22/VII/11
Livio Oricchio, de Gelenberg, Alemanha
Não vou me estender muito. É quase uma hora da manhã deste sábado. Cheguei aqui, na casa da Marlene e do Heinz, às 23h20, mas a Marlene me veio perguntar sobre as fotos da casa que me viu tirar hoje de manhã. Quando lhe disse que redijo um diário durante os dois primeiros dias de GP e a citei, ficou curiosa.
Falamos um pouco também da atividade jornalística e, principalmente, da minha vida itinerante. É o oposto da sua e do marido, daí as perguntas. Creio deva ter uns 42 anos. Muito simpática. Contou-me ter nascido aqui mesmo e a casa ao lado pertence a seus pais. Compreendi o certo fascínio demonstrado com meus frequentes deslocamentos.
Enquanto sua vida é marcada pela rotina a minha é exatamente pela ausência de rotina. Ou, podemos dizer, as viagens definem a minha rotina. Há ocasiões que sinto falta de certo sedentarismo para realizar cursos, com o de piloto de planador, perto de casa, no sul da França.
Hoje a Ferrari ofereceu um jantar no seu belíssimo motorhome, imenso, vários andares, para os jornalistas brasileiros e argentinos. Felipe Massa esteve o tempo todo conosco enquanto Fernando Alonso, apenas no início. O Vincenzo é um artista na cozinha. Que nível de jantar! Um brodino de funghi porcini de entrada com uma delicada fatia de enguia no centro do prato, berinjela a parmegiana e, prato principal, Salmão ao forno. Mas tudo ricamente bem feito.
Vocês não têm ideia de como esses encontros acrescentam conhecimento. Sentei perto do Luca Colajanni, assessor de Imprensa do time, do Felipe e do Jaime, chefe de produção da Globo. Trocamos muitas idéias. Mesa quadrada, todos têm acesso a todos.
Normalmente aqui na região de Nurburgring jantamos num restaurante chamado La Lanterna, dos meus amigos italianos Maurizio e Giovanni. Acha-se na estrada de Kelberg para o circuito. Simples, mas como se come bem, amigos. A Fórmula 1 em peso vai lá.
Ontem, acabei não contando, depois de chegar na casa da Marlene e do Heinz, tomei aquele banho e saí para comer, morrendo de fome. Claro que segui direto para o La Lanterna, distante apenas seis quilômetros de Gelenberg. Maurizio e Giovanni me tratam com deferência. Ci penso io! (Deixa comigo!), costumam dizer a respeito do que vão me oferecer. Eles cuidam do cardápio. Depois de tantos anos conhecem meus gostos.
Quando entrei no restaurante, que tem várias áreas, por ser numa antiga propriedade, dei de cara com Kamui Kobayashi e sua bela namorada, Yu Abiru. Kamui é um garotão, ainda, extrovertido e este ano na condição de líder da Sauber está ainda mais acessível, atencioso. Resultado: comemos juntos.
E não é que o danado pediu um prato vazio ao garçon para literalmente roubar um pouco do meu gnocchi al gorgonzola? Adorou. Pediria hoje novamente, confessou. Conversamos sobre muita coisa, como por exemplo eu morar na França, em Nice, e ele estar deixando Paris, onde residia. Claro, enveredamos por Fórmula 1 também.
Antes de deixar o carro no estacionamento da Imprensa, hoje de manhã, depois de enfrentar o trânsito da entrada do circuito, fui reabastecer no posto do Jochen. Passei em frente à entrada principal e segui dois quilômetros adiante. O posto localiza-se nessa estrada que acompanha as edificações principais do autódromo, numa vila chamada Meuspath, onde me instalei na casa da dona Gertrud por muitos anos.
No posto há uma belíssima loja de miniatura de carros, especialmente de corridas. Me realizo diante do Porsche 917 da equipe de fábrica pilotado por Jo Siffert e Dereck Bell, ou da Ferrari 512 M, sua concorrente mas que raramente o vencia. Depois veio a 312PB, de Ronnie Peterson e Tim Schenken, lá também. A Porsche foi campeã do Mundial de Marcas em 1969, 1970 e 1971. Entrando na adolescência, esse período do Campeonato de Protótipos marcou minha vida.
Tenho uma miniatura da Lotus 72D de Emerson Fittipaldi, da temporada de 1972, adquirida lá na loja do Jochen que é uma preciosidade. Feita de metal, sua fidelidade aos detalhes é extraordinária.
No último GP do Brasil o mesmo chassi número 5 da Lotus 72D usado por Emerson Fittipaldi para ser campeão do mundo estava em Interlagos e pude ver com calma uma série de detalhes do projeto, como os freios in board, discos dentro do cockpit, a suspensão em barra de torsão, os radiadores laterais, tudo novidade na Fórmula 1 na época de seu lançamento, em 1970.
