30/VIII/10
Livio Oricchio, de Spa-Francorchamps
Faz todo sentido: os dois melhores pilotos do campeonato, depois de 13 etapas, são os que provavelmente vão lutar pela conquista do título, embora nas seis provas que restam as coisas possam mudar ainda. Lewis Hamilton, da McLaren, realiza temporada extraordinária. E Mark Webber, Red Bull, surpreendeu muita gente com o desempenho este ano.
Não é por acaso que Hamilton lidera o Mundial, com 182 pontos, seguido por Webber, 179. Apenas 3 pontos os separam. E o próximo adversário, Sebastian Vettel, terceiro na classificação, companheiro de Webber, está a 31 pontos do inglês e a 28 do australiano. É mais dos pontos distribuídos ao vencedor de uma corrida (25). Isso quer dizer que no GP da Itália, em Monza, dia 12, o máximo que pode acontecer será a troca de posição entre ambos. Não há como alguém ultrapassá-los.
De quem se esperava mais, em especial depois do período de aprendizado com um carro vencedor, este ano, é Sebastian Vettel. Sua instabilidade emocional, natural para quem acabou de fazer 23 anos e sente o peso de substituir Michael Schumacher, ainda que diga o contrário, está comprometendo a eventual conquista do título. Ontem errou demais.
Jenson Button, da McLaren, atual campeão do mundo, apesar de ser capaz, inteligente, não tem o talento de Hamilton. E com o abandono de ontem ficou longe do companheiro, 35 pontos. O caso de Fernando Alonso é ainda pior, 41 pontos atrás de Hamilton.
Em condições normais, a luta está mais para Hamilton e Webber. E Monza, dia 12, o histórico do campeonato sugere estar mais do lado do inglês, pois a velocidade final dos carros da McLaren, o que conta muito na pista italiana, é maior que os da Red Bull. Assim, Hamilton tem boa possibilidade de ratificar a liderança no GP da Itália.
30/VIII/10
Livio Oricchio, de Spa-Francorchamps
Se o desafio de a Ferrari ser campeã já era grande, depois de Fernando Alonso não marcar pontos, ontem, e Felipe Massa obter o quarto lugar, ficou ainda maior. “Disputaremos um campeonato à parte das sete etapas finais. Nós desperdiçamos, hoje, uma chance de crescer na classificação e nossos adversários a aproveitaram. Temos de tentar compensar na próxima corrida”, afirmou Alonso, resignado com outro erro. Já Felipe Massa disputou boa prova e acabou em quarto.
No fim da primeira volta, o espanhol recebeu o impacto da Williams de Rubens Barrichello na freada da última curva. “Minha prova acabou ali, estava no lugar errado na hora errada”, falou Alonso. “Conseguiu entrar nos boxes, trocar o bico e arriscamos colocar pneus intermediários, pois chovia.” Como parou de chover, Alonso precisou voltar de novo para os boxes e substituir os pneus pelos de pista seca.
“Tínhamos o carro mais rápido do fim de semana. Estava em último, 20 segundos atrás do penúltimo, e antes de começar a chover de novo (na 33.ª volta de um total de 44) eu me encontrava a 10 segundos do pódio”, comentou Alonso. Os dois pilotos da Mercedes, Michael Schumacher e Nico Rosberg, teriam de realizar seu pit stop, e Alonso não mais. “Ganharia as posições deles.” Não deu certo porque Schumacher e Rosberg aproveitaram para já mudar para pneus de chuva, como era necessário, e Alonso ter cometido outro erro.
“Eu tinha de arriscar, a oitava ou nona colocação não me serviriam para nada. Passei sobre a zebra molhada e meu carro se projetou na direção da grade”, disse Alonso. Manteve-se em quinto no Mundial, mas agora a 41 pontos do líder, Lewis Hamilton, da McLaren (182 a 141), em vez dos 20 de antes da largada. Restam as etapas da Itália, Cingapura, Japão, Coreia do Sul, Brasil e Abu Dabi.
