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19/IV/12
Livio Oricchio, de Frankfurt

Olá amigos!
As decisões nas grandes empresas são tomadas em grupo. Assim como avaliamos, a princípio, que não deveríamos ir ao Bahrein, até por não acreditar que a corrida poderia ser realizada, revimos a questão e decidimos cobrir o evento. Se é que nada de anormal vá acontecer até domingo e implique seu cancelamento.

Dessa forma, senhores, escrevo já do aeroporto de Frankfurt, a caminho de Manama, a capital do país árabe. A confirmação da viagem saiu apenas próxima da meia noite de quarta-feira para mim, em Nice, 19 horas de Brasília. Deu tempo apenas de preparar a minha bagagem, separar o material profissional, tomar um belo banho para estar no aerporto de Nice às 4h30, a fim de embarcar no voo das 6 para cá onde estou, na Alemanha.

Daqui a três horas, meio dia, decola o meu voo de Frankfurt para Manama. Havia desmontado a minha estrutura por lá, previamente acertada com amigos, profissionais da área também, e agora estou procurando reconfirmar tudo, o que não é tão simples. Mas não irá impedir de oferecer um painel dos acontecimentos esportivos e sociais.

Agradeço os amigos que me apoiaram na decisão colegiada de não ir para lá como fica o meu agradecimento aos que expressaram o desejo de ver o blog no GP de Bahrein. E não deixo de responder também aos que até afirmaram que eu tinha lá meus receios e preferia a vida tranquila do sul da França a estar numa nação onde a população enfrenta as forças do governo. Como havia escrito, não era essa a razão de decidirmos não viajar.

Nosso próximo contato, agora, será já de Manama. Com a diferença de fuso horário aterrisso lá às 23 horas, hora local, seis horas adiante em relação a Brasília, portanto 18 horas desta quinta-feira. Como estou sem dormir, emendei a noite com o dia, por conta da combinação de voos que me permite chegar ainda hoje ao Bahrein, vou descansar um pouco agora, antes do embarque.

Grande abraço, amigos!

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18/IV/12
Livio Oricchio, de Nice

Se na corrida de Xangai, domingo, do segundo lugar para trás foi preciso esperar a bandeirada para se conhecer a ordem de chegada, num belo espetáculo da velocidade, no GP de Bahrein, domingo, quarta etapa do calendário, a Fórmula 1 tende a oferecer algo ainda mais imprevisível e até algumas surpresas, diante do elevado número de variáveis extras que cercam a prova. Tudo isso acreditando que algo de novo na revolta popular do país árabe não aconteça obrigando FIA e FOM a cancelar o evento, o que com certeza pode ocorrer.

Será, por exemplo, a primeira vez que os pneus Pirelli vão ser usados do circuito de Sakhir, por a etapa barenita não ter sido disputada no ano passado, temporada de estreia da Pirelli na Fórmula 1. “A combinação entre as altas temperaturas e o asfalto abrasivo gera elevada degradação dos pneus o que exigirá precisão das equipes na definição das estratégias”, disse Paul Hembery, diretor da empresa italiana. Para dificultar o desafio, os pneus disponibilizados são os médios e os macios.

O GP de Bahrein será a prova dos nove para a Mercedes. Até a corrida anterior à incontestável vitória de Nico Rosberg domingo, na China, o calcanhar-de-Aquiles do time alemão era o elevado desgaste dos pneus durante os 300 quilômetros da prova. Mas em Xangai foi quem mais preservou os pneus. Se Rosberg e Michael Schumacher forem velozes e constantes nas 57 voltas no traçado de 5.412 metros árabe, então a McLaren, escuderia que sugeria ser a mais eficiente neste início de campeonato, terá um adversário bastante difícil de ser superado.

Fernando Alonso já adiantou para os fãs da Ferrari: “Para ser rápido na pista de Bahrein você precisa de boa velocidade nas retas e um carro capaz de tracionar bem. É exatamente o que não dispomos. Das etapas iniciais do calendário essa tende a ser a pior para nós”. Já Kimi Raikkonen, da Lotus, pensa o contrário. “O frio de Xangai fez mal para nós. O calor de Bahrein deverá nos ajudar.” A dez voltas do fim, na China, o finlandês era segundo. Ficou tão sem pneu que terminou em 14.º.

Com três vencedores diferentes nas três corridas disputadas e as posições no grid definidas por milésimos de segundo, a temporada apresenta competitividade sensacional. Esse quadro somado às variáveis das etapa de Sakhir fazem do GP de Bahrein uma disputa onde absolutamente tudo pode acontecer. Bem ao gosto dos milhões de fãs da Fórmula 1 no mundo todo.

