Christian Horner, da Red Bull, para convencer os chefes de equipe da necessidade de todos concordarem com o proposto pela FIA: fim da proibição do escapamento aerodinâmico, desde que todos os times concordem.
As indicações em túnel de vento que Newey possuía já lhe indicavam sensível piora no desempenho, o que surpreendeu muita gente na Fórmula 1. Dentre elas, eu. Pensava-se fosse menos.
Agora a sequência do campeonato dependerá do que será definido: se já na Alemanha será possível correr com o escapamento aerodinâmico ou não. Sem ele, como em Silverstone, será outra competição. Red Bull, McLaren, Mercedes e Renault perdem mais que a Ferrari. Daí a hesitação de Stefano Domenicali, diretor da escuderia italiana, em assinar o documento para se atingir a unanimidade exigida pela FIA.
Sim, seria ótimo para o time a continuidade da proibição, como ficou evidente ontem. Mas péssimo para sua imagem dentro e fora da Fórmula 1, ainda que a opinião pública se choque num primeiro momento e depois tende a esquecer tudo, infelizmente. Seria o caso de se perguntar, agora: por qual razão nas temporadas de 2002 e 2004, quando a Ferrari sobrou na competição, não houve nenhum movimento no sentido de rever as regras do jogo durante o campeonato?
A FIA, entenda-se Max Mosley, interveio, mas ao exigir que no ano seguinte, 2005, a troca de pneus fosse proibida. A Ferrari despencou. Mas sabia-se, bem antes, qual seria o regulamento. Os italianos perderam eficiência porque a Bridgestone, sua fornecedora de pneus, não demonstrou a mesma competência da Michelin, da Renault, campeã com Fernando Alonso, para produzir pneus resistentes e de elevada performance.
A Ferrari e a Bridgestone, no entanto, tiveram tempo para responder ao novo desafio. O que não é o caso agora com a Red Bull, ao se proibir um dos recursos de maior responsabilidade no desempenho, o escapamento aerodinâmico, no meio da temporada.
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09/VII/11
Livio Oricchio, de Silverstone

Agora a responsabilidade foi transferida para as equipes. A FIA distribuiu comunicado, há pouco, para informar o resultado da reunião extraordinária do Technical Working Group (TWG), hoje de manhã, quando se discutiu a questão do quanto de aceleração, em frenagem, cada motor poderia ter.
Em outras palavras, se o escapamento aerodinâmico seria permitido novamente, desde que fossem porcentagens elevadas de aceleração, ou proibido, se ficasse nos 10% impostos antes de virmos cá para Silverstone.
Para o treino de classificação, realizado há duas horas, e a corrida, amanhã, todas as equipes deveriam regular meus motores para não ultrapassar 10% de aceleração quando o piloto aciona o freio. A exceção é a Mercedes, com 20%, por ter conseguido provar para Charlie Whiting, delegado da FIA, que sem essa porcentagem mínima de aceleração seus motores se romperiam.
Hoje e amanhã, portanto, o escapamento aerodinâmico está proibido.
Christian Horner, diretor da Red Bull, disse que foi uma derrota de seu time. “Mas há o compromisso de discutirmos novamente o tema antes do GP da Alemanha (dia 24).”
O comunicado da FIA explica que existe a possibilidade de tudo voltar como antes, ou seja, regressarmos ao regulamento de Valência, quando não havia controle dessa aceleração em frenagem e todos desfrutavam do escapamento aerodinâmico, ainda que uns mais outros menos. “Para o escapamento aerodinâmico ser permitido novamente é preciso que todas as equipes concordem” , escreve a FIA.
Mas vamos pensar juntos, amigos. Depois do que vimos hoje aqui na sessão que definiu o grid do GP da Grã-Bretanha, restando ainda, portanto, 11 corridas para o fim do campeonato, contando com a de amanhã, alguém acredita que, por exemplo, a Ferrari vai concordar em voltar atrás?
Alonso ficou a 117 milésimos de Webber num traçado que, em condições normais, tomaria mais de um segundo na classificação. Tudo bem que sua Ferrari tem importantes modificações em Silverstone, mas essencialmente o que explica essa proximidade foi a proibição do escapamento aerodinâmico que, por enquanto, atingiu a Red Bull provavelmente mais do que eles próprios imaginavam.
