27/XI/08
Amigos, o tema não é novo, mas ontem Bernie Ecclestone afirmou com tanta conviccção que o sistema de medalhas será implantado na Fórmula 1 já em 2009 que decidimos voltar a abordá-lo aqui no Estadão. As informações constam no material distribuído pelas agências internacionais. Esse é o texto publicado hoje. No término faço um comentário.
Abraços
… e quando Bernie Ecclestone quer uma coisa encontra uma maneira de viabilizá-la. Ontem, em Londres, na apresentação da empresa coreana LG como a patrocinadora do Campeonato da Fórmula 1, o promotor da competição garantiu que o sistema para definir o campeão do mundo será o mesmo da Olimpíada: medalha de ouro para o vencedor das corridas, de prata para o segundo colocado e bronze para o terceiro. Fica com o título quem tiver mais medalhas de ouro.
“A razão de adotarmos esse modelo é que estou cheio de ouvir as pessoas reclamarem de falta de ultrapassagem. O motivo de não mais as vermos não tem nada a ver com os circuitos ou os carros, mas com os pilotos, que não têm necessidade de ultrapassar”, argumenta o dirigente, de 78 anos. Ecclestone deu exemplo do que planeja já para a próxima temporada, programada para começar dia 29 de março, na Autrália. “Se você lidera a prova e eu estou em segundo, não vou me arriscar a tentar ganhar sua posição por causa de apenas dois pontos.”
Hoje a FIA distribui dez pontos ao vencedor e oito para o segundo colocado. “Mas, se eu tiver de ultrapassá-lo para conquistar uma medalha de ouro, porque o campeão será quem mais obtê-las, vou tentar ultrapassá-lo.” Será esse o argumento que Ecclestone vai defender na próxima reunião do Conselho Mundial da FIA, mês que vem, em Paris. Para ser implantada na Fórmula 1, a medida tem de ser aprovada pelo Conselho da entidade. “Nós vamos adotar esse sistema, espero, todas as equipes estão satisfeitas”, afirmou Ecclestone.
Normalmente pouco dado a várias explicações, ontem se estendeu nos motivos de defender com tanta energia sua tese: “Neste ano vimos em várias ocasiões Lewis Hamilton não tentar a ultrapassagem em Felipe Massa pelas razões expostas”, comentou. E disse compreendê-lo: “Se ele pilotasse para mim, tentasse ganhar a posição de Massa e cometesse um erro, eu o cobraria.” O que está errado, afirmou, é a possibilidade de um piloto chegar ao título sem vencer corridas.
Se o sistema de medalhas em vez de pontos fosse utilizado este ano, o campeão do mundo seria Massa e não Hamilton. O piloto da Ferrari venceu 6 das 18 etapas enquanto o da McLaren, 5. Não haveria a frustração que se abateu nas arquibancadas de Interlagos e em milhões de lares, em especial no Brasil e na Itália, quando Hamilton ultrapassou Timo Glock, da Toyota, na última curva da última volta, para receber a bandeirada em quinto e conquistar o título. A vitória de Massa lhe garantiria o campeonato, independentemente da colocação do inglês, empatado em número de primeiros lugares com ele até a prova de São Paulo: 5 a 5.
Amigos:
Acompanhei com certa proximidade a luta dos representantes das equipes para ampliar de 6 para 8 o número de pilotos que marcam pontos nas corridas. Acabou implantado a partir de 2003. Posso garantir: contra a vontade explícita de Bernie Ecclestone. “Quero qualidade, não quantidade, por isso instituímos os 107% do tempo do pole positin como mínimo para largar”, nos disse em entrevista na Malásia, em 2002.
Os proprietários de equipes bem como seus patrocinadores não desejavam chegar ao fim do campeonato com poucos pontos somados no Mundial de Construtores ou, pior ainda, nenhum ponto, se a temporada não fosse boa.
