Amigos:
Quem irá assistir às Mil Milhas, em Interlagos, dia 10?
Estou procurando me informar com o que há disponível sobre esse superevento. Será a corrida final da Le Man Series. Competem carros como o Peugeot 908, digno de relacioná-lo com os melhores modelos do Mundial de Esporte-Protótipos no fim dos anos 60 e início dos 70, a exemplo do Porsche 917 e a Ferrari 512S, ou ainda o Pescarolo Judd, Creation Judd e Zytek 07S.
Quer mais? Ferrari F430 GT, minha eterna paixão o Corvette, modelo C6-R, Aston Martin DBR-9, Saleen S7R, Porsche 997, dentre outros. São 25 inscritos no total. Se você gosta de automobilismo, a prova reunirá todos esses supercarros. Quanto a pilotos, nada menos de 12 deles já tiveram passagem pela Fórmula 1. Exemplos: Pedro Lamy e Stephane Sarrazin, da Peugeot, Jean-Christophe Boullion, da Pescarolo, os três que disputam o título da competição.
A corrida começa ao meio dia e deve terminar lá pelas 23 horas. Vou passar as 11 horas de competição no autódromo. Conversei com o Antonio Hermann, ontem, o organizador das Mil Milhas, e ele me disse que algumas equipes ainda dispunham de carros disponíveis. Pilotos brasileiros, bem credenciados. poderiam correr na Ferrari 430 da JMB Racing, Porsche 997 da Thierry Perrier, Corvette Z-06 da Markland Racing e o mais avançado ainda Creation-Judd da própria Creation Autosportif.
Mais para a frente irei produzir uma reportagem para o Estadão e vou postá-la aqui. O que gostaria de dizer nesse espaço mais pessoal é que considero o Hermann um grande idealista. Tem um produto fenomenal nas mãos, a série Le Mans. Coloque o Audi na relacão de inscritos e, basicamente, temos as equipes das 24 horas de Le Mans. Mas infelizmente a maioria dos brasileiros não tem consciência do nível técnico do evento.
Hermann acredita que ano que vem haverá empate entre o que investe para a realização das Mil Milhas e a receita gerada. Torço para que seja mesmo assim e a prova continue aqui por muito tempo. Se depender apenas do meu entusiasmo para divulgar e tentar mostrar um pouco do avanço tecnológico que há nesses carros, a corrida está garantida. Mas infelizmente é muito pouco.
Para ser bem honesto, também sou vítimas essa desinformação. Pretendo acompanhar a preparação dos carros em Interlagos e aprender bem mais do que sei. Acho que em algum momento um técnico irá me dizer: “Você pode ser mais discreto, por favor, na sua observação?”
O Peugeot 908 é movido a óleo diesel, por exemplo, e desenvolve no seu motor de 5,5 litros nada menos de 700 cavalos. O protótipo do Pescarolo, vi imagens, é sensacional também. Contemplar de perto esses carros, sem a carenagem, descobrir suas soluções técnicas, me é extremamente prazeroso.
Se você levar um quilo de alimento o custo do ingresso no setor A, Reta dos Boxes, é de R$ 60,00. Arquibancadas B, C e M, R$ 120,00, com direito à visitação dos boxes. Foi montado na curva do Sargento, onde assisti acampado a minha primeira Mil Milhas, em 1970, entrando na adolescência, uma área definida como Village. DJ’s famosos, como João Lee, filho de Rita Lee, e Felipe Venâncio, irão entreter o público durante a corrida. Mais informações no site www.milmilhasbrasil.com.br
Vamos ficar por aqui. Amanhã, quinta-feira, os carros começam a chegar a Interlagos. Como vou folgar sábado e domingo, estou pensando em já dar um pulo lá. Os dias que antecedem os treinos representam a melhor hora para poder conversar com os cerca de 1200 estrangeiros que vêm ao País para a prova.
