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26/I/09

A história de algumas equipes competirem com três carros não é nova. Agora ela volta à cena por causa do abandono da Honda. Está nos sites, nesta segunda-feira, a declaração de Bernie Ecclestone, confirmando a possibilidade. Quer saber de uma coisa? É algo interessante para a Fórmula 1.

Eu gostaria de ver, por exemplo, a McLaren alinhar três carros no grid. Creio que será a primeira a dizer “sim” a Ecclestone se o dirigente compreender, de vez, não ser possível a Honda ser assumida por alguém. Nesse caso Eclestone irá fazer um pedido formal já para a abertura da temporada, em Melbourne, o que ainda não é o caso.

A McLaren tem piloto pronto, Pero de la Rosa. Não acredito que a Ferrari alinhe um terceiro carro. Mas se isso acontecer, seria com Marc Gene e não Luca Badoer, que há muito não disputa uma prova seja lá do que for. A BMW tem Christian Klien e não responderia “não” a Ecclestone.

Se McLaren e BMW tiverem um monoposto a mais chegaremos a 20 carros no grid. Mas penso que haveria alternância entre os times. Renault e Toyota também dariam sua contribuição ao chefão que, no fundo, atende igualmente seus interesses de ver 20 concorrentes na pista.

Só os dois melhores resultados da equipe valeriam para a contagem de pontos para os dois campeonatos, de pilotos e construtores.
Não penso que McLaren, Ferrari e BMW recorressem a jovens pilotos para competir. O que não é o caso de Renault e Toyota. Os franceses escalariam, provavelmente, Romain Grosjean, e os japoneses, Kamui Kobayahi.

Claro que do ponto de vista da saúde do evento, seria melhor assistirmos a dez ou mais times digladiando nos circuitos. Mas já que não é possível pela conjuntura mundial, não deixaria de ser um atrativo ver três McLaren, três BMW, quem sabe três Ferraris, por exemplo.

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23/I/09

Você acha que faz sentido os pilotos pagarem o que a FIA exige para renovar a superlicença? Para começar, o valor básico subiu, este ano, de 10 mil euros para 10.400 e a taxa a ser paga por ponto obtido no campeonato cresceu de 2 mil para 2.100 euros.

Tomemos o caso do campeão e vice em 2008. Lewis Hamilton somou 98 pontos e Felipe Massa, 97. O inglês da McLaren vai desembolsar 10.400 euros mais 205.800 euros (2.100 x 98). Há ainda um seguro obrigatório que custa 2.720 euros. Vamos somar tudo? 10.400 + 205.800 + 2.720 = 218.920 euros. Massa não fica longe. No total deixará no cofre da FIA nada menos de 216.820 euros.

Convenhamos: não importa que ambos tenham contratos que lhes rendam bom dinheiro com suas equipes – na casa dos 10 milhões de euros por temporada, estima-se -, o que não tem cabimento é terem de pagar essa fortuna à FIA. Ou você pensa diferente?

É verdade que a FIA investe em segurança, desenvolve pesquisa nas áreas de competição e veículos de série, dentre outras atividades de interesse geral, mas não justifica levantar cerca de 1 milhão de euros só dos pilotos da Fórmula 1. O fato de serem muito bem pagos não significa necessariamente que tenham de recolher os valores que a FIA impõe. Até porque a entidade possui outras importantes fontes de receita, como uma participação no montante gerado pelas corridas de Fórmula 1 do calendário.

O que impressiona é que já ano passado houve um aumento exponencial entre o que era cobrado e a FIA passou a exigir. Agora novo aumento, ao passar de 10 mil para 10.400 a taxa de inscrição e o reajuste de 2 mil para,2.100 por ponto conquistado. Já não estava bom?

Não estou aqui para defender piloto algum, até porque não consigo imaginar essa classe profissional ligando para o diretor de redação da Autosport, da Gazzetta dello Sport, do Times, L’Equipe ou Estadão para reivindicar melhores condições para os repórteres. Estamos discutindo o conceito.

