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11/VI/11

Livio Oricchio, de Montreal

  As características dos 4.361 metros do circuito Gilles Villeneuve, em Montreal, sem curvas de alta velocidade, e a previsão de chuva e vento forte para hoje, na corrida, fazem com que, segundo o autor da pole position do GP do Canadá, Sebastian Vettel, da Red Bull, “a prova seja a mais difícil até agora, este ano”.

  A exemplo de sexta-feira, a Ferrari mostrou que pode vencer pela primeira vez na temporada. Fernando Alonso larga em segundo e Felipe Massa, terceiro, os dois a 203 e 185 milésimos do tempo registrado por Vettel. “Costumava ser superior a um segundo”, lembrou Alonso.

  “Essa não é a melhor pista para nós. Desde o primeiro treino deu para ver que a Ferrari seria forte concorrente aqui em Montreal”, afirmou o alemão da Red Bull, autor da sexta pole em sete disputadas este ano, a 21.ª na carreira. “Mas nós também estamos na luta. Pena Mark (Webber, seu companheiro) ter enfrentado problemas no Kers (sistema de recuperação de energia)”. Webber, sem o Kers e seus 80 cavalos extra de potência, obteve o quarto tempo, ontem.

  Se para o diretor da Ferrari, Stefano Domenicali, a falta de melhores resultados de Massa decorre da perda de autoconfiança, o ótimo treino de ontem pode lançá-lo a outra realidade, ou seja, resgatar o melhor de si. Massa larga em terceiro, tendo sido apenas 18 milésimos mais lento que Alonso. A diferença média entre ambos, em geral, é de meio segundo. “Desde a primeira saída o carro se mostrou rápido, fácil de guiar. Cabe a nós, agora, aproveitá-lo, seja no molhado, como preveem, ou no seco.”

  A última vez que Massa foi para a entrevista coletiva, reservada aos três primeiros, ocorreu no GP da Itália do ano passado, quando largou em terceiro também, em Monza. As 70 voltas da corrida, hoje, serão “completamente imprevisíveis”, disse. “Esperamos chuva, as grades ficam ao lado da pista, vimos várias bandeiras vermelhas no fim de semana (interrupção do treino), decorrentes de acidentes, safety cars, será uma longa prova e não fácil.” Alonso foi mais incisivo quanto às chances da Ferrari: “Temos condições de vencer”.

  Apesar de Lewis Hamilton e Jenson Button, a dupla da McLaren, terem se classificado em quinto e sétimo, Alonso acredita que ambos entrem também na luta pela vitória, hoje. “Eles costumam registrar sempre algumas das melhores velocidades nas retas e aqui não foi o caso”, comentou. “Lewis e Jenson devem ter acertado o carro para a chuva, amanhã (hoje), o que os tornaria muito velozes no asfalto molhado.”

  Se a opção da McLaren foi pela chuva, hoje, a da Mercedes pode lhe ser favorável na eventualidade de pista seca. “Tanto Michael (Schumacher) quanto Nico (Rosberg) têm um jogo de pneus supermacios novos, sem uso”, explicou Ross Brawn, diretor técnico da Mercedes. Rosberg larga em sexto e Schumacher, oitavo. Rubens Barrichello, da Williams, teve um problema no disco de freio dianteiro direito e não foi além da 16.ª colocação. O GP do Canadá começa às 14 horas, horário de Brasília, e será transmitido ao vivo pela TV Globo.

Abaixo, a reportagem para a rádio Estadão ESPN – clique e ouça!

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09/VI/11

Livio Oricchio, de Montreal

O paddock do circuito Gilles Villeneuve é único. Estende-se por cerca de 200 metros, paralelo à raia onde foram disputadas as competições de remo na Olimpíada de 1976, em Montreal. É uma faixa estreita. À direita de quem se desloca para os últimos boxes, na direção da chicane da entrada da reta de largada, encontram-se os espaços reservados às equipes, apoiados em estrutura sobre a água. À esquerda, os boxes e sua área posterior. Tá na hora de eu colocar fotos no blog. Amanhã.

Caminhando em frente onde se encontra a Ferrari, vê-se na parede da edificação sobre os boxes, destinada aos camarotes, um grande e lindo poster de José Carlos Pace. Sua face e a Brabham-Alfa Romeo BT45 de 1977, vermelha, equipada com motor Alfa Romeo e patrocinada pela Martini.

