25/XI/10
Amigos:
Hora de descansar um pouco. Estou de férias até o Natal.
Obrigado pela presença no blog, seja lendo os posts, na iniciativa de comentar e, claro, também criticar. Muitas críticas me permitem crescer, levam-me a pensar coisas do tipo: “e eu estava lá dentro e não vi isso.” Alertam-me para estar mais atento, ampliar meu universo de leitura.
Um grande abraço a todos!
Livio Oricchio
22/XI/10
Amigos, esse é o texto de minha coluna, publica na edição desta segunda-feira no Jornal da Tarde
Felipe Massa ficou com o melhor tempo dos dois dias de treinos com os novos pneus que irão equipar os carros de Fórmula 1 nas próximas três temporadas, Pirelli. Isso quer dizer que sua dificuldade com os pneus, este ano, parte da razão de não entrar na emocionante luta pelo título, está superada?
Não. Mas o resultado não deixa de ser um indicativo positivo. Seria fácil demais resumir a diferença de desempenho para o companheiro de Ferrari, Fernando Alonso, com o fato de os pneus, este ano, serem muito duros, mesmo os macios, e por conta de seu estilo polido de pilotar eles não atingirem a temperatura ideal de aderência. Embora pilotos e técnicos considerem a explicação de Massa perfeitamente compatível.
Há mais que isso. Quem viu Massa este ano, depois da prova de Silverstone, por exemplo, compreendeu que seu emocional não o ajudava. E esse é um fator fundamental na Fórmula 1. É uma situação oposta a de 2008, quando sua autoconfiança estava no auge. Traduzida em resultados, diga-se.
Passou, claro, a ponto de referência para a Ferrari. Literalmente fez de Kimi Raikkonen o que ele, este ano, foi para Alonso, coadjuvante dos objetivos do time. Porque agora a referência é o espanhol. A menor velocidade de Massa, portanto, se explica com a questão dos pneus e a apatia inconsciente diante de tentar de todas as formas se adaptar às novas exigências dos pneus e não conseguir.
Boa parte dos erros de avaliação de Massa, este ano, decorre também dessa ausência de uma visão mais clara dos desafios, causada pelo desconforto emocional. Sua resignação excessiva quase atesta o drama.
Os novos pneus pareceram tecnicamente serem mais favoráveis a Massa, mas, em especial, surgem como um alento, como se o piloto pudesse apagar o passado e começar nova trajetória, imune, agora, ao problema dos pneus. E melhor: o adversário imediato, Alonso, não mais insuperável como sugeria ser depois da metade do campeonato.
20/XI/10
Livio Oricchio
Teste com os novos pneus da Fórmula 1, agora, apenas na primeira semana da fevereiro, em Valência, com os modelos de carros de 2011. As 12 equipes que disputam a competição encerraram, ontem, no circuito Yas Marina, em Abu Dabi, o segundo e último dia de treinos com os pneus Pirelli. A exemplo de Felipe Massa, sexta-feira, ontem seu companheiro de Ferrari, Fernando Alonso, disse ter levado do ensaio “uma imagem positiva” dos pneus. Alonso, como Massa, fez o melhor tempo, mas diante do grande número de variáveis no teste o resultado tem pouco significado.
O importante foi Alonso ter percorrido 105 voltas, praticamente o equivalente a dois GPs de Fórmula 1. “Recolhemos muitos dados importantes”, falou o espanhol, ainda convalescendo da perda do título para Sebastian Vettel, da Red Bull, domingo, em Abu Dabi. “A transição para a Pirelli não será dramática”, explicou Alonso, indo ao encontro da maioria que treinou, ontem, no mesmo circuito. “Ao menos para nós não foi necessária nenhuma mudança radical no acerto para os pneus trabalharem corretamente”, disse.
Ele registrou a marca de 1min40s529. Na sexta-feira, Massa havia obtido 1min40s170 (94 voltas). A pedido da Pirelli, o traçado Yas Marina foi lavado de sexta-feira para ontem. “O piso tinha menor aderência hoje”, comentou Rubens Barrichello, da Williams, autor de 101 voltas e 91 no dia anterior. Sua marca de ontem o deixou em terceiro, 1min41s294.
