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Queridos amigos:

Estou, finalmente, de férias.
Obrigado pelo imenso carinho recebido este ano no blog. Nos distanciamos um pouco, verdade, por conta de não podermos interagir de maneira mais imediata. De qualquer forma, mesmo quando eu não tinha, primeiro, de ter acesso à Internet, ler os comentários e então disponibilizá-los, nossas réblicas e tréplicas já não eram como eu gostaria.

A Fórmula 1 2009 vem aí. E as mudanças são absolutamente profundas. Não dá para imaginar o que irá acontecer. Estou desde já um tanto ansioso para acompanhar os primeiros testes dos novos carros. São tantas variáveis em jogo que não dá para sequer esboçar o mais leve raciocínio sobre quem responderá com maior eficiência ao desafio de engenharia em curso.

Um grande abraço, excelentes festas e nos encontramos, aqui, de novo, em janeiro.

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12/XII/08

Amigos, no fim de semana comentarei o pacote de mudanças na F-1. Depois disso, férias.
Obrigado

O Conselho Mundial da FIA, reunido ontem em Mônaco, homologou o pacote de medidas elaborado pela associação das equipes de Fórmula 1 (Fota), bem como impôs as suas, a fim de reduzir os custos para disputar o Mundial. Elas abrangem os motores, testes particulares, o desenvolvimento aerodinâmico e as instalações das fábricas, dentre outras áreas. A expectativa é de uma economia de 30% no orçamento de 2008, algo como U$ 130 milhões.

Enquanto este ano os motores tinham de resistir a dois fins de semana de GP, em 2009 cada piloto terá um motor para três provas. Hoje a limitação é de 19 mil rotações por minuto (rpm). Passará para 18 mil. Não respeitar a regra implicará perder dez colocações no grid.

O anunciado, ontem, representa uma revolução nos extensos programas de testes. Eles simplesmente estão proibidos no espaço entre as corridas. Os planejados para a pré-temporada poderão ser realizados, mas uma vez iniciado o campeonato, dia 29 de março na Austrália, as equipes terão apenas as duas sessões livres de uma hora e meia cada, às sextas-feira no fim de semana de GP, para executar treinos privados: um problema para pilotos novatos.

Experimentos em túneis de vento, os mais comuns na F-1, podem ser feitos, agora, utilizando-se modelos com escala de no máximo 60% do original. Já se testava com os próprios carros. O presidente da FIA, Max Mosley, propôs também um estudo para restringir esses testes aerodinâmicos bem como os praticados em computadores.

Como forma de diminuir mais despesas, as sedes das equipes terão de permanecer fechadas seis semanas por ano. Nesses dias, os cerca de 900 funcionários não poderão exercer suas atividades. Não está definido quantos integrantes poderão se deslocar para acompanhar as escuderias às corridas, mas serão menos dos 70, em média, de hoje.

A FIA informou, ainda, desenvolver pesquisa com os fãs da F-1 para verificar o formato ideal para a sessão de classificação a ser implantado já em 2009. Mais: estudar a aceitação da proposta de Bernie Ecclestone, promotor do Mundial, que defende a substituição do sistema de pontos pelo de medalhas para se conhecer o campeão do mundo.

As medidas atingiram a temporada de 2010. A maior delas: o reabastecimento de combustível será proibido e as corridas deverão ser menores. Ainda: equipamentos de rádio e de telemetria padrão para todos e adoção de um sistema de recuperação de energia (Kers), opcional em 2009, também fornecido por um único fabricante. Luca di Montezemolo, presidente da Fota, disse que o pacote apresentado e aprovado, agora, pela FIA, representa a primeira resposta dos times à crise financeira internacional.

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08/XII/08

A recente política externada pelo ministro dos Esportes, Orlando Silva, de se evitar as administrações perenes nas entidades gerenciais, orientou a assembléia extraordinária da Confederação Brasileira de Automobilismo (CBA), ontem, na sua sede, no Rio.