Na minha leitura, o que Max Mosley fez ano passado ao elevar substancialmente os valores e de novo agora não se presta a atender a nenhuma necessidade urgente da FIA. Parece muito mais, sim, uma espécie de revanche do dirigente contra as elevadas somas que esses profissionais que arriscam a vida com frequência recebem.

A associação dos pilotos (GPDA) enviou e-mail a todos os pilotos recomendando que aguardem três semanas para pagar a FIA. Dia 3 de fevereiro o tema será discutido na próxima reunião da associação das equipes (Fota). Espero que a GPDA e a Fota exerçam pressão na FIA para rever a questão. Não me afeta em nada, mas sugere maior coerência com que a própria entidade apregoa.

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21/I/09

Lewis Hamilton voltou a pilotar um carro de Fórmula 1 desde o inacreditável GP do Brasil ano passado, em Interlagos. O campeão do mundo acelerou de cara o modelo 2009 da McLaren, no circuito de Portimão. Foram 81 voltas no traçado de 4.687 metros. De manhã a pista esteve molhada, mas à tarde as condições melhoraram, a ponto de poder usar a configuração aerodinâmica desde ano. Na melhor passagem registrou 1min30s242.

Pouco antes da hora do almoço a McLaren de Hamilton parou no meio do circuito. O sistema eletrônico de gerenciamento detectou uma falha e desligou o motor. Os mecânicos o repararam sem necessidade de troca, lembrando que cada piloto dispõe de 4 motores para toda a pré-temporada. “Nosso objetivo não era o de ser o mais rápido, mas de eu ter contato com o carro novo e as novas regras da Fórmula 1. Fiquei impressionado com o avanço realizado durante os trabalhos de inverno.”

O campeão do mundo havia treinado com o monoposto do ano passado, em dezembro, adaptado com parte do regulamento aerodinâmico de 2009, mas já com os pneus lisos (slick) e, claro, ficou preocupado com a perda de pressão aerodinâmica, o que tornava o carro mais lento e desequilibrado nas curvas de alta velocidade.

Sua agenda daqui para a frente será intensa: “Estaremos superocupados no restante do inverno. Pilotei um dia apenas e a lista de trabalhos pela frente é intensa. Com as limitações nos testes (estão proibidos durante a temporada)será crítico para todos os times”, afirmou Hamilton.

Com o carro de 2008 equipado com pneus lisos, o suíço Sebastien Buemi, de 20 anos, completou boas 128 voltas em Portimão, que teve temperatura média de 13 graus durante o dia. O titular da Toro Rosso fez na melhor 1min27s987. Belo tempo de Nico Rosberg com a nova Williams, 1min29s729 (impressionantes 143 volta), ainda que são desconhecidas as condições do seu treino.

Timo Glock sofreu um acidente com a nova Toyota. Mas deu 64 voltas com 1min30s878 na mais rápida.

O espanhol campeão do mundo em 2005 e 2006, o piloto mais completo em atividade hoje na Fórmula 1, levou o R29 a 1min31s743, com 85 voltas. A aerodinâmica frontal do novo Renault não passa uma boa impressão, ainda que essas sensações não se baseiem em nada concreto. Já a concepção traseira do R29 revela belíssimo trabalho do grupo de técnicos da Renault, coordenado por Bob Bell.

Felipe Massa de novo enfrentou chuva no circuito de Mugello, que teve temperatura variando entre 7 e 14 graus. Não deu para usar pneus slick. Foram 104 voltas no traçado de 5.245 metros, com 1min33s353 na melhor.

Já em Valência Robert Kubica encontrou asfalto seco. A BMW não divulgou suas marcas,apenas que deu 99 voltas. O BMW F1.09 deve levar o time alemão a crescer ainda mais na Fórmula 1.

