26/VII/11
Livio Oricchio, de Nice
Logo depois da queda de Aldo Costa, diretor-técnico da Ferrari, em seguida ao fracasso no GP da Espanha, quando Fernando Alonso, quinto, tomou uma volta do vencedor, Sebastian Vettel, da Red Bull, o projetista-chefe da equipe italiana, o grego Nikolas Tombazis, disse que a mudança lhe daria, finalmente, “liberdade para colocar suas idéias em prática”.
O conservadorismo de Costa refletiu-se com perfeição no modelo desta temporada, 150 Italia. E o que Tombazis declarou parece fazer mesmo sentido. Foram as novidades coordenadas por ele e introduzidas após a dispensa de Costa que tornaram o carro de Fernando Alonso e Felipe Massa bem mais veloz e equilibrado, a ponto de o espanhol vencer o GP da Grã-Bretanha e poder pensar com seriedade em ganhar a prova de Budapeste, domingo, 11.ª do calendário.
A saída de Costa abriu caminho para o inglês Pat Fry assumir o cargo. Fry é um técnico que se formou na McLaren. E anda pelo paddock atrás de reforçar a área de engenharia da Ferrari. Já tirou da McLaren, com quem trabalhava, dois técnicos respeitados de segundo escalão: o indiano Rupad Darekar, especialista em aerodinâmica, e grego Ioannis Veloudis, para reforçar o departamento de estudo aerodinâmico virtual, o chamado CFD.
As ideias progressistas de Tombazis e a visão mais ampla e pluralista de Fry, que chega com conhecimento de outra grande escuderia da competição, mais de já gerar resultados permitem à Ferrari sonhar com um futuro mais promissor. O próprio presidente da Ferrari, Luca di Montezemolo, cobrou mais ousadia de seus técnicos: “Há quanto tempo não vemos uma solução lançada em nossos carros e depois copiada por nossos concorrentes?”.
Stefano Domenicali, diretor da equipe, lembrou depois da vitória de Alonso em Silverstone: “Como em 2012 o regulamento será, essencialmente, o deste ano, mas com a proibição do escapamento aerodinâmico, os avanços incorporados nos projetos em uso poderão ser repassados para os de 2012”. Portanto, o investimento na evolução do 150 Italia prosseguirá até as etapas finais.
Alonso melhorou seu humor nas últimas semanas. Antes de renovar seu contrato com a Ferrari até o fim de 2016, à véspera do GP da Espanha, recebeu garantias de mudança de Domenicali. A principal: reestruturação da área de projeto. E está mesmo em curso. Fry busca, agora, um projetista para trabalhar ao lado de Tombazis, a fim de implantar modelo semelhante ao da McLaren, em que os projetistas de alternam na coordenação dos projetos, um cada ano.

Felipe Massa conversa com Nikolas Tombazis nos treinos pela Ferrari, no começo do ano
Tags: Aldo Costa, Felipe Massa, Fernando Alonso, Ferrari, Fórmula 1, Ioannis Veloudis, Nikolas Tombazis, Pat Fry, Rupad Darekar, Stefano Domenicali
22/VII/11
GP da Alemanha
Livio Oricchio, de Nurburgring

A pergunta circulou com desenvoltura, ontem no circuito de Nurburgring, depois dos dois primeiros treinos livres do GP da Alemanha: dá, ainda, para a Ferrari virar o jogo diante da Red Bull? A razão foi o ótimo treinamento de Fernando Alonso e Felipe Massa, ontem, associado ao desempenho convincente da equipe italiana na corrida de Silverstone, vencida pelo espanhol. “Estou pensando prova a prova”, disse Alonso. “Mas no ano passado até esta altura eu havia somado menos pontos”, lembrou, como quem diz ‘não descarto atropelar como em 2010’.
Não justifica totalmente, mas com certeza a volta do escapamento aerodinâmico, a partir de ontem e até o fim da temporada, ajudou Mark Webber a ser o mais rápido e lhe dá, junto do companheiro de Red Bull, o líder do campeonato, Sebastian Vettel, leve favoritismo para estabelecer, hoje, a pole position da décima etapa do calendário. Mas Alonso dominou o dia: mais veloz de manhã e à tarde perdeu no fim para Webber. Ficou a apenas 168 milésimos do australiano. Não há indícios de que estivessem em condições muito distintas.