Felipe Massa não estava totalmente satisfeito com o quarto lugar. “Contente pelo trabalho da equipe em condições bem difíceis, mas quando você vê McLaren, Red Bull e Renault na frente, não.” Hamilton o impressionou. “No seco, ele sumiu”, disse Massa. “Nas duas últimas etapas eles eram um segundo mais lento.”
Sobre o campeonato, comentou: “Ficou ainda mais difícil.” Massa é o sexto, com 109 pontos, 73 a menos de Hamilton. É provável que a FIA o convoque para a reunião do Conselho Mundial, dia 8, em Paris, quando será julgada a ordem de equipe na Ferrari no GP da Alemanha. “Acredito que vai ficar como está”, afirmou o piloto. O time italiano pode perder os pontos com a dobradinha no circuito de Hockenheim, dia 25 de julho.
30/VIII/10
Livio Oricchio, de Spa
A bela vitória de Lewis Hamilton, da McLaren, e a segunda colocação de Mark Webber, Red Bull, ontem, no quase sempre tumultuado GP da Bélgica, somadas ao fato de Sebastian Vettel, Red Bull, Jenson Button, McLaren, e Fernando Alonso, Ferrari, não terem marcado pontos, deixa os dois pilotos em excelentes condições na disputa do título nas seis etapas que restam. O talentoso polonês Robert Kubica, da Renault, completou o pódio, em terceiro.
Antes da largada, Hamilton, Webber, Vettel, Button e Alonso possuíam boas possibilidades na luta para ser campeão. Apenas 20 pontos separavam o australiano da Red Bull, líder, de Alonso, quinto colocado. Agora, depois da corrida de ontem no circuito de Spa-Francorchamps, a 13.ª do calendário, com sua tradicional alternância nas condições do tempo, Vettel, Button e Alonso se complicaram. Os três estão a mais de uma vitória (25 pontos) de Hamilton e Webber na classificação do Mundial. E entre os dois a diferença é mínima, 3 pontos (182 a 179), ou um oitavo lugar.
“Estou em êxtase”, afirmou Hamilton, que com o resultado reassumiu a liderança da competição, perdida na etapa anterior, Hungria. “Quando segui direto na curva 8 (na 33.ª volta de um total de 44), disse ‘Meus Deus’, mas consegui evitar o toque na barreira e voltar a pista.”Hamilton estava em primeiro quando começou a chover pela segunda vez. Ele havia optado por não entrar nos boxes, como Kubica, segundo, Webber, terceiro, e Felipe Massa, Ferrari, quarto, mas a chuva se intensificara.
A essa altura, todos compreenderam a necessidade de substituir os pneus de pista seca pelos do tipo intermediário ou de chuva. Alguns, como Adrian Sutil Force India, quinto, e Michael Schumacher, Mercedes, sexto, já haviam parado na volta anterior e poderiam surpreender os líderes. “Realizamos talvez o nosso melhor pit stop até agora e consegui voltar na frente ainda”, comentou Hamilton.
Conduziu com a competência que o levou a ser campeão em 2008, o mais jovem da história (23 anos), sem deixar a liderança um único instante, apesar das duas entradas na pista do safety car. “É incrível, nas duas últimas provas estávamos bem atrás de nossos adversários e aqui fomos tão velozes”, lembrou o inglês, sempre sorrindo.
Webber disse não estar chateado, apesar de ter largado na pole position e recebido a bandeirada em segundo. “Para quem passou em quinto ao final da primeira volta esse resultado tem de me deixar feliz.”
Mandou um recado claro a Christian Horner, diretor da Red Bull, ao responder se pensa que o time deve, agora, concentrar atenções em si. O companheiro de equipe, Vettel, demonstrou, de novo, pouca maturidade para poder ser campeão. Errou na freada da última curva, na 16.ª volta, e colidiu com Button, tirando-o da corrida. Vettel pôde prosseguir, depois de trocar o bico, mas foi punido com drive through. Teve ainda um pneu estourado na luta com Vitantônio Liuzzi, da Force India. Acabou em 15.º apenas. Webber soma 179 pontos diante de 151 de Vettel, terceiro.