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17/I/09
Livio Oricchio, de Paris

Cleyton Pinteiro assumirá a presidência da Confederação Brasileira de Automobilismo (CBA) dia 16 de março, em substituição a Paulo Scaglione, que diante de iminente derrota clamorosa na eleição para continuar no cargo retirou a candidatura.

Não conheço pessoalmente o senhor Cleyton, mas espero que ele de fato esteja consciente da necessidade de a CBA ter um presidente de verdade interessado no crescimento, na evolução do automobilismo.

O que isso quer dizer? Estudar mecanismos com profissionais da área a fim de fortalecer o kart, quase destruído na administração anterior, reunir-se com gente da indústria automobilística, marketing, publicidade, promotores de competições, enfim, pensar e repensar em como criar uma categoria de monopostos no Brasil.

Os meninos que deixam o kart têm de dispor de um competição que os permita dar sequência ao aprendizado do kart. Perigosamente nós não mais a temos depois do fim da Fórmula Renault. Acredito que se for criado um planejamento realista, bem concebido, e envolver profissionais capazes e repeitados na sua execução, é possível até mesmo este ano a nação voltar a ter uma categoria do gênero.

Mas há muito mais o que fazer além da categoria-escola, como ouvir com muita atenção os responsáveis pela Fórmula 3, dentre tantos outros eventos, e procurar dentro do que a CBA tem alcance – é mais extenso do que todos os seus presidentes até agora imaginavam – procurar viabilizar seus planos. A maioria trabalha para o bem do automobilismo.

Cleyton tem de aproveitar que há hoje nesse esporte no Brasil homens realmente interessados em fazer essas categorias funcionarem. Há uma boa safra de promotores.

É preciso, em primeiro lugar, acreditar nas próprias forças, no que representa a CBA, que nada tem a ver com as ambições individuais da maioria de seus ex-presidentes. Para não dizer dos malditos vícios de sua administração, envolvida até a alma com esse câncer das corridas de carro no Brasil que são os clubes, ao menos como são geridos há muito.

Quem sabe nossos legisladores acordem, também, para passar um rapa nesse bando de aproveitadores e mudar a forma de se conceber as competições.

É necessário que o senhor Cleyton tenha vontade, gana de fazer a coisa funcionar. O que, de novo, não era o caso na gestão passada. É preciso ser idealista para presidir a CBA. Pensar grande. Doar-se. Jamais esmorecer. Ter paixão pela velocidade. As aspirações pessoais devem restringir-se à vida privada.

Não há segredo. Seguindo essa receita, que todos já sabem há tempos, não há como o automobilismo não avançar. Pode não ser da forma como todos nós que amamos esse negócio desejaríamos. Mas o fundamental é sentir que estamos andando para a frente. E não para trás, como acontecia com Scaglione.

Mais uma coisinha. A palavra anda desgastada, mas que todas as atividades, receitas e investimentos do novo presidente da CBA sejam absolutamente transparentes. Cleyton tem como missão dar um choque de credibilidade na CBA. Que respeito gera hoje a entidade? No meio e fora dela?

Ainda que distante, tenha a certeza que dentro do possível parte da imprensa, agora, seguirá mais de perto os acontecimentos da entidade, mesmo que os jornalistas estejam na Europa, América do Norte, Ásia ou Oceania. Precisamos seguir mais de perto os passos do presidente da CBA. Temos responsabilidade no abandono, no descaso que está aí por esse esporte. Infelizmente será ainda assim até 15 de março.

O que esperamos é que Cleyton inaugure uma nova era na CBA. E nós profissionais da imprensa o início de uma aproximação maior com as coisas da entidade. Não podemos permitir que pseudo interessados no automobilismo causem o mesmo mal que terá, de alguma maneira, agora, de ser reparado.

Boa sorte, Cleyton, que o senhor encontre seus caminhos. E nós, os nossos!