“Já havíamos mostrado na Inglaterra termos dado um grande passo adiante. E hoje (ontem) testamos ainda mais modificações no carro”, falou Alonso, confiante. O modelo 150 Italia estreou um novo aerofólio traseiro, suspensão posterior, novo posiocionamento dos terminais de escape e ontem, novo aerofólio dianteiro. Massa também parecia otimista. “Ainda há o que fazer no acerto do carro para a corrida, mas aceitamos bem os pneus médios, apesar de um pouco duros, e os macios.” A exemplo do GP da Grã-Bretanha, reconheceu que poderá ter dificuldades para aquecer os médios e perder desempenho para a Red Bull na primeira volta, depois de sair dos boxes, em especial por que faz frio no noroeste alemão.
Vettel repetiu o discurso de Silverstone. “A Ferrari chegou. Precisamos reagir. Alonso sabe disputar um título”. Comparou o espanhol a uma raposa. O alemão, atual campeão do mundo, marcou o terceiro tempo e Massa, o quarto, todos relativamente próximos. “Em condições normais, não vejo como alguém possa desafiar Ferrari e Red Bull aqui em Nurburgring”, afirmou Lewis Hamilton, da McLaren, sétimo, um segundo mais lento que Webber.
Mas a exemplo do GP da Grã-Bretanha, o clima pode interferir diretamente no andamento da definição do grid, hoje, a partir das 9 horas (horário de Brasília) e principalmente amanhã, ao longo das 60 voltas da corrida no traçado de 5.148 metros. “Nossa previsão (na realidade é a de todas as equipes) é de que choverá domingo”, comentou Vettel.
Sua vantagem na classificação ainda é considerável para se pensar que poderá perder o bicampeonato. Lidera com 204 pontos seguido por Webber, 124, e Alonso, 112. E restam, com a prova de amanhã, 10 etapas. Há em jogo, portanto, 250 pontos (o vencedor recebe 25) e Alonso está 92 pontos atrás. Depois do GP da Grã-Bretanha do ano passado, Alonso somava 98 pontos, quinto colocado, ao passo que o líder do Mundial, Hamilton, 145. A diferença entre ambos era de 47 pontos, bem diferente dos 92 de agora.
“Vimos como as coisas mudam rápido na Fórmula 1. Bastam dois resultados desfavoráveis de Sebastian e dois sucessos nossos para entrarmos na luta”, afirmou o espanhol em Silverstone. E ontem lembrou: “Como esse carro podemos pensar em vencê-los”. Não é impossível, como mostra a própria história da Fórmula 1, mas diante da eficiência de Vettel e da Red Bull, as possibilidades de uma virada são pequenas. O desafio será, em princípio, a graça da segunda metade do campeonato.
Algumas temporadas em que houve viradas históricas como a que tentará agora Alonso
2010 – Sebastian Vettel, Red Bull, tinha depois do GP da Bélgica, 151 pontos, terceiro. Lewis Hamilton, McLaren, líder, 182. Nas seis etapas seguintes Vettel, campeão, chegou a 256 e Alonso, 252.
2007 - Kimi Raikkonen, da Ferrari, estava 17 pontos atrás de Lewis Hamilton, da McLaren, a duas etapas do fim. O título ficou com o finlandês da Ferrari, por um ponto de vantagem, 110 a 109.
1976 – O critério de pontuação era outro: 9 pontos apenas para o vencedor. A 7 etapas do final, James Hunt, McLaren, somava 35 pontos a menos de Niki Lauda, Ferrari. Deu o inglês: 69 a 68.
Tags: Alemanha, Fernando Alonso, Ferrari, Fórmula 1, Mark Webber, Nurburgring, Red Bull, Sebastian Vettel
18/VII/11
Livio Oricchio, de Nice
Amigos:
Nos últimos dias corri para todos os lados, aqui na França, resolvendo uma série de questões pessoais, normais de um cidadão que vive fora de seu país de origem. Sei que há várias perguntas no ar no blog. Amanhã pretendo responder a maioria. Em especial explicar em detalhes como funciona o escapamento aerodinâmico nas frenagens. Na prova de Silverstone me submeti a um curso intensivo sobre o tema com minhas fontes. Aprendi bastante coisa.
Enquanto isso, redigi esse texto ontem à noite, depois de boa sacada do nosso editor, Alec, que me perguntou há quanto tempo não ocorria de as equipes principais não substituírem seus pilotos por três temporadas seguidas. Fiz a pesquisa no Guia Marlboro e descobri que isso nunca aconteceu. É mesmo uma estabilidade histórica.
Abraços!
