24/VII/11
GP da Alemanha
Livio Oricchio, de Nurburgring
Nas primeiras etapas do campeonato, Sebastian Vettel e Mark Webber, a dupla da Red Bull, impuseram diferenças desmoralizantes para os adversários nas definições do grid. E até agora, nas dez sessões de classificação realizadas, conquistaram todas as pole positions. Até a primeira metade da temporada, o GP da Grã-Bretanha, nono do calendário, Vettel havia obtido seis vitórias e três segundos lugares.
Mas já em Silverstone, há duas semanas, ficou claro que Ferrari havia encostado de verdade, a ponto de Fernando Alonso vencer num traçado que, em princípio, deveria ser favorável à Red Bull. Ficou no ar a dúvida do quanto a proibição do escapamento aerodinâmico prejudicou seu desempenho.
Ontem, no GP da Alemanha, nova demonstração de a concorrência ter se desenvolvido mais que a Red Bull. Webber foi terceiro e Vettel, apenas quarto. Pior: disseram que não havia mais o que tirar do modelo RB7-Renault.
As declarações de Vettel e Webber ganham ainda mais dimensão quando se tem em conta que no fim de semana, em Nurburgring, o escapamento aerodinâmico voltou a ser utilizado pelas equipes, depois de acordo com a FIA. E o recurso representa um dos pontos de vantagem da Red Bull sobre os adversários. Esperava-se que, com o seu retorno, a escuderia austríaca voltasse a ser muito rápida. Não foi o que aconteceu.
“Não estou satisfeito. Vimos que McLaren e Ferrari foram mais rápidas do que nós hoje. Não consegui um bom equilíbrio no carro em nenhum momento. O meu quarto lugar era o máximo possível”, afirmou Vettel, abatido. “A hora é de trabalharmos mais, recuperar o terreno perdido.”
Webber lembrou um aspecto importante: “Os pontos são concedidos aos domingos, não aos sábados. Somos muito rápidos na classificação, mas vimos já em Silverstone, circuito ótimo para nós, o quanto a Ferrari estava rápida. Precisamos melhorar o ritmo de corrida”. O recado não deixa dúvida para Adrian Newey, diretor-técnico da Red Bull.
Christian Horner, diretor esportivo, afirmou ontem, em Nurburgring, que apesar “do resultado não esperado não há motivo para reuniões de emergência, entrar em pânico”. Comentou: “Podemos, sim, apressar o programa de desenvolvimento, mas tudo sem perder o rumo por causa de duas etapas sem vitória.”
Tags: Christian Horner, Fórmula 1, GP da Alemanha, Mark Webber, Red Bull, Sebastian Vettel
09/VII/11
Livio Oricchio, de Silverstone

Agora a responsabilidade foi transferida para as equipes. A FIA distribuiu comunicado, há pouco, para informar o resultado da reunião extraordinária do Technical Working Group (TWG), hoje de manhã, quando se discutiu a questão do quanto de aceleração, em frenagem, cada motor poderia ter.
Em outras palavras, se o escapamento aerodinâmico seria permitido novamente, desde que fossem porcentagens elevadas de aceleração, ou proibido, se ficasse nos 10% impostos antes de virmos cá para Silverstone.
Para o treino de classificação, realizado há duas horas, e a corrida, amanhã, todas as equipes deveriam regular meus motores para não ultrapassar 10% de aceleração quando o piloto aciona o freio. A exceção é a Mercedes, com 20%, por ter conseguido provar para Charlie Whiting, delegado da FIA, que sem essa porcentagem mínima de aceleração seus motores se romperiam.
Hoje e amanhã, portanto, o escapamento aerodinâmico está proibido.
Christian Horner, diretor da Red Bull, disse que foi uma derrota de seu time. “Mas há o compromisso de discutirmos novamente o tema antes do GP da Alemanha (dia 24).”
O comunicado da FIA explica que existe a possibilidade de tudo voltar como antes, ou seja, regressarmos ao regulamento de Valência, quando não havia controle dessa aceleração em frenagem e todos desfrutavam do escapamento aerodinâmico, ainda que uns mais outros menos. “Para o escapamento aerodinâmico ser permitido novamente é preciso que todas as equipes concordem” , escreve a FIA.
Mas vamos pensar juntos, amigos. Depois do que vimos hoje aqui na sessão que definiu o grid do GP da Grã-Bretanha, restando ainda, portanto, 11 corridas para o fim do campeonato, contando com a de amanhã, alguém acredita que, por exemplo, a Ferrari vai concordar em voltar atrás?
Alonso ficou a 117 milésimos de Webber num traçado que, em condições normais, tomaria mais de um segundo na classificação. Tudo bem que sua Ferrari tem importantes modificações em Silverstone, mas essencialmente o que explica essa proximidade foi a proibição do escapamento aerodinâmico que, por enquanto, atingiu a Red Bull provavelmente mais do que eles próprios imaginavam.