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17/I/09
Livio Oricchio, de Madonna di Campiglio, Itália

O campeão do mundo, Lewis Hamilton, afirmou ontem no lançamento do modelo 2009 da McLaren, na sede da equipe, em Wolking, Inglaterra, que se sente ainda mais estimulado para voltar a vencer o campeonato na Fórmula 1. “Eu não sento aqui (apontando para o novo carro) e digo que conquistei o título. Sento e afirmo que desejo ser campeão.”

A exemplo do que fizeram Ferrari, segunda-feira, e a Toyota, quinta-feira, a McLaren lançou o monoposto com que pretende ganhar o Mundial novamente na sua própria sede, sem maiores investimentos. O grupo coordenado pelo engenheiro Neil Oatley, da época de Ayrton Senna ainda na McLaren, talvez tenha sido o que há mais tempo iniciou os estudos das necessidades do novo regulamento. Como a Ferrari F60 e a Toyota TF109, o MP4/24, ao menos aparentemente, não incorpora nada revolucionário, como se espera, por exemplo, do carro da Red Bull, concebido pelo criativo engenheiro Adrian Newey.

Ao mesmo tempo em que apresentava seu modelo 2009, Ron Dennis, sócio da McLaren, anunciou que está deixando a função de diretor geral da equipe. Dennis foi quem contratou Ayrton Senna, no fim de 1987, descontente com a Lotus. Com Dennis, Senna foi campeão em 1988, 1990 e 1991. O ex-mecânico-chefe de Jack Brabham, nos anos 60, tornou-se sócio da McLaren em 1980 e tornou a equipe um modelo de organização. A passagem notável de Dennis pela Fórmula 1 ficou manchada, ano passado, com o escândalo de espionagem envolvendo seu projetista-chefe, Mike Coughlan, e o ex-líder dos mecânicos da Ferrari, Nigel Stepney. Dennis sabia de tudo.

Hamilton começará a conhecer o potencial do MP4/24 segunda-feira no circuito de Portimão, em Portugal. Já a Ferrari mudou a sequência dos trabalhos com o F60 de Portimão para Mugello, também a partir de segunda-feira, alegando que a previsão do tempo para a região do Algarve é de chuva para os próximos dias.

O presidente da Ferrari, Luca di Montezemolo, está em Madonna di Campiglio, Itália, no encontro da escuderia com a imprensa. Bernie Ecclestone pela primeira vez acompanhou o extraordinário evento, que teve, ontem, corrida de kart sobre lago congelado. Venceu Casey Stoner, piloto da Ducati, da MotoGP, com Felipe Massa em segundo. Massa liderava no final quando…”meus pés congelaram, não conseguia mexê-los mais”.

Stoner tinha a mão esquerda, da mesma forma, tão comprometida por causa do frio que pensou em parar. No pódio, não podia movê-la. A temperatura na hora da competição era de 4 graus negativos, mas ventava. “O macacão não oferece muita proteção para um frio desses”, disse Massa em outras edições do evento. Kimi Raikkonen, com febre, não participou da corrida, a fim de se preservar para os testes com o modelo F60, que agora serão em Mugello e não mais em Portimão, a partir de amanhã.

Montezemolo comentou em Madonna di Campiglio o que a organização das equipes, Fota, presidida por ele, defende: “Não podemos modificar o regulamento a cada seis meses. A Fórmula 1 necessita de estabilidade, seriedade, espetáculo e viabilidade financeira.”

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15/I/09
Livio Oricchio, de Madonna di Campiglio, Itália

Amigos:
Continua nevando sem parar nessa linda cidadezinha do Alpes italianos. Está tudo absolutamente branco por aqui. Não faz frio intenso, estamos com um grau negativo, como ocorre quando neva.