O texto:

A história da Fórmula 1 mostra que entre pilotos e equipes tudo pode ocorrer. Os contratos nem sempre representam garantia de alguma coisa. Mas depois de nove etapas disputadas, este ano, já é possível se projetar, com elevada probabilidade de sucesso, a formação pilotos-equipes em 2012.
A manutenção das duplas atuais entre as quatro grandes, Red Bull, McLaren, Ferrari e Mercedes, como parece bem provável, representará um marco histórico. Pois será a terceira temporada seguida sem troca entre os que lutam pelas primeiras colocações, situação ainda não experimentada pela Fórmula 1 envolvendo as suas quatro melhores escuderias.
O fim de semana em Nurburgring, na Alemanha, quando será disputado o GP da Alemanha, décimo do calendário, pode começar a revelar de forma mais definitiva a cara da Fórmula 1 na próxima temporada e essa característica de estabilidade inovadora. Com a proibição de treinos particulares, os pilotos quase não mais se deslocam até a sede de suas escuderias. Por isso parte das conversas sobre seu futuro ocorre nos dias de competição.
Red Bull, McLaren, Ferrari e Mercedes apenas em 2013, quando os contratos de alguns de seus pilotos vai expirar e haverá substancial revisão do regulamento, os substituirão. Sebastian Vettel seguirá na Red Bull e Fernando Alonso na Ferrari. Os demais seis pilotos, Mark Webber, Lewis Hamilton, Jenson Button, Felipe Massa, Nico Rosberg e Michael Schumacher, não têm contrato para depois de 2012.
Se havia dúvida a respeito dos pilotos da atual campeã do mundo, a Red Bull, em 2012, seu proprietário, Dietrich Mateschitz, esclareceu quarta-feira. “Vamos renovar com Mark Webber”, disse o austríaco. A dupla da Red Bull para 2012 será a mesma de hoje, Vettel-Webber.
Na Ferrari, tanto Fernando Alonso quanto Felipe Massa têm compromisso assinado para o ano que vem. Os rumores sobre a saída de Massa não procedem. Seria necessário que nas próximas corridas Massa cometesse erros seguidos ou apresentasse desempenho bastante fraco, sem marcar pontos com regularidade, para Stefano Domenicali pensar em substituição. Não é impossível, mas pouco provável.
Quanto a Rubens Barrichello, Adam Parr, diretor da Williams, já adiantou que deseja renovar seu contrato. Frank Williams, também. Rubinho, por sua vez, também já manifestou interesse em permanecer na Williams. “Estão reestruturando a equipe na sua base. E vão correr de motor Renault. É uma bela opção.”
Lewis Hamilton afirmou ao Estado, na China “Em 2012 não saio da McLaren, tenho contrato. Depois, nunca se sabe”. O outro piloto da McLaren, Jenson Button, não tem compromisso, ainda, para 2012. Está negociando. “Há interesse dos dois lados em acertarmos tudo”, disse, em Valência. Button deve renovar com a McLaren.
Michael Schumacher, até demonstrando certa irritação, afirmou na coletiva de Silverstone, há dez dias: “Quantas vezes tenho de dizer que assinei com a Mercedes por três anos e irei cumprir meu contrato?”. O próximo campeonato é o último. Mesmo com 43 anos, em 2012, continuará sendo o companheiro de equipe de Nico Rosberg na Mercedes. Rosberg já tem compromisso com o time alemão.
Na Renault, se provar que está recuperado Robert Kubica será o número 1. Já Vitaly Petrov vai ter de contribuir com bem mais dinheiro de hoje para permanecer. Kamui Kobayashi e Sergio Perez ficam na Sauber, têm contrato, enquanto na Toro Rosso Sebastian Buemi ou Jaime Alguersuari cederá a vaga para Daniel Riccardo, hoje na Hispania. Nas demais escuderias as indefinições são ainda grandes.
Tags: Adam Parr, Daniel Riccardo, Dietrich Mateschitz, Felipe Massa, Fernando Alonso, Ferrari, Fórmula 1, Hispania, Jaime Alguersuari, Jenson Button, Kamui Kobayashi, Lewis Hamilton, Mark Webber, McLaren, Mercedes, Michael Schumacher, Nico Rosberg, Red Bull, Renault, Robert Kubica, Rubens Barrichello, Sauber, Sebastian Vettel, Sergio Perez, Stefano Domenicali, Toro Rosso Sebastian Buemi, Vitaly Petrov, Williams
10/VII/11
Amigos, esse é o texto de minha coluna nesta segunda-feira no Jornal da Tarde
Há atenuantes para explicar a perda de desempenho da Red Bull. Primeiro tanto a classificação quanto a corrida de Silverstone foram disputadas com importante variação na aderência do piso. Ora molhado, ora apenas úmido, ora seco. Essas condições costumam mascarar os resultados.