“Depende do quanto desejamos conquistar o título. A McLaren tem uma ampla galeria de troféus, o que não é ainda o caso da Red Bull.” Reconheceu, no entanto, ser cedo, mas a decisão (de priorizá-lo na luta pelo Mundial) não pode demorar muito.” O que não será fácil para Horner e o diretor do programa de pilotos da Red Bull, o austríaco Helmuth Marko, que amariam ver Vettel campeão.
Robert Kubica lamentou ter errado no momento do segundo pit stop, quando chovia, na 34.ª volta. “Custou-nos o segundo lugar.” Webber o ultrapassou nos boxes. “Precisamos fazer um ajuste no aerofólio dianteiro antes da parada, o que se faz no volante. Como estava escorregando muito na pista, tive de intervir quando me encontrava já na área dos boxes”, explicou. “Me distraí um instante, freei forte, travei as rodas e toquei nos mecânicos.” Isso fez o time perder tempo, o suficiente para cair de segundo para terceiro. “O mais importante foi a evolução do carro, confirmada aqui”, falou Kubica. O próximo GP é o da Itália, dia 12, em Monza.
30/VIII/10
Livio Oricchio, de Spa-Francorchamps
Barrichello, Williams, pediu desculpas a Alonso, por ter batido na sua Ferrari, na 1.ª volta. “Freei antes da hora, mas havia muita água.” Rubinho disse que poderia estar entre os seis primeiros.
Lucas Di Grassi terminou em 17.º, na frente do companheiro de Virgin, Timo Glock, 18.º. Perdeu o 16.º para Heikki Kovalainen, Lotus, a 5 voltas do fim. “Ele cortou a chicane”, acusa Di Grassi.
Bruno Senna, da Hispania, largou na sua melhor colocação até agora, 18.º, mas abandonou após apenas seis voltas, com a quebra de uma suspensão traseira. “Foi a pista onde estivemos melhor.”
Num circuito onde o piloto faz a diferença, a primeira vitória de Hamilton em Spa-Francorchamps o coloca ao lado de Ayrton Senna (5 vitórias), Schumacher (seis), Raikkonen (quatro).
Stefano Domenicali, diretor da Ferrari, ontem, sobre o julgamento da equipe, dia 8, em Paris, por ordem de equipe na Alemanha. “Não fizemos nada que atingisse nossos adversários.”
Domenicali a respeito do GP da Coreia do Sul: “Sei que essa semana vão começar asfaltar a pista.” Todos riram. A prova, 17.ª do ano, está marcada para 24 de outubro. Sua realização é dúvida.
Dois destaques, ontem: Vitaly Petrov, da Renault, que largou em penúltimo e marcou dois pontos com o bom 9.º lugar. E Kamui Kobayashi, da Sauber, de novo, que subiu de 17.º para 8.º.
Não deu para Michael Schumacher repetir o desempenho de 1995, quando largou em 16.º e venceu, com Benetton. Ontem, com Mercedes, saiu em 21 e acabou em 7.º. “Eu me diverti.”
Vettel, Red Bull, foi o grande perdedor, ontem. Errou e tirou Button, McLaren, da prova. “Devo pedir desculpas”, falou. Atribuiu à ondulação da pista a perda do controle do carro.
28/VIII/10
Livio Oricchio, de Spa-Francorchamps
Os treinos no circuito Spa-Francorchamps, sexta-feira e ontem, mostraram, mais uma vez, o quanto os pneus são decisivos nas competições de Fórmula 1 e na qualidade do espetáculo. Hoje, ao longo das 44 voltas do GP da Bélgica, não será diferente. A Bridgestone, no entanto, anunciou ainda no ano passado que deixará o evento na última etapa da temporada, dia 14 de novembro, em Abu Dabi, depois de 13 anos. De 2011 a 2014 a fornecedora de pneus da Fórmula 1 será a Pirelli. Paul Hembery, diretor da empresa italiana, garantiu nessa entrevista exclusiva ao Estado: “Vamos colaborar com o show”.