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18/IV/12
Livio Oricchio, de Nice

Olá amigos.
Não vou ao Bahrein.
Imagino que muitos irão pensar que é por receio de que me possa ocorrer algo lá, diante das manifestações dos revoltosos.
É o preço que se paga quando nosso trabalho é exposto numa vitrine, como é a atividade jornalística.
Até já li um comentário aqui no blog abordando a primavera na Europa, “ah a primavera”, como disseram, como justificativa. O maior erro de alguém cujo trabalho está sob apreciação pública é acreditar que irá agradar a todos.
Pode parecer estranho, mas sempre desejei cobrir um conflito, uma guerra de verdade, quero dizer. Quando o repórter do Estadão necessitou regressar do Paquistão, no auge dos acontecimentos no Afeganistão, torci para ser o escolhido para ir para lá. Lia o que podia a respeito para estar por dentro da situação.
Agora, decidi em comum acordo com a coordenação de esporte do Estadão não ir ao Bahrein. Temos os bilhetes aereos emitidos para a temporada toda, com exceção das etapas de Bahrein e dos Estados Unidos, as que representavam dúvida, se de fato seriam disputadas. Texas, diante das últimas notícias, parece que o circuito vai ser concluído a tempo também.
A exemplo de muitos jornalistas, não estarei no circuito de Sakhir. Vou produzir os textos aqui de casa, em Nice, o que é profundamente diferente. Mas será assim desta vez.
Acreditei sempre que o GP não seria realizado. E ainda não estou 100% seguro que de não possa acontecer algo que leve FIA e FOM a cancelar o evento. Há tempo e disposição da oposição ao regime dos Khalifa de orquestrar um protesto mais forte.
Viveremos uma experiência diferente desta vez. Eu e você vamos nos alimentar, essencialmente, das mesmas fontes de informação. No meu caso, terei algumas vantagens, verdade, como todos os textos distribuídos pelas equipes e a possibilidade de contactar alguns profissionais para ter um quadro ainda mais próximo da realidade do que se passa por lá. Estaremos quase que com as mesmas lentes para vermos e analisarmos a competição que promete ser tão emocionante com foi a prova de Xangai.

Abraços!

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16/IV/12

Livio Oricchio, de Xangai

Amigos, onde vocês leem Xangai, acima, entendam Zurique. Cheguei há instantes na Suíça e antes de decidir com a direção do jornal o que fazemos, vou para casa, Nice, ou espero aqui e embarco amanhã para Manama, Bahrein, acessei o blog para ler os comentários e inserir o post a seguir. Eu enviei esse texto ontem para o Grupo Estado e imagino foi aproveitado. Mas prestem atenção nessa explicação que Ross Brawn dá sobre a súbita mudança no comportamento do carro da Mercedes.
Abraços!

A impossibilidade de poder lutar pela vitória com Nico Rosberg, ontem no circuito de Xangai, diante da impressionante superioridade demonstrada pela Mercedes, passou um recado a Jenson Button, segundo colocado, Lewis Hamilton, terceiro, ambos da McLaren, e demais candidatos ao título, como os pilotos da Red Bull, Mark Webber, quarto no GP da China, e Sebastian Vettel, quinto: ‘Considerem-me com muita atenção, bem como a meu companheiro, Michael Schumacher’.

O próprio Rosberg comentou depois de extravasar no rádio sua alegria pela primeira vitória na carreira, no seu 111.º GP: “Estou surpreso. Sabíamos que poderíamos ser muito velozes na classificação, como foi o caso (largou na pole position), mas ao longo da corrida poder manter um ritmo tão forte não esperava”. O alemão largou em primeiro e impôs uma vantagem que deixou Button e Hamilton, que pensavam possuir o melhor carro da temporada, em alerta: 20 segundos e 626 milésimos.

“É uma sensação maravilhosa vencer na Fórmula 1”, disse Rosberg. Seu pai, Keke, ganhou cinco GPs e conquistou o Mundial de 1982, pela Williams. Além dos Rosberg, dois outros pai e filho também venceram na Fórmula 1, Graham e Damon Hill e Gilles e Jacques Villeneuve. Nico Rosberg explicou a razão de estar surpreso: “Nossos pneus apresentavam elevada degradação em corrida (na Malásia largou em 8.º e chegou em 13.º, principalmente por esse motivo). Mas aqui conseguimos um acerto que modificou o comportamento do carro”. E concluiu com informação fundamental: “As condições aqui nos ajudaram muito”. Rosberg referia-se à temperatura baixa do asfalto, 24 na largada e 22 na chegada, o que colaborou de forma decisiva para o menor desgaste dos pneus.

Na sexta-feira, Schumacher declarou ao Estado que faltava apenas acertar algumas questões para ele e Rosberg lutarem pelas vitórias. Ontem, ao que parece, a Mercedes fez tudo funcionar com o seu veloz modelo F1 W03. Só não foi perfeita com o próprio Schumacher. O heptacampeão abandonou, o único piloto a não concluir a prova, na 13.ª volta de um total de 56, por causa de um erro da equipe no pit stop. O liberaram de volta à pista sem a porca da roda dianteira direita estar apertada. Schumacher era o segundo colocado. “Lamento por esses rapazes que trabalham tanto e sempre dão o máximo de si” comentou o alemão.

O histórico da Mercedes nesse início de campeonato se assemelha ao experimentado pela Benetton, de Schumacher, em 1995. Ross Brawn, diretor técnico da Mercedes, hoje, e da Benetton, naquela época, explicou: “Passamos a adotar outra filosofia no ajuste das suspensões, em especial dos amortecedores, e o carro mostrou-se bem mais veloz e constante”. Em 1995, Damon Hill, da Williams, havia vencido as duas etapas anteriores, Argentina e San Marino. “A partir da corrida seguinte, Espanha, adotamos nova forma de ajuste e o ano mudou completamente para nós”, disse Brawn. Schumacher foi primeiro, depois, em oito provas.