Se o que vimos hoje aqui tem mesmo representatividade, é bom não esquecer que foi apenas uma classificação, dá para pensar que em outros traçados menos favoráveis à Red Bull a Ferrari possa sonhar em largar na pole position. Se levarmos em consideração que o ritmo de corrida da Ferrari já era bom em relação à Red Bull, com as restrições impostas agora pela FIA pode ser que amanhã Alonso e Massa enfrentem mesmo Vettel e Webber em condições semelhantes.
A dúvida é como a Ferrari vai se comportar quando colocar os pneus duros. Em Barcelona, passou a tomar um segundo por volta da Red Bull. Alonso disse, ontem, que nas 5 ou 6 voltas que deu com os pneus duros, hoje de manhã, sentiu notável evolução. A conferir, amanhã.
Isso tudo para dizer que duvido muito que a Ferrari, quietinha até agora, vá desejar voltar ao que vivíamos até Valência. A nova regra, ao que parece, a favoreceu e afastou a McLaren da luta também. Curiosamente Hamilton já havia previsto na corrida anterior. Vocês viram a diferença de Button e Hamilton para Webber. Vamos lá: 1 segundo e 499 milésimos e 1 segundo e 977 milésimos. Um universo de extensão!
O momento parece ser, a julgar pelos ensinamentos de hoje, não conclusivos, por favor, dos italianos.
Eu e muita gente se surpreenderia muito se no GP da Alemanha a Renault, marca do motor da Red Bull, poderá aumentar seu percentual de aceleração em frenagem por causa de todas as equipes concordarem em voltar ao regulamento de Valência. E as escuderias que competem com motor Cosworth, Williams, Marussia Virgin e Hispania também não vão desejar ver a Red Bull voar na classificação e as expor ao risco de ficar de fora das corridas por causa da exigência de tempo 107% do pole position. A Williams foi muito bem ontem, com Pastor Maldonado, 7.º no grid. A Cosworth não tem dinheiro para desenvolver seu escapamento aerodinâmico.
Em resumo, amigo, se com as mudanças que Newey vai introduzir no carro a Red Bull não se tornar mais veloz, o que assistimos neste sábado aqui em Silverstone demostrou ser possível pensarmos em lutas pela pole position e pelas vitórias nas corridas. Não quer dizer uma reviravolta no campeonato porque a vantagem da Red Bull é considerável, mas provas mais emocionates quanto à briga pelas primeiras colocações, com Vettel e Webber enfrentando maior resistência.
Faz sentido acreditarmos nisso.
Abraços!
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09/VII/11
Livio Oricchio, de Silverstone
Amigos, ouvi de Christian Horner, diretor da Red Bull, que para a classificação e a corrida, amanhã, as coisas não vão mudar. Ou seja, as equipes Renault, Red Bull e Lotus, que competem com motor Renault, poderão manter apenas 10% do acelerador aberto nas frenagens, assim como as que têm motor Ferrari e Cosworth. Já as que utilizam motor Mercedes, 20%, por razões de confiabilidade do motor, segundo Charlie Whiting, delegado da FIA.
Horner disse numa tumultuada entrevista que aceita “momentaneamente” a desvantagem para a Red Bull, mas estabeleceu com Whiting o compromisso de rever a regra nos próximos dias, antes do GP da Alemanha, próximo do calendário, dia 24, em Nurburgring.
Ao menos conhecemos o regulamento para o restante do fim de semana. Mas a história está longe de terminada. A Red Bull até estuda um protesto oficial se não houver acordo, que seria julgado pelo tribunal de apelo da FIA.
Vamos assistir à classificação que é o que mais importa. O treino dessa manhã, realizado com 10% de aceleração, ainda que não conclusivo, deu a entender que a Red Bull poderá perder mais do suposto inicialmente. Mas a sessão teve muitas variáveis, como a aderência do asfalto mudar, e não permitiu leituras mais apropriadas.
Abraços!
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09/VII/11
Livio Oricchio, de Silverstone
Charlie Whiting, delegado da FIA, enviou agora de manhã documento às equipes que competem com motor Renault, a própria equipe, Red Bull e Lotus, informando que a concessão de utilizar 50% de aceleração nas frenagens, estabelecida ontem, não vale mais. Terá de ser apenas 10%, conforme decidido previamente pela FIA. Já a permissão à Mercedes de manter 20% de aceleração continua válida.
É isso mesmo que você acabou de ler. A FIA voltou atrás. Como, aliás, tem sido sua rotina. Fica o dito pelo não dito e não dito pelo dito.