Ouvi de vários profissionais dessas escuderias que era muito ruim explicar para a presidência, os acionistas das empresas, uma pontuação extremamente baixa. Psicologicamente gerava um impacto, e tão grande que vez por outra questionavam se valia a pena continuar investindo na Fórmula 1.
Quando ampliaram o critério de pontuação para os 8 primeiros, atendeu melhor os interesses dos times.
Agora vejo que Ecclestone vai instituir o sistema de medalhas na Fórmula 1, ou ao menos apresentará o projeto no Conselho Mundial.
Não pense que a realidade é como a descrita por ele próprio, quando afirmou que todas as equipes “estão felizes” com a notícia. Tudo o que vi até bem recentemente na Fórmula 1 monstra que a medida, que, em essência, atribui peso quase exclusivamente no vencedor, já está aprovada. Eu me surpreenderia.
O assunto deve passar por muita discussão antes de incorporado pela Fórmula 1. Exatamente por privilegiar demais bem poucos e excluir a maioria, como acontecia até 2002, época em que apenas os seis primeiros marcavam pontos.
A gerência das equipes está tão mudada que seus representantes podem até ter razões para concordar com Ecclestone e não sabemos, mas os ensinamentos do que se passou na F-1 até há bem pouco tempo sugere o oposto.
Abraços!
25/XI/08
Dietrich Mateschitz, proprietário da Red Bull, anunciou ter adquirido os 50% de participação que Gerhard Berger possuía na Toro Rosso. O que isso significa, quais os desdobramentos de a Red Bull voltar a ter duas equipes na Fórmula 1?
Ao que parece, a verdadeira obsessão de Berger por encontrar patrocinadores para a temporada de 2009 cessa. Com Mateschitz assumindo a escuderia, sua manutenção virá dos investimentos que faz no seu projeto de Fórmula 1, que inclui a Red Bull e a Toro Rosso.
Assim, o suíço Sebastien Buemi, já patrocinado pela empresa austríaca, deverá ser confirmado como piloto da Toro Rosso. E a outra vaga, agora, não deverá ficar com um piloto que, necessariamente, leve dinheiro ao time, como Berger sinalizava com frequência.
O companheiro de Buemi não poderá é ser um estreante também. Dessa forma, as chances de Sebastien Bourdais e até Rubens Barrichello cresceram. Os dois não têm até agora patrocinadores como desejava Berger, mas contam com a experiência, exatamente o que a Toro Rosso vai precisar.
Ao mesmo tempo, as possibilidades de Bruno Senna e Lucas Di Grassi ficaram menores, partindo do princípio de que Buemi será mesmo um dos pilotos da Toro Rosso, como o próprio Mateschitz já manifestou desejo. A Toro Rosso não fará a loucura de contratar dois estreantes na Fórmula 1, assim Bruno e Di Grassi têm de torcer para serem contratados pela Honda.
O que você acha?
25/XI/08
Li hoje em reportagem distribuída pela agência espanhola EFE uma entrevista com Juan Pablo Montoya. O colombiano esnoba a Fórmula 1 e afirma que não retornaria à competição “nem mesmo se a Ferrari o procurasse”.
Em primeiro lugar, a direção da Ferrari tem discernimento para distinguir quem, de verdade, é capaz de levá-la a algum lugar e quem apenas tem competência para ser veloz, e depois falar, espernerar, criar confusão, acusar e não produzir nada de útil.
E como Montoya é o melhor representante que passou pela Fórmula 1 nos últimos tempos a se enquadrar nessa segunda classe, não teria chance alguma de sequer ser lembrado por Stefano Domenicali.
Sua experiência na Fórmula 1 foi, por vezes , patética. Testemunhei mecânicos da Williams entreolharem-se e, depois de Montoya deixar o local, sorrirem sarcasticamente.
Soube que num teste os mecânicos da McLaren se recusaram a ligar o motor do carro do colombiano se ele não se retratasse. Não me recordo a prova, mas Montoya acusou os mecânicos por seu fracasso. A realidade era outra.