A razão de a Mercedes passar a preservar tantos os pneus, a ponto de Rosberg se dar o luxo de realizar dois pit stops diante de três de Button e Hamilton, foi dada por Brawn e ratificada por Rosberg: “O que mudou foi a nossa compreensão de como o carro trabalha e o acerto que fizemos para sermos rápido na classificação sem comprometer demais seu comportamento na corrida. E funcionou.”

O pouco simpático diretor da Mercedes, Norbert Haug, até sorriu ontem, em seguida ao banho de champanhe que Rosberg lhe deu no pódio. Não era para menos. “Button e Hamilton também correm com motor Mercedes. Portanto, três Mercedes no pódio”, lembrou. Desde a volta da montadora alemã à Fórmula 1, em 2010, a de o ontem foi a primeira vitória. Antes disso, havia disputado e vencido os campeonatos de 1954 e 1955 com Juan Manuel Fangio. E a última vitória marcou a despedida da Mercedes da Fórmula 1, na etapa de encerramento do Mundial de 1955, em Monza, com Fangio.

O GP da China foi a prova mais emocionante do campeonato até agora. Se Rosberg não teve adversários, a disputa pelas demais colocações se estendeu da largada à bandeira. E o público ajudou o evento ser espetacular: o maior da história da corrida, inserida no calendário em 2004, com 185 mil espectadores nos três dias de competição. A quarta etapa será, a princípio, no próximo fim de semana, o GP de Bahrein. Mas espera-se exaltada reação dos manifestantes barenitas por considerarem a realização da prova uma vitória dos governantes, com quem se defrontam desde o ano passado.

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15/IV/12
Livio Oricchio, de Xangai

Amigos, estou embarcando aqui de Xangai para Zurique. Tive tempo apenas de sair do autódromo, perto
da meia-noite, depois de trabalhar para o Grupo Estado e as outras publicações que colaboro, em
especial no Japão, ir ao hotel, tomar um banho, arrumar a mala e correr para o aeroporto. Por isso
coloco no ar agora apenas o texto da coluna que redigi para o Jornal da Tarde.
Nos falamos amanhã, da Europa.
Abraços!

Três etapas, três vencedores diferentes, de três equipes distintas: Jenson Button, McLaren, na Austrália, Fernando Alonso, Ferrari, Malásia, e Nico Rosberg, Mercedes, ontem na China. Nada menos de 15 carros separados por seis décimos de segundo sábado, no Q2, classificação da prova de Xangai. Mark Webber, Red Bull, havia registrado o melhor tempo, 1min35s700, e Paul de Resta, da Force India, o 15.º, com 1min36s317. Diferença precisa entre ambos: 616 milésimos.

Explicação de Ross Brawn, diretor técnico da Mercedes, em Sepang, para os problemas de pneus da Mercedes, que levaram o vencedor de ontem, Nico Rosberg, a largar em oitavo e terminar num distante 13.º, bem como de Michael Schumacher, seu companheiro, terceiro no grid e décimo na bandeirada: “Esses pneus (Pirelli) têm um delta de temperatura reduzido. Se os seus pneus estiverem alguns graus acima ou abaixo desse delta o comportamento do carro pode ser bastante distinto do esperado”.

Vimos o que aconteceu ontem com os mesmos Rosberg e Schumacher. Rosberg, com o modelo F1 W03 da Malásia, impôs na China impressionantes 20 segundos e 626 milésimos para Jenson Button, segundo colocado. E a explicação de Brawn na Malásia, com asfalto a 29 graus no começo, tem muito a ver com o ocorrido na prova da China, 24 graus no início e 22 no fim. Claro, não explica tudo, mas é um importante elemento nessa história.

Mark Webber, em Xangai, ao comentar sua corrida acabou por revelar o real quadro da Fórmula 1 hoje: “Cheguei a ver a placa de 13.º, 14.º colocado (exposta pelos mecânicos na mureta dos boxes). Como está todo mundo perto, você varia para cima e para baixo na classificação muito fácil”. Fernado Alonso, também na China, sábado: “Se melhorarmos dois, três décimos nossa performance vamos saltar vários adversários. A luta hoje é por milésimos de segundo.”

Dei alguns exemplos práticos de como este ano na Fórmula 1 uma equipe pode variar seu desempenho de um extremo ao outro dependendo de detalhes, apenas, e que por vezes condicionam um andamento da competição bem distante do esperado. A combinação entre as severas restrições impostas pelo regulamento e as características dos pneus Pirelli, destinados ao show, explicam, essencialmente, o momento.

“O acerto do carro tornou-se bastante específico para a temperatura que vamos enfrentar”, disse Bruno Senna, da Williams, ontem. Se a temperatura do asfalto estivesse 10 graus mais alta, comentou, o rendimento do seu carro teria sido muito melhor. A Williams previa mais calor.

Esse quadro sugere que até as equipes compreenderem com maior precisão como enfrentar essas alternâncias, e desenvolver acertos médios para os carros, que não os penalize ou potencialize demais, a fim de reduzir o risco de fiascos, o resultado das corridas deverá ser surpreendente. Bom, porque novos GPs espetaculares como os de ontem representam o que a torcida mais deseja. A Fórmula 1 tornou-se completamente imprevisível.