Depois a equipe de mecânicos de Sebastian Vettel, sempre supereficiente, ontem o fez perder cerca de 8 segundos a mais do normal no segundo pit stop, na 27.ª volta. O GP teve 52. Mais: Lewis Hamilton foi responsável por segurar Vettel da 27.ª a 36.ª volta, fazendo-o perder um segundo, em média, por volta.
Tudo isso explica Fernando Alonso tê-lo vencido em Silverstone? Não. A principal razão foi uma combinação de fatores, dentre eles os mencionados, mas não o principal.
O que mais permitiu à Ferrari ganhar a prova ontem foi a proibição do escapamento aerodinâmico, responsável maior por a Red Bull ter, quando a pista secou, rendimento semelhante e por vezes pior que o da equipe italiana. Vettel reconheceu, ontem: “Hoje eles eram mais rápidos que nós”.
Por maior que tenha sido a evolução da Ferrari com os novos assoalho e aerofólio traseiro, não se recupera mais de um segundo nas classificações, em especial num circuito com o de Silverstone, sob medida para a Red Bull, de uma etapa para a outra. O avanço da Ferrari é real como é a limitação do modelo RB7-Renault da Red Bull sem o escapamento aerodinâmico.
Deu para entender depois da bandeirada o quase desespero de Adrian Newey e Christian Horner, da Red Bull, para convencer os chefes de equipe da necessidade de todos concordarem com o proposto pela FIA: fim da proibição do escapamento aerodinâmico, desde que todos os times concordem.
As indicações em túnel de vento que Newey possuía já lhe indicavam sensível piora no desempenho, o que surpreendeu muita gente na Fórmula 1. Dentre elas, eu. Pensava-se fosse menos.
Agora a sequência do campeonato dependerá do que será definido: se já na Alemanha será possível correr com o escapamento aerodinâmico ou não. Sem ele, como em Silverstone, será outra competição. Red Bull, McLaren, Mercedes e Renault perdem mais que a Ferrari. Daí a hesitação de Stefano Domenicali, diretor da escuderia italiana, em assinar o documento para se atingir a unanimidade exigida pela FIA.
Sim, seria ótimo para o time a continuidade da proibição, como ficou evidente ontem. Mas péssimo para sua imagem dentro e fora da Fórmula 1, ainda que a opinião pública se choque num primeiro momento e depois tende a esquecer tudo, infelizmente. Seria o caso de se perguntar, agora: por qual razão nas temporadas de 2002 e 2004, quando a Ferrari sobrou na competição, não houve nenhum movimento no sentido de rever as regras do jogo durante o campeonato?
A FIA, entenda-se Max Mosley, interveio, mas ao exigir que no ano seguinte, 2005, a troca de pneus fosse proibida. A Ferrari despencou. Mas sabia-se, bem antes, qual seria o regulamento. Os italianos perderam eficiência porque a Bridgestone, sua fornecedora de pneus, não demonstrou a mesma competência da Michelin, da Renault, campeã com Fernando Alonso, para produzir pneus resistentes e de elevada performance.
A Ferrari e a Bridgestone, no entanto, tiveram tempo para responder ao novo desafio. O que não é o caso agora com a Red Bull, ao se proibir um dos recursos de maior responsabilidade no desempenho, o escapamento aerodinâmico, no meio da temporada.
Tags: Adrian Newey, Felipe Massa, Fernando Alonso, Ferrari, FIA, Fórmula 1, opinião, Red Bull
29/VI/11
Livio Oricchio, de São Paulo
Até o primeiro pit stop do GP da Espanha, na 10.ª volta de um total de 66, Fernando Alonso, da Ferrari, liderou a corrida no Circuito da Catalunha. Largou em quarto e, na melhor manobra até agora este ano, subiu para a primeira colocação, ultrapassando Lewis Hamilton, da McLaren, terceiro no grid, Sebastian Vettel, Red Bull, segundo, e o pole position, Mark Webber, da Red Bull.
A Pirelli levou para Barcelona os pneus macios e os duros. Mas uma nova versão dos duros em razão de a anterior, utilizada no GP da Turquia, apresentar desgaste elevado, “acima do esperado”, como definiu Paul Hembery (foto), diretor da empresa italiana. Os novos duros eram, de fato, mais duros. E pneus confeccionados com composto de borracha mais duro tendem a expor mais a capacidade de os carros gerarem aderência aerodinâmica e mecânica. Uma espécie de hora da verdade para os projetos.