Pela primeira vez na história de quase meio século da CBA, as federações convocaram a assembléia. O encontro discutiu vários temas. As propostas de mudanças estatutárias eram colocadas e os representantes das federações votavam.

Assim, decidiu-se pela antecipação das eleições da segunda quinzena de março para a primeira quinzena de janeiro. O objetivo é fazer com que o futuro presidente da CBA tenha algum tempo entre ser eleito e assumir, em janeiro, e a temporada brasileira de competições iniciar, em abril.

Outra alteração importante foi a substituição do voto quantitativo pelo unitário. Estados com maior atividade esportiva na área e federação fundada há mais tempo, como São Paulo, tinham número de votos bem maior que federações que lutam para realizar competições de automóvel.

Com a mudança aprovada ontem, o novo presidente da CBA sairá do voto direto dos 18 presidentes das federações, desde que cumpram as exigências estatutárias. Até segunda-feira a CBA vai marcar a data da eleição para o período 2009-2013.

Há cerca dois meses, alguns representantes de federações tiveram dificuldades para acessar os livros contábeis da CBA, por isso se pensou até numa auditoria externa. Mas ontem, na assembléia, criou-se a possibilidade estatutária de qualquer federação, em qualquer tempo, pedir vistas ao registros contábeis e ser atendida em até dez dias.

Paulo Scaglione concorre ao terceiro mandato seguido, enquanto a chapa “Por uma CBA de verdade”, liderada por Clayton Pinteiro, de Pernambuco, e apoiada por campeões como Paulo Gomes, nomeado diretor de marketing, tenta a primeira legislatura.

“Foi uma vitória da democracia”, afirmou Pinteiro. “Acho que nossa chapa sai fortalecida dessa assembléia”, comentou. O dirigente diz ter apoio de 13 das 18 federações.

Não deixa de ser surpreendente como a assembléia transcorreu, ontem, sem desgastes entre os que estão no poder e os que pleiteavam e conseguiram, por serem maioria, as mudanças nos estatutos.

Sem dúvida, abriram-se boas perspectivas de a CBA passar a ser administrada por gente nova, como sugere o ministro e, principalmente, clama, em quase desespero, a maior parte da comunidade automobilística.

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08/XII/08

Amigos: esse é o texto original de minha coluna de hoje, segunda-feira, no Jornal da Tarde

“Fui convidado para fazer parte da diretoria e aceitei. Estou nessa chapa que concorre à
presidência da Confederação Brasileira de Automobilismo (CBA) e pretendo promover uma virada
de página, tenho projetos sensacionais.” Isso foi o que me disse, ontem, Paulo Gomes, em
Interlagos.

Como muitos profissionais desse negócio chamado corrida de carro, Paulo Gomes, com a autoridade de quem já ganhou quatro vezes a Stock Car, acredita que a hora é de mudança nos rumos desse esporte no Brasil. Este é um espaço para opinião: eu também penso dessa forma, com o lastro de ter coberto 300 GPs de Fórmula 1.

Hoje na sede da CBA, no Rio de Janeiro, os representantes de cinco federações vão tentar
discutir, em histórica assembléia extraordinária, as regras da próxima eleição, em março, dentre outros temas. Dá para imaginar o que não se tentará para dificultar a oposição.

O candidato é o primeiro vice-presidente da entidade, Cleyton Pinteiro, de Pernambuco. Não o conheço, mas vale o risco. Seja quem for, com certeza vai tentar fazer alguma coisa para tirar o automobilismo brasileiro da quase insolvência, com exceção, lógico, da Stock Car. E iremos fiscalizá-lo, sim, de perto.

Esse marasmo, essa apatia, o desinteresse com que esse esporte é tratado hoje no País impõem que se tente algo. A minha parte é expor o que se passa, alertar que temos uma oportunidade, em março, de, quem sabe, acabar com os desmandos de toda natureza da atual
administração por algo novo, distinto do que mais caracteriza a nação.