Mas é bom não acreditarmos totalmente que a história terminou. O histórico do episódio sugere prudência.
Hoje de manhã, Whiting com representantes das equipes, discutiram uma forma de atender os interesses de cada fabricante de motor. E, obviamente, não foi possível chegar a uma solução de consenso. Cada um tem suas características.
A expressão de Christian Horner nesse momento, 10 horas para mim, 6 horas de Brasília, no muro dos boxes, é reveladora do que aconteceu há instantes: a Red Bull perdeu a batalha. O motor Renault não poderá acelerar mais, nas frenagens do carro, de 10% da aceleração que utilizava em 2009, para aquela condição, quando o escapamento aerodinâmico não existia. Enquanto a Mercedes pode atingir 20%.
A razão para a política distinta da FIA é que, para Whiting, o argumento da Mercedes, de que seu motor vai quebrar sem os 20% procede, enquanto o da Renault, sem os 50% não tem comprometimento de resistência.
Difícil acreditar que haja mesmo um motivo técnico comprovando tudo isso. Parece mais uma decisão política que visa a conter o desempenho da Red Bull, como foi a de proibir o escapamento aerodinâmico.
Vejo Adrian Newey e Christian Horner caminhando pelo paddock com pastas nas mãos, bem como a chegada de Jean Todt, presidente da FIA. Como escrevi, a história não acabou.
Enquanto isso, os carros prosseguem o terceiro treino livre. Pista seca, depois úmida e agora novamente, pelo que compreendo, seca. Depois da bandeirada o clima cai esquentar.
Abraços!
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08/VII/11
Livio Oricchio, de Silverstone
Que o tema era complexo já se sabia. Os próprios fabricantes de motor, Mercedes, Ferrari, Renault e Cosworth, já haviam alertado a FIA. Estabelecer um valor de aceleração para todos não funcionaria. E foi o que aconteceu ontem, depois dos primeiros treinos livres do GP da Grã-Bretanha, em Silverstone, realizados sob chuva. Felipe Massa, da Ferrari, registrou o melhor tempo.
Hoje será disputada a sessão de classificação. Mas até ontem, tarde da noite, por incrível que possa parecer, ninguém tinha certeza sob qual regulamento. Representantes da Mercedes e Renault alegaram que seus motores, com o valor estabelecido pela FIA, iriam se romper.
A FIA ordenou, na prática, o fim do chamado escapamento aerodinâmico a partir já dos treinos de ontem, ao exigir que todo motor não elevasse mais de 10% sua aceleração quando o piloto tirasse o pé do acelerador. Até a prova de Valência, há duas semanas, cada equipe definia a aceleração de acordo com sua conveniência. Essa aceleração extra automática ajudava a gerar pressão aerodinâmica por causa da posição dos terminais dos canos de escape na traseira do carro.
Ocorre que Ross Brawn, da Mercedes, alegou que seu motor utilizava 20% de aceleração em 2009, quando não havia o escapamento aerodinâmico. Uma redução colocaria em risco a confiabilidade do motor alemão. Charlie Whiting, delegado da FIA, acatou o pedido. A Renault fez o mesmo com Eric Boullier, seu diretor. E foi além. Demonstrou necessitar de 50% a mais de aceleração. O pedido da Ferrari era desconhecido ontem.
Como Whiting tinha os mapas de gerenciamento dos motores de todos os times em 2009, não lhe restou alternativa a não ser concordar com os pedidos. Procediam. Estabeleceu-se 50% para todos. Não mudaria nada em relação ao que já existia. A Red Bull não seria afetada, propósito do fim do escapamento aerodinâmico.
Aí a chiadeira dos times que correm com motor Cosworth, Williams, Marusia Virgin e Hispania, foi geral: não dispõem do recurso na prática.
A reunião de ontem à noite procurou estabelecer parâmetros que atendam os interesses de todos, como se fosse possível, para as equipes adotarem já hoje, no treino da manhã. O clima do encontro foi tenso. Hoje deverá ser anunciada a decisão final da FIA. Os carros devem começar o treino livre com aceleração máxima em frenagem de 50%, conforme autorizado ontem por Whiting. Mas a história não vai terminar aí.