O que se assistiu na Espanha foi o que Fernando Alonso e Felipe Massa sinalizam desde a prova de abertura do Mundial, em Melbourne: “Não produzimos a mesma pressão aerodinâmica da Red Bull”. Alonso deu mais detalhes: “Enquanto a maior parte da aderência veio dos pneus, no caso os macios, que a 150 Italia aceitou bem, meu ritmo foi bom. Mas foi só passar para os duros que, de repente, tornei-me mais de um segundo mais lento que Vettel.”
Dia 10 de julho será disputada a nona etapa do calendário, o GP da Grã-Bretanha, em Silverstone, cujo traçado apresenta curvas longas e velozes, guardando alguma semelhança com trechos das pistas de Istambul e Barcelona. Por esse motivo, a Pirelli informou, hoje, que as equipes vão dispor dos mesmos pneus do GP da Espanha: macios e duros. E os mesmos duros que fizeram Alonso perder tanto rendimento que, na bandeirada, cruzou uma volta atrás do vencedor, Vettel, o mesmo que manteve atras de si nas dez primeiras voltas, quando liderou a corrida diante da sua torcida.
Paul Hembery comentou ter ouvido as equipes a respeito da escolha. E ela representa, segundo explicou, não apenas a opção técnica da Pirelli, mas os interesses dos times. “A fim de maximizar as oportunidades de estratégia”, explicou o inglês.
Depois de Alonso levar uma volta de Vettel em Barcelona, Stefano Domenicali conversou com a direção da Pirelli a fim de literalmente pedir que a empresa italiana repensasse sua opções de pneus duros dali para a frente. O modelo 150 Italia simplesmente não funciona com os duros versão do GP da Espanha.
Por tudo isso, o anúncio de hoje demonstra:
Primeiro: A isenção da Pirelli, em completa oposição ao que se chegou a falar quando a FIA divulgou, há um ano, que a marca italiana substituiria a Bridgestone como fornecedora de pneus da Fórmula 1: poderia privilegiar a italianíssima Ferrari.
Segundo: Procede a informação dada por Hembery. Todas as equipes têm exatamente o mesmo contrato com a Pirelli, no valor de 1 milhão e 250 mil euros, com os mesmos espaços publicitários, direitos e obrigações.
Terceiro: A Ferrari vive outra realidade hoje na Fórmula 1. Não tem mais o poder que possuía na maior parte dos quase 20 anos de Max Mosley na presidência da FIA. Para a saúde da competição. Enganam-se muito os que acreditam provir da casa de Maranello a iniciativa de forçar a revisão das regras do jogo, a partir de Silverstone, com a proibição do escapamento aerodinâmico. Esse é outro capítulo que abordarei oportunamente.
A Ferrari já usou em Valência uma suspensão traseira que visa a melhorar a eficiência dos pneus duros. Nessa corrida, os médios assumiram o papel dos duros e, como disseram Alonso e Massa, o carro reagiu de forma surpreendentemente bem. Mas os duros de Silverstone serão os verdadeiros duros. Dessa forma, é pouco provável que o modelo 150 Italia, de repente, passe a aceitá-los bem, a ponto de encarar a McLaren. A Red Bull seria quase impossível.
Abraços!
Tags: Fernando Alonso, Ferrari, Fórmula 1, Paul Hembery, Pirelli, Stefano Domenicali
26/VI/11
Esse é o texto de minha coluna, hoje, segunda-feira, no Jornal da Tarde.
Livio Oricchio, de Valência
Que Sebastian Vettel está em estado de graça e merece com todos os méritos o bi todos sabem. Que com a elevação do limite do carro da Red Bull, em comparação ao modelo de 2010, Vettel tem se mostrado bem mais capaz de Mark Webber, seu companheiro, as oito etapas já realizadas deixaram claro também. Agora, pouco se tem falado de Fernando Alonso (foto).
As deficiências do monoposto da Ferrari têm impedido de o espanhol demonstrar sua extraordinária capacidade. Mas é só o carro italiano lhe dar uma pequena chance, como ontem, que com certeza Alonso a aproveita como ninguém hoje na Fórmula 1.