Estava na arquibancada de Interlagos, em 1977, na reta dos boxes, no ponto onde hoje é a entrada dos boxes. Lembro-me bem. Confesso que ver aquele imenso poster, com uma qualidade de impressão impressionante, me tocou. Pace duelou com James Hunt, da McLaren, no início, naquela prova. Nós nos levatávamos a cada passagem na reta. Essa corrida foi a que o asfalto se soltou na curva 3, no fim do retão, e me parece que nove pilotos se acidentaram lá.

Outra época, eu estudante de Medicina Veterinária da USP, mas já contaminado - aliás desde muito cedo – pelo vírus do automobilismo. Não podia dar outra coisa: cá estou, na sala de imprensa de Montreal, depois de uma excelente entrevista, mais um bate papo, diria, com Monisha, a CEO da Sauber.

Bem, um aguaceiro bravo como o de ontem se aproxima. Já enviei o texto de amanhã do Estado – recomendo a leitura, a história é bem legal - incrivelmente a rádio Estadão ESPN não me chamou, apesar de ter um repórter do local do evento… Hora de ir até a ponta da raia, uns 300 metros, e deixar o circuito com a navete da imprensa. Depois é só parar perto da estação de metrô para ir ao hotel. Alugar carro aqui não ajuda em nada. 

Hoje vou jantar na Old Montreal. Há restaurantes ótimos lá. E sábado, claro, desfrutar do período de lagostas por estas águas. São deliciosas e não custam muito. Recomendo. Até amanhã, pessoal.

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09/VI/11

Livio Oricchio, de Montreal

Bom dia.

Escrevo da sala de imprensa do circuito Gilles Villeneuve. Há três anos usávamos uma sala que era inacreditável. Imagine mais de 300 pessoas em duas salas de, vamos dizer, 20 m por 10 m, com mesas, equipamentos, banheiros… impensável. Agora estamos num ambiente bem maior e no nível do paddock, o que é raro e ótimo.

De onde estou, se me levantar, vejo a passagem dos carros na curva logo depois da linha de chegada. Mas temos monitores por todo lado também.

Acabei de marcar os três lugares de praxe: para mim, Luis Vasconcelos, excelente jornalista português, e o italiano Roberto Chinchero, da Autosprint. Sentamos sempre próximos. Excepcionalmente não cobram pela internet no GP do Canadá. Em geral, pagamos cerca de 200 euros pelos quatro dias no circuito. Aqui não, e funciona bem.

Nesse instante, 10h45 para mim, em Montreal, 11h45 no horário de Brasília, há nuvens negras, densas e baixas sobre o autódromo. Posso chamá-lo assim? Já choveu há cerca de uma hora.  Ontem à noite, disse-me a amiga Heike, da Hispania, o vento era tão forte na pista que algumas equipes tiveram de sair correndo atrás de equipamentos que voaram. Dá pinta, agora, de pode ocorrer o mesmo. Tomara que não.

Vim de metrô. Uma estação apenas. Passamos por baixo do rio São Lorenzo e desembocamos já na ilha de Notre Dame, em cujo perímetro se estende o traçado sem graça de 4.361 metros. Por que sem graça? Não gosto de pista onde não haja pelo menos uma seção de curvas de alta velocidade. Aqui é tudo acelera, freia, acelera, freia. Claro, tem seus desafios, como administrar o desgaste de freios e pneus, em especial este ano, mas é diferente do que se exige dos pilotos em “S” de alta, por exemplo.

Da saída do metrô para cá, do outro lado da ilha, é uma bela caminhada. Em geral a navete que serve os jornalistas e vem da cidade para a fim de nos transportar. Ou se alguém te reconhece lá, onde os carros passam quase parando, como regra param e te trazem para onde estou, no paddock.

Este ano foi a van da Lotus. O Luiz Razia estava na van e solicitou que parassem. No ano passado, quem me trouxe foi o Nick Heidfeld, sem equipe, ainda, apenas piloto reserva da Mercedes. Estava inconformado e expressou sua decepção comigo. É uma figura simples, despojada.

A coletiva vai começar. Vou correndo para lá. Até mais tarde. Abraços!

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