Tiveram de ligar para Ron Dennis que, por telefone, solicitou aos integrantes da equipe desistirem do protesto. A história foi confirmada pelo próprio Dennis na etapa seguinte do campeonato. Montoya foi dispensado pela McLaren antes do término do contrato.
Seu comportamento regular sugere ser portador de psicopatologia séria. De alguma forma associa quase todos às pessoas com quem conviveu numa época de dificuldades na vida. A transferência é nítida.
Não me recordo de profissinal, ainda que no seu caso se trata de um pseudo-profissional, tão agressivo com a própria equipe, os patrocinadores, a torcida e a imprensa.
Na Granja Viana, empurrou crianças que lhe solicitavam autógrafo. Em Hockenheim, um grupo de humor fez uma pergunta na entrevista da Allianz, investidor da Williams, e ainda no início da coletiva Montoya abandonou o local. Um operador de câmara bateu sem querer com o equipamento em sua cabeça, no autódromo, e o colombiano partiu para cima dele, brigou mesmo.
Uma ocasião o entrevistei sozinho e nos cerca de 15 minutos de conversa não olhou nos meus olhos enquanto movimentava a tampa de uma garrafa de plástico o tempo todo. Seu conjunto de reações passou a clara impressão de um indivíduo onde o lado infantil ainda é bastante presente, doentiamente.
Mas o que as pessoas que conviviam com Montoya não toleravam mais era sua agressividade. Foi embora até tarde da Fórmula 1. E quanto aos convites que disse ter recebido agora, na verdade limita-se a um telefonema de Gerhard Berger, a fim de avaliar seu interesse em realizar um teste com o carro da Toro Rosso. Nada além disso.
Montoya: a Nascar é mesmo o melhor lugar para você. Ah, trate de conquistar melhores resultados, hein? A paciência lá também tem limite.
24/XI/08
Amigos, esse é o texto de minha coluna na edição desta segunda-feira no Jornal da Tarde
Em primeiro lugar, torço para que sua carreira na Fórmula 1 não tenha acabado. Mas diante do excelente trabalho de Bruno Senna e Lucas Di Grassi no teste da Honda em Barcelona semana passada, as chances de Rubens Barrichello, ao menos no time japonês, reduziram-se bastante. Resta-lhe torcer para que as propostas de patrocínio encaminhadas por ele mesmo dêem certo e, assim, defina sua ida para a Toro Rosso.
Mas convencer as empresas a investir elevadas somas de dinheiro hoje, diante da crise financeira internacional, é algo bastante difícil. Mais: nem todos desejam associar sua marca a Rubens Barrichello.O piloto tem muitos fãs, mas é inegável a existência de importante rejeição também, especialmente entre os brasileiros.
O que me vem à mente é se ele merece um fim de carreira como o que estamos assistindo. Os que se acostumaram a assitir ao Brasil ser campeão têm em Rubinho a síntese de suas frustrações pós 1994, quando a nação perdeu Ayrton Senna. Já para as gerações seguintes esse paulistano de 36 anos representa algo bem maior, é até ídolo de parte significativa da juventude. Se o seu plano de correr na Toro Rosso não fluir e o sonho de ainda ser aproveitado pela Honda não se realizar, Rubinho já encerrou a carreira. É triste.
Não é qualquer piloto que desembarca na Europa com 18 anos e, de cara, conquista o na época respeitado Campeonato Europeu de Fórmula Opel. A história registra também que bem poucos pilotos, com 19 anos, e na primeira experiência na Fórmula 3 britânica, em 1991, se consagram como campeão. Na Fórmula 1, perdeu para o melhor, Michael Schumacher, e em algumas ocasiões até o superou.
Sua bela trajetória nas pistas merecia outro desfecho.
