ir para o conteúdo
 • 

Patrocinado por

10/XII/13
São Paulo

Olá amigos!

É difícil agradecê-los por esse impressionante apoio. Todos os comentários aqui inseridos seriam capazes de sensibilizar o mais frio dos homens. O que não é o meu caso. Uma vez mais grato.

O importante é que a saída do Estadão não representa o fim de uma era, mas o início de outra, provavelmente mais pródiga. É em geral o que acontece nas mudanças de ares. Tenham uma certeza: minha gana cresceu ainda mais.

A perspectiva é muito positiva. Agora é hora de uma pausa, relaxar e curtir o período de festas que vem aí. Depois estudar o caminho profissional a seguir. Certamente a prioridade será definir algo que me dê, antes de qualquer coisa, imenso prazer.

Eu os mantenho informados. De novo: obrigado pelo combustível atômico dos comentários. Que 2014 seja pleno de realizações para todos nós!

Livio Oricchio

Comentários (33)| Comente!

05/XII/13
São Paulo

Olá amigos!

Depois de exatos 20 anos, deixo o Estadão, por decisão da empresa. Pelo que me foi informado o Grupo Estado não vai mais investir na cobertura, in loco, da Fórmula 1. Ao menos na próxima temporada.

Nessas duas décadas no Grupo Estado aprendi muito, cresci profissionalmente e como pessoa. Convivi com jornalistas de elevada competência e grande desprendimento. Vi quanto eu preciso, ainda, evoluir.

Ao mesmo tempo, tornei-me testemunha do imenso desafio que passou a ser administrar um grupo editorial e realizar qualquer tipo de planejamento diante da profunda revisão de tudo o que se refere ao processo de comunicação em curso, ainda que algumas indicações de qual rumo seguir sejam evidentes. Por vezes enxergamos anacronismos inquietantes, potencialmente fatais, como no caso de empresas que acreditam que não devam se adaptar a nova realidade do mercado, mas este a elas.

Obrigado por compartilhar comigo a rica experiência vivida no Estadão. Nos últimos oito anos, ficamos mais íntimos com a criação do blog. E se já tinha imenso prazer no que faço, passei a amar ainda mais a minha profissão.

Espero encontrá-los em breve em outro espaço, quem sabe em algo concebido e gerenciado por mim mesmo, onde possa aplicar o imenso conhecimento adquirido com os acertos e equívocos das duas últimas décadas.

Muito obrigado, queridos amigos!

Livio Oricchio

Comentários (97)| Comente!

02/XII/13
São Paulo

Olá amigos. Nos dias do GP do Brasil, entrevistei Felipe Massa. Apesar de já passar um tempinho, considero válido, ainda, expor o resultado de nossa conversa. Nós a publicamos na edição de domingo do Estadão. Boa leitura!

O texto:

Hora de virar a página e começar a escrever um capítulo novo. É assim que Felipe Massa define os quatro últimos anos na Ferrari, ao lado de Fernando Alonso, e o desafio que terá pela frente agora, o de ajudar a Williams a ser grande novamente. Não será fácil. O melhor time da década de 90, campeão em 1992, 1993, 1996 e 1997, disputou em 2013 a pior temporada de sua rica trajetória de 40 anos na Fórmula 1.

Na semana que vem, ele já embarcará para a Inglaterra a fim de se reunir com integrantes da Williams, como Pat Symonds, o engenheiro que está reestruturando o time. Nesta entrevista exclusiva ao Estado, realizada em Interlagos, Massa disse estar entusiasmado com a missão de liderar o projeto de uma organização de tantas conquistas importantes.

BLOG – A Williams o contratou por sua grande experiência, 191 GPs, a maior parte numa escuderia vencedora. Em 2008, Kimi Raikkonen parecia desestimulado e a Ferrari contava mais com você. Foi sua melhor temporada na Fórmula 1. Vê semelhança entre sua função em 2008 e a que assumirá em 2014?
FELIPE MASSA – Vejo, sim. É importante você ter toda a força da equipe com você, se sentir peça importante, assumir a liderança e contar com toda a confiança possível de todas as pessoas do grupo. Quando vivi isso, demonstrei bom resultado no final. Neste momento, estou pronto para dar tudo o que posso e conseguir esses resultados de novo, não só para mim, como para a equipe. Estou supermotivado, feliz. A maior parte da minha carreira vivi na melhor escuderia da Fórmula 1, a Ferrari. Na Williams, meu principal trabalho vai ser usar o que aprendi para criar as condições necessárias para lutar pelos melhores resultados. É um recomeço, um estímulo novo.

