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02.outubro.2011 06:10:41

Newey, o maior projetista de todos os tempos na F-1

01/X/11

Livio Oricchio, de Nice

Amigos, publicamos uma reportagem, hoje, domingo, no Estadão, sobre Adrian Newey. O original é este.

Alguns números antes da leitura:

Os carros concebidos por Newey conquistaram 8 títulos mundiais, com o deste ano, que não há como perder. Supera, portanto, o também genial Rory Byrne, de Benetton e Ferrari, com 7, gancho da reportagem.

 Logo depois de formar-se com destaque engenheiro aeronáutico pela Universidade de Southampton, em 1980, com apenas 21 anos, Adrian Newey enviou currículo para várias equipes de Fórmula 1. “Escolhi engenharia aeronáutica não por amor à aviação, mas por entender que estava mais próxima da Fórmula 1 que qualquer outro curso. Apenas uma respondeu minhas correspondências”, conta o atual diretor-técnico da Red Bull, responsável maior pelas excepcionais conquistas da equipe nas duas últimas temporadas.

Falta um único ponto nas cinco etapas que restam do Mundial para seu piloto, Sebastian Vettel, com o fenomenal modelo Red Bull RB7-Renault, conquistar o bi campeonato. E deve acontecer domingo, no GP do Japão, em Suzuka, cenário de dez outras definições do Mundial, dentre elas as três que deram o título a Ayrton Senna, 1988, 1990 e 1991, todas com a McLaren.

  Com a motocicleta que ele próprio havia modificado, Newey foi até Reading, a meia hora a oeste de Londres. Lá se encontrava a sede da Fittipaldi, a equipe que chamou Newey para uma entrevista. “Quando cheguei, o projetista-chefe estava na porta, conversando com uma pessoa. Era Harvey Postlethwaite (falecido em 1999). Eu me identifiquei e Harvey demonstrou tanto interesse pela minha moto que pediu para dar uma volta”, contou Newey em entrevista ao Estado, no ano passado. “Quando Harvey voltou, disse que eu não precisava entregar o currículo. O emprego era meu.”

  Hoje, aos 52 anos, a trajetória de Newey na Fórmula 1 é o seu maior currículo: o projetista com mais títulos da história, oito, sendo o oitavo apenas uma formalidade matemática. Para efeito estatístico, contudo, Newey ainda está empatado com outro engenheiro notável, o sul-africano Rory Byrne, o homem por trás da concepção dos carros dos sete títulos de Michael Schumacher, dois pela Benetton e cinco na Ferrari.

  Em outras palavras, domingo, em Suzuka, muito provavelmente Newey passará a ser o projetista com maior número de títulos de todos os tempos.

  No intervalo das férias da Fórmula 1, em agosto, o presidente da Ferrari, Luca di Montezemolo, afirmou: “Com todo o respeito a Adrian Newey, mas nós podemos vencer sem ele”. O projetista inglês nascido na mesma cidade de William Shakespeare, Stratford-upon-Avon, é a referência da competição. Ser campeão tendo-o como adversário, segundo a proposição de Montezemolo, representa um grande desafio.

  O que Montezemolo não disse foi que em novembro procurou Newey e lhe deu um contrato em branco para assumir a direção técnica da Ferrari. Com a sua maturidade, hoje, é a garantia de conquistas para uma equipe bem estruturada e dona de um belo orçamento. Newey pela segunda vez na história respondeu “não” à Ferrari.

 “Adrian tem respostas bem originais e extremas para os muitos problemas que temos para desenhar um carro de Fórmula 1. Mas penso que mais o diferencia é como integra as várias soluções que aplica no projeto”, analisa Ross Brawn, diretor da Mercedes. Os dois sempre foram adversários.

E Bernie Ecclestone, promotor do Mundial, afirmou quando Michael Schumacher, pela Benetton e depois Ferrari, e os pilotos da Williams, Damon Hill e Jacques Villeneuve, e McLaren, Mika Hakkinen, disputavam o título, nos anos 90: “Ainda bem que Michael e Adrian estão de lados separados”. Os modelos da Williams e na sequência da McLaren eram de Newey, concorrentes dos times de Schumacher.

  Os números explicam essa admiração e respeito de todo chefe de equipe, piloto, patrocinador, dirigente hoje e naquela época por Newey. Nesse sentido, pode-se dizer que o filho de um cirurgião veterinário que gostava de montar Mini Coppers a partir de kits, e seu amor por carros contaminou o filho, equivale ao Michael Schumacher dos engenheiros-projetistas. Ninguém conquistou mais na Fórmula 1 que Newey, como Schumacher nas pistas. Além dos oito títulos, seus carros conquistaram 132 vitórias e 154 poles desde a estreia na assinatura de modelos de Fórmula 1, na modesta March, em 1988, com 29 anos.

  A importância de Newey no sucesso da Red Bull é tanta que Vettel o consultou antes de estender seu contrato até o fim de 2014. “Adrian e os técnicos que trabalham com ele representam a garantia de que deveremos lutar pelas primeiras colocações nos próximo anos”, explicou o piloto alemão ao Estado. Em outras palavras, o discreto Newey involuntariamente também controla o mercado de pilotos. “Penso que todos pilotos gostariam de correr com seus carros”, afirma Vettel.  

  Na escala de milionários da Fórmula 1, Newey está acima da grande maioria dos pilotos: estima-se que seu contrato com a Red Bull seja de 10 milhões de euros (R$ 25 milhões) por temporada. Muito, sem dúvida, se visto isoladamente, quase 1 milhão de euros por mês, mas bem pouco se for levado em conta o quanto suas ideias reduzem de tempo de pesquisa por já nascerem pré-eficientes, de modo geral, e permitirem ampla margem de desenvolvimento, o que explica em boa parte o seu sucesso. Obviamente, são copiadas pela concorrência sem a menor cerimônia.