Amanhã o programa não terá entrevistas, apenas corridas de esqui e uma de kart sobre o lago gelado, na praça central de Madonna di Campiglio. É um evento extraordinário porque a população da cidade, praticamente, se reúne ao redor do lago para acompanhar a competição que, na realidade, é uma demonstração de habilidade extrema dos pilotos, sobre piso sem aderência.

No fim os organizadores do Wrooom soltam fogos de artifício de uma complexidade que poucos conhecem: forma figuras no ar que apenas aqui vi. A primeira vez que acompanhei, há dois anos, minha reação de admiração ao trabalho impressionante dos artesãos deve ter deixado algumas pessoas sem entender direito o que se passava.

Redigi dois textos para o jornal, hoje. Aqui estão eles. Voltamos a nos encontrar amanhã, combinado? Abraços, amigos!

Início
Lançamento de carro novo na Fórmula 1 costuma ser um grande acontecimento, cheio de pompa. Os novos e difíceis tempos da economia, no entanto, fizeram com que a Toyota apresentasse o seu carro para a temporada deste ano pela Internet.

Ontem, da sede da equipe, em Colônia, Alemanha, o time de maior orçamento da Fórmula 1 expôs fotos do modelo TF109 e o que pensam Jarno Trulli, Timo Glock, os pilotos, e os projetistas, Pascal Vasselon e Mark Gillan. Os planos da escuderia japonesa são mais modestos que os da Ferrari, a primeira a lançar seu modelo 2009, segunda-feira. “Espero conquistar a primeira vitória de nossa equipe”, afirmou Trulli.

Segunda-feira a Ferrari utilizou o circuito de sua propriedade, Mugello, para reunir a imprensa e apresentar o F60 com que pretende conquistar o título. Tudo muito simples e de custo reduzido, em especial se comparado ao que costumava promover. A ordem é não gastar, até no mais milionário esporte do mundo.

A Williams nem sequer apresentará o seu FW 31. O levará direto para o primeiro ensaio em pista segunda-feira, no autódromo de Portimão, em Portugal, mesmo procedimento adotado pela Renault com o R29, de Fernando Alonso e Nelsinho Piquet.

A exemplo do F60 da Ferrari, o TF109 da Toyota sugere que Vasselon e Gillan não arriscaram muito e optaram por soluções convencionais ao desafio de engenharia que representa o novo regulamento. A Toyota não fez mistério: não vai começar o campeonato usando o revolucionário sistema de recuperação de energia (Kers).

Vasselon afirmou que só vai recorrer a ele quando estiver totalmente desenvolvido. A Ferrari não definiu ainda se disputa o GP de abertura, na Austrália, com o Kers.

Hoje é a vez de a McLaren lançar o MP4/24. Apesar de ter a Mercedes como sua maior sócia, com 40% de participação, o irá apresentar na sede do time, em Woking, Inglaterra. É o carro do campeão do mundo, Lewis Hamilton. A partir de segunda-feira, a McLaren vai começar a confrontar o potencial do seu modelo 2009 com o da concorrência.

Participarão do primeiro teste do ano, no autódromo do Algarve, Ferrari, McLaren, Renault, Toyota e Williams.

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15/I/09
Livio Oricchio, de Madonna di Campiglio, Itália

Como esportista de alto nível que é também, não poderia ser diferente: a imprensa italiana questionou Felipe Massa, ontem, sobre o que o seu “conterrâneo”, Kaká, deveria fazer, permanecer no Milan ou aceitar a oferta de 15 milhões de euros por ano do Manchestes City, da Inglaterra: “Tenho certeza de que ele deve estar pensando vou, não vou, mas se tivesse de dizer algo diria que o mais importante é sentir-se feliz onde se está”.

E é esse prazer em pilotar para a Ferrari que faz Massa encher-se de entusiasmo para responder ao diretor da equipe, Stefano Domenicali, que o definiu, quarta-feira, como um profissional maduro para ser campeão do mundo. “Nunca me senti, de fato, tão forte, mas sempre há o que aprender, em especial numa temporada como esta, com tantas mudanças. A maioria dos pilotos vai começar do zero, nosso maior desafio este ano será compreender logo as novas regras e tornar o carro competitivo para disputar o título.”