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14/IV/12
Livio Oricchio, de Xangai

Amigos:

Tive a oportunidade de conversar brevemente com Schumacher nos dois últimos GPs, Malásia e aqui na China, e sua assessora, a sempre cortês Sabine Khen, teve papel relevante nessa história, a quem agradeço.

Enviei o texto a seguir para o Estadão, ontem, que publicou a maior parte na edição de hoje do jornal impresso. Acabei de inserir um parágrafo, no meio, para atualizá-lo com a sessão de classificação.

Abraços!

O Michael Schumacher que a Fórmula 1 tem visto este ano é outro do de 2010 e 2011, suas duas primeiras temporadas desde a decisão de regressar a competir. Nesses anos, seu companheiro na equipe Mercedes, o também alemão Nico Rosberg, venceu com surpreendente margem a disputa entre ambos, nos treinos classificatórios para o grid e nos pontos somados no campeonato.

Ainda que seja muito cedo, o GP da China, na próxima madrugada, com largada às 3 horas, horário de Brasília, é apenas a terceira etapa do Mundial, o desempenho do Schumacher de 2012 está mais para o de seu período de extraordinárias conquistas que para as situações por vezes até embaraçantes de 2010 e 2011. E ainda mais importante que os números, o próprio Schumacher explica, com exclusividade, ao Estado seu melhor momento desde o regresso à Fórmula 1.

“É simples. Disponho de um carro, hoje, que tem mais a ver com o que conheci na minha vida como carro de corrida”, afirma o hectacampeão. À questão do porquê se mostrar, hoje, mais concentrado, com expressão de estar sempre pensando em algo, diz: “O modelo da Mercedes, este ano, tem uma base ótima. Mas ainda não conseguimos fazer tudo funcionar junto nele. E isso tem tomado o meu tempo”.

Schumacher não chegou ao pódio desde a volta à Fórmula 1 e já foram 40 GPs. Sua declaração surpreende: “Acho que a hora que eu subir lá, e resolvidos alguns problemas teremos condições para isso, acho que vou comemorar como uma vitória”. Explica as razões: “Será a mesma sensação de quando fui ao pódio pela primeira vez com a Benetton e a Ferrari”, diz.

“Quando eu comecei nessas equipes, estávamos longe de poder pensar em pódio. Depois de muito trabalho, anos diria, exatamente como agora na Mercedes, atingimos esse estágio de poder lutar pelo pódio.” E complementa: “As pessoas não têm ideia de quantas coisas precisam ser mudadas, quanto esforço e investimento são necessários. Aos 43 anos, estou passando por tudo isso novamente, sem necessidade. É porque realmente gosto muito do que faço”, afirma.

Os avanços da Mercedes, este ano, decorrem da reestruturação coordenada por Ross Brawn, engenheiro inglês por trás das suas sete vitórias do Mundial. “Ao sentir a atmosfera criada no grupo, a vontade de fazer o time crescer, como é agora, você dá 110% de você, sente-se contaminado. Antes dessas mudanças, só o meu desejo não iria ser decisivo, minha experiência em outros projetos me ensinou.” Brown levou para a Mercedes três ex-diretores técnicos, Bob Bell, Renault, Aldo Costa, Ferrari, e Geoff Willis, Red Bull.

O piloto que conquistou dois títulos com a Benetton e cinco seguidos com a Ferrari retoma espontaneamente as explicações de lutar pelas primeiras colocações, ao menos nas definições do grid. Ontem, no circuito de Xangai, estabeleceu o melhor tempo do dia nos treinos livres, 1min35s973, diante de 1min36s145 de Lewis Hamilton, da McLaren, segundo e autor das pole positions na Austrália e Malásia.

Na definição do grid do GP da China, hoje, Schumacher ficou em terceiro, com 1min35s691, atrás de Hamilton, 1min35s626, e do pole position, o companheiro, Rosberg, 1min35s121. “Sei que nosso ritmo de classificação é melhor que o de corrida, mas estamos avançando bastante na solução desse problema”, falou.

“Se você me ver pilotar hoje e me conhecesse há dez anos, por exemplo, viria que não mudou muito. Voltei a quase não esterçar o volante, enquanto que em 2010 e 2011, por causa das dificuldades com nossos carros, meus braços não paravam de trabalhar. Estava completamente fora na minha forma de pilotar.”

O contrato com a Mercedes termina no fim do ano. “Pode não parecer verdade, mas estou tão interessado, tão focado em desenvolver um carro potencialmente vencedor que não penso nisso. Mais para a frente no campeonato, claro, será inevitável.” Mas adiantou: “Estou tendo imenso prazer nesse trabalho por começar a ver os resultados”. É como quem diz que se continuar assim, por que não renovar com a Mercedes e realmente se divertir ao voltar a lutar pelas vitórias? “Sinto-me, ainda, perfeitamente capaz de vencer na Fórmula 1.”

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14/IV/12
Livio Oricchio, de Xangai

Se ainda havia dúvida das vantagens proporcionadas pelo duto aerodinâmico da Mercedes, o resultado da sessão de classificação do GP da China, aqui no circuito de Xangai, hoje, dirimiu a questão. Nico Rosberg, com o modelo F1 W03 da Mercedes, estabeleceu a pole position da quarta etapa do campeonato, a primeira na sua carreira de 111 GPs, incluindo o deste fim de semana.