Vou citar um exemplo: ano passado, Rubinho Carcasci, promotor da Seletiva Petrobras de Kart, competição séria há 10 anos, procurou o presidente da CBA, Paulo Scaglione, para discutir a famosa taxa da entidade. Scaglione começou cobrando R$ 165 mil. É isso mesmo, R$ 165 mil para poder oficializar a competição que visa a selecionar jovens de talento do kart, berço do automobilismo. Você consegue acreditar?

Diante da impossibilidade de atender à incoerente exigência, Carcasci teve de negociar. E a taxa saiu por R$ 65 mil. Desconto de R$ 100 mil (?). Estive na etapa final da Seletiva, disputada há duas semanas, na Granja Viana, em Cotia, a que reuniu os campeões. Havia alguém da CBA? Não! A entidade pediu que enviassem os resultados? Não. Que oficialização é essa? Em resumo: a CBA simplesmente ignorou o evento, queria cobrar R$ 165 mil e pôs, em algum cofre, R$ 65 mil. A CBA, portanto, não passa de um falso cartório.

Dá para compreender melhor, agora, o que Paulão deseja dizer com a hora é de mudança? O momento, amigos, é de apurar, em detalhes, sem esmorecer um instante sequer, o que se fez com o arrecadado? É o próximo capítulo de nossa história.

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05/XII/08

O clima na Fórmula 1 está tão confuso que decidir quem vai pilotar o carro, antes primordial para as equipes, tornou-se agora secundário. A saída da Honda da categoria serviu de alerta para todos e parece existir uma mobilização dos demais times para tentar viabilizar, de alguma forma, a permanência da equipe, ainda que gerenciada por outro proprietário.

A análise é de Bruno Senna, que, ontem, de Londres, viu suas reuniões com representantes das escuderias com quem negocia serem transferidas para a próxima semana. “Está tudo mudando rápido por aqui. O pessoal está com outras coisas na cabeça. Todos viram que o negócio está começando a ficar sério”, afirmou.

“Os responsáveis dos times estiveram, sim, reunidos, hoje, mas para decidir outros assuntos”, comentou o piloto que tem boas possibilidades na Force India e alguma na Toro Rosso, ainda que as chances na equipe que surgir com o fim da Honda não possam ser excluídas.

O trabalho de Bruno nos testes de Barcelona, há três semanas, na sua primeira experiência na Fórmula 1, impressionou a todos na escuderia japonesa.

Rubens Barrichello estava de malas prontas para testar com a Honda, em Jerez de la Frontera, quando soube do fim do projeto. Mas, ontem, reconheceu que, se surgir uma nova organização do fim da Honda, pode se manter ainda na F-1.

“Penso que minhas possibilidades são as mesmas que se a Honda continuasse na competição. O pessoal que está lá sabe do que sou capaz, reconhecem meu trabalho, menos um deles, infelizmente o que tinha poder de decisão”, falou.

Rubinho se refere a Nick Fry, diretor da Honda. Mas agora, sem o dirigente inglês para mandar, ao menos como antes, o poder de Ross Brawn, diretor-técnico, deve crescer, o que sugere que as chances de Rubinho pilotar para o eventual novo time até aumentam.

Os próximos dias serão tão voltados para os diretores das equipes garantirem seus orçamentos e decidir como fazer para ter 20 carros no grid em 2009, que muito provavelmente não deverá se falar muito sobre quem poderá preencher as vagas, segundo Bruno Senna.

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05/XII/08

Ninguém na Petrobrás está autorizado a falar, ainda, sobre o que a empresa fará com o fim da equipe Honda. Há um contrato em vigência com a Williams para fornecimento de combustível e exposição da marca até dia 31 de dezembro. Por esse motivo, tudo o que está acordado com a Honda tem validade apenas a partir de 1º de janeiro.