Massa e seu companheiro, Kimi Raikkonen, conversaram bom tempo com a imprensa internacional, ontem na estação de esqui de Madonna de Campiglio, na Itália, que recebeu a visita de Bernie Ecclestone, o promotor da Fórmula 1. Além da condução no limite, haverá ainda maior interatividade do piloto com o carro este ano. Caberá a eles definir o momento de utilizar o sistema de recuperação de energia (Kers), capaz de lhes dar entre 60 e 80 cavalos a mais de potência, e escolher o grau de inclinação do aerofólio dianteiro, por exemplo.

“Sim, será bem diferente, nem tanto pelo que esses novos recursos significam porque logo nos habituamos, mas porque pelo que percebi exigirá que pilotemos de outra maneira, quando os pneus (agora lisos) se desgastam os carros estão escorregando bem mais”, explicou Massa.

Já Raikkonen evitou, como sempre, qualquer discussão sobre seu modo particular de ver a vida. Domenicali afirmou quarta-feira que ele vive em outro planeta. Os jornalistas desejaram saber como é lá. “Eu gosto, não tenho queixas”, respondeu. Se ano passado Raikkonen começou a temporada sem considerar Massa um sério adversário para disputar o título, desta vez deverá ser diferente: “Sempre o vi como muito rápido, seu campeonato ano passado não me surpreendeu e agora está mais maduro”.

Ecclestone falou “não estar em missão diplomática”, mas talvez se encontre na Itália com Luca di Montezemolo, presidente da Ferrari e da associação das equipes, Fota. E já ontem o dirigente antecipou a resposta a Montezemolo que, com certeza, cobrará maior participação dos times na arrecadação da Formula One Management (FOM), empresa de Ecclestone. “A Fota reduziu os custos de se competir na Fórmula 1, portanto não preciso lhes pagar mais”, afirmou, rindo.

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Olá amigos:

Acordei, hoje, às 8 horas, e ao abrir a cortina do meu quarto vi que tudo estava absolutamente branco. Neva forte aqui em Madonna di Campiglio desde o início da manhã e não pára. Somada à neve que já havia se acumulado torna o deslocamento pela bela cidade dos Alpes italianos bem difícil, mas delicioso.

No centro há um lago congelado e ainda há pouco os organizadores do Wrooom, evento promovido pela Ferrari há 19 anos, finalizavam os detalhes para a corrida de carros que haverá sobre ele. Enquanto isso não acontece parte do espaço é liberada para a patinação no gelo. Aqui há muitas pistas de esqui, das mais simples às classificadas com a cor negra, ou seja, dotada de acentuados e perigosos declives.

Hoje almoçamos no ponto mais alto de Madonna di Campiglio, a 2.400 metros de altitude. Nada menos de 32 minutos de teleférico para chegar lá. Como está nevando muito, a temperatura por mais paradoxal que pareça, subiu. Ontem à noite estávamos com 8 graus abaixo de zero enquanto agora, 17 horas, apenas um grau negativo.

O sempre cortês e solícito Stefano Domenicali concedeu longa entrevista hoje. Fiz um texto do que considerei o mais importante que falou. Você o tem na sequência, agora.

Iremos jantar no topo de outra montanha. Fico impressionado como o Felipe Massa pegou a mão de esquiar nessas condições difíceis e arriscadas, com quase nenhuma visibilidade. Hoje a Gazzetta dello Sport traz uma foto dele descendo uma pista de elevado grau de dificuldade. Chama a atenção também como a equipe o respeita.

Voltamos a nos falar amanhã, combinado?, quando Felipe Massa conversará conosco.