19/XI/08
Os dirigentes da Honda, Nick Fry e Ross Brawn, devem estar coçando a cabeça. O ótimo treino de Bruno Senna, ontem, no último dia de treinos em Barcelona, com certeza os deixou em dúvida sobre quem escolher para companheiro de Jenson Button em 2009: Bruno Senna, Lucas Di Grassi, que como Bruno fez treino muito bom terça-feira, ou renovar com Rubens Barrichello, agora menos provável por conta do eficiente trabalho dos novatos.
Ontem Bruno completou 110 voltas na pista catalã, o equivalente a quase dois GPs, e na melhor registrou 1min21s676, o 8º do dia. Button, com o carro nas mesmas condições, fez 1min21s387, ou seja apenas 289 milésimos mais rápido.
Se Di Grassi já havia gerado boa imagem aos homens da Honda, Bruno os deixou até um pouco mais impressionados por ter sido, tendo como referência Button, cerca de dois décimos de segundo mais veloz. Di Grassi ficou a 513 milésimos do inglês, terça-feira. “Até a hora do dia em que eu e o Button registramos nossos melhores tempos era parecida. As diferenças foram de acerto do carro apenas”, explicou Bruno, satisfeito com o resultado.
“Achei que seria difícil encontrar o segundo final. Mas compreendi que dá para chegar mais rápido no limite. É difícil tirar os dois décimos finais”, comentou Bruno. “Fui olhar os gráficos de desempenho do Button para tentar entender.”
Bruno contou que Brawn se reuniu com ele e Di Grassi, ontem. “Nos informou ter gostado bastante do nosso trabalho, o considerou consistente, profissional e falou que semana que vem vai conversar conosco.” Como os dois foram velozes, tendo-se em conta a quase nenhuma experiência na Fórmula 1, impressionantemente regulares, já que não saíram do asfalto uma única vez, os dirigentes da Honda não têm ainda elementos para a escolha. Bruno acredita que a equipe vai programar outro treino.
A Honda testou com o aerofólio dianteiro de 2009 e de pneus lisos (slick). Já o alemão Sebastian Vettel, sensação na Toro Rosso este ano, treinou com seu novo time, Red Bull, na configuração de 2008. Fez o melhor tempo, 1min19s295 (75 voltas). Os dois pilotos que duelam por vaga na Toro Rosso, Sebastien Bourdais e Sebastien Buemi, ficaram em 2º, 1min19s839 (122) e terceiro, 1min20s154 (115).
Nelsinho Piquet trabalhou para a Renault, com 1min22s148 (94), o 9º. As condições de cada escuderia variaram muito nos testes, a ponto de, ontem, a Ferrari obter apenas o 11º tempo, com Luca Badoer, 1min22s866 (120). Os italianos visaram a submeter o motor a esforços maiores dos normais, pois terá de resistir a três etapas em 2009 em vez de duas , como este ano.
19/XI/08
Amigos, falei com o Bruno Senna há pouco e mais tarde coloco no ar o comentário sobre o treino de hoje em Barcelona.
Para uma leve idéia do ocorrido no Circuito da Catalunha, roubo os tempos divulgados pelo site da revista inglesa Autosport:
Pos Driver Team Time Laps
1. Vettel Red Bull-Renault (B) 1:19.295 75
2. Bourdais Toro Rosso-Ferrari (B) 1:19.839 122
3. Buemi Toro Rosso-Ferrari (B) 1:20.154 115
4. Paffett McLaren-Mercedes (B) 1:21.140 81
5. Button Honda (B) 1:21.387 94
6. Klien BMW Sauber (B) 1:21.534 88
7. Heidfeld BMW Sauber (B) 1:21.592 106
8. Senna Honda (B) 1:21.676 107
9. Piquet Renault (B) 1:22.148 94
10. Hulkenberg Williams-Toyota (B) 1:22.410 52
11. Badoer Ferrari (B) 1:22.866 120
12. Fisichella Force India-Ferrari (B) 1:23.086 93
13. de la Rosa Force India-Ferrari (B) 1:23.103 88
19/XI/08
Amigos, conversei com o Rubinho, ontem, terça-feira, e ele fez o seguinte comentário depois de dois dias de testes em Barcelona.