BLOG – Na hipótese de a Williams construir um carro vencedor, você se sente capaz, ainda, de ser campeão do mundo?
FELIPE MASSA – O dia em que você não se enxergar mais campeão é porque não está fazendo a coisa certa. Confio no meu taco, faz parte, sim, do meu sonho vencer o campeonato. Se você tem um sonho, tem de lutar para torná-lo real.

BLOG – Você é um profissional realizado, bem-sucedido, independente financeiramente, já foi vice-campeão do mundo, disputou 11 temporadas, venceu 11 GPs, largou 15 vezes na pole position e, mesmo assim, fez de tudo para continuar na Fórmula 1. Por quê?
FELIPE MASSA – Porque eu acho que tenho ainda o que fazer na Fórmula 1. É o que eu gosto de fazer. É difícil deixar a carreira. Tenho só 32 anos, muita vontade, não estou na época de parar. Para mim, idade para abandonar a Fórmula 1 é de 35 anos para frente. Eu me sinto com gás para lutar e com potencial, ainda, para vencer. Enquanto não tinha nada na mão, ficava pensava no travesseiro… Tenho ainda uns três ou quatro anos pela frente na Fórmula 1.

BLOG – Sua esposa não esconde que preferiria que você deixasse a Fórmula 1…
FELIPE MASSA – Ela de fato gostaria que eu parasse de correr, mas também me conhece, sabe que não seria um homem feliz dentro de casa. Minha felicidade é correr e ela quer o melhor para mim. E já conversamos sobre eu continuar competindo em outra categoria quando deixar a Fórmula 1. (Massa já disse que o conceituado Campeonato Alemão de Turismo, em que competem Mercedes, Audi, BMW, por exemplo, o atrai bastante).

BLOG – Foram seus companheiros de equipe Jacques Villeneuve, Michael Schumacher, Kimi Raikkonen e Fernando Alonso. Em comum entre eles, o fato de serem campeões mundiais. Essa convivência representou uma excelente oportunidade de aprendizado. Em que área da formação de um piloto você crê que mais tem de se concentrar para evoluir?
FELIPE MASSA – Em todas. Há corridas em que você faz um trabalho perfeito, decide certo em qualquer condição. Mas há provas em que você vai compreender depois que o melhor teria sido seguir outro caminho. Isso ocorre com frequência. Nesse sentido, acho que o Alonso conseguiu usar melhor do que eu as dificuldades que tínhamos, com um carro complicado. Eu não o explorava tão bem esses anos todos. Faltou sempre aquele detalhe para mim. Não que se eu também tivesse me adaptado mais a nossos carros, aos pneus, eu teria sido campeão. Ele também não foi, mas pelo menos teria, como ele, entrado na luta. Hoje vejo que foi isso o que faltou para mim. É verdade, ainda, que as reações do carro e dos pneus casaram mais com o estilo do Alonso. Vamos ver como será em 2014. Pilotei no simulador o carro da Ferrari, com os dados do ano que vem, e a diferença é enorme, há muito menos aderência.

BLOG – Você marcou pontos já na sua segunda corrida de Fórmula 1, mas acabou não permanecendo na Sauber depois da temporada de estreia, em 2002. Sua vida na Fórmula 1 foi caracterizada por grandes desempenhos e índice elevado de erros. Com a experiência de hoje, o que faria diferente do que fez?
FELIPE MASSA – Em primeiro lugar, eu diria que teria sido melhor começar a carreira como piloto de testes, por um ano. Mas a chance surgiu e, para ser piloto de Fórmula 1, você tem de aceitar, não tem opção de escolha, é assim que funciona. Eu era muito jovem, tinha 20 anos apenas. Queria tanto que às vezes errava, mas meu primeiro ano foi bom, não era para ter sido mandado embora. O carro da Sauber era pior do que o do ano anterior, o melhor do time. Dei azar de o dono (o suíço Peter Sauber) odiar quando um piloto batia e eu, pela inexperiência, bati algumas vezes.