Mas, as relações entre Petrobrás e Honda se mantinham, na prática, há algum tempo, por não ser possível esperar o fim do contrato com a Williams para iniciar os testes da gasolina no motor Honda, por exemplo, apesar de ninguém na companhia brasileira confirmar.

Fontes da Fórmula 1 disseram, ontem, que o caminhão da Petrobrás já está no circuito de Jerez de la Frontera, Espanha, porque a Honda participaria dos testes a partir de segunda-feira, junto da maioria das demais escuderias. Seria o primeiro ensaio prático do combustível brasileiro, que já passou pelo banco de testes.

A Petrobrás desenvolve, também, óleo lubrificante de motor e câmbio, o que na Williams não era possível. A saída da Honda poderá decretar o fim do projeto de Fórmula 1 da Petrobrás, depois de dez anos na competição.

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05/XII/08

A Honda já tem três propostas de compra. É o que afirmou o seu diretor-geral, Nick Fry, ontem, à imprensa inglesa. E a boa notícia para a Fórmula 1 é que a equipe prosseguirá com parte de suas atividades até o fim de fevereiro, para que, se um novo investidor assumir, o modelo de 2009 esteja pronto para disputar o Mundial.

“O comprador terá uma oportunidade fantástica. Nossas instalações estão entre as melhores na Fórmula 1 e temos o projeto de um grande chassi para o próximo ano”, afirmou Ross Brawn, diretor-técnico da Honda.

A esta altura, é provável que Bernie Ecclestone já tenha até o fornecedor de motor para quem adquir a Honda, isso se o investidor não concordar em pagar aos japoneses a produção do seu V-8, no mínimo US$ 10 milhões.

Com certeza, Ross Brawn está pressionando Ecclestone para definir o quanto antes o motor, já que o projeto do carro foi concebido para as características do V-8 japonês e agora, provavelmente, será outro. Isso partindo-se da premissa de que a Honda vai mesmo ser adquirida.

E é bom que tudo seja decidido rápido mesmo, para não haver uma debandada na escuderia, o que atrapalharia a conclusão do modelo RA109, carro da próxima temporada, que deve ser concluído e testado em janeiro e fevereiro.

As mudanças do regulamento técnico foram significativas e os ensaios práticos serão fundamentais para poder participar com um mínimo de condição de resultado no campeonato.

A imprensa inglesa já especulou, ontem, que Jenson Button possa realizar testes com a Toro Rosso. O piloto, que já teve, em 2000, a atenção dedicada hoje a Lewis Hamilton, por ser considerado um campeão em potencial, tem contrato com a Honda e não sabe o que será de sua vida profissional.

“Foi difícil se refazer nas primeiras horas depois de saber que o time não mais existiria, mas agora tenho de ser positivista”, afirmou Button.
Franz Tost, diretor da Toro Rosso, conviveu com Button na sua estréia espetacular na Williams, em 2000, quando trabalharam juntos. É possível que o teste saia mesmo, o que seria boa notícia para Rubens Barrichello.

Caso a estrutura da Honda sobreviva sob outro comando e Brawn permaneça, Rubinho, com sua experiência, seria forte candidato para liderar a nova equipe.

O que é certo é que a Honda não vai criar dificuldades para se desfazer da bela estrutura de Brackley, Inglaterra.

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05/XII

Apesar do temor do presidente da FIA, Max Mosley, de que outros times possam seguir o exemplo da montadora japonesa Honda e abandonar a Fórmula 1, caso não haja de imediato um corte drástico nas despesas, a Toyota e a Mercedes emitiram comunicado, ontem, desfazendo o risco do chamado efeito dominó.

A direção das duas empresas se comprometeu a levar adiante seus programas na categoria, ainda que defendam, como Mosley, redução significativa nos custos. “Dentro de dois anos, disputar a F-1 custará a metade de hoje”, disse Norbert Haug, diretor-esportivo da Mercedes, sócia da McLaren.

O dirigente alemão lembrou que ainda quarta-feira a associação das equipes, Fota, reuniu-se em Londres para definir um pacote de medidas a ser apresentado no próximo encontro do Conselho Mundial da FIA, dia 12, em Mônaco.