Vou contar uma história inacreditável envolvendo Emerson, esse carro, o mesmo chassi. A vivi no posto do Jochen há alguns anos. Saboreava vagarosamente os encantos da loja quando, de repente, detectei uma foto pequena, na vitrine, ao lado de uma das centenas, talvez milhares, de miniaturas. Esperei diminuir um pouco o número de clientes e chamei Jochen para me explicar o que representava aquilo.
Ele estava de pé, na foto, ao lado do Emerson, de macacão, que por sua vez tinha a Lotus 72 próxima. Mais: havia também na foto um galão de plástico vermelho. Jochen riu e me levou para fora da loja, na área do posto. Em seguida, atravessou a estrada de duas faixas comigo e chegamos a uma cerca de metal, baixa, com vegetação acompanhando-a.
Subimos um pequeno talude de terra coberta de grama para atingir a cerca. E o que não havia do outro lado? A grande reta do circuito velho de Nurburgring. Metros apenas à nossa frente. Jochen começou a explicar:
“Foi em 1973, durante um treino coletivo da Fórmula 1 aqui em Nurburgring. Eu estava ajudando meu pai no posto de combustível, ali, você está vendo, do outro lado da estrada, quando ouvi um barulho de um carro parando.” Jochen reproduziu o som característico.
“Ao longo dos anos você aprende a entender o que se passa do outro lado da cerca, na pista, só pela natureza do ruído”, disse-me. Ele ainda: “Aquele barulho era típico de quem ficou sem gasolina. Acabei de reabastecer um carro, atravessei a estrada, fui até a cerca e vi Emerson, o campeão do mundo, saindo do cockpit da Lotus. Gritei para ele: ‘Fique tranquilo, vou te ajudar. Volto já’. E fui até o posto, peguei esse galão de 25 litros da foto, enchi de gasolina e levei até a cerca.”
Jochen me falou que a pulou sem dificuldade. Até hoje tem apenas um metro e meio de altura. Naquela época, o bocal do tanque de gasolina dos carros era muito distinto do atual. Como nos demais modelos de Fórmula 1 era um tampa com rosca, como na maioria dos carros de série até há não muito. Emerson concordou em reabastecer o carro com aquela gasolina. Imagine isso hoje, amigos! O combustível era o mesmo das bombas. Mais importante: os espíritos estavam sempre desarmados. Desconfiava-se menos. Vivia-se mais.
Os monopostos de Fórmula 1 tinham motor de arranque e, óbvio, bateria bem maior das usada agora para alimentá-lo. Emerson voltou para o cockpit, acionou o motor de arranque e o motor Cosworth V-8 pegou. “Um barulhão, vendo de perto”, contou Jochen. A seguir, Emerson pisou na embreagem, comandou a alavanda de câmbio para inserir a primeira marcha e, fazendo tchauzinho, despediu-se de Jochen para regressar aos boxes. “Pedi para uma pessoa que assistia a tudo para tirar a foto”, disse-me o alemão.
Li ontem o aprovado pela FIA para a Fórmula 1 a partir de 2014 e o motor de arranque será obrigatório de novo. Usar fonte externa para acionar o motor será proibido. Ótimo. Se um piloto roda e deixar o motor morrer poderá voltar à corrida. Gosto dessa independência dos pilotos e carros. Não aprecio a profunda mobilização exigida hoje para colocar o carro em ordem de marcha.
Como disse, nossa história em Nurburgring tem outros desdobramentos espetaculares. Enquanto Emerson abastecia, o treino acabou. Não havia intercomunicação entre piloto e equipe por rádio. Essa tecnologia começaria cerca de 12 anos mais tarde apenas. Os carros das demais escuderias voltaram para os boxes, mas Emerson não. O processo de abastecer a Lotus e fazê-la funcionar tomou tempo.
Os mecânicos da Lotus entraram, então, numa van e deixaram os boxes para procurar o carro e trazê-lo de volta junto de Emerson. Era assim a Fórmula 1 da época. O próprio time saía à caça de seus monopostos e pilotos espalhados pelo imenso traçado de 22.835 metros. Também não existiam comissários equipados com rádio para informar à torre o que se passava nos inúmeros pontos da pista. Dá para imaginar uma competição às escuras?
O Barão, pai do Emerson, jornalista, era locutor da rádio Jovem Pan, na época. Contou-se que no GP da Alemanha viam os carros passar diante de si 14 vezes, número de voltas da corrida, e pronto. Não tinham noção do que ocorria no restante da pista. “Não dispúnhamos de imagens e computador. Víamos os carros se aproximando da bandeirada e narrávamos a chegada. Até então não tínhamos certeza de nada.”
Enquanto os mecânicos da Lotus realizavam sua volta de rastreamento do carro, Emerson regressou aos boxes e o levou para a área de trás, conforme orientação dos comissários. Para melhor compreensão do tempo necessário para completar os sinuosos 22 quilômetros de Nurburgring: no GP daquele ano, 1973, a melhor volta ficou com José Carlos Pace, da Surtees, com 7 minutos, 11 segundos e 4 décimos. Com uma van os mecânicos da Lotus levariam bem mais.