Mas o mais impressionante foi a diferença imposta aos adversários: 505 milésimos para o segundo colocado, Lewis Hamilton, da McLaren, que na realidade vai largar em sétimo, como punição por ter substituído o câmbio. O regulamento impõe que o mesmo câmbio deva ser utilizado em cinco GPs.

Se considerarmos que no Q2, instante em que todos dão tudo de si, com pneus macios novos, a fim de chegar ao Q3 e lutar pelas dez primeiras colocações no grid, a diferença entre o mais rápido, Mark Webber, da Red Bull, 1min37s700, e o 15º colocado, Paul de Resta, da Force India, 1min36s317, foi de impressionante 617 milésimos, esse mais de meio segundo imposto por Rosberg a Hamilton chama bastante a atenção.

Vocês haviam reparado nisso? No Q2, tínhamos 15 pilotos separados por apenas seis décimos de segundo. E sabe o que ouvimos de Sebastian Vettel, da Red Bull, autor de 15 poles em 2011, depois de registrar apenas o 11.º no grid, ontem, o que não ocorria há 43 GPs, refiro-me a não se classificar para o Q3? “Não errei. Apenas não tinha velocidade suficiente.”

Muito legal a Fórmula 1 este ano, não acham?

Misturou tudo. Não é exagero dizer que McLaren, Mercedes, Red Bull, Lotus, Sauber, Ferrari e, se bobear, até a Williams podem terminar corridas no pódio. Os tempos de Bruno Senna e Pastor Maldonado, ontem, na série mais longa de voltas, simulando a corrida, eram muito bons.

Estou aqui analisando os números da sessão que definiu o grid do GP da China. Veja que interessante. O duto aerodinâmico da Mercedes lhe garante maior velocidade nas retas, certo? Sim, mas onde essa vantagem mais se expressa nem é propriamente nas velocidades atingidas por Rosberg e Michael Schumacher, seu companheiro.

Há um ponto (T) no final da grande reta, a maior do calendário, 1.170 metros, a 240 metros do início da curva 14, onde as velocidades são registradas. Elas nos são disponibilizadas. Quem passou mais rápido no ponto T na classificação foi Sergio Perez, da Sauber, oitavo no grid: 322,4 km/h, às 14:09:41. O seu parceiro, Kamui Kobayashi, foi o segundo: 319,6 km/h, às 14:07:19.

A primeira Mercedes aparece nessa lista apenas em décimo, Schumacher: 314,1 km/h. Rosberg, o 13.º da lista, marcou 313,8 km/h. Então para que serve, afinal, o duto aerodinâmico?

A resposta está em outra série de dados. Os traçados são sempre dividios em três seções para efeito de verificar a performance segmentada. Os circuitos apresentam trechos de maior e menor velocidade. Essa divisão te oferece um raio X mais preciso de onde se ganha e perde tempo em relação aos concorrentes. Os segmentos recebem os nomes de T1, T2 e T3.

No traçado de 5.451 metros de Xangai o T1 se estende da linha de chegada até pouco antes da freada da curva 6. O T2 vai do fim do T1 até pouco antes da freada da curva 11. O último, T3, do fimdo T2 até a linha de chegada. O T2 é o segmento mais guiável, digamos, de Xangai, composto pelas curvas 6, lenta, 7, de alta, 8, de média, As duas juntas formam um S muito seletivo. Depois vêm a 9, lenta, e a 10, média, além do trecho da pequena reta na saída da 10.

No T2, portanto, é onde o carro mais deve demonstrar seus dotes de um belo projeto, capaz de gerar elevada pressão aerodinâmica, pela natureza das diversas curvas em sequência. Sabe quem registraram os melhores tempos no T2? Nico Rosberg, com 28 segundos e 397 milésimos, e Michael Schumacher, 28 seg e 474 milésimos. Depois vêm Mark Webber, Red Bull, 28 seg e 539 milésimos, e Hamilton, 28 seg e 474 milésimos.

Isso quer dizer que o modelo F1 W03 da Mercedes é o mais eficiente na geração de pressão aerodinâmica? Não. Mas por a equipe saber que o duto aerodinâmico lhe garante maior velocidade nas retas, por reduzir a geração de pressão no aerofólio dianteiro (explico lá na frente), tanto Rosberg quanto Schumacher podem adotar ajuste de maior carga nos dois aerofólios, dianteiro e traseiro.

Isso permite aos dois percorrer principalmente os trechos mais guiáveis em maior velocidade por terem maior carga aerodinâmica, gerada pela maior incidência dos aerofólios, como vimos aqui em Xangai. O duto aerodinâmico ajuda a explicar a diferença significativa entre a marca estabelecida por Rosberg e a do segundo colocado no grid.

Importante: o duto aerodinâmico tem efeito muito maior na classificação que na corrida, por o piloto poder acionar o flap móvel (DRS) quando e onde desejar. O que não é o caso durante as corridas. A FIA determina o segmento onde o DRS pode ser acionado e se no ponto de detecção o piloto estiver a um segundo ou menos atrás do adversário à frentre.