BLOG – Na temporada que acabou dia 24 você se envolveu em alguns acidentes e admitiu ter cometido erros. Além disso, o confronto com Alonso nos últimos quatro anos o fez perder parte da popularidade da época em que quase foi campeão do mundo, em 2008. Como você lida com isso?
FELIPE MASSA – Sempre fui sincero, honesto, a carreira inteira. Nunca inventei nada para justificar isso ou aquilo. Quando surge um problema, sou o primeiro a falar. Para falar a verdade, eu também acho que não estou no momento que gostaria de estar, como resultado, em geral. Mas sempre que encontro pessoas no meu País, independentemente do lugar, sinto que não perdi torcida. Se você lê um blog, a maior parte dos que comentam não escreve até mesmo o que pensa, quer fazer charme. Se você entra num site de futebol, os caras matam jogador todo dia. Se entrar num de Fórmula 1, você encontra a torcida e os que estão lá para aparecer. A torcida mesmo sempre vai continuar torcendo, nunca perdi torcedores no Brasil. Lógico, sei que há quem tenha começado a pensar que eu já não faço mais o que fazia antes. Eu sou o primeiro a analisar que os resultados não têm acontecido como no passado. Mas a minha torcida sempre se manteve fiel, assim como o respeito do povo brasileiro e é isso o que mais me motiva e me interessa.

BLOG – Quer dizer, então, que na sua opinião você não tem nenhum índice de rejeição?
FELIPE MASSA – Alguma coisa, sim. Mas depende do lugar. Os que torciam antes continuam torcendo.

Comentários (23)| Comente!

29/XI/13
São Paulo

A marca TNT exposta na frente do carro da equipe está facilitando a internacionalização do energético
Pouco antes e durante os dias do GP do Brasil milhares de telespectadores assistiram na TV brasileira a uma campanha publicitária onde Fernando Alonso, no intervalo de um treino com a Ferrari, saboreava e recomendava o energético TNT, “o energético oficial da scuderia Ferrari”. O que nem todo mundo sabe é que se trata de um produto brasileiro, pertencente ao grupo Petrópolis, dono de várias marcas de bebidas, como TNT e a cerveja Itaipava. A empresa é patrocinadora da Ferrari.

A primeira pergunta que emerge dessa “descoberta” é o que leva um grupo brasileiro a investir na mais tradicional equipe da Fórmula 1. “Temos uma estratégia de crescimento de nossa marca no Brasil e outra mais ousada de levá-la para fora do País. A Fórmula 1 seria um caminho interessante, passa a ideia de velocidade, explosão, e apesar de não ser considerado um esporte radical a Fórmula 1 é sim”, diz o diretor de mercado do grupo Petrópolis, Douglas Costa.

“O peso da marca Ferrari, independente do desempenho, seria de grande ajuda para avalizar a marca TNT, a Ferrari não se associa a uma marca qualquer”, explica Costa. O contrato de patrocínio com o time italiano é de três anos. Começou este ano e vai até o fim de 2015, diz o diretor. “Temos a opção de renovar por mais duas temporadas.”

Vale o investimento

Diante da superexposição que uma marca ganha ao estar presente no carro da Ferrari, é inevitável questionar se os valores cobrados são mesmo irreais, como muitos dos negócios na Fórmula 1. “Se pensarmos no planejamento de atingir o mercado externo também, não é tão alto.” Apesar de confidencial, é possível estimar o investimento, baseado em outros negócios na Fórmula 1. O grupo Petrópolis deve destinar aos italianos cerca de 5 milhões de euros (R$ 17 milhões) por ano.

A resposta ao investimento tem surpreendido. “Hoje a TNT já está na Alemanha, no Iraque e em outras nações do Oriente Médio, estamos negociando com os Estados Unidos. Estar na Ferrari nos está abrindo novos caminhos, fomos procurados por interessados em distribuir nossos produtos”, explica Douglas.
No mercado interno a empresa também está capitalizando. “O brasileiro é apaixonado por carro, automobilismo e a TNT conta com a chancela da Ferrari.” A falta de resultados de Felipe Massa em parte da temporada não leva o torcedor da Fórmula 1 a associá-la à marca TNT. “Como disse, estar associado a Ferrari é o que mais fica, as dificuldades dos pilotos não são transferidas para nosso investimento, estamos centrados na equipe.”