A disparidade fez com que integrantes da Lotus não encontrassem o carro e seu piloto, que estavam devidamente acomodados atrás dos boxes. Lembre-se, não havia rádio para comunicarem-se. Nem bem chegaram aos boxes, alguns de seus integrantes saltaram da van e saíram correndo na direção do treino a fim de pedir ajuda, pois na sua mente Emerson havia deixado o circuito e voado sobre o guardrail em algum ponto do desafiador, maravilhoso, mas perigoso traçado.
Nesse instante alguns mecânicos viram Emerson e a Lotus atrás dos boxes e foram chamar correndo aqueles que saíram desesperados na busca de socorro. O episódio havia sido esclarecido. E, melhor, com um final feliz.
Vocês acreditam nisso tudo, ocorrido durante testes da Fórmula 1 no velho Nurburgring, em 1973?
Quando ouvi, também não. O que fiz? Assim que regressei à sala de imprensa liguei para o Emerson. Mal comecei a contar a história e ele soltou aquela risada do outro lado da linha. Eu ia falando o que ouvira do Jochen e o Emerson não parava de rir. “Livio, é tudo absolutamente verdade.” E me deu mais detalhes da incrível experiência.
Eu tinha algo maravilhoso do ponto de vista jornalístico nas mãos. Voltei ao meu carro e fui procurar pelo Jochen. Com a confirmação do Emerson, o alemão ganhou minha confiança.
Jochen, podemos escanear a foto para eu redigir uma reportagem e utilizá-la para ilustrar? Perguntei. Na realidade, no local funciona o posto, a loja, não pequenos, e um hotel, também de sua propriedade, tradição da família. Integrada, acha-se ainda sua residência. Jochen me levou para dentro de casa para usar o scanner. Dei, na sequência, um fora daqueles de não se recompor facilmente.
Uma bela moça, jovem, se apresentou para me ajudar para reproduzir digitalmente a foto. Agradeci e tentando ser gentil e também por expressar o que sentia, comentei “Muito bonita a sua filha, Jochen.”. Foi duro ouvir: “É a minha mulher!”, em visível tom de reprovação ao meu inoportuno comentário, para dizer o mínimo. Saltar pela janela não adiantaria. Eu sobreviveria, pois era baixa.
Sair correndo pela porta de entrada e torcer para um daqueles imensos caminhões passar pela estrada bem no instante que a atravessava foi uma opção considerada com ansiedade para me autoextinguir. Acabei escolhendo uma espécie de autoflagelação silenciosa, interna, contundente, virulenta, quase mais mortal que uma das cenas dramáticas que imaginei para me punir exemplarmente.
Atenuado o choque da explosão da bomba de neutros dentro de mim, enviamos a foto do computador da ESPOSA e não filha do Jochen para meu e-mail. Agora era, como sempre digo, a parte mais fácil da história: sentar e escrever. Exatamente como acabei de fazer nesse momento também. E foi o mesmo Jochen que hoje cumprimentei ao reabastecer meu carro no seu post. Claro que lembrou de mim. Só não estou certo se por causa da história que escrevi e depois lhe enviei ou por ter confundido a bela moça com sua filha em vez de esposa.
É, amigos, passagens de Nurburgring…
Vou dormir. Amanhã tenho de ir cedo para o autódromo. A conexão da linha da rádio Estadão ESPN para a transmissão da corrida está menos estável do que precisamos. Tenho de resolver.
OK, vocês venceram. Garanti lá na primeira linha, ainda, descaradamente, que escreveria pouco. Menti, tudo bem, assumo! Mas meio sem querer, pô! Eu nunca havia contado essa história nesse nível de detalhamento. No Estado a reportagem teve 30 linhas apenas. Foi ficando gostoso resgatá-la dentro de mim e a coisa fluiu, fluiu… Se eu puder vou até lá no posto do Jochen e na cerca da pista velha tirar umas fotos para colocar no ar, combinado? Um forte abraço, amigos.
Bonne nuit!
PS: fotos inseridas no começo deste post
Tags: Dereck Bell, Diário de Bordo, Emerson Fittipaldi, Felipe Massa, Ferrari, Fórmula 1, Jo Siffert, Jochen Mass, José Carlos Pace, Kamui Kobayashi, Lotus, Luca Colajanni, Meuspath, miniaturas, motorhome, Nurburgring, Porsche, Ronnie Peterson, Sauber, Surtees, Tim Schenken, Yu Abiru
21/VII/11
Livio Oricchio, de Nurburgring
A partir do momento que telefono para a operadora de táxi, no máximo em dez minutos o motorista está na porta do edifício que resido, em Nice. São três, essencialmente, os caminhos para ir ao aeroporto localizado sobre um aterro, semelhante em conceito ao Santos Dumont, no Rio: a autoestrada, cortando a cidade pelo norte, uma via expressa por entre bairros, e o meu favorito, a Promenade des Anglais, avenida que acompanha a orla da baía de Nice, com o Mediterrâneo e suas cores ao meu lado. Um dia vários tons de verde, outro, de azul. Bonito.