“Nossa participação (da Mercedes) na F-1 está construída em bases sólidas e em grande parte financiada por nossos patrocinadores”, explicou. A respeito da saída da Honda, afirmou: “A decisão só comprova a importância do trabalho de reduzir custos”.

Mas outra indústria automobilística alemã, a Audi, aproveitou o anúncio da Honda e, ontem, confirmou que deixará a American Le Mans Series, campeonato de protótipos realizado na América do Norte e vencido 9 vezes pela marca. “Mas continuaremos participando das 24 Horas de Le Mans, na França”, falou o chefe de esportes da Audi, Wolfgang Ullrich.

A nota da Toyota lembra a necessidade de o Conselho Mundial aprovar o que a Fota decidiu, e traz ainda: “Estamos totalmente comprometidos em seguir na F-1. Como empresa japonesa, lamentamos o ocorrido com a Honda, mas não nos cabe comentar sobre um problema que é deles”.

Bernie Ecclestone, promotor da F-1, e Mosley, atacaram duramente a política dos diretores da maioria das equipes. Os dois começaram numa época em que os donos dos times eram apaixonados pela competição e não visavam ao sucesso para vender mais carros.

Ambos defendem completa revisão dos regulamentos técnico e esportivo da categoria. “O problema é que as escuderias são gerenciadas por técnicos que deveriam estar em casa jogando videogame em vez de gastar fortunas para ganhar corridas”, afirmou Ecclestone.

Críticas pesadas à atual política das montadoras vieram também de Mosley: “Não é racional você empregar entre 700 e mil pessoas apenas para fazer dois carros alinharem no grid 18 vezes por ano”, disse. “Quando você tem uma crise financeira, tudo isso se transforma num cenário desastroso.”

Ontem mesmo, Mosley enviou carta a todas as equipes com o preço do uso do motor Cosworth e do sistema de transmissão X Trac padrão, contratados pela FIA para implantação em 2010. Valor: 6,24 milhões de euros por temporada, ou cerca de 10% do que Ferrari, Mercedes, BMW, Renault, Toyota e Honda investem para produção do mesmo conjunto motor-transmissão.

Na reunião da Fota, quarta-feira, em Londres, os times decidiram propor à FIA um motor turbo de 1,8 litro a partir de 2010 e se recusam a aceitar a idéia de conjunto único.

Se a Honda não for adquirida, só 18 carros vão largar na abertura do Mundial de 2009, dia 29 de março, na Austrália. E não será a primeira vez que haverá menos de 20 concorrentes.

Em 1969, por exemplo, o campeonato começou com 18 carros, caiu para 14 na etapa seguinte, na Espanha, e teve apenas 13 na França e na Alemanha. Mas Ecclestone está otimista: “A crise da F-1 não é maior do que a das grandes companhias. O mundo não vai parar.”

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04//08

Bruno Senna soube da decisão da Honda apenas pela internet. “Não fui comunicado, mas estranhei, não conseguir falar com a equipe nos últimos dias”, contou. Bruno está em Londres, onde mora. Ele havia sido escalado para testar o carro na segunda-feira, em Jerez de la Frontera. Rubens Barrichello, em São Paulo, também disse não ter sido informado oficialmente e, por isso, não poderia comentar o assunto. Confirmou, porém, que não viajaria mais para a Espanha.

Ontem mesmo Bernie Ecclestone e Max Mosley já se tentavam viabilizar a continuação da estrutura da Honda como equipe, uma das melhores da Fórmula 1. Ecclestone, segundo uma fonte, fez contato com eventuais investidores. Apesar de ainda não ter se pronunciado, sabe-se que a Honda pode fornecer os motores a um novo time, desde que o proprietário pague algo próximo de US$ 10 milhões por ano.