Depois do GP do Canadá, oitavo do calendário, dia 13 de junho, em que os pneus colocados à disposição das equipes perdiam rendimento após 6, 7, 8 voltas, a corrida ganhou emoção. Ninguém sabia o que ocorreria, diante de tantos pit stops. Bernie Ecclestone, promotor da Fórmula 1, apenas esperou a definição da escolha da Pirelli, dia 24 de junho, para lhe solicitar: “Precisamos de pneus de breve vida útil.”
Hembrey confirmou o pedido: “Vamos procurar atendê-lo, junto com as necessidades das equipes. Mas é preciso compreender que 2011 será nosso primeiro ano.” A Pirelli, na realidade, deixou a Fórmula 1, na sua última aparição, iniciada em 1989, no fim de 1991. E sua última vitória foi no GP do Canadá de 1991, com Nelson Piquet, de Benetton. Hembrey explicou: “Produzir pneus resistentes, de elevado desempenho, não é um problema. O desafio será encontrar o compromisso certo entre vida útil e resistência, com desdobramentos no show.”
A empresa italiana realizou dois dias de testes, 17 e 18 de agosto, em Mugello, Itália, com o modelo da Toyota do ano passado, pilotado pelo experiente alemão Nick Heidfeld (167 GPs). “Pode acontecer de por não podermos treinar em todos os circuitos nossa escolha se mostre mais conservadora em algumas provas, os pneus resistirem mais e o show não sair como todos gostam.”
O mesmo padrão de produção dos últimos anos será adotado pela Pirelli, por orientação da FIA: pneus supermacios, macios, médios e duros. “Como agora, vamos colocar a disposição das escuderias dois tipos de pneus por fim de semana de GP, sendo as combinações supermacios e médios ou macios e duros.” A participação da Pirelli se estenderá também à GP2. Hoje já fornece para a GP3. “Do ponto de vista logístico e organização é até mais fácil”, diz Hembery.
Os mais preocupados, no entanto, em conhecer o comportamento que o carro terá com o novos pneus são os projetistas. “A definição do novo fornecedor de fato saiu tarde”, comenta o diretor da Pirelli. “Como projetar um carro de Fórmula 1 sem saber as características dos pneus é algo impensável. Projetamos o carro para o pneu e não ao contrário”, diz Adrian Newey, diretor-técnico da Red Bull, do líder do campeonato, Mark Webber.
“A partir de 1.º de setembro, vamos repassar todos os dados técnicos do nosso pneu, ao menos quanto a sua construção”, diz Hembery. “Logo na sequência distribuiremos os pneus em escala 50 ou 60% para os estudos dos modelos no túnel de vento.”
As equipes terão apenas dois dias de testes, 17 e 18 de novembro, em Abu Dabi, para conhecer na prática os pneus, e com um carro apenas. Depois já vão treinar com seus modelos de 2011 em fevereiro. “Está sendo um grande desafio para todos os projetistas”, afirmou no GP da Alemanha, Ross Brawn, da Mercedes.
28/VIII/10
GP da Bélgica
Livio Oricchio, de Spa-Francorchamps
Ainda que a pole position, no circuito Spa-Francorchamps, na Bélgica, não seja tão fundamental para conquistar a vitória como na prova de Budapeste, por exemplo, Mark Webber tem hoje boa possibilidade de ampliar sua liderança no Mundial. O australiano da Red Bull pilotou com precisão, ontem, para estabelecer a pole da 13.ª etapa do campeonato, sob um clima que alternou chuva e sol.