No máximo pago 30 euros. A maioria dos motoristas é cortês, utiliza carros Mercedes bem conservados e limpos. Curiosamente, se você embarca num táxi na fila do aeroporto, como faço com regularidade, na volta dos GPs, e digo para onde desejo ir, quase todos bufam, reclamam para si próprios, em francês, lógico, e não escondem a irritação. Não querem uma corrida de 30 euros, apenas, diante de poder receber 100 para o deslocamento até Mônaco, distante 30 quilômetros, ou 120 euros a Menton, um pouco mais para a frente, na fronteira com a Itália. Todas cidades litorâneas.
Voo Lufthansa 1059, de Nice a Frankfurt. Uma hora e meia. Decolamos, acentuada curva à direita, imediatamente depois de deixar o solo, para desviar da montanha no limite da orla e, na sequência, proa leste, acompanhando as praias. Em 15 minutos percorremos 200 quilômetros e abaixo de nós está a cidade de Gênova. Curva à esquerda, cruzamos o fim dos Alpes Marítimos e entramos no vale do rio Pó, no norte da Itália. Outros 10 minutos e vejo Milão, Como, o lago, Lugano, já na Suíça. Começa a travessia dos Alpes. Ainda há picos nevados apesar do calor na Europa. Estão a mais de 3 mil metros.
Os Alpes terminam, nessa rota, em pouco mais de 10 minutos. Estamos nivelados a 30 mil pés (cerca de 9 mil metros) e cruzando 460 nós (840 km/h). À minha direita está Stuttgart. Leve curva à esquerda e entramos na final de Frankfurt.
Vocês deram corda para eu escrever, agora aguenta. Não deixaria de falar de aviação. Só para rimar, uma paixão.
O Mercedes Classe B 180 alugado na Europcar vai custar 311 euros, de hoje, quarta-feira, 14 horas, até segunda-feira, no mesmo horário. Tenho tarifa especial com Europcar. Há muitos anos fiz um trabalho para a Ferrari, para um livro, eles alugaram um carro para mim na Europcar, empresa em que a Ferrari tem participação, e até hoje consigo descontos, sem que eu diga nada. Às vezes a atendente lê algo na minha ficha, não sei o que é, e diz para mim: “Oh, Ferrari!”. Eu apenas emito um sorriso do tipo… “e você não viu nada”. Ainda bem, porque não teria mesmo nada para ver.
Logo depois do estacionamento das locadoras no aeroporto de Frankfurt há um acesso para a autoestrada A3. Pode-se ir ao norte, na direção de Colônia, ou ao sul, Damstadt. Fiz meu plano de viagem através da A3 até Koblenz e planejei sair à direita na E48 direção de Trier para deixar a estrada na saída para Ulmen. Aí tomaria uma estradinha local até Nurburgring.
Enquanto estive na A3, cerca de 100 quilômetros, choveu o tempo todo. Vim ouvindo a rádio Classic. Fui educado com música clássica e freqüento com regularidade o Nice Opera. Há bons espetáculos e os preços não são altos. Tudo bem na viagem até entrar numa zona de obras na A3, já próximo à saída para Koblenz. Havia uma fila de caminhões interminável. O respeito é máximo: não saem da direita. A A3 estava apenas com duas faixas em razão dos trabalhos de recapagem.
E não é que diante da barreira dos caminhões passei direto pela saída? Tudo bem, encostei o carro num posto quilômetros à frente e com o meu supermapa da Alemanha (adoro mapas e raramente uso GPS) estudei uma alternativa. Lembrei-me de Bonn, mais adiante. Já havia chegado a Nurburgring via Bonn. E afinal de contas estamos falando da cidade de ninguém menos de Ludwig van Beethoven. A cidade onde nasceu é aberta à visitação. Ao lado de Wolfgang Amadeus Mozart estão entre os meus compositores favoritos.
Estava com tempo. Quer saber? Vou entrar na cidade. Parei para comer numa daquelas casas de pães que me encantam na Europa. Aprecio pães. Vi no meu mapa que teria de sair pelo sul, através da 565 na direção de Meckenhm e depois tomar a vicinal 257 para Adenau. Esse caminho é muito bonito, com um pequeno afluente do Reno, que corta Bonn e Koblenz, ao lado da estradinha. Até Nurburgring são cerca de 80 quilômetros.