O próprio piloto explicou a razão de não ser possível comparar os tempos: “Em 2011, com a volta do Kers (sistema de recuperação de energia), o peso mínimo do carro se elevará de 620 para 640 quilos. E acredito que já tem gente treinando como começará em 2010. Só nesses 20 quilos a mais são 7 décimos de segundo.” Rubinho falou, ainda: “Voltamos ao período dos campeões de audiência. Se você treina com 10 quilos de gasolina o resultado é um, se for com 150, bem diferente.”
Para Rubinho, o importante foi compreender o que os novos pneus exigem do chassi. “Variamos cambagem, alinhamento, pressão dos pneus, altura do assoalho, dentre outras áreas, para ver como o carro reagia.” No modelo da Williams, contou Rubinho, “a frente do carro agarra um pouco mais e a traseira um pouco menos.” É o cenário perfeito, portanto, para Michael Schumacher se dar bem, que gosta de carros com esse comportamento, haja vista o alemão ter dito, ontem, ter gostado do que viu. “É preciso esperar o pneu definitivo, em fevereiro. Os que usei hoje parecem estar mais de acordo com o meu estilo, em especial os dianteiros.” O alemão fez 1min41s757 (74 voltas), sétimo tempo.
Rubinho, do alto de seus 306 GPs e 18 anos de Fórmula 1, já competiu com pneus Goodyear, Michelin, Bridgestone e, agora, Pirelli. “Estou de férias”, comentou, ontem, ao Estado, depois da longa reunião com os engenheiros, mas na semana que entra, agora, vai disputar as 500 Milhas de Kart da Granja Viana e na seguinte será repleta de reuniões na sede da Williams, em Grove.”
O segundo tempo, ontem, ficou com Sebastian Vettel, da Red Bull, atual campeão do mundo, 1min40s825 (66 voltas). Mas, como sexta-feira, perdeu um tempo parado por ter um pneu furado. No primeiro caso a Pirelli concluiu tratar-se de um detrito que provocou um rasgo no pneu. No segundo, ontem, não. “Estão investigando”, disse Vettel. Como todos os pilotos, destacou que “as diferenças introduzidas pela Pirelli ao substituir a Bridgestone exigirão adaptações do carro, mas nada profundas demais.” Para a Red Bull, que tem um pacote técnico muito eficiente, o constatado nos testes não poderia ser melhor.
O diretor de esportes a motor da Pirelli, Paul Hembery, informou que o resultado dos dois primeiros dias de treinos de seus pneus excederam todas as expectativas. No mês que vem Pedro de la Rosa vai treinar em Bahrein, dando início à segunda fase do desenvolvimento dos pneus. “Mudaremos os compostos, a partir do que aprendemos em Abu Dabi, mas não a construção do pneu”, informou Hembery, outro alívio para os projetistas.
19/XI/10
Livio Oricchio, de Frankfurt
O resultado do primeiro dia de treinos das equipes de Fórmula 1, ontem em Abu Dabi, não tem representação maior. Mas não deixa de ser positivo o início de trabalho de Felipe Massa, da Ferrari, com os pneus Pirellli. Ao final do dia, registrou o melhor tempo. Sua declaração é animadora: “Me senti muito bem pilotando esses novos pneus.” Durante a sua difícil temporada, concluída domingo no mesmo circuito Yas Marina, Massa atribuiu às características dos pneus Bridgestone deste ano seu fraco desempenho se comparado ao que fez o companheiro, Fernando Alonso.
“O clima na equipe já foi bem melhor, claro, mas temos de pensar em 2011. Eu estou agindo assim”, disse Massa, referindo-se ao fato de ser o primeiro treino da Ferrari com os pilotos titulares depois da perda do título para Sebastian Vettel, da Red Bull, domingo. Quanto aos pneus Pirelli, Massa comentou: “O carro não teve nenhum comportamento estranho, mesmo iniciando o teste com o acerto, ainda, para os pneus Bridgestone.” Disse mais: “Gostei de como eles fazem o carro reagir, não só quanto à velocidade como em relação à consistência. Recolhemos dados importantes para nós e a Pirelli. Saio contente desse primeiro dia.” Hoje é a vez de Fernando Alonso pilotar com os pneus italianos.