Só um aviso, aos críticos de plantão: não tenho nada a ver com a organização das Mil Milhas. Apenas fiz um livro para eles, ano passado, sobre os 50 anos do evento. Mas saibam: idealistas capazes de nos trazer competições como a Le Man Series merecem minha mais profunda admiração.
Abraços!
Olá amigos:
Cá estou, de novo. Obrigado pelas mensagens de “bom descanso”.
Acabei de ler todos os comentários do último post. Antes de falarmos de automobilismo – deixemos para amanhã – desejo lhes dizer algo: se você ama a natureza, necessita desse contato com o que mais tem a ver com a essência da vida, como eu, vá a Bonito, Mato Grosso do Sul.
Os encantos de suas atrações são únicos. Realizar flutuação nos rios da Prata, Sucuri ou na Baía Bonita lhe oferece a sensação de estar dentro de um aquário perfeito, com várias espécies de peixes, como Piraputanga, Curimbatá, Pacú e Dourado, dentre outros, e vegetação selecionada por paisagista renomado. A transparência das águas lhe leva a pensar como é possível não existir a interferência do homem, adicionando na nascente filtros desenvolvidos na era espacial. Nada disso: a base de calcário das rochas funciona como filtro natural para as águas.
É difícil conter a vontade de dividir com alguém aquele esplendor todo, afinal você está com o snorkel na boca. É tão impulsivo o desejo de manifestar a emoção que você acaba falando com o respirador na boca e tudo. Mesmo em outro idioma, como era o meu caso, fiz-me entender. Quer saber? Até o pessoal da Fórmula 1 com quem estava se deixou contaminar pelo ambiente de elevação do local.
Bonito oferece mais da flutuação em rios cristalinos. Há grutas, rapel, banhos em cachoeiras, arborismo, passeios de bote e a cavalo, tudo dotado de boa infra-estrutura. Mas prepare-se: não é um turismo econômico. Nada de irrealmente caro, porém acima da média de outros endereços do turismo. Altamente compensador, acredite. Fomos na baixa temporada. Não sei se na alta, depois de 15 de dezembro, são capazes de manter o eficiente padrão.
Tão importante quanto a natureza bela e rica me pareceu a consciência ecológica de quem administra Bonito. Só se pode realizar os passeio com guia através de voucher adquirido nas agências. E o número de visitantes em cada sítio é controlado. Os próprios guias demonstram bom preparo técnico para explicar o porquê de se cumprir as regras ditadas. Um exemplo: é proibido pisar no fundo dos rios.
Ano que vem irão inaugurar o aeroporto da cidade. Se mantiverem os mesmos cuidados de hoje, não há grandes riscos de se deformar essa fenomenal manifestação da natureza. Mas se liberarem as visitas às atrações, quase todas em áreas privadas, fazendas, sem exigir a presença dos guias e a permanência de grupos fechados, será a perdição de Bonito.
Atualmente, pousa-se em Campo Grande e é preciso 3 horas e meia para percorrer os 300 quilômetros até a cidade de 18 mil habitantes, em boa estrada, exceto no pequeno trecho em que a responsabilidade é federal. Lógico!
O único portador de passaporte brasileiro no grupo formado por engenheiros da Renault e de jornalistas do L’Equipe era eu. Claro que quase todas as noites comíamos em restaurantes especializados em peixe. Começamos com Pintado, no Taboa, fomos para a Piraputanga, no Cantinho do Peixe, depois a Traíra (acredite, servida sem espinha), na Casa do João e, em seguida, costelas de Pacú no Tapera.
As reações das pessoas com quem me encontrava me impressionaram. Não são do tipo de adjetivarem demais seja lá o que for. Olha, revelaram-se verdadeiros sentimentais em Bonito.
Conversamos sobre Fórmula 1? Sim, não haveria como deixar de lado nosso substrato de ação, em especial nos jantares, ao mesmo tempo em que apreciávamos os peixes de lamber os dedos.