Meu destino, na realidade, hoje, não era o autódromo. Até por que a sala de imprensa estava fechada. Meu objetivo maior era chegar na nova guest house. Decidi não mais me instalar na casa da simpática dona Gertrud e seu ciumento marido Theodor. Um grupo de cidadãos há anos fica por lá também e há dois anos experimentei uma situação constrangedora. Dois desses homens – bem-sucedidos profissionais – vêm à Alemanha apenas para o GP. E formam um casal.
Até aí não tenho nada a ver com isso. Em termos, também. Em especial se o seu quarto se encontrar dentro da zona de interferência sonora, ainda que distante, do deles. Não há hoteis na região. Os que existem são bem pequenos e há anos têm sua clientela. Lembro-me de em 2009 lamentar a falta de estrutura ao redor do circuito.
Este ano o desafio foi localizar Gelenberg no mapa. Nem no meu supermapa da Alemanha não achei. Parei num hotelzinho em Adenau, distante 9 quilômetros da pista, e seu proprietário abriu um mapa da região, disposto a me auxiliar. Acredite: não encontramos. Liguei para a senhora que ofereceu a casa, Marlene, como tantos fazem por aqui. Ela arrastava-se no inglês mas deu para compreender que eu deveria procurar por Kelberg e só depois por Gelenberg.
Eu já viajava há quase quatro horas. A chuva dava sutis tréguas para voltar forte na sequência. O termômetro do carro indicava, às 17 horas, 14 graus. Bem mais quente que no dia anterior, segundo a minha amiga Heike Feldkamp, alemã, coordenadora da Hispania. Ontem, antes de arrumar a mala, em Nice, liguei para ela por saber que desde a terça-feira estaria em Nurburgring.
Heike me contou que estava congelando. Não passou de 10 graus na terça-feira. Agora são para mim 00h30 da quinta-feira. Estava gravando para a rádio Estadão ESPN lá fora, por causa do sinal fraco do celular, e a temperatura deve estar na casa dos 10 graus. É Nurburging, senhores. E estamos no meio do verão.
Em 1995 inventaram de realizar a corrida dia 1.º de outubro. O que aconteceu? Na madrugada de sábado para domingo nevou, o warm up foi cancelado e por pouco a corrida também. Frio de verdade.
Onde estava mesmo? Ah, depois que cheguei em Kelberg, sem dificuldade, não encontrei uma única indicação para Gelenberg, onde me aguardavam. Uma senhora, funcionária de um mercadinho, me orientou como chegar a Gelenberg. Ao me aproximar compreendi a razão de não constar no mapa. Senhores, a vila tem umas 20 casas, todas elegantes, grandes, típicas, mas é isso.
Dona Ruth me esperava na porta da casa 11 da Ringstrade. Mas para dizer que minha guest house não era aquela, e sim 150 metros mais à frente. Lá fui eu. Heinz me recebeu com cordialidade. Aqui poucos alemães falam inglês. É uma exceção neste país notável. Mas logo em seguida chegou sua esposa, Marlene, que trabalha em Bonn, num banco.
Amigos, nunca me instalei tão bem por estas bandas. Quarto e banheiro são espaçosos, limpos, bem agradáveis. Galvão Bueno também tem belas histórias sobre acomodações em Nurbugring, em especial nos anos 80. A casa do Heinz e da Marlene é grande, bem distribuída e preservada. Está batendo aquele sono. Não tenho como colocar no ar este texto porque não há internet na casa. Marlene me explicou que a população há muito reivindica melhoras na estrutura de comunicação da região.

A residência da Marlene e do Heinz, onde estou hospedado, e o carro alugado. É uma típica casa da fria região. Dá para ver a cor do céu, cinza, predominante aqui, apesar do verão
Não sei se foi por causa do inglês da Marlene, mas o preço que me falou que cobrará não está batendo: 28 euros por dia e com café da manhã, até porque aqui não haveria mesmo onde tomar. Bem, talvez amanhã de manhã eu compreenda melhor. E conto para vocês. Combinado?
Boa noite. Ou melhor, bom dia, pois o texto estará disponível pela manhã a vocês. Deve ter passado erro no texto, escrevi rápido e não vou revisar por causa do sono. Dão licença a meus atenuantes?
Au revoir!

Há muitas casas de madeira também. O aquecimento, imperioso aqui, é por vezes através da queima de lenha, abundante na região, para uma caldeira. O gás custa caro
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07/VII/11
Amigos, obrigado pelos comentários. É muito bom saber que há quem aprecie dividir esses momentos de maior proximidade conosco. Acredite: é tão prazeroso quanto vivenciar isso tudo nas viagens. As fotos estão acima.
Combinamos de sair às 10 horas, hoje de manhã, e eu me apresentei ao grupo exatamente às 10 horas. Permaneci um bons minutos ao vivo na rádio Estadão ESPN com os simpáticos Leandro e Vanessa e, quando me dei conta, o pessoal esperava já no carro.