Para a Williams o treino é tão importante que escalou Rubens Barrichello, o mais experiente piloto da Fórmula 1, para realizá-lo, ontem e hoje. Em conversa exclusiva com o Estado, Rubinho deu uma informação que os projetistas compreenderam já ontem e os deixou bem satisfeitos: “Estamos surpresos porque em termos de acerto do carro o novo pneu não é tão diferente em relação ao que usávamos.” Os projetistas têm já seus modelos de 2011 quase prontos e receavam ter de repensar tudo se os pneus Pirelli fossem muito diferentes.
“A maneira de guiar é distinta, mas a forma de trabalharmos o carro nem tanto. As mudanças que os projetistas terão de fazer nos novos modelos não serão radicais.” Como Massa, Rubinho não se ateve aos tempos. “Apesar de terem lavado a pista, havia ainda muita borracha do GP e dos dias de treinos com os jovens pilotos, terça e quarta-feira”, explicou. “A pista estava muito melhor da que vamos enfrentar quando fomos treinar, em fevereiro, com os modelos de 2011.” A Williams introduziu um aerofólio móvel no carro para verificar como variava a temperatura dos pneus, com mais e com menos incidência.
Já o campeão do mundo, Sebastian Vettel, da Red Bull, primeiro falou da maratona de viagens depois do título. Seguiu de Abu Dabi para a Áustria, Salzburgo, cidade da Red Bull, depois a Milton Keynes, sede do time na Inglaterra, e ontem estava de volta ao cockpit do RB6-Renault. Confirmou a explicação de Rubinho. “A adaptação aos pneus Pirelli foi mais fácil do que imaginávamos.”
Os tempos de ontem: 1.º Massa, 1min40s170 (94 voltas), 2.º Vettel, 1min40s500 (77), 3.º Gary Paffett (McLaren), 1min40s874 (94), 4.º Kamui Kobayashi (BMW Sauber), 1min40s950 (83), 5.º Robert Kubica (Renault), 1min41s032 (39), 6.º Rubinho, 1min41s425 (91). Amigos…..estão embarcando aqui no aeroporto de Frankfurt. Se for inserir todos perco o voo…obrigadoooooo……
18/XI/10
Livio Oricchio, de Doha, Catar
As 12 equipes que disputam o Campeonato Mundial vão treinar hoje (sexta-feira) e amanhã no circuito Yas Marina, em Abu Dabi, onde domingo Sebastian Vettel, da Red Bull, conquistou o título. Mas se trata de um treinamento muito especial: será o primeiro e único treino com os pneus Pirelli, marca que substituirá a Bridgestone na Fórmula 1, antes da apresentação dos carros de 2011. A mudança é tão grande que pode alterar substancialmente a ordem de forças da competição.
“Os ensinamentos desse teste, quero dizer, compreender quais são as características dos pneus, o que eles exigem das suspensões, como interferem no projeto aerodinâmico, enfim, esses dados serão utilizados para finalizarmos os carros de 2011”, disse em entrevista exclusiva ao Estado, nos Emirados Árabes Unidos, o diretor-técnico da Red Bull, Adrian Newey, campeã também entre os construtores.
O diretor de esportes a motor da Pirelli, Paul Hembery, da mesma forma em conversa exclusiva com o Estado, em Interlagos, explicou que as pessoas irão inevitavelmente comparar os tempos registrados no GP de Abu Dabi, há menos de uma semana, com o que serão obtidos pelos mesmos pilotos, carros e equipes na mesma pista hoje e amanhã, mas com pneus diferentes.