Já que muitos dos comentários que li ainda há instantes abordavam a questão da pane na McLaren de Lewis Hamilton em Interlagos, leia o que os engenheiros com quem dividia o paraíso de Bonito afirmaram: “Foi um problema no software de gerenciamento do sistema de transmissão integrado”. Ninguém acredita que Hamilton acionou algum comando equivocadamente.
Se fosse o neutro, como li, o carro não andaria, como fez até retomar seu ritmo quase normal. Se Hamilton apertou o limitador de velocidade, veríamos a tampa do bocal do tanque aberta, o que não foi o caso. Foi um problema do equipamento e não do piloto.
Amanhã voltamos a falar mais de Fórmula 1, combinado?
Grande abraço, amigos!
Amigos:
Obrigado pelos comentários pós término do campeonato.
A temporada foi espetacular e seu capítulo final melhor ainda.
Vou me dar de presente um dias no Mato Grosso do Sul, Bonito, junto de
alguns engenheiros da F-1, meus amigos.
Retorno ao trabalho segunda-feira.
Alguns recados:
Em resposta aos comentários que perguntavam sobre a crise de riso
do Rubinho e do Luciano Burti no programa Linha de Chegada, em que
estava:
O Rubinho e o Luciano riem muito, sozinhos. Quando ouviram o Claudio
Carsughi comparar a espionagem a uma competição em que o cavalo correu
dopado, os dois acharam engraçado e não conseguiam conter o riso. Não
houve nada de excepcional. O Reginaldo Leme, o Claudio e eu, depois,
rimos do ocorrido. Não como eles, claro.
Os vencedores do nosso concurso estiveram em Interlagos e gostaria de
agradecê-los publicamente. Os livros prometidos serão enviados via
Correio a semana que vem, quando regressar a São Paulo.
Grande abraço a todos e obrigado mais uma vez por dividir esse espaço
comigo. Espero poder ser um pouco mais interativo nesse intervalo de
campeonatos.
Abraços!
21/X/07
GP do Brasil
Livio Oricchio
Início
Se dominasse o português, Kimi Raikkonen bem que poderia dizer, ontem, em Interlagos, diante de 70 mil torcedores em êxtase: “Pé frio uma ova”! O gelado finlandês da Ferrari expurgou os demônios que o acompanhavam e conquistou numa corrida emocionante e histórica o seu primeiro título mundial. Contra quase todas as previsões. Estava 7 pontos atrás de Lewis Hamilton e 3 de Fernando Alonso, ambos da McLaren.
Quem foi ao autódromo ou os 500 milhões de telespectadores no mundo todo assistiu a uma etapa final de campeonato cheia de alternativas, em sintonia com as fortes emoções da temporada, conforme também a classificação final atesta: Raikkonen 110 pontos e Lewis Hamilton e Fernando Alonso, 109, inédita.
Os três pilotos estiveram na pista, ao menos em algum momento, em condição de serem campeões. No fim, o sangue frio de Raikkonen, a ajuda decisiva do campanheiro de Ferrari, Felipe Massa, ao lhe oferecer a vitória, a eficiência do modelo F2007 e um erro de Lewis Hamilton somado à primeira pane do carro da McLaren no ano garantiram o resultado menos provável de todos.
Os seis anos de “azares” de Raikkonen na Fórmula 1 foram apagados na raiz com a rara combinação de fatores que lhe garantiram o título. “Eu não acredito em azar”, falou o finlandês que o máximo que expôs de emoção foi um meio sorriso. É bom os fãs da Fórmula 1 se acostumarem. O novo papa do automobilismo é indiferente até quando é campeão pela primeira vez. “Não vai mudar minha vida.”
Massa foi decisivo para a conquista. “Dei um pouco à equipe que tanto me ajudou no início de carreira”, afirmou. No segundo pit stop, diminuiu o ritmo para que Raikkonen saísse do box na sua frente, em primeiro. Ele mesmo acabou em segundo diante da sua torcida. “Massa é o vencedor da corrida. Ele foi o melhor. Mas pensou na equipe”, falou Jean Todt, diretor da Ferrari. No primeiro ano da era pós-Schumacher, a Ferrari já é campeã.