Jean Todt, presidente da entidade, está em Paris e louco da vida, segundo uma fonte. É desgaste demais para a FIA e sua gestão. São indefinições, hesitações demais. Como já havia ocorrido com o cancelamento, a reativação e o novo cancelamento do GP de Bahrein. Todt pode assumir uma postura ditatorial e fazer todos a acatarem. O que está faltando à Fórmula 1 é uma liderança forte que coordene a criação de regras claras e depois cobre o seu cumprimento com rigor.
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08/VII/11
Amigos, é inacreditável o que está acontecendo aqui em Silverstone nesse momento, 19h30 para mim, 15h30 horário de Brasília.
Os representantes das equipes, acompanhados de seus técnicos de motor, estão reunidos para discutir a questão do escapamento aerodinâmico. Tudo o que noticiamos até agora, nos últimos dias, pode não ser bem assim. É verdade!
Só para recordar: a FIA estabeleceu que a partir desta prova, o GP da Grã-Bretanha, os motores poderiam permanecer apenas 10% acima da aceleração normal quando os pilotos retirassem o pé do acelerador. Até a prova de Valência, os engenheiros de motor regulavam a central de gerenciamento de forma a manter aceleração mesmo com o pedal do acelerador não acionado.
O objetivo era continuar emitindo gases no escapamento para gerar pressão aerodinâmica, em razão de seu posicionamento na porção traseira do carro. Há um post que explico em detalhes a questão.
Parecia claro. Mas não é. Mercedes e Renault alegam que com os 10% seus motores podem quebrar. Por isso, Charlie Whiting concordou com a solicitação da Mercedes: 20% a mais de aceleração. A Renault alegou ser necessário 50% de aceleração para seu motor também não se romper. E é isso que estão discutindo agora. Estão todos lá.
Senhores, a FIA está perdida. Não sabemos o regulamento não do ano que vem, mas do treino de amanhã. Vou permanecer até tarde aqui a fim de tentar obter mais informações. O fato é que já é possível concluir que haverá concessões. Em resumo, amigo, está cheirando uma coisa: não deve mudar quase nada em relação ao que estamos assistindo na temporada.
Se for mesmo assim, se Jean Todt, que soube de fonte segura está louco da vida, não aparecer aqui e determinar ditatorialmente “será assim e acabou”, os escapamentos aerodinâmicos continuarão existindo. Nesse instante essa é a situação. Se terminar assim, se terá feito justiça ainda que sem desejar.
Nos falamos.
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07/VII/11
Livio Oricchio, de Silverstone

Mecânicos trabalham na montagem do Red Bull de Sebastian Vettel, para o GP da Grã-Bretanha
Poucos treinos livres na história recente da Fórmula 1 reuniram tanto interesse quando as duas sessões de amanhã. Não sei quantas vezes ouvi hoje aqui em Silverstone algo do tipo “temos de esperar amanhã, os dois treinos já nos dirão algo sobre como será o restante da temporada”.
Não tenho essa certeza. Penso que o real efeito da proibição do escapamento aerodinâmico veremos na etapa seguinte, o GP da Alemanha, em Nurburgring, dia 24, pista em que os projetos de Adrian Newey não têm tanta vantagem sobre os concorrentes como este onde estamos. Como já escrevi algumas ocasiões: os carros de Newey para a Williams, McLaren e Red Bull venceram 12 das últimas 20 edições da corrida em Silverstone.
Mas será interessante acompanhar de perto o que vai se passar amanhã. Se Vettel e Webber ficarem bem mais lentos, os dirigentes da Fórmula 1 vão estourar champanhe. Não acredito nessa hipótese, mas não a desconsidero também. Sabe o que Newey disse hoje? “Num certo sentido, vivemos situação semelhante à de 2009. Foi uma corrida para ver quem adaptava melhor seu carro para desfrutar dos benefícios do duplo difusor, lançado pela Brawn. Agora será quem melhor modificar seus carros para trabalhar sem o escapamento aerodinâmico.”
Newey lembrou ainda que desta vez seu time assumiu o papel da Brawn. “Se eles perdessem o duplo difusor, a perda de performance seria significativa porque conceberam o projeto ao redor do recurso. Como nós agora.” No dia anterior, e em Valência, para o Estado, Newey estava inconformado. “Ferrari, McLaren e Mercedes copiaram nossa solução. Se a retirarem no projeto, vão sentir menos de nós que concebemos o RB7 para, como um todo, aproveitar o escapamento aerodinâmico, legal até a última etapa.”