A temperatura do ambiente esperada é de 34 graus e a do asfalto, cerca de 50 graus. Ainda com pneus Bridgestone, terça e quarta-feira as equipes realizaram testes com jovens pilotos e os tempos registrados foram, na maioria, bem melhores que os obtidos pelos titulares no fim de semana do GP. A pista estava mais rápida. Por isso os tempos de hoje e amanhã terão pouca representatividade.
“Se estamos mais lentos ou velozes que o fornecedor anterior é o que menos nos preocupa. Cada equipe terá oito jogos de pneus por dia, quatro do tipo médio e quatro do macio. Para nós o que importa é saber como se comportam os compostos que definimos depois de 7 mil quilômetros de testes.” A Pirelli utilizou o carro de Fórmula 1 da Toyota do ano passado para os experimentos.
Hembery quer dizer: se os pneus macios apresentam maior autonomia que os Bridgestone, se os médios estão muito duros ou muito moles. E a partir daí modificá-los e testá-los nos seus treinos particulares, a fim de estarem prontos nos testes dos modelos de 2011 das escuderias, em fevereiro, nos circuitos de Valência, Jerez de la Frontera, Barcelona e, mais tarde, Bahrein.
A orientação de Bernie Ecclestone, assumida pela Pirelli, é clara: “Pediu que nos inspirássemos no que aconteceu no GP do Canadá, este ano, quando os pneus supermacios tinham autonomia bastante reduzida, 6, 7, 8 voltas apenas. Ecclestone quer melhorar o espetáculo promovendo vários pit stops. Atenderemos dentro do possível. Mas em alguns circuitos, em que não treinamos, por exemplo, poderemos oferecer um pneu de alta durabilidade, por segurança e para mostrar que também sabemos produzir pneus resistentes e que nossos pneus, na Fórmula 1, estão durando pouco porque atendemos a um pedido de colaborar com o show”, explica Hembery.
“Para os engenheiros trata-se de um grande desafio de engenharia. A Fórmula 1 em 2011 selecionará a equipe que melhor reagir entre entender como funcionam os pneus Pirelli e mais bem adaptar seu carro, praticamente pronto já, no fim de novembro, a eles”, afirma Newey. E prevê: “Teremos surpresas.”
14/XI/10
Livio Oricchio, de Abu Dabi
Na temporada de 2000 da Fórmula 1, em que Michael Schumacher conquistou o primeiro dos cinco títulos seguidos pela Ferrari, Sebastian Vettel tinha 12 anos e havia posters do ídolo no seu quarto, na modesta casa construída pelo pai, Norbert, carpinteiro até hoje, na pequena Heppenheim, no sul da Alemanha. Ontem Norbert comemorou a conquista com o filho no circuito Yas Marina.
Ao entrar na adolescência, Vettel substituiu as fotos de Schumacher pelas de mulheres peladas, conforme disse em entrevista exclusiva ao Estado, este ano. Mas também nessa fase ocorreu algo que viria a ser decisivo para dar sequência à carreira de piloto, já iniciada no kart, bancadas com sacrifício pela família e ajuda de amigos. “Eu disputei uma corrida de kart no kartódromo de Michael (Schumacher), em Kerpen, e venci com pneus lisos quando chovia”, conta o mais jovem campeão do mundo.
E quem lhe entregou o troféu foi Schumacher, em pessoa. O desempenho de Vettel impressionou tanto Schumacher que tomou a iniciativa de apresentar Vettel a Gerhard Noach, o mesmo empresário que o ajudou no começo de carreira. “Meu pai trabalhava e era Gerhard quem passou a me acompanhar às corridas de kart.” Noach também investiu dinheiro na formação de Vettel por ter ouvido de Schumacher: “Neste vale a pena.” Felizmente Vettel não herdou a filosofia de Schumacher, para quem vale tudo para vencer.
Para a imprensa alemã, Vettel lembrou uma passagem pouco comum vivida por ele na prova de Kerpen. “Eu era fã de Michael e da Ferrari, usava regularmente o boné de Michael. Quando alinhei o kart e depois parei no grid, tirei o capacete e pedi o boné. Mas logo em seguida recebemos ordem para iniciarmos a volta de apresentação.” Vettel diz que tirou o boné e, sem saber o que fazer, colocou no banco, vestiu o capacete e correu assim. “Aquele volume incomodou bastante no começo.”