Abraços

Reportagem de F-1: Domenicali diz que Massa “amadureceu de forma definitiva em 2008″
Livio Oricchio, de Madonna di Campiglio, Itália

Início
A Ferrari sabe que pode contar com Felipe Massa para disputar o título. “Ele amadureceu de forma definitiva em 2008, está em grande forma”, afirmou, ontem, o diretor da equipe, Stefano Domenicali, na estação de esqui de Madonna di Campiglio, nos Alpes italianos, sob uma nevasca. “A força de Felipe é sua autoconfiança, sempre elevada. Foi isso que o fez reverter o quadro difícil do início do ano passado quando já o davam como acabado.”
Domenicali lembrou que Massa começou a temporada de 2008 enfrentando um sério desafio: “Seu companheiro havia chegado à Ferrari no ano anterior e conquistado o título. Felipe teve de administrar a pressão que fazia sobre si próprio e, claro, a externa”. Ao longo do ano Massa venceu seis vezes diante de apenas duas de Kimi Raikkonen e por muito pouco não foi campeão. Já o finlandês mereceu a seguinte análise de Domenicali. “Vive em outro planeta, nunca o vi sob pressão. Agora o sinto com enorme vontade de esquecer 2008″.
Segunda-feira a Ferrari começará a ter uma idéia do que poderá realizar no campeonato que vai começar dia 29 de março na Austrália. “Vamos testar a nova F60 no circuito de Portimão (Portugal) junto da McLaren, também com seu novo carro”, explicou o dirigente. “Nosso objetivo será acumular quilômetros com o F60, conhecê-lo, e ter uma idéia de performance comparando-o com nossos adversários.”
As mudanças profundas no regulamento fizeram com que os times perdessem a referência de desempenho. Não dá para comparar os tempos do modelo 2009 com os do ano passado por serem significativamente distintos. “É difícil prever, mas espero a McLaren como nosso maior concorrente e em razão de o Kers (sistema de recuperação de energia) fazer diferença, vejo a BMW também”, comentou o diretor da Ferrari.
Na conversa com a imprensa, Domenicali confirmou que houve enorme pressão sobre a BMW para a Fórmula 1não mais utilizar o Kers este ano. “Temos um acordo de exige a unanimidade dos times se desejarmos mudar algo durante a temporada. A BMW não quis e precisamos respeitar.” Os alemães são os que estão mais avançados na complexa tecnologia do Kers, capaz de dar ao pilotos entre 60 e 80 cavalos de potência extra por cerca de 6 segundos por volta.
“Estamos gastando mais do dobro previsto para desenvolver o Kers e num momento econômico como o atual não faz sentido recorrer a uma tecnologia que, nos moldes da Fórmula 1, nunca poderá chegar aos carros de série”, explicou Domenicali. Não desmentiu que as equipes estão investindo algo como 100 mil euros por dia no Kers.
Por fim, mandou um recado para Bernie Ecclestone, promotor do espetáculo. As equipes estenderam o compromisso com o inglês de 78 anos para continuar recebendo o que lhes é repassado de verba até 2012. “Vamos respeitar o que já está acertado. Depois disso precisamos conhecer suas intenções com a Fórmula 1.” A associação dos times, Fota, exige receber muito mais dinheiro do que lhes é distribuído por Ecclestone.
FIM

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12/I/09

Olá amigos!

Estamos de volta. Escrevo já aqui do circuito de Mugello, na cidade de Scarperia, a uns 20 quilômetros da encantadora Firenze. Sabe qual foi a última vez que estive aqui? Dia 18 de setembro de 2001. Nesse dia Felipe Massa experimentou, pela primeira vez, as emoções de acelerar um carro de Fórmula 1.

Jornalista havia dois aqui: eu e o seu assessor de imprensa, Marcio Fonseca. Como me encontrava na Itália, desejava ver de perto o que aquele menino de 20 anos, que tantas vezes vi correr desde o kart, poderia fazer com 800 cavalos a disposição. Estive numa área próxima da série de curvas chamada Rabbiatta, um S de alta velocidade em descida e depois em aclive. Espetacularmente seletivo. Como sempre, Massa me impressionou, apesar das rodadas.