Sei que Newey trabalha desde a primeira tentativa de proibir o recurso, previsto para entrar em vigor no GP da Espanha, quinto do calendário, dia 22 de maio, para diminuir a perda. Na inspeção dos carros, os mecânicos os colocam em fila indiana na entrada do box 1, controlado por Jo Bauer, delegado técnico da FIA. Não sei se é por que eu viajo, agora, regularmente com ele, nos aviões da Swiss, o suíço passou a me dar atenção que antes negava. Aliás a todos. É orientado pela FIA a não falar com a imprensa.
Na observação que fiz ainda há pouco na fila indiana dos carros, vi que os terminais de escape do carro de Vettel não estão mais sobre o assoalho, bem visíveis, como antes. Exalam os gases por baixo, como até metade do ano passado. Foi o que o meu conhecimento permitiu compreender de diferente. Mas tenho certeza de que há outras soluções associadas a essa a fim de reduzir o impacto da geração de pressão aerodinâmica provocado pela proibição do escapamento aerodinâmico.
Já estou com o meu tabard, jaleco distribuído pela FIA, para circular pelo circuito, amanhã. Quero ver de perto como afetará os carros. Em 1992, permaneci durante a classificação do GP da Grã-Bretanha, aqui mesmo, com Gil de Ferran, campeão britânico da Fórmula 3 naquela temporada, na equipe de Jackie Stewart, na excepcional sequência de S de alta velocidade formada pela Maggots, Beckets e Chapel.
“Foi a volta da minha vida”, disse Nigel Mansell, com aquele fenomenal modelo FW14 da Williams, com suspensão ativa, projetado por, claro, Adrian Newey. Gil me ensinou a enxergar muitas coisas.
Vou repetir a experiência amanhã. Pena que não mais existe o morrinho, por dentro desse S de alta, como em 1992. Mas com certeza vou encontrar um lugar que me permitirá ver o que necessito para entender essa mudança do regulamento.
Amanhã eu conto como foi a experiência.
Abraços!
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26/VI/11
GP da Europa
Livio Oricchio, de Valência
A primeira tentativa de reduzir a eficiência da Red Bull e gerar maior competitividade no campeonato não deu certo. Sábado Sebastian Vettel largou na pole position e ontem ninguém se aproximou para tentar lutar pela liderança do GP da Europa, em Valência. A FIA exigiu que o mesmo ajuste do motor usado sábado, na classificação, fosse usado na corrida, ontem. Agora, na próxima etapa, dia 10, em Silverstone, o chamado escapamento aerodinâmico será proibido.
No ano passado, Adrian Newey, projetista da Red Bull, descobriu nova forma de utilizar os gases do escapamento para aumentar a pressão aerodinâmica sobre o carro, o que o deixa mais veloz nas curvas, em especial de alta velocidade, mais equilibrado nas frenagens e favorece a economia de pneus, dentre outros benefícios. O mesmo conceito foi utilizado na concepção do modelo deste ano. E vários times o copiaram. Mas Newey soube explorar melhor sua ideia.
Não há dúvida de que a proibição atinge a escuderia austríaca, por ser a equipe que melhor aplica o conceito. Por outro lado, o modelo RB7-Renault de Sebastian Vettel e Mark Webber é rápido, constante e resistente não apenas por causa dessa solução genial. Todas as áreas do carro funcionam bem e, essencialmente, respondem com extraordinária eficiência em conjunto, segredo técnico maior da Fórmula 1.
Mais: os projetos de Adrian Newey para Williams, McLaren e Red Bull venceram 12 dos 20 últimos GPs da Brã-Bretanha em Silverstone. Não é o melhor circuito para se mensurar o quanto a Red Bull vai perder sem o escapamento aerodinâmico. É uma “pista Newey”.
É pouco provável que Vettel e Webber percam desempenho a ponto de permitir aos concorrentes os superarem com regularidade por estes também serem afetados pela medida. Há até quem acredite que Renault, McLaren e Mercedes sofram mais que a Red Bull, por terem se tornado velozes apenas depois de copiarem o escapamento aerodinâmico de Newey. Com ele, a Red Bull é rápida. Sem, apenas menos rápida. Já os adversários, sem o sistema, lentos. O fato foi lembrado por Lewis Hamilton, da McLaren, ontem.
É a última cartada dos dirigentes para tentar estender a definição do título às etapas finais do campeonato. A possibilidade maior é de que não dê certo, como já aconteceu no fim de semana em Valência.