Curiosamente, as trajetórias de Vettel e Fernando Alonso, adversário mais difícil de ser batido ontem, por então liderar o campeonato, se assemelham. O alemão é o terceiro filho de Norbert e Heike, sua mãe. Há duas irmãs mais velhas e um irmão, Fabian, mais jovem, 11 anos, já competindo de kart também. Era a irmã mais velha quem praticava kartismo e despertou o interesse de Vettel. “Eu não queria sair do kart de jeito nenhum”, conta o piloto. O pai tinha de retirar o menino, convencê-lo a sair.
Alonso também começou a pilotar kart porque seu pai construiu um para a irmã mais velha e, a exemplo de Vettel, se apaixonou tanto pelo que seria apenas uma diversão que definiu seu encaminhamento profissional. As duas irmãs não passam mais nem perto dos karts, mas acompanharam os irmãos mais jovens serem campeões do mundo.
Deve haver ligação: Vettel vive numa fazenda na Suíça, despojada de grandes confortos, próxima da pequena Baar, quase na fronteira com a Alemanha, onde reside também Kimi Raikkonen, seu amigo. “Costumamos jogar peteca juntos”, diz Vettel. A escolha do alemão provavelmente tem a ver com a origem simples e a educação recebida de Norbert, metade do seu tamanho, e Heike. “Meus amigos de escola estão na universidade, seguem caminhos intelectuais, mas quando nos reunimos somos os mesmos, apesar de eles me lembrarem que nunca vão ganhar o que eu ganho de salário. Não é bem assim”, também afirmou Vettel, em conversa com o Estado, durante o GP em Valencia. Estima-se que vá faturar, contando os pontos por bônus, este ano, 6 milhões de euros. Na próxima temporada, agora campeão do mundo, a Red Bull deve lhe pagar mais.
A empresa austríaca investe cerca de 30% do seu faturamento de 2,5 bilhões de euros anuais em marketing esportivo. Vettel representa, talvez, o melhor resultado dessa estratégia agressiva de investir no esporte, em especial os mais radicais. “Apoiamos Sebastian desde a Fórmula BMW, depois Fórmula 3 Europeia e a World Series, é um dos nossos maiores talentos”, afirmou ao Estado Helmuth Marko, responsável pelo programa de formação de jovens pilotos da empresa.
Foi Marko quem ganhou o banho de champanhe no pódio, ontem, junto de Vettel, observados de baixo pelo proprietário da Red Bull, Dietrich Mateschitz, o fabricante de bebidas energéticas que, em cinco anos de Fórmula 1, venceu Ferrari, Mercedes, Renault, fabricante de carros, e organizações como McLaren e Williams, constumeiras campeãs da Fórmula 1. E pensar que quando a Red Bull chegou na Fórmula 1, em 2005, muitos pensaram que era apenas para aumentar sua vendas.
14/XI/10
Livio Oricchio, de Abu Dabi
Não fosse a quebra do motor no GP da Coreia do Sul, dia 24 de outubro, quando liderava, antes de a Fórmula 1 ir a Interlagos, onde ganhou, Sebastian Vettel teria vencido as quatro últimas etapas do campeonato. Assim, ficou em primeiro em Suzuka, pulou Coreia, e nas duas seguintes, Brasil e ontem, aqui em Abu Dabi.
Atropelou na hora certa. Conseguiu unir seu talento com constância, que lhe faltava. Somemos a essa arrancada sensacional suas dez pole positions nas 19 provas do calendário. O que estou querendo dizer é que o título está nas mãos do piloto mais veloz do ano. Portanto, Vettel é um legítimo campeão.
É também verdade que colecionou erros. Mas tem 23 anos, esta foi sua terceira temporada completa e a segunda num time vencedor. Há atenuantes de várias naturezas para compreender seus equívocos. O importante é que evoluiu muito no final.