Rubens Barrichello acompanha com interesse a avaliação de Bruno Senna e Lucas Di Grassi. Tem a promessa dos dirigentes da Honda de permanecer como titular se ambos não corresponderem nos treinos.
Depois de Bruno e Lucas testarem meio dia cada, um na segunda-feira e Di Grassi as duas sessões, ontem, Rubinho comentou: “Estou em contato direto com a equipe, eles me informam sobre as condições do teste. O que dá para dizer, ao menos agora, é que tudo vai depender do que a equipe Honda deseja.”
E explicou: “Se a Honda busca um piloto mais para o futuro, formá-lo, os dois estão fazendo um bom trabalho.” Mas advertiu: “Se o objetivo for ter um piloto pronto já para a abertura do próximo Mundial, em Melbourne, com as restrições de treinos existentes agora, então será preciso estar atento às diferenças para o tempo de Jenson Button.”
E apesar de elogiar o bom treino de Lucas Di Grassi, ontem, não escondeu o que pensa se a Honda quer alguém pronto: “Meio segundo é muito tempo.” Di Grassi foi 513 milésimos mais lento que o inglês. “Tendo como referência o que os dois fizeram em relação a Alexander Wurz (piloto de testes) segunda-feira, Bruno talvez seja um pouco mais veloz.”
18/XI/08
No exame seletivo que a Honda faz entre Lucas Di Grassi e Bruno Senna para ver a possibilidade de substituir Rubens Barrichello, ontem apenas Di Grassi treinou em Barcelona. E realizou belo trabalho: completou nada menos de 110 voltas (quase dois GPs) e, na mais veloz, fez 1min22s283, o 10º do dia.
Em boa parte da sessão da tarde os carros de Di Grassi e do outro piloto da Honda, Jenson Button, estavam em condições bem semelhantes, segundo informou Rubens Barrichello, em contato permanente com a equipe. O inglês registrou 1min21s770 (110), o 8º do teste. A diferença entre as marcas de Di Grassi e de Button foi de 513 milésimos. Button tem 153 GPs de experiência, vem de disputar o campeonato com o modelo RA108, embora agora com pneus lisos (slick) e parte da configuração aerodinâmica de 2009, e reconhecidamente é um piloto rápido.
Já Di Grassi sequer estreou ainda na competição. Com esses atenuantes, ser cerca de meio segundo mais lento, sem erros comprometedores ou bater o carro representa muito bom resultado para Di Grassi. Hoje é a sua vez de acompanhar o treino de Bruno e aguardar, depois, o que Nick Fry e Ross Brawn vão decidir para a Honda: um dos dois como titular, nova sessão de testes ou mesmo a manutenção de Rubinho.
A maior revelação da temporada, o alemão Sebastian Vettel, sentou no carro da Red Bull, com a aerodinâmica deste ano, sua nova equipe, e de cara foi rápido, como se esperava: 1min19s751 (70 voltas), o melhor tempo do segundo dia de treinos coletivos. Nelsinho Piquet, da Renault, visou a acertar o carro para os pneus slick. Deu 85 voltas e foi o 11º, com 1min22s348.
