05/II/12
Livio Oricchio, de Nice
Amigos, o frio está intensíssimo aqui na França. Ontem, a 90 quilômetros de Nice, nas montanhas, em Auron, enfrentei 8 graus negativos. Mas a tempertura vai se elevar bastante nesta segunda-feira, ao menos na Fórmula 1, com o lançamento do novo carro da Red Bull. É o tema de minha coluna na edição desta segunda-feira do Jornal da Tarde, a qual reproduzo aqui.
A Red Bull lança hoje o seu modelo para a temporada que vai começar dia 18 de março em Melbourne, na Austrália, RB8-Renault. A exemplo da Ferrari, sexta-feira, serão disponibilizadas imagens na internet, não haverá um evento festivo, como se fazia na Fórmula 1. Portanto, é provável que diante da diferença de duas horas entre o horário de Milton Keynes, na Inglaterra, sede da equipe, e Brasília, quem ler esta coluna já terá visto as imagens do aguardado Red Bull RB8.
No ano passado, Adrian Newey, projetista do time do bicampeão do mundo, Sebastian Vettel, e Mark Webber, concebeu o modelo RB7 ao redor do princípio do escapamento aerodinâmico. Utilizava os gases do escapamento para gerar pressão aerodinâmica, em especial nas frenagens. O carro era tão rápido que Vettel venceu 11 corridas e Webber uma. Já em Suzuka, a cinco etapas do encerramento do campeonato, Vettel definiu o título. Não houve competição pelo Mundial.
Mas o escapamento aerodinâmico foi proibido este ano. E a FIA, em conjunto com representantes das equipes, dentre eles da própria Red Bull, redigiu um texto para o regulamento mais cuidadoso, melhor elaborado, a fim de reduzir os riscos das conhecidas interpretações particulares da regras. Ficou mais difícil para Newey conceber alguma grande novidade, como a do escapamento aerodinâmico no ano passado e que condicionou o desenvolvimento da temporada. Newey, contudo, é Newey. Seria surpreendente se no modelo RB8 não houvesse nada de original.
Partindo do princípio que as novas ideias de Newey não terão o peso decisivo de soluções como o escapamento aerodinâmico, faz sentido acreditarmos que a diferença de desempenho entre a Red Bull e os outros três grandes da Fórmula 1, McLaren, Ferrari e Mercedes, será menor que em 2011. E também tomando por base o grande investimento que Ferrari e Mercedes fizeram, este ano, para diminuir a diferença de performance que as separa da Red Bull, também é logico imaginar que as duas não serão quase um segundo mais lentas, como aconteceu em algumas etapas em 2011.
A McLaren já apresentou o MP4/27-Mercedes, dia 1.º. O carro não demonstra representar o mesmo esforço da Ferrari, com o agressivo F2012, e como deverá ser o novo Mercedes, a ser conhecido apenas dia 21, no teste de Barcelona, tal a carga de trabalho na sua concepção e construção. Agora, seria no mínimo imprudência afirmar que a McLaren vai avançar menos de Ferrari e Mercedes. De repente, lá em Jerez de la Frontera, a partir de amanhã, os ótimos Jenson Button e Lewis Hamilton voam na pista. Tudo é possível. É verdade, porém, que houve menos mobilização de técnicos e recursos na McLaren que na Ferrari e Mercedes.
Para resumir nossa conversa, o que irá ocorrer ao longo das 20 etapas previstas para este ano será jogado hoje: se proceder a impressão geral de que o Red Bull RB8 será um carro rápido, confiável, capaz de levar Vettel e Webber a lutarem pela vitória, mas sem a vantagem do ano passado, então deveremos assistir a uma temporada mais emocionante. As vitórias tendem a ser mais distribuídas. Mas se contra a lógica, por conta das severas restrições, agora, do texto do regulamento, Newey inventar algo genial, como é sua história, então o campeonato não vai ser tão diverso do de 2011. Mas é pouco provável. Eu apostaria nisso.
Caro Livio,
Estava aqui lendo o seu blog e uma revista depois de ter sobrevivido a um acidente complemente sem sentido com a pickup (veja fotos no link acima do meu nome, no blog). Fui atropelado por dois bull elk quando estava dentro da pickup que, novinha, esta amassada. Me senti como o Massa na Hungria sem saber o que o atingiu.
Bem, você conhece um camarada chamado Michael Doodson? Ele é um jornalista de F1 e escreveu uma matéria sobre o Ayrton Senna para a Motor Trend Classic (página 116) edição de inverno de 2011. Imagino que essa revista esteja disponível também na Europa e no Brasil.
Ele escreve que era amigo do Senna em começo de carreira e chegou a até dormir no quarto do próprio na casa dos pais em São Paulo. Era também amigo do Piquet e talvez por isso o Senna tenha ficado ressentido.
Na página 123 ele diz uma coisa bem curiosa: Galvão Bueno e o fotógrafo japonês Norio Koike estavam na folha de pagamento do Senna. Ou seja, recebiam dinheiro do piloto para bem representa-lo.
“Perhaps not surprisingly, Senna’s two favourite pressmen were Brazilian TV commentator Galvão Bueno and Japanese photographer Norio Koike, who both were on his secret personal payroll.”
Muito interessante a reportagem, se puder veja a revista.
Não vejo a hora de começar os testes para ver como vai ser o poker de pré temporada.
Grande abraço aqui da América.
PS: No blog há também fotos do Corvette do Nelson Piquet com ele mesmo ao volante para quem gostar de automóveis também.