A decepção do dia acabou sendo o piloto que mais impressionou a todos este ano, a sensação da Fórmula 1, “o que de melhor poderia ter surgido para nós”, como definiu o promotor do espetáculo, Bernie Ecclestone: Lewis Hamilton. Errou e a sua McLaren, pela primeira vez no ano, o deixou na mão, com uma pane momentânea no câmbio. Acabou em sétimo. “O duro é que errei pela segunda vez”, disse, profundamente abatido. Na China já havia desperdiçado um match point.
Alonso, terceiro colocado, definiu o comportamento da McLaren: “Hoje perdemos o título por um ponto. Se tivéssemos concentrado a atenção em um de nós, seríamos campeões e não segundo e terceiro.” A perda do título pela McLaren deixou uma sensão de justiça no ar depois do escândalo de espionagem em que se envolveu. O campeonato de 2007 já entrou para a antologia da Fórmula 1.
FIM
Amigos:
Já sei que alguns leitores vão falar em perseguição, que estou torcendo para o Fernando Alonso, que quero ver o Lewis Hamilton punido para ajudar o espanhol. É o que depreendo ao ler os últimos comentários.
Não adiante dizer que não é nada disso. Cada um tem o direito de pensar o que desejar. Mas, de novo, não é preciso nem mesmo ter grande experiência com automobilismo para compreender que Hamilton atrapalhou a volta de Kimi Raikkonen.
O finlandês vinha na sua última tentativa de marcar tempo, na Reta Oposta, e Hamilton havia deixado os boxes com pneus novos para sua última volta lançada. O inglês manteve trajetória por dentro, por estar mais lento, e ao se aproximar da curva 4, a freada do fim da reta, desviou sutilmente a McLaren para a trajetória de Raikkonen.
Não vejo intenção alguma de Hamilton em prejudicar Raikkonen. Mas atrapalhou. Tanto que o piloto da Ferrari perdeu a trajetória ideal na saída da curva, colocou as rodas direitas fora da zebra. Perdeu tempo. Com certeza. Calculo algo como entre dois e três décimos de segundo.
“Não dá para ver no espelho, daquele ângulo em que estava, se alguém se aproximava. Tão logo vi, desviei o carro para fora do caminho de Kimi. Se o atrapalhei, peço desculpa”, disse Hamilton, depois de um tremendo bate-boca na coletiva com a jornalista francesa Anne Giuntini, do L’Equipe.
Acredito nele. Mas não se pode justificar tudo com “eu peço desculpa”. No GP da Itália do ano passado, Alonso foi punido por interferir no tempo de Massa por muito menos do feito por Hamilton ainda há pouco. E Alonso da mesma forma não tinha intenção. Diria que naquela oportunidade o espanhol interferiu bem menos do que Hamilton hoje com Raikkonen.
Eu me surpreenderia se a direção de prova tomasse alguma decisão contra Hamilton. Se fossem criteriosos, o inglês também perderia posições no grid como fizeram com Alonso. A Ferrari deve protestar pelo que senti da reação de Luca Colajanni, assessor da equipe.
A história da definição do grid do GP do Brasil pode não ter terminado.
Sobre os últimos comentários a respeito do nosso concurso: responderei assim que tiver um tempinho. O que posso dizer é que o Mauricio e o Everton estiveram aqui quinta-feira, ontem e hoje. E pelo que pude compreender da sua reação, aproveitaram nosso passeio pelos boxes. O Rodrigo, ocupado profissionalmente, só pôde vir ao autódromo ontem. O evento está lindo. Havia ótimo público já hoje e o tempo ajudou.
19/X/07
19 horas
Não se esperava mesmo muito mais que isso: a equipe McLaren foi multada em 15 mil euros por Lewis Hamilton ter utilizado dois jogos de pneus de chuva, hoje de manhã, quando o limite é de apenas um. Hamilton recebeu como pena também a perda de um jogo de pneus de chuva.