Falem o que desejarem de Alonso. Mau perdedor, verdade. Não sabe dividir a equipe com um companheiro brilhante, como foi Lewis Hamilton na McLaren, em 2007, da mesma forma procede. Recorre a métodos nem sempre éticos para conquistar seu espaço no time, a exemplo da ameaça a Ron Dennis, da McLaren, na Hungria, em 2007, a maioria reconhece ser mesmo assim. Mas, por favor, não o acusem de não ser excepcionalmente competente. A rima é proposital.
A corrida que disputou, ontem, é a maior prova do que digo. Tome como referência o trabalho de Felipe Massa. Um bom piloto. Já foi até vice-campeão do mundo. Mas não genial como Alonso. O asturiano consegue tirar o que o carro não oferece. Ultrapassou Mark Webber, na 20.ª volta, quando ambos estavam em condições semelhantes.
O piloto da Red Bull havia feito seu primeiro pit stop na 13.ª volta e Alonso, na 14.ª. Ambos estavam com pneus macios, com praticamente o mesmo número de voltas, e pesos de combustível equivalentes. Diferença: Webber pilota o excepcional modelo RB7-Renault da Red Bull, Alonso, o convencional 150 Italia da Ferrari. Mas mesmo assim o espanhol deixou o australiano para trás. Sua maior capacidade como piloto compensou as deficiências do 150 Italia a ponto de o permitir não só ultrapassar como manter-se à frente até a parada seguinte nos boxes, na 29.ª volta.
Mas o melhor de Alonso vem agora. Como no ano passado, cobra a Ferrari, estimula o grupo, coloca-se à disposição e, depois, corresponde na pista, como ontem, a todo o empenho da equipe em desenvolver o carro. Obviamente vira o grande líder sem sombra que tanto ele quanto a Ferrari apreciam. E terrivelmente eficaz.
Tags: Fernando Alonso, Ferrari, Fórmula 1, opinião, Red Bull, Sebastian Vettel
26/VI/11
GP da Europa
Livio Oricchio, de Valência

Bem poucos pilotos são capazes, hoje, na base da competência, de deixar para trás Sebastian Vettel ou Mark Webber, a dupla da Red Bull, em razão da supereficiência do modelo RB7-Renault da equipe austríaca. Pois Fernando Alonso, da Ferrari, é. “O pódio era o meu objetivo aqui em Valência, diante da minha torcida”, disse o espanhol, muito feliz com o resultado. “Agora falta apenas o troféu do pódio em Abu Dabi para completar pódios em todas as etapas do calendário.”
Largou em quarto, perdeu na largada a posição para Felipe Massa, quinto no grid, mas na primeira curva Mark Webber fechou Massa e Alonso os ultrapassou por fora para assumir a terceira colocação. Na 20.ª, Alonso ultrapassou Webber “na pista e não nos boxes”, como destacou. Mas na 29.ª, quando fez sua segunda parada, perdeu o segundo lugar para o australiano. O troco veio na 45.ª volta, da mesma forma, no pit stop.
“Falta, agora, ganhamos uma corrida, mas ainda somos 8 décimos de segundo mais lentos que a Red Bull e não é possível.” Incentivador do grupo, afirmou: “Foi surpreendente ver como reagimos melhor do esperado no final com os pneus duros, esperava enfrentar mais problemas, como sempre”. Os pneus médios distribuídos pela Pirelli no GP da Europa corresponderam aos duros.
Alonso falou, ainda: “Vamos para Silverstone e Nurburgring, onde teremos importantes novidades no carro, muito confiantes”. Alonso ocupa o quinto lugar no campeonato, com 87 pontos, 99 a menos de Vettel.
Até o seu primeiro pit stop, na 15.ª volta de um total de 70, Felipe Massa deu mostra de poder lutar pelo pódio, como havia feito em Montreal, dia 12. Ontem era o quarto colocado, a três segundos de Alonso, terceiro, acompanhando o ritmo de Vettel e Webber, líderes, também. “Com o segundo jogo de pneus perdi desempenho”, explicou Massa. Saiu dos boxes atrás de Lewis Hamilton, McLaren, e ficou na quinta colocação até a bandeirada.
A exemplo do companheiro, Massa espera que a Pirelli não leve para o GP da Grã-Bretanha, dia 10, os mesmos pneus duros de Barcelona. “Apenas a Red Bull e a McLaren puderam utilizá-los sem dificuldades. As demais equipes não.” A Ferrari espera que a Pirelli opte pela primeira série de pneus duros, menos duros que a segunda, usada em Barcelona, e os médios, os mesmos que ontem foram classificados como duros.
Massa é mais contundente de Alonso para falar da definição do título: “O Vettel tem de aprontar muita coisa para não ser campeão”. Com 42 pontos, Massa é o sexto colocado, a 144 de Vettel e a 45 de Alonso.