Se o que vimos hoje aqui tem mesmo representatividade, é bom não esquecer que foi apenas uma classificação, dá para pensar que em outros traçados menos favoráveis à Red Bull a Ferrari possa sonhar em largar na pole position. Se levarmos em consideração que o ritmo de corrida da Ferrari já era bom em relação à Red Bull, com as restrições impostas agora pela FIA pode ser que amanhã Alonso e Massa enfrentem mesmo Vettel e Webber em condições semelhantes.
A dúvida é como a Ferrari vai se comportar quando colocar os pneus duros. Em Barcelona, passou a tomar um segundo por volta da Red Bull. Alonso disse, ontem, que nas 5 ou 6 voltas que deu com os pneus duros, hoje de manhã, sentiu notável evolução. A conferir, amanhã.
Isso tudo para dizer que duvido muito que a Ferrari, quietinha até agora, vá desejar voltar ao que vivíamos até Valência. A nova regra, ao que parece, a favoreceu e afastou a McLaren da luta também. Curiosamente Hamilton já havia previsto na corrida anterior. Vocês viram a diferença de Button e Hamilton para Webber. Vamos lá: 1 segundo e 499 milésimos e 1 segundo e 977 milésimos. Um universo de extensão!
O momento parece ser, a julgar pelos ensinamentos de hoje, não conclusivos, por favor, dos italianos.
Eu e muita gente se surpreenderia muito se no GP da Alemanha a Renault, marca do motor da Red Bull, poderá aumentar seu percentual de aceleração em frenagem por causa de todas as equipes concordarem em voltar ao regulamento de Valência. E as escuderias que competem com motor Cosworth, Williams, Marussia Virgin e Hispania também não vão desejar ver a Red Bull voar na classificação e as expor ao risco de ficar de fora das corridas por causa da exigência de tempo 107% do pole position. A Williams foi muito bem ontem, com Pastor Maldonado, 7.º no grid. A Cosworth não tem dinheiro para desenvolver seu escapamento aerodinâmico.
Em resumo, amigo, se com as mudanças que Newey vai introduzir no carro a Red Bull não se tornar mais veloz, o que assistimos neste sábado aqui em Silverstone demostrou ser possível pensarmos em lutas pela pole position e pelas vitórias nas corridas. Não quer dizer uma reviravolta no campeonato porque a vantagem da Red Bull é considerável, mas provas mais emocionates quanto à briga pelas primeiras colocações, com Vettel e Webber enfrentando maior resistência.
Faz sentido acreditarmos nisso.
Abraços!
Tags: Charlie Whiting, Christian Horner, Cosworth, escapamento aerodinâmico, Ferrari, FIA, Fórmula 1, GP da Grã-Bretanha, Mark Webber, Mercedes, motor, Red Bull, TWG
09/VII/11
Livio Oricchio, de Silverstone
Amigos, ouvi de Christian Horner, diretor da Red Bull, que para a classificação e a corrida, amanhã, as coisas não vão mudar. Ou seja, as equipes Renault, Red Bull e Lotus, que competem com motor Renault, poderão manter apenas 10% do acelerador aberto nas frenagens, assim como as que têm motor Ferrari e Cosworth. Já as que utilizam motor Mercedes, 20%, por razões de confiabilidade do motor, segundo Charlie Whiting, delegado da FIA.
Horner disse numa tumultuada entrevista que aceita “momentaneamente” a desvantagem para a Red Bull, mas estabeleceu com Whiting o compromisso de rever a regra nos próximos dias, antes do GP da Alemanha, próximo do calendário, dia 24, em Nurburgring.
Ao menos conhecemos o regulamento para o restante do fim de semana. Mas a história está longe de terminada. A Red Bull até estuda um protesto oficial se não houver acordo, que seria julgado pelo tribunal de apelo da FIA.
Vamos assistir à classificação que é o que mais importa. O treino dessa manhã, realizado com 10% de aceleração, ainda que não conclusivo, deu a entender que a Red Bull poderá perder mais do suposto inicialmente. Mas a sessão teve muitas variáveis, como a aderência do asfalto mudar, e não permitiu leituras mais apropriadas.
Abraços!
Tags: Charlie Whiting, Christian Horner, escapamento aerodinâmico, FIA, Fórmula 1, GP da Grã-Bretanha
23/VI/11
GP da Europa
Livio Oricchio, de Valência
Amigos:
Ouvi hoje aqui no lindo paddock do circuito de Valência, localizado à beira mar, como Mônaco, mas com muito mais espaço, os integrantes da Red Bull. Falaram Sebastian Vettel, Mark Webber e Christian Horner. Já Adrian Newey (foto), o maior atingido com a mudança das regras, por ser ele o criador do conceito que seu time tão bem desfruta, e depois copiado pelos outros, foi poupado.