Da casa do Mike até o circuito temos algumas opções de deslocamento. A principal é a autoestrada, construída depois do fiasco da edição de 2002, creio, disputada propositalmente em abril, época das chuvas freqüentes, a estrada antiga, A43, com uma faixa que vai e outra que vem, e as que acompanham os limites de propriedades, estreitas, por dentre áreas de pastoreio.
A mais rápida, em condições normais, é a A43. Até 2002, se não me engano, era a única via de acesso ao autódromo de Silverstone. Imagine que para o tráfego de um dos lados entrar no circuito era necessário paralisar o corso do outro lado. E vice-versa.
Em 1996, estava hospedado em um hotel na maior cidade da região, Northampton, com meu amigo Lemyr Martins. Cronometramos o tempo perdido do hotel ao estacionamento da imprensa: 4 horas e 5 minutos. Distância? Cerca de 25 quilômetros. A partir daí passei a me instalar em guest houses próximas à pista.
Por muitos anos me hospedei na casa da Helen, mãe de Jonathan, integrante do marketing da Williams. Sábado à noite no fim de semana do GP Helen e o marido costumam fazer um churrasco inglês. Distinto do que estamos acostumados, mas agradável. Patrick Head, sócio e diretor de engenharia da Williams, sempre estava por lá. E contava-nos várias histórias.
Uma delas foi a bronca que deu em Nigel Mansell, no GP do Canadá de 1991. Redigi reportagem sobre os 20 anos do evento agora, na prova de Montreal, com personagens daquela época. “Eu disse ao Nigel, não pare de acelerar, o alternador não vai recarregar a bateria. Eu o via acenando para o público, acreditando que a vitória estava definida, e eu louco da vida, no muro dos boxes. Quando vi o carro não reacelerando, na saída do hairpin, dei um grito, mas era tarde.”
Com tantos recursos eletrônicos como havia naquele modelo de Fórmula 1, e sabendo-se que sua bateria era bastante diminuta, o alternador necessitava de um regime elevado de giros do motor para manter a bateria ativa. Mansell percorreu a última volta muito devagar. E o trecho final da pista tão lento que o Williams ficou sem energia elétrica e desligou todos os circuitos.
Helen passou a cobrar valores não compatíveis com a realidade econômica de ninguém, em especial para o que oferecia. Não pude mais ficar lá. Assim como muitos.
Enganam-se os que pensam que ingleses, alemães, franceses são essencialmente ricos. Têm, como regra, bom padrão de vida, mas não desfrutam das benesses que vários brasileiros pensam. No caso do Mike, por exemplo: o dinheiro arrecadado nesse período, pelo que posso compreender, investe na reconstrução de veículos antigos e clássicos que mantém na sua garagem, a exemplo de um Bentley extraordinário.
Como a agenda do autódromo reúne vários eventos importantes, Mike tem hóspedes com regularidade. Não cobra muito pelos quartos: 58 libras por noite, ou cerca de R$ 180, com um pequeno café da manhã. Para o padrão do exigido nos períodos de GP nos entornos das pistas não se trata de um valor elevado. Pelo contrário. Em Cingapura e Montreal, por exemplo, qualquer hotel não cobra menos de o equivalente a mil euros, algo como R$ 2.500 pelo pacote de cinco noites.
Deixa eu contar uma experiência que tive na A43 em 1992. Eu e Nilson Cesar, locutor da Jovem Pan, estávamos pacientemente aguardando, fora do carro, a fila se deslocar no dia da corrida. Havia tempo não saíamos do lugar. Atrás de nós estava Mika Hakkinen, piloto da Lotus.
Como o velho, bom e saudoso warm up estava por começar, nós não nos mexíamos e a faixa do lado, de quem vem no outro sentido, estava livre, Hakkinen pediu a um motociclista que estava na fila – imagine se no Brasil eles respeitariam uma fila de carros – uma carona, pois iria perder o treino de aquecimento.
O rapaz concordou. Com o finlandês como passageiro, o motociclista se deslocou lentamente, próximo aos veículos, com prudência, a fim de dar passagem a quem eventualmente viesse no outro sentido. Soube depois pelo próprio Hakkinen o que aconteceu.
Os policiais interceptaram a moto já perto da entrada do autódromo e levaram o motociclista e o piloto da Lotus para a delegacia. Só depois de a equipe intervir, Hakkinen foi liberado para voltar ao circuito a fim de disputar a corrida. “Prenderam, no entanto, meu passaporte”, contou-me.
E naquela época o telefone celular era raro e não funcionava direito. Lembro-me de o finlandês me contar sobre a dificuldade de, na delegacia, fazer contato com o pessoal da Lotus, já que eles deveriam estar meio sem saber o que pensar com a ausência do piloto no warm up.
Hoje, no autódromo, fomos conhecer as novas instalações dos boxes e da sala de imprensa. Gastaram 27 milhões de libras, quase R$ 70 milhões, e não estou certo de que não terão de rever parte do trabalho realizado, em especial a entrada e saída dos boxes. Escrevi sobre isso, hoje, num post.