Carlos, grato pela presença no blog.
Sobre o acidente, ótimo que você esteja bem.
A respeito do que você escreveu, conheço Mike Doodson há décadas. Quase posso dizer que é um amigo.
Mike era o assessor de imprensa da Lotus na época de Emerson Fittipaldi, fala português. Ajuda o fato de a esposa
ser colombiana. Mora hoje na Espanha. Calma, eu não era jornalista nessa época, apenas um adolescente.
A respeito dessa história com o Ayrton Senna, tenho as duas versões: a de Mike, que você leu, e
a do Ayrton. Saiba que depois de ler o que Mike escreveu, Ayrton foi tirar satisfação. Quase
saiu nos socos com o jornalista inglês, de quem era próximo. Nunca mais falou com Mike.
No primeiro ano de Ayrton na McLaren, 1988, um jornal de grande circulação em São Paulo, concorrente
do Estadão, publicou que Ayrton havia dado um Porsche a Galvão Bueno.
Convivo com Galvão há décadas, também. Até hoje Galvão brinca com essa história: de manhã,
quando chega à garagem de casa, aqui em Mônaco ou em Londrina, olha com atenção para ver se
o Porsche não está lá.
Mike concluiu que Ayrton pagava algo a Galvão diante a intimidade entre ambos, da amizade que havia,
acompanhada de perto por ele. Nunca houve isso, sei o que estou falando, damos risada da história.
Até porque Galvão não precisa de nada disso, desde aquela época, além de Ayrton não se prestar a
esse tipo de coisa. A mente das pessoas é que, em geral, está contaminada.
Já quanto a Norio, o japonês trabalhava para Ayrton, era o seu fotógrafo oficial. As fotos iam para o escritório
de Ayrton. Quando ele morreu, em 1994, Norio abandonou a Fórmula 1. Nunca mais o vimos, a não ser
brevemente há uns três anos, quando surpreendemente apareceu no paddock para, em seguida, sumir de
novo. Era fotógrafo e fã na devoção japonesa de se dedicar a alguém.
Grande abraço, Carlos.
Vi as fotos, Carlos. Deu sorte, hein? Acho que essa Silverado aí tem mais aço que os carros da GM no Brasil, ehhehe. Boa sorte e uma dica: Ponha película anti-impaco. É um pouco mais cara, mas já que vc vive aí talvez seja de serventia. Aqui eu uso pra prevenir arrombamentos.
Abraço,
Rama.
responder este comentário denunciar abusoO que houve entre os projetistas da F 1? Transmimento de pensassão? Pelo jeito, o grid estará cheio de John Deeres, Caterpillars e Valmets. E essa pull rod terá que operar milagres para compensar tanta feiura. Alonso será um dos tratoristas.
Pois é… Não consigo deixar de pensar na máxima de Marcel Dassault sobre aviões: “Para um avião voar bem ele tem que ser bonito.” Comme il s´agit de aerodinamique, acho que tbem se aplica a carros de corrida! Viva a McLaren, que não entrou nessa.
responder este comentário denunciar abusoOlá Livio,
Notei que a maioria das fotos da apresentação do RB8 são trabalhadas em programas gráficos, na verdade só uma era foto real mas o fundo estava escurecido propositalmente, o que faz sugerir a intenção da equipe em não “mostrar” o carro e seus respectivos detalhes. Se levarmos em conta que o RB8 não entrará na pista nesses primeiros testes essa idéia deixa de ser apenas um palpite e pode ser encarada como real, ou seja: temos duas das principais equipes adiando o máximo possível revelar as características de seus bólidos.
Pelo que Newey declarou o RB8 é uma evolução do modelo RB5 de 2009, você pode nos falar alguma coisa sobre isso Livio?
Abs
Tenho duvida sobre essa tendência de bico com degrau. Será que isso partiu de uma equipe, vazou e todo mundo foi na onda ou com as novas regras esse recurso era obvio a ponto de quase todos até agora irem pelo mesmo caminho?
Veremos, mas creio que a tendência é a manutenção do domínio do campeonato pela Red Bull.
http://analisedotelespectador.wordpress.com/
(acessem, critiquem!)
Caramba! Até tu, RED BULL? Aguardemos agora a MERCEDES. Será que virá com um F 1 ou com um UNIMOG? Se extrapolarmos às avessas para o automobilismo aquela máxima da Aviação acima citada – e considerando que na Fórmula 1 de hoje a AERODINÂMICA É FUNDAMENTAL – poderemos enunciar que SE É FEIO VAI CORRER MAL. Esses caras todos devem saber muito bem o que estão fazendo, pois se algo der errado serão jantados com batatas pela Mc LAREN.
A apresentação via web da Red Bull foi a mais legal, afinal a fábrica é muito bem acessorada no marketing. Óbvio que não dá pra ver muita coisa, mas Newey fez uma coisa que me ocorreu logo que vi a Caterham e a Ferrari com o degrau no bico, a tomada de ar naquele ponto. Resta saber se é útil mesmo ou é só uma jogadinha para tirar as atenções de algo que valha a pena ser observado.
Ainda não dá para saber se a Red Bull sairá na frente,tenho a impressão que a McLaren pode ter ficado para trás junto com a Mercedes. Pelo jeito que os carros foram feitos (muito parecidos) talvez o grupo intermediário encoste mais no grupo principal, se a Mercedes repetir o ritmo do ano passado, pode ser engolida por esse grupo como aconteceu com a Lotus em 2011.
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