O que o Mundial que acabou ontem deixou também como mensagem é que, por vezes, ordens de equipe jogam contra os seus interesses. Poucos entenderam, dentre eles eu, por qual razão a direção da Red Bull não orientou Vettel deixar Webber vencer o GP do Brasil. Seria uma dobradinha da mesma forma e Webber ficaria a 1 ponto de Alonso, na classificação, e não 8, como aconteceu.
Mas se a Red Bull tivesse seguido esse raciocínio lógico, Vettel teria somado 18 pontos em Interlagos e não 25. Resultado: ontem não teria sido campeão do mundo.
Confesso ser defensor de ordens de equipe, em determinadas circunstâncias, como a do GP do Brasil, a duas etapas do encerramento. Tudo o que se passou em Abu Dabi, ontem, porém, no mínimo me fará refletir sobre a real validade dessas decisões, quase sempre polêmicas.
Amigos, ontem à noite, quase meia-noite, consegui a entrevista que desejava aqui em Abu Dabi, com Adrian Newey. Mostrou uma postura nunca vista por mim desde que o conheci num teste de pneus, no Rio de Janeiro, no início de 1989, quando ele começou a aparecer como projetista da March. Tinha cabelos, ainda.
Livio Oricchio, de Abu Dabi
Fernando Alonso é considerado por muitos o piloto mais completo da Fórmula 1. Mas não é unanimidade. Já Adrian Newey, projetista e diretor-técnico da Red Bull, tem o reconhecimento de todos na Fórmula 1 como o principal responsável pela equipe ter vencido o Mundial de Construtores, domingo, em Interlagos, e seus pilotos, Mark Webber e Sebastian Vettel, terem boas chances de serem campeões em Abu Dabi. Hoje será disputada a sessão de classificação, última do campeonato.
Nessa entrevista exclusiva ao Estado, Newey faz uma declaração surpreendente e que vai ao encontro da política geral da Red Bull de não intervir na disputa entre seus pilotos, mesmo que isso lhes custe o título de pilotos. “Eu queria mesmo era vencer o campeonato de construtores e consegui. Quando aceitei o desafio de fazer a Red Bull tornar-se uma organização vencedora sabia que teria de trabalhar muito. Agora obtivemos êxito.” E nem demorou muito. Newey deixou a McLaren no fim de 2006, com carta branca para fazer da Red Bull uma escuderia campeã.
Mas não dói ver que seu carro é superior ao demais, 14 poles, 9 vitórias e, de repente, não tem o piloto campeão? “Claro que fiquei chateado na Turquia quando Vettel e Webber se tocaram. Espero que tenham aprendido. Adoraria conquistar o título de pilotos também, vamos ver, mas tenho muito prazer quando vejo nosso carro dominando completamente uma competição.” Na Hungria, o projeto de Newey parecia pertencer a outra categoria, tal a diferença no desempenho para a concorrência. Essa hegemonia parece alimentar Newey tanto quanto, quem sabe mais, que a eventual vitória no campeonato de pilotos, pois aí entra a direção esportiva e essa não é sua área.
Vettel ou Webber? “Não importa quem (seja campeão), desde que com o meu carro”, responde. O engenheiro aeronáutico inglês, que tem como ídolo o ex-fundador da Lotus, o também supercriativo Colin Chapman, falecido em 1982, evita ao máximo entrar nas questões esportivas, de responsabilidade de Christian Horner. Mas faz questão de lembrar as acusações que sofreu este ano. Prineiro de Ross Brawn, da Mercedes, que afirmou que a Red Bull tinha um carro que controlava a altura do assoalho, e depois de Martin Whitmarsh, da McLaren, acusando o carro de Newey de ter aerofólios móveis, proibidos.