Como não poderia deixar de ser, a empresa realiza estudos de retorno do importante investimento para entender a validade do negócio. “Lançamos a marca TNT em 2009 centrado no sudeste e centro oeste e agora estamos expandindo para o nordeste. Sem o nordeste, temos 29% de marketing share e estamos crescendo.”
Patrocinar uma escuderia de Fórmula 1, em especial a Ferrari, requer aprendizado. “Você precisa estar preparado, está trabalhando com gente grande. O que acontece às vezes é de a empresa não sabe investir e ficar só na divulgação da marca”, comenta Costa. “Essa categoria de patrocínio exige a chamada ativação da marca, temos um calendário de ativação para alavancar as vendas, não nos limitamos apenas à exposição da marca na frente do carro.” São necessárias, segundo explica o diretor, uma série de ações paralelas para divulgar o investimento de patrocínio.

Cuidar da marca

“Tem sido um aprendizado grande para nós, a própria Ferrari tem interesse na construção da nossa marca, o profissionalismo deles é grande, vemos como eles cuidam do valor da marca e se colocam à disposição para que atinjamos resultados”, diz Costa. “Eles querem que você faça a ativação da marca e lhes entregue um relatório do que fizemos.”

A marca TNT aparece no bico do carro, na parte plana alta, numa posição em que sua identificação não é imediata. Não está, por exemplo, no aerofólio traseiro, cuja leitura é instantânea para quem vê a Ferrari. “O ângulo para as câmaras de TV não permite exposição muito grande”, reconhece o diretor, mas a marca acaba ficando conhecida. “Estamos, por exemplo, em todas as miniaturas, no mundo todo.”

E uma forma de também mensurar o retorno de investir na Ferrari é avaliar o número de pedidos de patrocínios que o grupo Petrópolis recebe. “É impressionante, e eles vêm também dos Estados Unidos, Austrália… prova de que potencializou nossa estratégia”, comenta Costa. “Nós fazemos grandes investimentos no esporte, no Tony Kanaan (agora na equipe Chip Ganassi da Fórmula Indy), em arenas de futebol. Estar junto da Ferrari, empresa que escolhe a dedo seus patrocinadores, consolida nossa marca e é um motivo de orgulho.”

Comentários (19)| Comente!

28/XI/13
São Paulo

Olá amigos! O texto a seguir e outros de F-1 podem ser encontrados também na seção esportes velocidade do portal www.estadao.com.br

Além do elevado conhecimento técnico e da experiência, o inglês é um grande líder

Para um chefe de equipe de Fórmula 1, mais importante do que conhecimento técnico é ter liderança. Flavio Briatore era apenas um líder. “Até 1989 nunca havia estado numa corrida de Fórmula 1” costumava dizer o vitorioso italiano, sem receio de esconder sua inexperiência. Agora, se um chefe de equipe for um líder e conhecer profundamente a área técnica melhor ainda. Esse é o caso do engenheiro mecânico inglês Ross Brawn, 59 anos. Foi isso o que a Mercedes perdeu com a saída de Brawn de sua organização, anunciada nesta quinta-feira.

Quando a Mercedes comprou a Brawn GP no fim de 2009, seu sócio majoritário até então, Ross Brawn, permaneceu. Recebia salário, estimado de 2 milhões de euros (R$ 6 milhões) por temporada para fazer daquele pequeno time um estrutura vencedora, exatamente como havia feito na Ferrari quando para lá foi, em 1997, depois de ser bicampeão com a Benetton de Michael Schumacher em 1994 e 1995.

Jenson Button, campeão do mundo de 2009, na Brawn GP, assinou contrato com a McLaren porque sabia que o time havia conquistado o título por uma imensa casualidade. Ross Brawn e seu grupo de engenheiros conceberam um carro para explorar o conceito do duplo difusor. Era ilegal. Só foi autorizado por Charlie Whiting, delegado da FIA, porque ao consultar o presidente da entidade, Max Mosley, Whiting foi surpreendido com essas palavras: “Diga que Ross Brawn pode usar no seu carro”.