As equipes de Fórmula 1 recebem sexta-feira dois jogos de pneus de chuva e dois do tipo intermediário. Cada piloto não pode utilizar dois jogos do mesmo tipo, diz o regulamento.
A McLaren não levou em conta a regra e na sessão livre da manhã instalou no carro de Hamilton dois jogos de pneus de chuva. Fernando Alonso não iria deixar os boxes por ter a informação de que o treino da tarde seria com pista seca.
Hamilton completou 10 voltas porque não conhecia os 4.309 metros do traçado e usou dois jogos de pneus de chuva. Agora, se Alonso desejasse entrar na pista, mudar de idéia, por exemplo, não poderia. O regulamento proíbe que pneus utilizados por um piloto sejam repassados para o outro.
A decisão de dar a Hamilton dois jogos de pneus de chuva impediu Alonso de treinar, caso desejasse. É ou não grave, amigos?
Não havia quem acreditasse numa punição mais séria para Hamilton, hoje. Ouvi muita gente. Sabe por quê? Porque as decisões da FIA, em especial a que não puniu Hamilton pelo comportamento diante do safety car, no Japão, levaram a maioria a acreditar em tratamento diferenciado ao jovem inglês que, absolutamente, pelo seu imenso talento e competência, não necessita.
Alonso não iria deixar os boxes e tampouco Hamilton foi privilegiado por experimentar em 10 voltas dois jogos de pneus num treino livre. Não foi isso que o fez ser o melhor à tarde, mesmo sem nunca ter estado em Interlagos. Mas regras existem para serem cumpridas.
Punir com 15 mil euros e um jogo de pneus de chuva diante da previsão de pista seca para a classificação, amanhã, e a corrida, domingo, é não punir. A FIA reforça a cada decisão, este ano, a impressão de atenuar eventuais punições a Hamilton, como fez com Michael Schumacher em algumas ocasiões.
Abraços, amigos!
19/X/07
Amigos:
A segunda sessão de treinos livres desta sexta-feira está em curso. Antes de começar recebemos aqui na sala de imprensa um comunicado da direção de prova informando que Lewis Hamilton, Jenson Button e Takuma Sato não respeitaram a regra do uso dos pneus no treino da manhã.
Eles utilizaram dois jogos de pneus de chuva durante a hora e meia do treino. O regulamento limita em apenas um jogo de cada tipo por sessão, chuva e intermediário. Resultado: os três serão punidos. Não foi definida, ainda, a punição aos três pilotos. É possível que percam alguns jogos de pneus disponíveis para o restante do fim de semana, no mínimo.
Dá para acreitar no que está acontecendo? Na corrida da China, a McLaren manteve Hamilton na pista até seu pneu intermediário simplesmente acabar. Resultado: perdeu a chance de ser campeão do mundo. E no GP do Brasil, já no primeiro treino comete outro erro primário.
Tudo bem que o piloto também deveria conhecer o regulamento. Mas a responsabilidade maior, nesse caso, é, sem dúvida, da própria equipe. Parte importante do extraordinário trabalho realizado até agora na temporada pela McLaren está sendo jogada fora de maneira primária. Vão ser capazes, ainda, de fazer Hamilton perder o campeonato desse jeito.
Daqui a pouco a direção de prova anunciará a punição. Voltaremos a nos falar aqui de Interlagos tão logo saiba a decisão.
19/X/07
GP do Brasil
Livio Oricchio
Início
A FIA disponibilizou na sala de imprensa de Interlagos, ontem, imagens ao vivo dos boxes da McLaren até os mecânicos concluírem seus trabalhos nos carros de Lewis Hamilton e Fernando Alonso, às 18h15. O fato é inédito. A entidade deseja mostrar transparência na disputa pelo título, bem como passar a idéia de que está atenta para que os dois tenham o mesmo tratamento.