Dá para entender o quase desespero de Lotus e Red Bull, em especial, em tentar classificar o recurso da Mercedes como “ilegal”? Garante uma vantagem expressiva nas classificações, notadamente. Como a FIA ratificou sua legalidade, tenha a certeza de que estudam formas de introduzi-lo em seus monopostos.

Só para recordar: o duto aerodinâmico é formado pela presença de dois orifícios de aproximadamente dois centímetros e meio de diâmetro nas paredes internas do aerofólio traseiro. Eles permanecem cobertos pela parede do flap. Quando o piloto aciona o DRS, movimenta o flap, a fim de ganhar mais velocidade na reta, a nova posição do flap expõe os dois orifícios que admitem o ar espontaneamente. O carro está se deslocando.

Esse ar percorre dutos que vão da porção traseira do carro até a área inferior do aerofólio dianteiro, atravessando o monoposto de trás para a frente. Uma loucura. Ao fluir embaixo do aerofólio dianteiro, reduz seu efeito nas retas, permitindo o carro ser mais rápido.

Apesar da complexidade, várias equipes estão desenvolvendo o seu sistema. Principalmente por aquele dado que citei lá em cima: no Q 2 em Xangai tínhamos 15 carros separados por seis décimos de segundo. Qualquer diferença, por menor que seja, garante a ascensão de várias colocações no grid.

Ufa, você deve estar cansado desse discurso técnico. Mas saiba que é o que mais gosto. Enveredar pelo mundo técnico da Fórmula 1 representa um prazer à parte para mim. Não dá para escrever toda hora a esse respeito pois sei que a maioria tem outras preferências com relação à Fórmula 1. Mas hoje pode. Havia dito que este circuito, em especial, nos daria a oportunidade de conhecer melhor as vantagens do sistema da Mercedes.

Como falei, em corrida tem importância menor e, considerando o histórico do modelo F1 W03, com seu elevado desgaste de pneus, parece pouco provável que Rosberg e Schumacher terminem a corrida onde começaram. Faz mais sentindo imaginarmos Jenson Button, McLaren, sexto no grid, e Hamilton, lembrando, sétimo, crescerem bastante na classificação da corrida.

Bem como os pilotos da Sauber. Kobayashi larga em ótimo quarto e tem um carro que manifesta melhor suas propriedades ao longo da prova que na definição do grid. Perez sai em oitavo e conduz um GP como poucos. Mestre da estratégia de um pit stop. Em Xangai, porém, comenta-se que serão três paradas. Aposto que o mexicano tentará fazer uma a menos. Dependerá da temperatura. Não menosprezem, jamais, Kimi Raikkonen, da Lotus, que ontem na simulação demonstrou muito boa performance. Está na parada sim senhor.

A meteorologia diz que a possibilidade de chuva diminuiu bastante e a temperatura deverá subir. É um cenário um pouco distinto do de hoje, com temperaturas na casa dos 15 graus, ambiente e do asfalto. Baixas, portanto.

Em resumo, amigo, não dá para apostar em ninguém. Com no GP da Malásia, o resultado está saudavelmente aberto. Com um ponto ainda a favor desta prova: mesmo com pista seca. Deverá ser um corridaço. Será surpreendente se não for.

Tenho de correr para pegar meu shuttle para o hotel. Nos falamos hoje ainda, mas mais tarde.
Abraços!

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13/IV/12
Livio Oricchio, de Xangai

Primeiro foi Jean Todt, presidente da FIA, logo de manhã, aqui em Xangai, e depois Bernie Ecclestone, presidente da Formula One Management (FOM). Os dois se disseram satisfeitos com a segurança retratada por seus observadores em Manama, capital do Bahrein, e, portanto, o GP, já no próximo fim de semana, será realizado.

Isso quer dizer que segunda-feira todos os equipamentos serão transportados por quatro aviões Jumbo de Xangai para a nação árabe. Os profissionais da competição até quarta-feira da mesma forma vão estar nessa pequena ilha do Golfo Pérsico.

Tudo isso não quer dizer, necessariamente, que a corrida, quarta do calendário, será disputada. Ter pilotos, técnicos, carros em Manama é uma coisa. Outra é que nada ocorrerá e a competição se desenvolverá normalmente.

Pode ser inocência minha, mas diante do quadro que foi pintado, parecia e continua parecendo ser algo impensável levar a Fórmula 1 a um país em estado beligerante. Mas os homens que a FIA e a FOM escalaram para verificar as condições do Bahrein garantem que o clima se não é de tranquilidade ao menos não sugere ser proibitivo para os 3 mil integrantes do universo da Fórmula 1 se deslocar até lá. Tomara que seja mesmo assim.

Só para lembrar, os revoltosos enviaram textos aos dirigentes da Fórmula 1 ameaçando todos se a prova for realizada. E as manifestações de rua, contra o governo e a própria Fórmula 1 no país, hoje, contabilizam cerca de 50 mortes.

Os dirigentes das equipes expressaram satisfação, ontem, depois da reunião com Ecclestone para tratar do GP de Bahrein e disseram acreditar nas garantias que lhe foram dadas pelos organizadores do evento. Vamos ver.

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12/IV/12
Livio Oricchio, de Xangai

Senhores, há muitos interesses em jogo com relação à disputa do GP de Bahrein. Isso explica em grande parte os responsáveis estenderem, ao máximo, a tomada de decisão sobre o eventual cancelamento da prova, ou mesmo o adiamento.