Confesso que no começo do ano passado cheguei a pensar que talvez nunca seria campeão depois de assistir a seus erros na Austrália e na Malásia. Ele me fez mudar de idéia com a sua notável evolução depois desses equívocos e de seu passado perturbador quanto a sua capacidade de poder gerir a luta por um título.

A seguir você encontra o minitexto que enviei para o Estadão. Daqui a alguns minutos sigo para Madonna di Campiglio, nos Alpes italianos, onde domingo passado, não ontem, fez 20 graus negativos. É uma estação de esqui. Parte da Ferrari estará lá, dentre eles Massa e Kimi Raikkonen. Um forte abraço a todos.

Ah, o F60 da Ferrari é muito mais bonito do que imaginava. Me senti confortável ao ouvir do Massa, ainda há pouco, a mesma coisa. Nosso próximo encontro, agora, será em Madonna di Campiglio. A domani, amici!

O texto

Fim do mistério: a Ferrari mostrou ontem, no circuito de Mugello, a sua interpretação do novo, revolucionário e desafiador regulamento da Fórmula 1. O novo modelo, denominado F60 para celebrar os 60 anos da equipe no Mundial, é simples e tem concepção refinada. Felipe Massa completou cerca de 100 quilômetros na pista italiana, apenas para verificar se os sistemas básicos do F60 funcionavam, e afirmou: “Espero que essa Ferrari seja tão veloz quanto bonita”.

Com certeza, os engenheiros da McLaren, BMW, Renault, possíveis adversários da Ferrari, desde ontem já examinavam as fotos disponibilizadas pela escuderia de Maranello para verificar as soluções de Nikolas Tombazis e Aldo Costa, os responsáveis pelo F60, para as severas restrições aerodinâmicas deste ano. A Ferrari foi o primeiro time a apresentar o novo carro. E o que ficou claro foi a opção de Tombazis e Costa de não criar nada inovador demais, que poderia tanto dar muito certo como não corresponder.

“Acreditamos que a equipe campeã, este ano, será a que melhor desenvolver o seu projeto”, disse Tombazis. “Haverá grande diferença entre o desempenho do início do campeonato e o das etapas finais.” Massa gostou do F60. “Esse primeiro dia foi completamente diferente dos demais para mim aqui na Ferrari”, comentou. “As mudanças, visíveis e as não visíveis, são muitas. Hoje tivemos pequenos problemas, mais esses 100 quilômetros foram importantes para começarmos bem os testes em Portugal”, explicou.

Segunda-feira, no novo autódromo de Portimão, Massa poderá acelerar para valer o F60. “Outra novidade para nós foi o uso do Kers (sistema de recuperação de energia), pela primeira vez. Apertei o botão na reta e pude sentir bem o que significa dispor entre 60 e 80 cavalos a mais de potência.” As reações do novo modelo italiano são bem distintas dos monopostos que estava acostumado a pilotar, destacou Massa. O regulamento fez com que, em princípio, os carros percam cerca de 50% de pressão aerodinâmica, mas liberou o uso dos pneus lisos em substituição aos com sulcos, para aumentar a aderência.

Stefano Domenicali, diretor esportivo da Ferrari, lembrou que, com a proibição dos testes durante o campeonato, será importante que o F60 tenha nascido bem, confiável. “Vimos quanto nos custou a questão ano passado.” Essa foi uma das razões por Tombazis e Costa não buscarem nada revolucionário. “Será bem mais difícil este ano reverter uma situação desfavorável por não se poder testar”, disse Tombazis. Sexta-feira será a vez de a McLaren mostrar seu MP4/24 e segunda-feira, a Renault, o R29.

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