A boa notícia para ele é que nem todos os seus adversários na luta pelo título se deram tão bem na sessão que definiu o grid. Lewis Hamilton, da McLaren, vice-líder, conseguiu importante segunda colocação para a largada, hoje, mas Sebastian Vettel, terceiro, companheiro de Red Bull, Jenson Button, quarto, parceiro de Hamilton, e principalmente Fernando Alonso, Ferrari, quinto no campeonato, se complicaram. Vettel sai, hoje, em quarto, Button, quinto, e Alonso, apenas décimo. O Mundial será decidido entre eles nas sete etapas que restam da temporada, incluindo a corrida de hoje.
“Sabíamos que essa pista nos seria favorável, assim como não é o caso da próxima. Nosso carro esteve rápido em todas as condições aqui em Spa”, disse Webber, autor da quinta pole do ano, sexta da carreira. “Temos de aproveitar bem Spa porque Monza tende a não ser tão bom como aqui para nós.” A prova seguinte é o GP da Itália, dia 12, em Monza.
Apesar de ter perdido a pole position no fim do treino, Hamilton não estava frustrado, como poderia se esperar. “O lado positivo é que pudemos lutar.” Sexta-feira o voluntarioso jovem inglês havia dito que Red Bull e Ferrari seriam bem mais velozes que a McLaren, como foram na Alemanha e Hungria, a duas últimas etapas. A McLaren o surpreendeu.
A outra equipe envolvida na disputa do Mundial é a Ferrari. Felipe Massa obteve o sexto tempo, ontem, mas Alonso, apenas o décimo. Sua sorte é que a previsão de instabilidade para ontem se estenderá até hoje e, com a alternância de aderência do asfalto, largar em décimo é menos grave para suas pretensões de ser campeão. A competição deverá ser tumultuada.
“Erramos na escolha dos pneus. Saí para a primeira volta lançada com pneus lisos usados, enquanto todos usavam novos. A pista estava mais seca”, explicou. “Quando coloquei o novos, começou a chover e não pude desfrutá-los.” Definitivamente escolher a estratégia certa não é o forte da Ferrari. O espanhol tem 141 pontos, 20 a menos de Webber.
A bela surpresa do treino classificatório do GP da Bélgica foi o polonês Robert Kubica, da Renault. Conquistou o terceiro tempo, mesmo sem sair para a última tentativa. “Tive problemas com o pescador de combustível. De qualquer forma, estamos na briga.” O jovem talentoso disse que o sistema de duto de ar, recurso que permite maior velocidade nas retas, o ajudou a ser tão rápido. “Estamos usando-o pela primeira vez, é tarde, mas funciona bem.”
Além de Massa em sexto, o Brasil tem Rubens Barrichello, Williams, em outro belo trabalho, na sétima posição, Bruno Senna, Hispania, também com bonita condução, 20.º, e Lucas Di Grassi, Virgin, 23.º. A corrida (44 voltas), hoje, nos 7.004 metros do mais desafiador circuito do calendário, começa às 9 horas, de Brasília, e terá transmissão ao vivo pela TV Globo. Muito provavelmente será como todos os treinos até agora: parte do tempo com pista seca e parte, molhada, o que a torna mais imprevisível.
27/VIII/10
GP da Bélgica
Livio Oricchio, de Spa
Encontros como o de ontem à noite no motorhome da Williams, no circuito Spa-Francorchamps, são muito raros na Fórmula 1. Bernie Ecclestone, promotor do Mundial, todos os pilotos, exceto Michael Schumacher, e os principais diretores das equipes juntos e felizes. Motivo: participar da cerimônia organizada pela Williams para celebrar no GP da Bélgica o 300.º GP de Rubens Barrichello, recorde absoluto na história. Os treinos livres começam hoje.
Antes do encontro, Rubinho conversou com exclusividade com o Estado. “Nos últimos dias, em São Paulo, passei a acordar de madrugada para me adaptar ao fuso horário aqui da Europa. Minha mulher me viu descer às 4 horas para a academia do prédio e li nos seus olhos a pergunta: que diabo de paixão esse homem tem por carro de corrida?”