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24/VI/11
GP da Europa
Livio Oricchio, de Valência
O delegado da FIA, Charlie Whiting (foto), recebeu fogo cruzado da imprensa internacional, ontem à noite, em Valência. Jornalistas das mais distintas nações lhe perguntaram a razão de a entidade decidir, depois de oito corridas, mudar o regulamento, o que, em princípio, tende a afetar diretamente a Red Bull, equipe do líder da competição, Sebastian Vettel. “Sei que há pessoas que acreditam em motivo político. Mas afirmo ser técnico. E me sinto bastante confortável para dizer isso.”
A partir de hoje, na classificação do GP da Europa, em Valência, oitavo do calendário, as equipes terão de adotar o mesmo ajuste eletrônico do motor de amanhã, na corrida. E a partir da etapa seguinte do campeonato, em Silverstone, Inglaterra, dia 10, o chamado escapamento aerodinâmico vai ser proibido. “Nós não mudamos as regras. Apenas estamos impedindo que pessoas as burlem”, disse o inglês. “E também não proibimos o escapamentos como são usados hoje, apenas o limitamos a fim de evitar seu uso com propósito aerodinâmico.”
Se a prova de ontem fosse de retórica, Whiting teria sido aprovado com louvor. Suas explicações parecem convincentes. Existe, mesmo, um bom motivo técnico, como defende o ex-mecânico da Brabham, para rever a aplicação da regra. Mas, ao mesmo tempo, quem conhece a história da Fórmula sabe que os interesses políticos costumam ser tão superiores que a sua associação com a medida adotada agora pela FIA é inevitável. E, com elevada probabilidade, procedente.
Os times descobriram que poderiam usar os gases do escapamento para gerar maior pressão aerodinâmica. A Red Bull é quem melhor desenvolveu o sistema e explica, em parte, sua hegemonia no Mundial. Nessa projeção, Vettel poderia definir a conquista do título bem antes do fim do campeonato, o que é ruim para os interesses da Fórmula 1. Seu universo de telespectadores tende a se reduzir bastante.
O que ninguém entende, a não ser os adversários da Red Bull, é por qual motivo a FIA esperou a temporada caminhar para uma definição para então agir. “Em primeiro lugar, não houve uma reclamação formal de ninguém. Apenas uma escuderia nos solicitou para ver o que poderia ser feito”, contou Whiting, sem citar o nome. Hispania, Marussia Virgin e Williams correm com motor Cosworth, que não têm recursos financeiros para desenvolver um sistema eletrônico que permita o uso do escapamento aerodinâmico como os demais times. Sabe-se que foi uma dos três.
O tema é polêmico, falou o inglês, o que dava às equipes a oportunidade de defender sua legalidade. “Mas antes de Barcelona (dia 22 de maio, quinta do ano), as avisamos que não poderiam seguir adiante com suas idéias”, disse o delegado. “Isso em razão de vermos a escalada no uso do sistema. Foi assim com o amortecedor de massa da Renault, em 2006.”
Naquela ocasião, a FIA o proibiu a partir do GP da Hungria, quando a Renault estava em boa condição de ser bicampeã com Fernando Alonso. A exemplo de agora, ficou no ar a forte suspeita de que a FIA interveio para estender a definição do título até as etapas finais. Em 2006, apesar da perda de desempenho, Alonso ainda conseguiu ser campeão no GP do Brasil, último do calendário. Este ano, Vettel tem boa vantagem sobre Jenson Button, da McLaren, 161 a 101, e ainda restam 12 corridas com a de amanhã.
“É impossível saber quanto a Fórmula 1 ficará mais lenta com a limitação, mas os técnicos pensam em meio segundo. Algumas equipes um pouco mais outras menos”, comentou Whiting. Adrian Newey, projetista da Red Bull, mostrou sua indignação ao Estado, ao comentar a decisão: “Aceito mudar o regulamento por uma boa razão, como segurança, o que não é o caso, agora. É um absurdo.”
Nos treinos livres de ontem, Alonso confirmou a boa adaptação do carro da Ferrari aos 5.419 metros do circuito de Valência e fez o melhor tempo do dia. Hoje, na definição do grid, é enorme o interesse sobre o rendimento de Vettel e seu companheiro, Mark Webber, para se conhecer o quanto a primeira mudança do regulamento afetará a Red Bull. É possível que seja um pouco mais difícil para Vettel ou Webber continuarem estabelecendo todas as pole positions do campeonato.
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2008
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2006