Esses foram os tempos desta terça-feira, discaradamente copiados do site da revista inglesa Autosport
Pos Driver Team Time Laps
1. Vettel Red Bull-Renault (B) 1:19.751 70
2. Sato Toro Rosso-Ferrari (B) 1:20.017 79
3. Bourdais Toro Rosso-Ferrari (B) 1:20.034 48
4. Buemi Toro Rosso-Ferrari (B) 1:20.223 99
5. Paffett McLaren-Mercedes (B) 1:21.340 31
6. Kubica BMW-Sauber (B) 1:21.521 76
7. Rosberg Williams-Toyota (B) 1:21.525 113
8. Button Honda (B) 1:21.770 110
9. Sutil Force India-Ferrari (B) 1:22.073 58
10. di Grassi Honda (B) 1:22.283 110
11. Piquet Renault (B) 1:22.348 85
12. Badoer Ferrari (B) 1:22.425 127
13. Gene Ferrari (B) 1:22.772 31
14. Heidfeld BMW-Sauber (B) 1:22.945 81
15. van der Garde Renault (B) 1:23.250 37
16. de la Rosa Force India-Ferrari (B) 1:23.499 86
18/XI/08
Amigos, ontem não pude disponibiliar esse breve texto sobre o primeiro dia de treinos em Barcelona.
Fiquei um pouco impressionado com o tom das reportagens que li a respeito da disputa entre Bruno Senna e Lucas Di Grassi. Ao menos ontem, não havia como comparar o resultado de um e outro por causa das condições muito distintas do ensaio. O trabalho dos dois deve ser visto em função do que a Honda lhes está solicitando, se correspondem ou não ao que lhe pedem. Os tempos, ao menos ontem, foram quase irrelevantes.
Ainda que não saibamos detalhes das condições do teste do cinco vezes campeão mundial de rali, Sebastien Loeb, com o carro da Red Bull, é desde já inegável que seu desempenho é notável. Completou 82 voltas e registrou na melhor 1min22s503, o oitavo do dia.
Os tempos não dizem muito nos testes, em especial quando há equipes com carros na versão de 2008, outros já na configuração aerodinâmica da próxima temporada e até alguns carros equipados com o revolucionário sistema de recuperação de energia, Kers. Esse foi o panorama no primeiro dia de ensaios da F-1, ontem, em Barcelona, onde Bruno Senna e Lucas Di Grassi estão sendo avaliados pela equipe Honda. Com os modelos de 2008 e de pneus lisos (slick), Takuma Sato e Sebastien Buemi, também sob exame da Toro Rosso, registraram as duas melhores marcas.
Bruno Senna acelerou pela primeira vez um monoposto de F-1 na sessão da tarde. Foram 32 voltas no traçado de 4.655 metros. “A equipe pediu apenas para me preocupar em conhecer o carro”, disse. “Os sistemas são menos complicados do que imaginava.” Na sua melhor volta fez 1min24s343 (15º).
Para se ter uma idéia de como as comparações são impossíveis, Sato obteve 1min20s763. Seu carro, sem as limitações aerodinâmicas de 2009, era muito mais rápido, sem tirar seu mérito pelo bom trabalho.
Di Grassi foi o primeiro a pilotar, de manhã, o modelo deste ano da Honda com parte do conjunto aerodinâmico de 2009. Fazia frio e a pista estava mais lenta que à tarde. Disse que o maior objetivo era encontrar um acerto razoável para a pista nas 48 voltas. “No momento em que nos encontramos em condição semelhante, fui dois décimos mais rápido que Alexander Wurz (com o outro carro da Honda)”, explicou. Di Grassi fez o 17º tempo, 1min25s512.
16/XI/08
Bruno Senna e Lucas Di Grassi iniciam nesta segunda-feira, no Circuito da Catalunha, em Barcelona, o primeiro dos três dias de testes seletivos programados pelos dirigentes da equipe Honda, Nick Fry e Ross Brawn. O time japonês pensa, em princípio, substituir Rubens Barrichello. Serão analisados velocidade, constância, capacidade para repassar aos engenheiros informações sobre o carro, personalidade, enfim, tudo que se exige de um piloto na Fórmula 1.
Hoje de manhã, Di Grassi começa o treino. À tarde, Bruno assume o modelo RA108 da Honda. Ao mesmo tempo, Alexander Wurz, piloto de testes, trabalha no segundo carro. Amanhã, Di Grassi tem o dia todo para si, enquanto quarta-feira será a vez de Bruno. No outro Honda, Jenson Button substitui Wurz amanhã e depois. Os dois modelos foram utilizados na fase final do campeonato. “Mas eles serão equipados com pneus slick (lisos)e parte do conjunto aerodinâmico de 2009, como o novo aerofólio dianteiro”, explicou Bruno.