Como se não bastasse, aos 38 anos, 18 de Fórmula 1, regressou para seu apartamento, às 5h30, e deu sequência ao que mais gosta de fazer, manter contato com o mundo do automobilismo. “Passei as minhas corridas de fita de vídeo cassete para DVD e assisti às minhas provas de Fórmula Ford, Fórmula Opel, Fórmula 3 enquanto todos dormiam ainda”, disse, rindo.
Frank Williams, proprietário de seu time atual, Ross Brawn, da escuderia do ano passado e diretor técnico nos seus seis anos de Ferrari, disseram a mesma coisa no vídeo apresentado ontem na cerimônia: “Um dos melhores pilotos com quem já trabalhei.” Rubinho comentou pouco antes a razão de estar ainda em alta, contra o que a história da Fórmula 1 mostra de um veteraníssimo. “Paixão, é simples.”
Falou mais: “Nunca corri por dinheiro. Quando chorei no pódio, na Alemanha, foi porque me lembrei do meu pai vender o carro para eu poder continuar competindo de kart em 1987.” Hoje, rico, ainda se mostra estimulado como nunca, como lembra Nick Fry, diretor da Mercedes, ex-Brawn. “É o que mais me impressiona em Rubens. Um homem muito bem sucedido financeiramente, mas com gana impressionante de Fórmula 1.”
Rubinho vai continuar na Williams em 2011. “Não atingi o meu auge, ainda. O sonho é ser campeão e trabalho para isso.” Expõe um lado místico ao abordar a relação com o pai, presente na cerimônia, ontem. “Temos o mesmo nome, nascemos no mesmo dia, em horário semelhante, na mesma cidade. Estudei astrologia e numerologia para tentar entender.”
O pai é o seu exemplo. “Quantas vezes não o vi junto com meu avô, já com idade, e meu tio carregando caminhão de areia e pedra.” Esse esforço todo, lembra, foi o que o permitiu seguir a carreira. A família possuía uma casa de material de construção em frente ao portão 7 de Interlagos. “Quando vejo esses pilotos jovens começando a vida com mil profissionais atrás deles…”
Ser brasileiro é um dos seus maiores orgulhos. Rubinho diz ter uma dívida de gratidão com o Brasil, apesar de ser para parte da torcida motivo de gozação. “Aqui em Spa o meu capacete e o meu macacão têm a bandeira do Brasil estilizada.” Os novos meios de comunicação o ajudaram a reverter porção importante da imagem desgastada com os brasileiros. “O Tweeter me aproximou dos torcedores. A maior parte dos meus fãs ou é jovem ou já tem alguma idade.”
Não há prazo para parar de correr. “O dia que eu me sentir lento. Mas penso que está longe.” Sua forma controlada de gastar dinheiro o permite projetar uma vida tranquila. “Nunca sonhei em ser rico. Por isso sou conservador. Tenho uma irmã que é competentíssima para cuidar dos meus investimentos.” As dificuldades experimentadas na vida, explica, o ensinou a não fazer nenhuma loucura. “Prefiro os 6% de sempre, o garantido, o preto no branco.”
24/VIII/10
Livio Oricchio, de Nice
Felizmente a Fórmula 1 retoma seu ritmo no fim de semana, numa pista extraordinária, Spa-Francorchamps, para onde embarco amanhã, aqui de Nice. Vou a Frankfurt e de lá, de carro, para a região do circuito. São cerca de 250 quilômetros. Costumo me hospedar em Robertville, lugar maravilhoso, com uma bela represa próxima, em meio às montanhas das Ardenas.
Sobre o GP da Bélgica, será bem interessante acompanhar o trabalho que cada equipe realizou nesse período em que “nada podia ser feito” por causa das férias obrigatórias.