“Foi de dar nojo.” É a primeira vez que o diretor-técnico da Red Bull manifesta-se assim. “A FIA até reviu e ampliou as solicitações nos testes para ver se havia algo errado, acompanhado por todos, e nada foi encontrado.” Falou mais: “Eu nunca havia visto um ambiente como o que criaram, uma vergonha.” Os projetos de Newey ganharam o Mundial de Pilotos em 1992, na Williams, com Nigel Mansell, 1993, Alain Prost, 1996, Damon Hill, e 1997, Jacques Villeneuve. Na McLaren, foi campeão com Mika Hakkinen em 1998 e 1999.
Apesar de estar curtindo, ainda, a conquista do Mundial de Construtores, como afirmou sua maior meta, Newey dedica já muitas horas de estudo para o modelo do ano que vem. O regulamento muda de novo, com a proibição do duplo difusor, recurso aerodinâmico, e a substituição dos pneus Bridgestone pelo Pirelli. “Nunca vi isso na minha vida. A concepção geral do nosso carro está pronta. Mas não temos ideia das características dos pneus. Treinaremos apenas dois dias aqui, semana que vem. Não será mais possível uma mudança radical no projeto.”
Para Newey, o grupo de engenheiros que melhor reagir entre entender como os pneus Pirelli vão funcionar e adequar o carro, praticamente pronto, a suas características, deverá vencer o próximo Mundial. “Teremos surpresas, com toda certeza, ao menos no início.” Hoje ele vai estar na mureta dos boxes torcendo pela 15.ª pole de seus pilotos na temporada, o que poderá facilitar vencerem outro campeonato, o mais importante para a maioria, o de pilotos. Menos para Newey.
11/XI/10
Livio Oricchio, de Abu Dabi
Os números são impressionantemente contra Felipe Massa. Do GP da Alemanha, dia 25 de julho, 11.º do calendário, ao do Brasil, domingo, 18.º, somou 76 pontos e chegou 3 vezes ao pódio. Já o companheiro de Ferrari, Fernando Alonso, lidera o Mundial e nesse mesmo período conquistou 148 pontos, quase o dobro, venceu 4 corridas e, no total, foi 7 vezes ao pódio. Falhou apenas no GP da Bélgica, quando errou e bateu.
Mas os números, segundo a direção da Ferrari deixou claro, ontem, no circuito Yas Marina, em Abu Dabi, onde domigo será disputada a decisão do campeonato, são ingratos com Massa. Expressando o ponto de vista do diretor da equipe, Stefano Domenicali, o assessor de imprensa italiano, Luca Colajanni, explicou que, se o desempenho do piloto for analisado etapa a etapa, será possível compreender que, apesar de distante do de Alonso, é superior ao que os números sugerem.
Na Alemanha, disse Colajanni, todos sabem o que aconteceu. A Ferrari ordenou Massa deixar Alonso ultrapassá-lo para o espanhol, mais bem colocado no Mundial, vencer. Na Hungria, Massa classificou-se em quarto, pista em que a Red Bull não teve adversários. Na prova de Spa-Francorchamps, na Bélgica, Massa acabou em quarto e Alonso se acidentou. Na Itália, o espanhol deu um show e foi primeiro, com Massa em terceiro.
Ainda de acordo com as explicações de Colajanni, Massa não poderia ter feito mais que o 8.º lugar em Cingapura por largar em último, decorrência da quebra do câmbio na definição do grid. No Japão, Massa manifestou mais os problemas de aquecimento dos pneus que Alonso. Largou em 12.º enquanto o asturiano, 5.º. Na corrida arriscou tudo na largada e não só abandonou como levou consigo Vitantonio Liuzzi, da Force India. Não foi punido por causa da falta de critério dos comissários.
Na Coreia do Sul Massa realizou bom trabalho ao receber a bandeirada em 3.º, em outro desempenho notável de Alonso, 1.º. E finalmente domingo, em Interlagos, não fosse a roda dianteira direita não ter ficado presa no pit stop, o que obrigou Massa regressar aos boxes, teria sido o 5.º ou o 4.º colocado.
Ontem, depois de visitar o impressionante parque temático Ferrari World, ao lado do não menos suntuoso Yas Marina Circuit, Massa comentou a posição da Ferrari: “Descobrimos que em São Paulo o problema foi na pistola de ar (usada para fixar a porca da roda). Sairia dos boxes na frente do Jenson Button, 5.º na prova.”