Apesar de alguns quartos na casa do Mike terem seus próprios banheiros, como o meu, enfrentamos um problema: a água quente, imprescindível nesse frio, existe apenas nos dois banheiros sociais, um no térreo e outro no andar superior. Mas somos muitos na casa. Cinco para ser mais preciso. Seis com o dono.
É preciso agendar os horários do banho. E é bom não ser demorado para que o último não fique sem água quente. Mike reside sozinho e para suas necessidades a estrutura de que dispõe é mais que suficiente. Mas quando a casa fica cheia… Felizmente nosso grupo é bastante solidário.
O que não era o caso de um amontoado de cidadãos que nos anos 90 se instalava em Varennes-Vauzelles, acho que é essa a grafia, na França, perto de Nevers. O GP em Magny Cours era o mais sem estrutura do calendário. Havia um único banheiro na casa onde ficávamos e a solidariedade das pessoas era zero. Obviamente caí fora.
No ano seguinte solicitei ao serviço de turismo da região um local para me hospedar, pois houve um cadastramento para quem desejasse receber profissionais ligados à Fórmula 1. Eu me apresentei no centro de turismo, em 1993, conforme o combinado por fax, a Internet engatinhava, e me levaram a uma fazenda de gado charolês, abundante na área, dentre as propriedades escolhidas para hospedar interessados.
Lugar lindo, campos de girassol, trigo, mas com um probleminha: o quarto era sobre o estábulo. Havia um vão entre as réguas de madeira do piso e podíamos ver os animais embaixo. Para não comentar o cheiro.
A própria moça do serviço de turismo ficou horrorizada e se perguntava como a fazenda havia passado na seleção. Imaginamos os reprovados! Por sorte, minha grande amiga Ruth Muller, suíça, levou-me para seu hotel, onde havia vaga, numa diminuta cidade medieval, distante cerca de 50 quilômetros, parada no tempo. Inacreditável o lugar: Bourbon-L’Archambault. Total de habitantes: 900. Quase tudo na vila ainda é como há 700 anos. Acredite!
Bem, voltemos para Wood Burcote, próximo a Silverstone. Hora de dormir. Amanhã minha senha para o banho é a primeira. Estou ansioso com o que pode acontecer na pista sem o escapamento aerodinâmico. Boa noite a todos.
Abraços!
Tags: Diário de Bordo, fotos, Inglaterra, Wood Burcote
Livio Oricchio, de Wood Burcote
1590. Essa é a data de construção da casa em que me encontro, agora, em Wood Burcote, próximo ao circuito de Silverstone. Passa da meia noite. Quinta-feira, portanto. Há na casa vários quartos, salas, ampla área externa, garagem com carros antigos em reparação. Localiza-se no meio de propriedades rurais.
Faz frio. Não mais de 10ºC. Venta forte e cai aquela típica garoa da região. É o verão inglês. A primeira vez em que cá estive foi em 1978, como espectador. Como jornalista, em 1989. Desde então não perdi mais um GP da Grã-Bretanha. Amo intensamente este lugar. A atmosfera no autódromo é única.
Várias ocasiões fui assistir aos treinos livres junto do torcedor, nas arquibancadas ou sobre as vastas áreas de grama espalhadas pela pista. Chama muito a atenção o entusiasmo do inglês pelo automobilismo e o seu grau de conhecimento. Não há nada similar no mundo.
Foi aqui mesmo, em Silverstone, que ouvi de Ayrton Senna, em 1989, que “o GP da Grã-Bretanha é disputado em meio às ovelhas”. Até hoje o cenário é exatamente o mesmo. Enquanto o entorno do Circuito da Catalunha é o que mais se modificou desde a estreia na Fórmula 1, em 1991, o de Silverstone quase nada foi alterado nesse período.
Mike é o proprietário da casa, engenheiro especializado em energia nuclear aplicada em submarinos. Ele pede para não pularmos aqui no andar de cima por não saber o que pode acontecer. As vigas de madeira são as mesmas da construção da propriedade. Impressionante. Há alguns anos passei um dia inteiro na Renault, em Enstone, não distante daqui, e me hospedei num pequeno hotel cujo prédio era de 1475, ou seja, de antes da descoberta do Brasil.
Estão aqui, cada um num quarto, Tatiana Cunha, da Folha de S.Paulo, Luis Fernando Ramos, o Ico, do Lance! e da rádio Bandeirantes, Felipe Motta, da rádio Jovem Pan e do site TotalRace, e Kethy, um jornalista chinesa de 24 anos que pela primeira vez começou a sair de seu país para descobrir o mundo. Imagine como ela se sente com essa enxurrada de valores novos e radicalmente distintos de tudo o que viu na vida até agora. É inteligente, interessada e está aprendendo muito.