A Honda deve responder hoje o que fará com seus contratados, como o chefe de equipe Ross Brawn e o piloto Jenson Button. Mais: a Petrobrás só aguardava o fim do contrato com a Williams, no fim do mês, para anunciar acordo com a Honda, na qual investiria cerca de US$ 10 milhões, entre o fornecimento de combustível, desenvolvimento de óleo lubrificante de motor e câmbio, além de patrocínio. Ainda: a Fórmula Indy só utiliza motor Honda. Não se sabe se o projeto seguirá.

Com o fim da Honda na Fórmula 1, as opções de Bruno Senna, Lucas Di Grassi e Rubens Barrichello se restringem ainda mais. Há uma vaga aberta na Toro Rosso e duas na Force India. Na Toro Rosso, Dietrich Mateschitz, dono da equipe e da Red Bull, já disse que o companheiro de Sebastien Buemi será um piloto de seu grupo, o que quase confirma a permanência de Sebastien Bourdais.

“Considero a opção da Toro Rosso, agora, mais difícil, depois da saída do Gerhard Berger”, explicou Bruno. “Diante do que ocorreu com a Honda, vou acionar o plano B.” Seu caminho é um dos carros da Force India, que em 2009 passa a ser o time B da McLaren.

“Negocio com quem ainda é possível na Fórmula 1”, respondeu Bruno, atestando os contatos com Vijay Malya, proprietário da Force India. Como a organização usará chassi da McLaren, motor Mercedes e terá gestão técnica e esportiva de profissionais indicados por Ron Dennis, sócio da McLaren, a Force India é candidata séria a andar no bloco intermediário em 2009, algo semelhante, se bem administrada, ao que fez a Toro Rosso neste ano. Seria uma excelente opção para Bruno Senna. “Torço para que as negociações evoluam”, afirmou, ontem, o piloto.

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04/XII/08

A diretoria da Honda deve explicar, hoje, que a crise financeira mundial, a queda de vendas nos mercados japonês e norte-americano, aliadas à falta de resultados desde a volta à Fórmula 1, em 2006, foram os fatores que a levaram a abandonar o seu projeto na categoria. Assim, se não existirem compradores para a equipe, apenas 18 carros, de 9 escuderias, vão disputar o campeonato a partir de 29 de março de 2009, na Austrália. Bruno Senna, Lucas Di Grassi e Rubens Barrichello concorriam à vaga na equipe. O fim da Honda na F-1 deve gerar vários desdobramentos imediatos.

Em 2008, a montadora investiu US$ 398 milhões na categoria. Conquistou 14 pontos, diante de 172 da Ferrari, campeã entre os construtores. Ficou à frente apenas da última colocada, a Force India, que não somou pontos. A maior concorrente, a Toyota, terminou o Mundial em quinto, com 56 pontos. A mudança radical no regulamento da F-1, em 2009, seria uma oportunidade para o grupo de técnicos liderado pelo conceituado engenheiro Ross Brawn, ex-Ferrari, fazer da Honda um time vencedor. Mas os japoneses não vão esperar para ver.

No início da tarde de ontem, Ross Brawn recebeu um telefonema do Japão na sede da Honda em Brackley, na Inglaterra. Foi informado de que ele e cerca de outros 500 funcionários estavam desempregados. Poderiam parar o trabalho de conclusão do projeto do modelo RA109 que nem mesmo os testes da próxima semana, na Espanha, seriam mais realizados.

Nesse momento, Brawn, sem saber o que pensar, ligou para os pilotos para informar o que a sede no Japão havia decidido. Nem os engenheiros envolvidos no treino de Jerez de la Frontera sabiam, tanto que depois de Brawn falar com os pilotos, lhes enviaram por e-mail a programação dos três dias de ensaios. A partir daí, muitos enviaram currículo a seus colegas de outras escuderias, oferecendo-se para trabalhar. A essa altura, dois outros personagens também já conheciam a decisão dos japoneses: Bernie Ecclestone, promotor da F-1, e Max Mosley, presidente da FIA

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