Nesta quinta-feira, aqui no circuito de Xangai, falou-se da corrida de Bahrein tanto quanto do GP da China que, pelas conversas que tive, poderá ter resultado surpreendente. Falaremos disso logo mais adiante no texto.

Vocês se lembram que o governo barenita é proprietário do grupo de investimento Mumtalakat e este é sócio de Ron Dennis e o saudita Mansour Ojjeh, do grupo TAG, na equipe McLaren? Isso mesmo: os Khalifa têm participação numa das principais equipes da Fórmula 1. Repare que as declarações de Martin Whitmarsh, diretor da escuderia, são sempre muito prudentes. São também donos da ex-Art Grand Prix, hoje Lotus Grand Prix, com time na GP2 e GP3.

Um parêntese no tema. Abri o google para obter mais informações sobre o grupo Mumtalakat, a fim de tornar o texto mais informativo, e depois de algumas tentativas desisti. Compreendi que não era um problema na conexão, mas sim a censura chinesa no uso da internet. Há limitações severas por aqui. Passo a tarefa a vocês. Se puderem, contem-me depois.

Mas voltanto. Outro fator que contribui bastante para deixar para a última hora a eventual decisão de cancelar a corrida é alegar estar tudo pronto, como está, mas diante das ameaças explícitas dos protestantes e da crescente tensão no país, geradas pela aproximação do evento, a decisão é o cancelamento.

Amigos, ficarei muito, mas realmente muito surpreso, se esse não for o desfecho da história, amanhã ou no máximo sábado. Podem até adiar o GP, como no ano passado, numa tentativa de atenuar o peso para os promotores, entenda-se o governo barenita. Mas não posso imaginar que os responsáveis pela Fórmula 1 sejam tão inconsequentes a ponto de levar a competição para Bahrein, num ato de extrema provocação a quem já demonstrou estar disposto a dar a vida para evitá-lo. Teremos, muito provavelmente, mortes se isso acontecer.

Há um ponto fundamental nesse contexto de estar com as malas prontas e só esperando o sinal verde para a Fórmula ir com mala e cuia para Manama, segunda-feira: não somos nós que não queremos viajar, mas vocês que não podem nos receber. As razões são externas ao compromisso que temos com vocês. Portanto, a falta não é nossa.

Pelo que ouvi hoje no circuito de profissionais com conhecimento nessa área obscura das relações entre os organizadores dos GPs e a direção da Fórmula 1, esse quadro de “inviabilidade” de se realizar a corrida, por responsabilidade não da Fórmula 1, abre a possibilidade de o promotor do GP de Bahrein não escapar de pagar a taxa cobrada a cada edição da prova, estimada em US$ 35 milhões. Há até quem diga que a taxa já foi paga e seu reembolso é que seria questionável.

As declarações dos homens que decidem na Fórmula 1 reforçam a ideia dessa estratégia. Em nenhum instante até agora tanto Bernie Ecclestone quanto Jean Todt manifestaram qualquer dúvida quanto à realização do GP de Bahrein. Para eles, não há dúvida: é uma etapa regular do campeonato e vai ser disputada. Isso tudo até os últimos elementos virem à tona. E à última hora. E eles seriam a insegurança instalada no país e as ameaças a todos envolvidos.

Quem chegou a ler o texto enviado terça-feira pela Coalizão Jovem 14 de Fevereiro, o grupo mais ativo contrário à realização do GP de Bahrein? Disponibilizo novamente: “Se os organizadores insistirem em levar adiante a corrida provocarão raiva no povo barenita. A nação vive uma revolução popular. Como resultado da iniciativa da prova, os revoltosos vão classificar os participantes, espectadores, controladores e patrocinadores como parte do sangue dos Khalifa (família que reina no Bahrein) e seu sistema criminoso e responsável pelo sangue derramado pelo dedicado povo barenita”.

É por tudo isso que acredito que até sábado teremos a decisão do cancelamento ou adiamento do GP de Bahrein.

Agora o que, de fato, mais nos interessa e razão de seu estar em Xangai: o GP da China. Claro, que haja mais justiça não só no Bahrein mas em todas as nações está acima de qualquer interesse, por favor.

Senhores, é grande a preocupação com o desgaste dos pneus aqui. Principalmente se não chover. Neste instante, 1h45 da madrugada de sexta-feira, vejo através do vidro da porta do terraço de meu quarto, no hotel, que chove em Xangai. Ouço também o rumor característico dos pneus se movimentando no asfalto molhado.

A Pirelli trouxe os médios e os macios. Sergio Perez nos dizia, depois da coletiva, que os pneus dianteiros sofrem enorme estresse nos 5.451 metros do traçado, por sinal interessante, em especial a sequência de curvas 1 e 2, por o piloto se aproximar da 1 em sétima marcha, a 310 km/h, e a iniciá-la em sexta, a 250 km/h e, ainda com o volante virado para a direita, frear forte para começar a 2 em segunda marcha a 120 km/h. Lembra a curva 13 de Sepang, mas a aproximação da 1 é mais rápida e a saída mais seletiva, pela necessidade de preparar a tomada da 2.