Há uma mudança no regulamento capaz, na teoria, de alterar parcialmente o que Red Bull, Ferrari, McLaren e Mercedes, principalmente, realizaram nas duas últimas etapas, Alemanha e Hungria: o novo teste de flexibilidade do aerofólio dianteiro. Fotógrafos contratados por McLaren e Mercedes registraram nesses circuitos imagens dos carros da Red Bull e Ferrari com as paredes laterais do aerofólio dianteiro quase tocando o solo.
O regulamento diz que eles devem estar a 50 mm do plano de referência, que é o assoalho do carro. Mas as fotos são conclusivas: não estão. As fibras de carbono do perfil de asa do aerofólio são orientadas, na produção da peça, para permitirem a flexão de suas extremidades quando submetida a determinada carga. O teste até a Hungria previa a aplicação de força equivalente à exercida por um corpo de massa de 50 kg sobre a parede do aerofólio. A flexão máxima tolerada era de 10 mm. Como na pista a pressão exercida pelo ar, a partir de velocidades mais elevadas, é superior à exercida pelo corpo de 50 kg do teste, a extremidade do aerofólio flete para baixo nos modelos da Red Bull e Ferrari.
A partir de quinta-feira, na verificação técnica do GP da Bélgica, o teste usará um corpo de 100 kg de massa para a mesma tolerância de 10 mm. Dispor de paredes que quase tocam o solo representa imensa vantagem aerodinâmica, pois orienta melhor os fluxos de ar sob o carro, com importante aumento na geração de pressão aerodinâmica, objetivo de todo projetista. Por isso não há dúvida de que McLaren e Mercedes, pelo menos, também trabalharam nesse projeto.
Um detalhe: pressão equivalente a um corpo de 100 kg também não é pressão capaz de inibir totalmente a flexão do aerofólio dianteiro. A 220 km/h, por exemplo, a pressão aerodinâmica é maior que a do corpo de massa de 100 kg. O fim de semana mostrará o quanto Red Bull e Ferrari poderão perder e quanto McLaren e Mercedes avançaram nesse campo dos aerofólios flexíveis, recurso que gera significativa vantagem na velocidade em curva, notadamente. E, claro, com desdobramentos importantes no que cada uma poderá fazer na pista.
Nos falamos do circuito, amigos.
23/VIII/10
Livio Oricchio, de Nice, França
Cresce a pressão para que o Conselho Mundial da FIA puna a Ferrari por ter ordenado Felipe Massa deixar Fernando Alonso ultrapassá-lo para vencer o GP da Alemanha, dia 25 de julho, em Hockenheim. Ontem foi a vez do ex-presidente da FIA, Max Mosley, defender que tanto os pilotos como a própria equipe percam os pontos. A direção da Ferrari, no entanto, até já antecipou que poderá recorrer à justiça comum se for punida. O julgamento será dia 8 de setembro, em Paris.
Os diretores de Red Bull e McLaren, adversários da Ferrari na luta pelo título, não esconderam que a regra não foi respeitada e, portanto, o Conselho Mundial tem de aplicar mais que apenas a multa de US$ 100 mil, como fizeram os comissários do GP da Alemanha. Querem sua desclassificação da prova. Ordens de equipe são proibidas na Fórmula 1, desde que a própria Ferrari mandou Rubens Barrichello deixar Michael Schumacher vencer o GP da Áustria de 2002.
A defesa da Ferrari está pronta: Alonso está mais bem colocado no campeonato, com chances muito maiores de poder ser campeão. Massa liderava a corrida e Alonso vinha em segundo, logo atrás. A troca de posições não interveio em nada no que os concorrentes conseguiriam se Massa permanecesse na frente. A inversão foi uma decisão interna baseada num critério técnico. A própria equipe já fez isso em outras ocasiões, a exemplo do GP da China de 2008, com Kimi Raikkonen abrindo para Massa ultrapassá-lo e ser segundo, e do Brasil de 2007, ao ordenar Massa dar a vitória para Raikkonen poder ser campeão do mundo.