Nesta quinta-feira coloco no ar as fotos do local que farei antes de ir para o autódromo. Havia já pouca luz quando cheguei, hoje.
Com o carro alugado, saímos do aeroporto de Heathrow às 16h30 e às 18h30 estávamos aqui. Direção M25 Norte e então M40 sentido Oxford, com saída para Silverstone na junção com a A43. Cerca de 150 quilômetros de deslocamento.
Da casa até o circuito são cerca de oito quilômetros e há um caminho por entre os pastos de gado ovino e bovino que nos deixa na porta de Silverstone. Nesta quinta-feira iremos conhecer os novos boxes, paddock e sala de imprensa. Pelas fotos que vi ficou funcional e bonito.
Mas Bernie Ecclestone vai continuar reclamando da corrida aqui. Não é difícil compreender a razão. Trata-se do GP que paga a menor promoter fee do campeonato, ou a taxa do promotor. Menos até mesmo de Mônaco.
Estima-se que seja apenas 5 milhões de libras, ou cerca de 6 milhões de euros. Pelo que se sabe, Mônaco passou a pagar, este ano, o dobro, 12 milhões. E nações mais recentes como Bahrein, Coreia do Sul, Índia, pagam a bagatela de 30 milhões de euros por edição do GP.
Cheguei há pouco do restaurante. Fomos jantar no famoso Rice Bowl, comida chinesa, em Towcester, mais ou menos três quilômetros da casa do Mike até lá, pela estradinha que corta os pastos. A primeira vez que ouvi falar no Rice Bowl foi ainda em 1989. Quem nos indicou foi Ayrton Senna.
O vi várias vezes lá, sempre na mesma mesa, mais retirada um pouco, com sua turma. Dentre eles, claro, Galvão Bueno. Nunca jantei com o Ayrton, ao menos informalmente, apenas nos eventos profissionais. Mas foi aqui em Silverstone, em 1989, que pela primeira vez conversei com o Ayrton, sem aquela barreira jornalista-entrevistado.
O prato de hoje foi o recomendado pelo Ayrton em 1989: pato. Crocante, saboroso, macio, acompanhado de discos com massa de panqueca, uma verdura e arroz frito. Absolutamente delicioso. Pena que hoje eu não comi o pato.
Explico: o Rubinho, Rubens Barrichello, nos convidou para jantarmos juntos lá no Rice Bowl. Refiro-me a essa turma que está na casa. Estavam com ele o Felipe Massa e o Pietro Fantin, menino de 19 anos que estreia este ano no automobilismo, na Fórmula 3 britânica.
Como eu precisava escrever para o jornal, cheguei mais tarde, quando eles estavam terminando de comer o pato. Pedi hoje frango com limão. Come-se muito bem no Rice Bowl.
O Rubinho é muito divertido nesses encontros. Hospeda-se no seu requintado motorhome, estacionado ao lado do paddock. O Felipe está num hotel um pouco mais retirado e chegou com uma linda Maserati que a Ferrari disponibiliza para seus pilotos nos fins de semana de corrida. Os dois contaram cada história.
Falaram muito de uma competição que participam pela internet. Sobre Fórmula 1, bem pouco. O que cada um acha que vai acontecer no fim de semana, o frio, a possibilidade elevada de chuva até sábado, por exemplo.
Bem, tá batendo um soninho… quase não dormi no voo de São Paulo a Zurique e depois para Londres. Vou desligar. O texto já está grande demais e acredito que a maioria não o vai ler até o fim.
Como faço sempre, preciso ler antes de dormir. Gosto intensamente do tema Segunda Guerra Mundial. Já li várias publicações a respeito. Leio agora um livro chamado Dresden. Quem se interessa pelo conflito sabe que o ataque aéreo aliado à cidade alemã de Dresden, em 13 de fevereiro de 1945, destruindo-a por completo, não teve fins militares. Isso é o que se diz.
Frederick Taylor fez um estudo profundo da questão utilizando documentos raros e tomando vários depoimentos para tentar explicar melhor o que parte dos próprios aliados condenou na época. Quem gostou foi o povo inglês, em especial. Por se tratar do que pareceu ser uma revanche dos ataques aéreos alemães sobre Londres e, na época, fim já do conflito, das temidas bombas V1 e em especial a V2, capazes de aniquilar quarteirões da cidade inglesa.
Mike me disse que sua mãe, de 90 anos, quando soube que não sobrou pedra sobre pedra de Dresden, esfregou as mãos de satisfação, a exemplo de milhões de britânicos. O livro conta as várias nuanças dessa história.
Boa noite, amigos. Nos falamos, agora, da nova sala de imprensa de Silverstone.
Abraços!
Tags: Ayrton Senna, comida chinesa, Diário de Bordo, Felipe Massa, Fórmula 1, frio, GP da Grã-Bretanha, pato, restaurante, Rice Bowl, Rubens Barrichello, Towcester, Wood Burcote
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