Quanto a sua imagem bastante danificada com a diferença de desempenho para Alonso, Massa disse: “Não levo comigo para o carro o que as pessoas pensam, até porque elas veem só a classificação final. Procuro, sim, entender as razões.” Tudo o que espera é que o novo carro e, principalmente, os pneus Pirelli, substitutos dos Bridgestone, tenham comportamento distinto dos deste ano. “Estou me preparando já para 2011.” Antes disso, porém, vai assitir ao jogo da seleção brasileira de futebol contra a Argentina, quarta-feira, em Doha, no Qatar.
Apesar da compreensão do diretor da Ferrari quanto a sua falta de resultados, em comparação a Alonso, Massa recebeu um recado de Colajanni. O assessor afirmou que nunca Alonso precisou tanto de Massa como no GP de Abu Dabi.
Para o italiano, seria fundamental Massa entrar na disputa pelas primeiras colocações, como se espera que vá ocorrer entre Alonso e a dupla da Red Bull, Sebastian Vettel e Mark Webber, com quem luta pelo título. Ao espanhol basta o segundo lugar para garantir o campeonato. Mas diante da esperada superioridade da Red Bull, sua tarefa não será fácil. Com Massa entre os primeiros, como deseja a Ferrari, sua missão seria menos ingrata.
07/XI/10
A exemplo da corrida de ontem em Interlagos, o decisivo GP de Abu Dabi, domingo, tem roteiro mais que definido. Ao menos na pista seca. E quando é que chove nos Emirados Árabes Unidos? Salvo erros de Sebastian Vettel e Mark Webber, a dupla da Red Bull, na sessão de classificação e na corrida, problemas no carro ou o seu envolvimento em acidentes, a vitória deve ficar com um dos dois.
Será surpreendente se não for assim, diante do que o modelo RB6-Renault da Red Bull realizou, ontem, no GP do Brasil, e das facilidades da equipe na edição do ano passado no circuito Yas Marina, quando ganhou com Vettel em primeiro e Webber em segundo.
Assim, se a lógica se comprovar mesmo no fim de semana, como em Interlagos, a decisão sobre quem será o campeão estará nas mãos de Chistian Horner, diretor da Red Bull que, por sua vez, atende os desejos do proprietário da empresa, Dietrich Mateschitz. Isso porque se Vettel estiver em primeiro e Webber em segundo, com Alonso em terceiro, a Red Bull só será campeã, ou Webber apenas conquistará o título, se Horner ordenar a troca de posição com Vettel.
Aí estará em jogo a possibilidade de a empresa capitalizar com a vitória no Mundial de Pilotos, como foi ontem no de Construtores, ou capitalizar, também, com o título de maior isenção da história da Fórmula 1, como defende Mateschitz. Tudo é mesmo novo quando se trata da Red Bull, seja na Fórmula 1 ou em qualquer outra atividade esportiva.
Fernando Alonso e a Ferrari já compreenderam ser necessário que algo de novo aconteça para ficarem na frente de um dos pilotos da Red Bull, condição necessária para lhe garantir o título. Se for tudo como em Interlagos, sem surpresas, Alonso já compreendeu que apesar de a segunda colocação lhe permitir ser campeão, seu desafio não será fácil. “Minha primeira chance será na sessão de classificação e ficar à frente de um desses rapazes (Vettel ou Webber). Se não der, há o dia seguinte, na largada da corrida.”
É uma demonstração, clara, de que apesar da sua necessidade para o título ser relativamente tranquila, na prática deixar um dos pilotos da Red Bull para trás na pista dos Emirados Unidos será desafio dos mais difíceis. O pior para Alonso é que Felipe Massa, seu companheiro, não está acompanhando o ritmo dos pilotos envolvidos na luta pelo Mundial. Já compreendeu que deverá ser difícil para Massa classificar-se e correr dentre os primeiros em Abu Dabi, o que poderia ser decisivo para a Ferrari ser campeã.
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