Na próxima temporada a Fórmula 1 deixa os pneus com sulcos e sua configuração aerodinâmica vai gerar menor pressão. “Estou tranqüilo, ao contrário dos meus amigos que estão tensos”, disse, rindo, Bruno. “O que nós pedimos ao pessoal da Honda é uma definição rápida. E eles nos responderam não ter pressa.” Bruno explicou que precisa conhecer logo o escolhido, se houver, para poder agilizar outras negociações. “Eu posso realizar testes com a Toro Rosso também. Vai depender do que ocorrer com a Honda.”
Lucas Di Grassi se apresenta para a seleção tendo já testado em algumas ocasiões o monoposto da Renault, de quem é terceiro piloto. “É uma vantagem, mas pequena, porque com os pneus slick e a versão aerodinâmica de 2009, como usaremos, o comportamento do carro muda bastante”, explica. Ele acredita que em um dia e meio de treino para cada piloto os dirigentes da Honda dificilmente terão dados para escolher um vencedor. “A não ser que surja algo muito conclusivo no teste. Como nos disseram não ter pressa para decidir, talvez façam outros treinos.” Como Bruno, Di Grassi ressaltou que se não corresponderem ao que Fry e Brawn esperam deles, a vaga fica com Rubinho.
Bruno, 25 anos, disputou, até agora, apenas quatro temporadas no automobilismo. Di Grassi, 24, correu cinco anos de kart e tem sete de experiência com monopostos.
O que penso dessa disputa é o tema de minha coluna na edição desta segunda-feira no Jornal da Tarde. Este é o texto:
Bruno Senna ou Lucas Di Grassi? Cobrir a F-1 me permitiu acompanhar com certa proximidade a carreira de ambos até agora, já que com freqüência se apresentavam nas corridas preliminares. São estilos distintos. Bruno tem um pouco mais de arrojo. Começou a correr aos 20 anos, disputou apenas quatro temporadas no automobilismo e assume, sabendo o que faz, alguns riscos a mais. Lucas correu cinco anos de kart, com sucesso, e tem sete temporadas com monopostos. Isso o ajuda a ser mais reflexivo.
Uma característica em comum: são bastante inteligentes. Conversei em várias oportunidades com seus engenheiros, tive a chance de ver de perto a maneira de Bruno e Lucas trabalharem, antes e depois de sentar no carro. Ouvi que são muito capazes de repassar informações sobre o comportamento do carro e até a respeito dos caminhos a serem seguidos no acerto. “Trabalhar com um piloto tão interessado na área técnica como Bruno representa um imenso prazer”, disse-me Gavin Bickerton, da ISport, time de Bruno na GP2 este ano.
E Adrian Campos, ex-piloto de F-1 e dono da equipe de Lucas este ano na GP2, não economizou elogios também. “Lucas tem responsabilidade direta na nossa evolução. Sabe e gosta de trabalhar, ditou nossos rumos.”
Para quem os vê na pista, Bruno parece mais espetacular. Não se esquiva de partir para cima do adversário, tentar ultrapassá-lo uma, duas, quantas vezes puder. Seu estilo associado a pouca experiência faz com que tenha pequena margem de erro a mais. De qualquer forma, bem reduzida para quem acelerou pela primeira vez há quatro anos apenas.
Lucas estuda mais o concorrente antes da manobra, geralmente certeira. Mas essa imagem só ficou clara este ano. Até 2007, o meio via Lucas como um piloto veloz, regular, mas pouco capaz de ultrapassar. Seu campeonato sensacional na GP2, este ano, mudou isso. Os dirigentes da Honda têm uma difícil tarefa: escolher um dos dois pilotos.
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