  Afinal, de onde vem tanta inspiração para o diretor-técnico da Red Bull, demonstrada da mesma forma nos carros arrojados, e na maioria das vezes competitivos, da McLaren, de 1998 a 2005, da Williams, de 1991 a 1997, e da March, 1988 a 1990? “Meu pai me ensinou primeiro a ler todas as questões das provas na escola. Só depois começar a respondê-las”, contou Newey ao Estado.

  “Quando vou projetar um carro de Fórmula 1, numa mudança de regulamento, por exemplo, relaciono todos os desafios que enfrentarei, como ao ler a prova inteira primeiro. Busco soluções sempre que atendam às necessidades de várias áreas ao mesmo tempo.” Mas o repórter do Estado estava, ainda, sem a resposta para a fonte de inspiração. “Os desafios circulam na minha mente, vou dormir pensando em eventuais soluções, sonho com isso e tomo banho com os problemas. Às vezes, no chuveiro ou logo que saio da cama, de manhã, as respostas que buscava me vêm à mente.”

 

 

 

Comentários (10) | comente

10 Comentários Comente também
  • 02/10/2011 - 10:23
    Enviado por: Sergio Magalhães

    Olá Livio,

    Belo texto, como sempre. Um carro que guardo com muito carinho na lembrança quando o assunto é Newey foram os March que ele projetou em 1988 que fez um belissimo campeonato com desempenhos extraordinários de Ivan Capelli meio aos foguetes MP4/4 da McLaren, e também o GP da França de 90 com dobradinha em certo momento Capelli/Gugelmin. No final deu Prost, de Ferrari, mas Capelli terminou em 2º empurrado com um motor Judd que estava longe de ser dos mais competitivos.

    Depois o resto foi só sucesso como você muito bem escreveu.

    Um abraço, Livio

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  • 02/10/2011 - 11:29
    Enviado por: pc

    Livio, voce é o Adrian Newey da cronica esportiva. Mais uma vez um grande texto, enxuto e ao mesmo tempo profundo. É um previlégio te-lo aqui conosco. Grande abraço.

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  • 02/10/2011 - 13:15
    Enviado por: Sheriff

    Caro Lívio

    O Newey é na estatística o maior projetista ganhador na F1. Porém, ele e todos os projetistas seguem conceitos aerodinâmicos desenvolvidos por Colin Chapman. Inclusive na matéria anterior, você cita o Newey e Colin. A aerodinâmica é fundamental no sucesso do projeto. Assim sendo, não seria o Colin o melhor de todos os tempos (interrogação).

    Em tempo… O Colin não trouxe somente aerodinâmica para a F1. Ele foi o que melhor transformou o “charuto” em design, suspensão, posição de motor e tudo mais, que vemos ser desenvolvido a partir de então…

    Abçs.

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    • 02/10/2011 - 20:34
      Enviado por: Bob

      Caro Sheriff,
      Realmente Colin Chapman foi o mais genial de todos, até nas 500 milhas de Indianápolis o cara revolucionou, depois dele os conceitos mudaram e estão ai até hoje.
      Os March de Newey só andavam bem em pistas que eram verdadeiros tapetes, justamente pela aerodinâmica de aviação.

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  • 02/10/2011 - 14:27
    Enviado por: Joao

    Talentoso, mesmo. Às vezes a solução de um grande problema não é o destino, mas uma eterna jornada. Assim, pessoas como Adrian Newey têm que continuar aprimorando os detalhes sem nunca poder dizer um Eureka! final.

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  • 02/10/2011 - 15:42
    Enviado por: Evaldo

    Parabens pelos belos e informantes textos que vc produz, é um grande prazer pra quem gosta desse espote. Um abço

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  • 02/10/2011 - 19:12
    Enviado por: Guilherme

    Puxa vida… também vou dormir com meus problemas, pensando em soluçoes e tomo banho com eles… mas as soluções não tem vindo, não!!. Acho que a diferença é que ele é gênio e eu não sou, né?
    Parabéns pelo texto, Livio.

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  • 02/10/2011 - 20:51
    Enviado por: marciocampinas

    Lívio, você é outro gênio na escrita.
    Parabéns pelos seus textos, que são sempre muito bem redigidos.

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  • 03/10/2011 - 08:22
    Enviado por: Wagner Luis Alves

    Lívio, parabéns pelo texto.
    O cara realmente merece o salário que recebe, é um gênio.
    Fico imaginando a reação da Ferrari com o ‘não’ dele. rsrsrsrs….

    Red Bull rumo à mais um título ano que vem, podem apostar!

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  • 06/10/2011 - 10:43
    Enviado por: Anselmo Coyote (O Pixote)

    O que falta ao RB para ser o carro mais perfeito de todos os tempos da F1 está nas mãos da Red Bull – pelo menos o primeiro movimento nesse sentido. Isto é, para alcançar a proeza ele teria que se associar a uma empresa de eletro-eletrônicos e desenvolver um controle remoto para o carro, livrando-se assim da necessidade de ter alguém dentro dele segurando o volante.

    Ah… seria necessário também (acredito) mudar o regulamento da FIA para que a equipe possa competir com o carro sem alguém lá dentro. Seria um gasto alto, sem dúvida, mas pode pode por na planilha de gastos com “piloto”, pois essa figura seria “limada”.

    Mas como isso não está nas mãos do Newey e sim da equipe, continuo parabenizando-o.

    Parabéns, Adrian Newey!

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