Tags: Felipe Massa, Fernando Alonso, Ferrari, Fórmula 1, GP da Europa, Valência
25/VI/11
GP da Europa
Livio Oricchio, de Valência
A primeira tentativa de a FIA acabar com a hegemonia da equipe Red Bull nos treinos de classificação não funcionou. Sebastian Vettel estabeleceu ontem no circuito de Valência, na Espanha, a oitava pole position da Red Bull na temporada, em oito disputadas. E num traçado que não parece ser o melhor para seu carro. As novas regras não mudaram o cenário da Fórmula 1. Mark Webber, companheiro de Vettel, vai largar na segunda colocação. O primeiro adversário da Red Bull é Lewis Hamilton, da McLaren, terceiro, quase meio segundo atrás (405 milésimos).
“Ouvimos tanta coisa nos últimos dias sobre a mudança do regulamento. Disse que os resultados não seriam diferentes e aí está, vamos largar na primeira fila”, disse Vettel, sem esconder a satisfação com o que constatou ontem: a exigência de usar amanhã, na corrida, ao longo das 57 voltas no circuito de 5.419 metros, o mesmo ajuste eletrônico do motor, medida que estreia em Valencia, não afetou a Red Bull, como provavelmente acreditavam os responsáveis pela alteração da regra.
“Superar a Red Bull na classificação não dava para pensar. Mas em corrida vimos este ano que as coisas se comportam diferentes”, comentou o combativo Hamilton, que pensa ser possível, sim, vencer o GP da Europa. A Ferrari não está tão longe em condição de corrida, a exemplo do previsto por Hamilton para a McLaren. Fernando Alonso, do time italiano, registrou ontem o quarto tempo e Felipe Massa, companheiro, quinto. Massa comentou: “Esperava ficar à frente das duas McLaren e não apenas uma, depois do nosso desempenho nos treinos livres”. Jenson Button, da McLaren, se classificou em sexto.
Com a elevação da temperatura e o acúmulo de borracha no asfalto, decorrente das competições da GP2 e GP3 no circuito de Valência, os pneus mudaram de comportamento. “Passamos a sofrer um pouco com os médios. Com os macios somos bem competitivos”, falou Massa. Alonso explicou: “Vamos ter de usar os pneus médios o mínimo de voltas possível”. E fez uma confissão: “Na minha galeria de troféus só me falta um pódio aqui em Valência, Abu Dabi e um que não estreou, Índia. Seria muito especial para mim”. E nem está tão distante. Rubens Barrichello, da Williams, larga em 13.º.
Pilotos e engenheiros têm um desafio diferente hoje. Vão ter de disputar o GP da Europa com o mesmo ajuste eletrônico do motor utilizado ontem. Ao menos na classificação, a medida não reduziu a velocidade da Red Bull. E as 57 voltas da prova, hoje, deverão responder se em condição de corrida será assim também. Se for o caso, não adiantou a FIA gerar para si própria imenso desgaste ao alterar as regras: o projeto de Adrian Newey para a Red Bull é eficiente por causa da genialidade da sua concepção global.
Tags: Felipe Massa, Fernando Alonso, Ferrari, Fórmula 1, GP da Europa, Jenson Button, Lewis Hamilton, Mark Webber, McLaren, Red Bull, Rubens Barrichello, Sebastian Vettel, Valência, Williams
25/VI/11
GP da Europa
Livio Oricchio, de Valência
Fernando Alonso nunca escondeu que se existe um piloto que sempre admirou é Ayrton Senna. Mas há outro ponto que une o espanhol ao brasileiro, ambos dentre os maiores da história da Fórmula 1: os dois já se viram na frente de um japonês nas corridas, com resultados desagradáveis.
“Espero que desta vez não surja nenhum japonês para comprometer meu fim de semana”, disse Alonso, rindo, em Valência, onde hoje será disputado o GP da Europa. Senna comentou, bravo, depois da cerimônia do pódio do GP do Brasil, em Interlagos, em 1990, após ter sido terceiro: “A equipe tem de instalar um espelho maior para esse japonês (Satoru Nakajima, da Tyrrell)”.
Claro que nem todo japonês é mau piloto. O cada vez melhor Kamui Kobayashi, da Sauber, está aí para provar. Já cogitado pelas grandes equipes. E hoje Takuma Sato larga na pole position do GP de Iowa da Fórmula Indy. Mas é verdade, também, que as estatísticas mostram que a maioria não está dentre os mais capazes.