“Já trabalhamos no desenvolvimento do nosso sistema há algum tempo. É complexo passar dois tubos, mesmo que de calibre pequeno, por todo o carro, da traseira para a frente”, contou-me uma fonte da Red Bull, ainda em Sepang. Com a decisão de hoje de Charlie Whiting, ratificando a legalidade do duto aerodinâmico da Mercedes, Red Bull, McLaren e Ferrari, no mínimo, deverão ter o seu sistema já no GP da Espanha, dia 13.

Será interessante acompanhar já amanhã a velocidade de Nico Rosberg e Michael Schumacher, a dupla da Mercedes, na maior reta do calendário, aqui mesmo. Vamos ver juntos sua vantagem em relação à concorrência. Será possível mensurar o quanto o duto aerodinâmico colabora com o aumento da velocidade final, ou termos uma boa ideia, pelo menos.

Uma boa tarde a todos, pois aí no Brasil, na sua maior parte, são 15 horas da quinta-feira, 11 horas a menos de Xangai.

Grande abraço!

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11/IV/12
Livio Oricchio, de Xangai

Olá amigos, já escrevo de Xangai, depois de longo voo. Anotei cada passo do deslocamento para um post para o Diário de Bordo.

Vamos conversar melhor a partir de amanhã, diretamente do circuito, não distante do hotel onde me encontro, em Jiading, um dos 18 distritos da imponente Xangai. Daqui até o centro da cidade são cerca de 40 quilômetros, mas nos encontramos a 20 minutos com as vans da organização do autódromo, o que diante do tráfego impressionante dessa imensa área urbana representa uma dádiva. Em 2004, perdia cerca de duas horas entre o circuito e a cidade.

Antes de embarcar para a China dei uma boa olhada na previsão meteorológica e a indicação era de chuva até sexta-feira com melhora na sequência. Mas ao desembarcar em Xangai e vir aqui para o hotel, de onde redijo agora, vi na TV de língua inglesa a previsão de chuva forte para o domingo. E ao descer para o bom restaurante do hotel encontrei com meus amigos da revista e do site da Autosport, com quem jantei. Sua informação confere com a minha obtida na TV: chuva no fim de semana.

Se for mesmo assim, Hamilton e Button não devem estar gostando nada dessa história. A McLaren venceu três das últimas quatro edições do GP da China e tem nesse momento o carro mais rápido da Fórmula 1, ao menos em classificação. Fez 1-2 nas definições do grid nas duas etapas até agora, Austrália e Malásia. Button falou sobre correr no molhado em Sepang: “Se você tem um carro que é rápido na pista seca, não quer que as condições se alterem”. Ele ganhou em Xangai em 2010 e Hamilton, no ano passado e em 2008.

Confesso desejar saber como será o desempenho da Sauber aqui nesse seletivo circuito. Como vimos que seu belo carro ainda utiliza os gases de escape para gerar alguma pressão aerodinâmica, o traçado de 5.451 metros de Xangai tende a ser favorável à escuderia suíça com quem viajo regularmente, por usar como base Zurique e Hinwil, sede da Sauber, encontrar-se a meia hora do aeroporto suíço.

A Sauber já foi muito bem em Sepang e faz sentido esperarmos o mesmo aqui para a pista chinesa, ainda que sua velocidade em reta não esteja dentre as melhores. Senhores, o desgaste dos pneus está causando preocupação, se por acaso não chover. Parece ser possível assistirmos a uma corrida com vários pit stops. A Pirelli disponibiliza os tipos macio e médio.

O grupo inteiro da Sauber está animado como nunca vi. Gianpaolo Dal’Ara, chefe dos engenheiros, e Francesco Nenci, engenheiro de Kobayashi, são amigos, conversamos bastante. Gianpaolo foi o primeiro engenheiro com quem Felipe Massa trabalhou no seu primeiro teste na Fórmula 1, em 2001, no autódromo de Mugello. Estava presente. Mas tanto um técnico quanto o outro me dizem que a equipe tem de aproveitar a boa base do projeto e encontrar recursos para desenvolvê-lo, caso contrário rapidamente fica para trás.

O principal tema no jantar hoje foi se haverá ou não o GP de Bahrein. Estou convencido de que Jean Todt e Bernie Ecclestone, os homens que de fato vão decidir, usarão o mínimo de bom senso. Há ameaças de todo lado. Explícitas. Coloco-me na posição de um diretor da Mercedes, por exemplo, grupo industrial dentre os mais respeitados. Levar sua equipe ao Bahrein passa a mensagem de apoio ao governo que despreza as reivindicações legítimas de seus cidadãos e é até capaz de atirar e matar manifestantes.

Penso que se os equipamentos embarcarem segunda-feira para Manama, em vez de Londres e Milão, para depois seguirem para a sede das escuderias, assistiremos a algo cruel no país árabe. A única maneira de o poder garantir a realização do evento é isolá-lo da população. E para isso terá de usar força. Muita força. Haverá, com certeza, feridos. Para dizer o mínimo. O que me impressiona é a FIA até agora não se sensibilizar com as imagens que vi hoje, por exemplo, aqui na TV chinesa. Cenas de violência assustadora. Já deveriam ter cancelado a corrida. Resolvam seus problemas e depois, mantidos os acordos de hoje, a Fórmula 1 estará de volta, deveriam dizer aos responsáveis pela prova.

Abraços!

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