A opinião pública mundial está bastante sensibilizada, ainda, com a “agressão ao esporte”, como muitos definiram o que aconteceu no GP da Alemanha. E os críticos da decisão da Ferrari não param de se manifestar, como Mosley, agora, e há alguns dias Niki Lauda. Essas posturas contundentes, refletindo a visão geral dos que acompanham a Fórmula 1, constumam influenciar o Conselho Mundial. E há ainda a questão de o atual presidente da FIA, Jean Todt, ser o mais bem-sucedido diretor da Ferrari de todos os tempos e ter deixado a empresa brigado com o seu presidente, Luca di Montezemolo.
Na Fórmula 1 o que se comenta é que o Conselho Mundial tende a retirar os pontos da Ferrari no Mundial de Construtores, mas não de Pilotos. Pois, como argumentam os italianos, a troca de posições entre Massa e Alonso não afetou diretamente ninguém. Se for mesmo essa a decisão da FIA no julgamento, é provável que a Ferrari a aceite. Se perder os pontos também de pilotos, o campeonato vai para a justiça comum.
Hoje, depois de 12 etapas, a Ferrari é a terceira colocada entre as equipes, com 238 pontos. A Red Bull lidera com 312, seguida da McLaren, 304. Já no Mundial de Pilotos, Mark Webber, Red Bull, está em primeiro, 161, com Lewis Hamilton, McLaren, em segundo, 157. Alonso é o quinto, com 141, a apenas 20 pontos de Webber, o equivalente a pouco mais de uma segunda colocação. Massa aparece apenas em sexto, com 97. A próxima corrida é o GP da Bélgica, domingo.
15/VIII/10
Livio Oricchio, de São Paulo
As sedes das equipes de Fórmula 1 continuarão fechadas até sábado, como manda o regulamento. E já domingo os carros e equipamentos seguem nos seus caminhões para o circuito de Spa-Francorchamps, na Bélgica, onde dia 29 será disputada a 13.ª etapa do campeonato. As sete provas que restam serão decisivas não apenas para a definição dos títulos de pilotos e construtores como para se conhecer o décimo colocado entre as escuderias.
Parece nada, décimo lugar entre os times, mas pode significar a sua permanência na Fórmula 1 na próxima temporada. Com muita probabilidade, a décima colocação ficará com uma das três estreantes, Lotus, Hispania, de Bruno Senna, e Virgin, de Lucas Di Grassi. Isso porque as três não marcaram pontos até agora e a Toro Rosso, nona entre os construtores, soma 10 pontos.
Pode ser uma questão de vida ou morte porque a Formula One Management (FOM), presidida por Bernie Ecclestone, repassa ao décimo colocado cerca de € 12 milhões (R$ 30 milhões). Com esse dinheiro é possível pagar os € 5 milhões cobrados pela Cosworth pelo uso do motor e os € 2 milhões da X-Trac pelo fornecimento do sistema de transmissão. E ainda sobram € 5 milhões para outras despesas.
Para apenas participar da Fórmula 1, como faz a Hispania, quase sem nenhum desenvolvimento do carro, são necessários no mínimo € 30 milhões. O décimo lugar entre os construtores, portanto, garante a metade do orçamento mínimo exigido pela competição.
Hoje a décima colocada é a Lotus, seguida da Hispania e da Virgin. Como não marcaram pontos, o critério para definir essa disputa particular é o da colocação dos pilotos nas corridas. A Lotus está na frente em razão do 13.º lugar de Heikki Kovalainen no GP da Austrália. A Hispania tem duas 14.ª colocações, com Karun Chandhok, nas etapas da Austrália e de Mônaco. E a Virgin conseguiu apenas um 14.º lugar, com Di Grassi, na Malásia. A evolução da Virgin nas últimas provas sugere que vai lutar com a Lotus pela cobiçada 10.ª colocação entre os construtores.
2013
2012
2011
2010
2009
2008
2007
2006