Senna, por exemplo, ficou louco da vida com Nakajima, na volta de Interlagos à Fórmula 1, em 1990, porque ao lhe colocar uma volta de vantagem, na curva do Bico de Pato, no momento que liderava, o japonês fechou a porta e tocou no aerofólio dianteiro da McLaren. Resultado: Senna teve de parar nos boxes e terminou terceiro quando poderia ter vencido. “Eu sonhava vencer em Interlagos”, confessou na época, um tanto inconformado em ter de esperar outra oportunidade, que vira de forma espetacular em 1991 e 1993.
Na estreia de Valência no calendário, em 2008, a alegria de Alonso e da maioria dos 80 mil torcedores durou cinco curvas. Depois da largada, Kazuki Nakajima, da Williams, filho do japonês que se envolveu no acidente com Senna, em São Paulo, tirou Alonso da corrida. “É duro aceitar”, afirmou o asturiano, quando regressava aos boxes.
Mas a sina do espanhol com japoneses em Valência não termina aí. No ano passado, o combativo Kobayashi realizou outra extraordinária prova, bem no seu estilo, vindo lá de trás, e ultrapassou Alonso na última curva, da última volta, para ser sétimo. “Aqueles dois pontos me fizeram falta no final do campeonato”, comentou o piloto da Ferrari, oitavo colocado em Valência em 2010.
É por isso que Alonso disse sexta-feira: “Espero que desta vez não surja nenhum japonês para comprometer meu fim de semana”.
Tags: Ayrton Senna, Fernando Alonso, Fórmula 1, GP da Europa, Kamui Kobayashi, Kazuki Nakajima, Satoru Nakajima, Valência
12/VI/11
Livio Oricchio, de Montreal

Os termos usados por Felipe Massa para definir o indiano Narain Karthikeyan, da Hispania, não podem ser publicados. O piloto da Ferrari disputou seu melhor fim de semana desde o início do ano passado e esteve bem perto do pódio até perder o controle do carro na 52.ª volta, bater no muro, e precisar trocar o aerofólio dianteiro. Caiu para 12.º e numa recuperação excelente chegou em sexto no GP do Canadá.
A última ultrapassagem, sobre Kamui Kobayashi, da Sauber, ocorreu na bandeirada, quando cruzou 45milésimos de segundo na frente do japonês.
“Ele é um ……”, disse Massa, repetindo o palavrão. “Eu estava com os pneus slick (pista seca) e ele permaneceu na trilha seca, muito mais lento. Para ultrapassá-lo tive de ir no molhado e era como guiar sobre o gelo”, disse Massa. “Perdi minha maior oportunidade de me terminar no pódio. O carro estava ótimo, embora com pneus de chuva escapasse um pouco de traseira.”
Em entrevista exclusiva ao Estado, sexta-feira, Stefano Domenicali, diretor da Ferrari, atribuiu a difícil fase de Massa, sem marcar pontos nas três etapas anteriores à de Montreal, por exemplo, a perda de autoconfiança (clique aqui para ler). Desempenho como o dos três dias no circuito Gilles Villeneuve, em Montreal, podem permitir que o piloto resgate o que Domenicali define como a causa de suas dificuldades. O italiano elogiou o trabalho de seu piloto.
Já o parceiro de Massa, o espanhol Fernando Alonso, não tinha cara de bons amigos. Um toque de Jenson Button, o vencedor, o lançou para fora da pista e da corrida. “Ele bateu com sua roda dianteira esquerda na minha traseira direita. Os comissários entenderam como incidente de corrida. Eu tenho a minha opinião.” Não a expressou, mas nem precisaria. “Choveu justo na pista onde não deveria, onde poderíamos ter vencido.”
Para quem largou em 16.º, como Rubens Barrichello, da Williams, classificar-se em nono representa um bom resultado. “Decidimos sempre certo sobre a hora e o pneu a ser utilizado. A entrada do último safety car me custou a sétima colocação.” Foi a segunda vez seguida que Barrichello termina nos pontos, pois em Mônaco também recebeu a bandeirada em nono. Assim, a Williams, a melhor equipe da década de 90, apesar de estar à frente apenas das três estreantes no ano passado, Virgin, Hispania e Lotus, começa a reagir, com os quatro pontos conquistados.
Tags: Felipe Massa, Fernando Alonso, Ferrari, Fórmula 1, GP do Canadá, Narain Karthikeyan, Rubens Barrichello, Williams
2013
2012
2011
2010
2009
2008
2007
2006