Mas pilotos e engenheiros da Fórmula 1 definiram como “cena teatral” a presença de um fiscal no box da McLaren, designado pela FIA, e a chegada de Carlos Gracia, presidente da Federação Espanhola de Automobilismo (FEA), convidado por Ron Dennis. “Não seria necessário porque a história da McLaren mostra isenção na concorrência entre seus pilotos. Mas acreditar que uma pessoa dentro do box seja capaz de fiscalizar algo é de dar risada”, disse o coordenador da Renault, Steve Nielsen.
“Faço este trabalho há anos, já em quatro escuderias, e se me pedissem para permanecer dentro do box da McLaren verificando o andamento dos serviços, não teria como eu dizer foi justo ou não foi. Não há como”, falou o técnico inglês.
Christian Horner, diretor esportivo da Red Bull, afirma: “Cerca de 90% dos nossos sistemas são monitorados por computador, é impossível controlar e, antes de tudo, desnecessário.” Para Rubens Barrichello, da Honda, tudo não passa de um “teatro”. E diz: “Só se a pessoa escolhida para fiscalizar trabalhasse na equipe até há pouco tempo, conhece como tudo funciona, e de repente saiu de lá”.
Os times têm uma rotina de trabalho comum. Os dois pilotos começam os treinos com um acerto básico e vão, com o andamento da sessão, ajustando os carros de acordo com sua preferência. “O ajuste de um pode ser diferente do outro e é normal essa diferença”, explica o engenheiro Rogério Gonçalves, da Petrobras, fornecedor de combustível e óleo da Williams. Um fiscal pode interpretar esses acertos distintos como tratamento preferencial a um deles?, questiona.
“Me parece mais realista pensar que se alguém deseja intervir na disputa que seja, por exemplo, na estratégia de corrida, chamando um piloto para parar nos boxes uma volta antes ou depois”, complementa Gonçalves. Nos dias da prova de Interlagos Felipe Massa não abordou a questão, mas disse em outras oportunidades não acreditar que a McLaren canalize mais seu interesse num ou outro piloto.
Apesar de muitos acreditarem em conspiração contra Alonso, como ele próprio, mesmo afirmando, ontem, não ser necessária a fiscalização, a opinião quase unânime dos integrantes da Fórmula 1 é de que a disputa pelo título será limpa e o título, seja com que ficar, será legítimo.
FIM
17/X/07
GP do Brasil
Livio Oricchio
Início
O diretor de corrida e delegado de segurança da FIA, Charlie Whiting, irá vistoriar hoje, às 11 horas, o autódromo de Interlagos. Mas nem mesmo o recapeamento total da pista o levou a percorrê-la ontem. Permaneceu a maior parte do tempo fechado no primeiro andar da torre. Motivo: está estudando como a FIA pode atender o pedido da Federação Espanhola de Automobilismo (FEA) de manter dentro dos boxes da McLaren um fiscal.
Os espanhóis temem que Lewis Hamilton, inglês como a McLaren, possa ser favorecido na luta pelo título contra Fernando Alonso, da Espanha. A corrida de Interlagos, domingo, decide o título de campeão do mundo. Hamilton tem 107 pontos e Alonso, 103.
Os responsáveis pela reforma do circuito estavam até um pouco ansiosos em expor ao dirigente inglês o belo trabalho realizado. Na realidade, Whiting deu uma volta rápida da pista, ontem, enquanto os mecânicos concluíam nos boxes a montagem dos carros que amanhã irão para a pista.
No final, Whiting sinalizou ao chefe de engenharia da organização, Luis Ernesto Morales, ter apreciado o serviço. Apenas hoje irá acompanhar de perto e em detalhes o novo piso do traçado de 4.309 metros.
Max Mosley, presidente da FIA, encarregou Whiting de uma tarefa bem mais complexa: estabelecer os limites de ação de um fiscal espanhol dentro das dependências da McLaren. Se há pressão da FEA sobre a FIA, existe também da diretoria da McLaren e da Mercedes, sócia na equipe.