Estava com sua nova namorada, no andar de cima do incrível Enegy Station da Red Bull, o motorhome com 30 metros de frente e três andares. Aberto à imprensa. O saudei de longe e depois, quando foi para a parte dos boxes, uma boa caminhada, conversei sozinho com ele. Paramos na entrada posterior dos boxes e prosseguimos o papo. Vários colegas me vieram perguntar o que Newey falou.
Há momentos em que é difícil ser jornalista. Pena que não posso escrever o que me disse. Tampouco usar o tom das declarações. No fim da conversa, apenas disse-me: “Do que te falei você pode escrever isso e aquilo, mas não isto, isto, isto…”, ou seja, quase tudo, “não!” Newey sente-se realmente atingido com a proibição do escapamento aerodinâmico.
Já disse aqui, conheci Newey num teste de pneus, em fevereiro de 1989, no Rio, quando era o projetista da March. Não desejo, por favor, passar nenhuma ideia de que há uma amizade entre nós. Mas uma relação profissional que por vezes permite desabafos como o de hoje, agora há pouco, por saber que eu cumpriria a soliticação de guardar para mim. Não me critiquem. Jornalismo é isso. Foi, é e sempre será assim.
Redigi esse texto a partir do que ouvi do pessoal da Red Bull e o enviei para o Estado.
Parece coisa combinada. E, na realidade, é: os pilotos da Red Bull, Sebastian Vettel e Mark Webber, junto do diretor técnico da equipe, Adrian Newey, foram políticos, ontem no circuito de Valência, ao abordar a proibição do chamado escapamento aerodinâmico a partir da próxima etapa, o GP da Grã-Bretanha, dia 10. A medida pode afetar sensivelmente seu time, por ser o que melhor desfruta dos benefícios do recurso. Existe até a possibilidade de a mudança de forças na Fórmula 1 ser significativa. Hoje começam os treinos do GP da Europa. A prova de Valência representa o terceiro circuito de rua seguido do calendário. Antes a competição esteve em Mônaco e em Montreal.
“Você quer saber em on ou em off?”, foi como respondeu Adrian Newey, projetista da Red Bull, com exclusividade ao Estado, ontem, as ser questionado sobre o que pensa da alteração da regra no meio da temporada. Mas já na prova de Valência há outra mudança: as escuderias não vão poder mexer no ajuste eletrônico dos motores entre o treino classificatório, amanhã, e a corrida, domingo. A Red Bull e a Renault também têm um sistema mais avançado que o da concorrência para utilizar o motor como elemento de geração de maior pressão aerodinâmica.
Newey, profundamente contrariado com a decisão da FIA, evitou polêmicas. Por enquanto. Mas se a Red Bull perder muito desempenho, já que concebeu seu carro para aproveitar as importantes vantagens do escapamento aerodinâmico, o discurso vai ser outro. E bem agressivo. “É impossível saber o que vai acontecer. Precisamos esperar sábado, aqui, e depois Silverstone”, disse Newey. Christian Horner, diretor da Red Bull, respondeu ao Estado: “Diretamente, a decisão da FIA foi baseada num aspecto técnico. Indiretamente, você deve perguntar à FIA”.
Os adversários da Red Bull não escondem a satisfação com a medida. É mesmo possível que as cartas se embaralhem, como desejam os homens que comandam a Fórmula 1 e a definição do título se estenda mais para o fim do campeonato. “Não posso dizer que não estou contente”, afirmou Martin Whitmarsh, diretor da McLaren. Uma fonte da Red Bull comentou que “importantes integrantes da McLaren, Mercedes e Ferrari pressionaram Charlie Whiting (delegado da FIA) para aplicar o regulamento ao pé da letra e proibir o escapamento aerodinâmico”.
O recurso usa os gases do escapamento para criar uma espécie de túnel a fim de permitir que o ar que escoa embaixo do assoalho flua sem maior resistência, gerando maior pressão aerodinâmica sobre o carro. De fato, o regulamento proíbe sua aplicação com esse fim, mas é do conhecimento da FIA o uso dos gases com esse propósito desde o ano passado e por vários times.
O atual campeão do mundo, Vettel, seguiu a linha dos demais membros da Red Bull. Ele venceu cinco das sete etapas realizadas este ano e foi segundo nas outras duas. Lidera o Mundial com 161 pontos diante de 101 de Jenson Button, da McLaren. “No passado já foi assim também. As pessoas acham que temos algo mágico no carro. Nossa eficiência vem da harmonia do conjunto e não de uma solução isolada.” E completou: “Não acho que vamos perder muito desempenho”. Seu companheiro, Webber, lembrou: “Há sempre algo que flutua no ar no nosso esporte, não?”, falou ao Estado. “Por que não nos foi dito antes de o campeonato começar?”
Tags: Christian Horner, escapamento aerodinâmico, Fórmula 1, Mark Webber, proibição, Red Bull, regulamento, Sebastian Vettel
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