Ron Dennis, da McLaren, e Norbert Haug, da Mercedes, já deixaram claro a Mosley, semana passada, ainda na Europa, que não irão aceitar ingerências externas dentro da escuderia. Assim como parece válida a preocupação dos espanhóis, a argumentação de Dennis e Haug é procedente da mesma forma.
Questionaram a Whiting: “Já imaginou o tal do fiscal ficar ali do lado do mecânico, querendo saber se ele colocou mesmo 50 quilos de gasolina no tanque do Alonso ou se a pressão no pneu é de 18 libras como no carro de Lewis?”
Whiting, que foi mecânico da Brabham na época de Nelson Piquet, tem embasamento técnico para tentar junto dos funcionários da McLaren estabelecer os limites de ação do fiscal espanhol, que por sua vez também possui formação técnica capaz de lhe permitir compreender o que
se está fazendo.
O fato é que em vez de dar sequência a sua rotina de inspecionar o autódromo, Whiting manteve-se, ontem, ouvindo explicações dos dois lados, o inglês e o espanhol. Tudo que se arrasta por detrás da disputa entre Hamilton e Alonso ganhou dimensão bem maior que a concorrência árdua entre ambos na pista, recapitulando, num certo sentido, a guerra entre as duas nações pelo domínio do comércio naval no Atlântico no fim do século XV, tal o passionalismo envolvido no “conflito”, em especial das suas imprensas.
Hoje Hamilton, Alonso e o outro candidato ao título, Kimi Raikkonen, da Ferrari, com 100 pontos, darão uma entrevista coletiva no circuito a partir das 11 horas. O que se espera é que o clima tenso gerado pelos defensores de Hamilton e Alonso não se estenda para dentro da pista. Correndo a 300 km/h pode ser perigoso.
FIM
17/X/07
GP do Brasil
Livio Oricchio
Início
Sexta-feira, um caminhão da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) percorria o S do Senna quando uma lata de tinta amarela de 18 litros, usada na pintura do asfalto, caiu de cima da caçamba, manchando a pista de recapeamento recém-concluído.
Depois de todos os cuidados possíveis para que finalmente Interlagos tivesse um piso à prova de críticas mais severas, o acidente gerou uma mobilização poucas vezes vista nos responsáveis pela reforma por poder comprometer, seriamente, o andamento normal da competição, decisiva para a definição do título.
Ontem, depois de encontros e estudos sobre como retirar a tinta da pista sem prejudicar o asfalto, finalmente todos respiraram aliviados: “Usamos bicarbonato de sódio, para reagir com a tinta, jato de ar e em seguida realizamos a limpeza do local”, explicou o engenheiro Luis Ernesto Morales.
“Seria um problema sério”, disse o diretor de prova, Carlos Montagner. A tinta estava bem na trajetória dos carros e na área onde passam os pneus de maior apoio na curva. Se houvesse diferença na aderência, certamente o piloto perderia o controle.”
O caminhão com equipamento alemão em uso para limpar a camada de óleo natural formada sobre asfalto novo acabou sendo utilizado. Seria a garantia de não afetar o asfalto, já que ele injeta ar sobre pressão elevadíssima e em seguida o aspira com a suspensão de óleo. Não funcionou. “Pensamos em usar jato de granalha de ferro para remover a tinta”, explicou o engenheiro. Mas haveria risco de danificar o xodó das obras este ano.
Por fim recorreu-se a uma solução em geral administrada nas indisposições estomacais, o bicarbonato de sódio. Felizmente a tinta era a base de água, como são as de emprego sobre asfalto, caso contrário seria necessário recapear uma extensa faixa da pista. “O óleo reage com o asfalto. Não dá para fazer apenas o remendo. A fim de manter a uniformidade do asfalto é preciso refazer um longo trecho”, explicou o engenheiro.
E pensar que a primeira idéia que veio à cabeça de alguns técnicos foi usar tinta preta para esconder a amarela. “Compreendi logo que tínhamos de pensar com calma”, contou Morales. O novo asfalto foi salvo.
FIM
2013
2012
2011
2010
2009
2008
2007
2006