Criar uma cisão

Mosley queria criar um racha entre as escuderias, unidas pela primeira vez na história, ao criarem a Fota, a fim de tirarem Mosley da FIA. Ou no mínimo acabarem com seu projeto de teto orçamentário de 50 milhões de libras (R$ 200 milhões) por temporada.

As dependências da Brawn GP não podiam ser comparadas às de times mais bem estruturados, como Ferrari, McLaren, Renault e já a Red Bull. Eram muito pequenas, bem como o orçamento bancado pela Honda, 80 milhões de euros (R$ 240 milhões), um terço do que investiam as maiores. “Não foi por causa de dinheiro que troquei a Brawn pela McLaren, mas por saber que sem nenhum recurso que pudesse fazer a diferença, como o duplo difusor, a Brawn disputaria em 2010 um campeonato muito difícil”, disse ao Estado Button.

Brawn saiu no mercado e começou a contratar engenheiros para organizar as várias áreas do departamento técnico da Mercedes. O primeiro foi Bob Bell, da Renault, depois Geoff Willis, com passagem por Williams e Red Bull, dentre outras, e Aldo Costa, da Ferrari. Este ano, atendendo pedido de Toto Wolff, novo diretor esportivo da Mercedes e sócio da equipe, Brawn convenceu Paddy Lowe trocar a McLaren pelos alemães. Assim, a Mercedes passou a ter nada menos de quatro ex-diretores técnicos.

O Estado perguntou a Brawn, este ano, no primeiro teste de inverno, em Jerez de la Frontera, em fevereiro: “Há quem diga que sua equipe tem muito cacique para pouco índio”. Brawn riu. “O campeonato de 2014 será muito diferente, é preciso investir em pesquisa nas mais distintas áreas, e cada um desses engenheiros cuidará de uma área. Eles fazem parte de um planejamento mais amplo e a longo prazo.”

A Mercedes é a organização que mais investiu e se preparou para enfrentar os imensos desafios do novo regulamento. Brawn teve carta branca para reestruturar tudo. Primeiro transformar o que era a modesta Brawn GP numa sede de dimensões, equipamentos e material humano semelhante a dos concorrentes diretos, Red Bull, Ferrari, McLaren e desde o ano passado, Lotus. O nítido avanço de performance este ano é o primeiro reflexo real dessa nova realidade da Mercedes.

Em 2012, a equipe alemã somou 142 pontos, ficou em quinto entre os construtores, com uma vitória. A campeã foi a Red Bull, com 460. Já na temporada que acabou domingo em Interlagos a Mercedes foi a vice-campeã, com 360 pontos e três vitórias. A Red Bull conquistou o tetracampeonato, com impressionantes 596 pontos.

Novo diretor técnico

Com a chegada de Toto Wolff, este ano, o organograma definido por Brawn foi revisto. O engenheiro inglês não mais seria o grande líder do time. Wolff sabia que isso faria Brawn deixar a Mercedes. Talvez fosse o que desejava. Niki Lauda comentou com o Estado, em Suzuka: “Não vejo razão para Ross nos deixar”. O ex-piloto austríaco, sócio também da escuderia, fez de tudo para manter o inglês na equipe. Ele sabe muito bem a grande importância de um líder autêntico e com conhecimento de causa como Brawn.

Paddy Lowe foi tirado a peso de ouro da McLaren e Wolff deseja que ele seja o grande responsável pela área técnica. Brawn teria de se submeter a Lowe. Wolff tocou no ponto nevrálgico de Brawn. Funciona muito bem num grupo, mas desde que líder e os demais acatem suas decisões, a maioria acertada. Não sabe se submeter a alguém. Foi por essa razão que Brawn não regressou a Ferrari em 2008, depois de um ano sabático. “Ross desejava assumir uma função que para a qual já temos um profissional que a exerce”, explicou Luca di Montezemolo, presidente da Ferrari. Brawn queria ser o que é hoje Stefano Domenicali.

Agora, com Brawn fora a partir de janeiro, a maior parte de suas funções na Mercedes será responsabilidade de Paddy Lowe. Um engenheiro brilhante e de fácil relacionamento. Mas com uma falha para o que se exigirá dele: não é um líder. E na Fórmula 1 essa questão ganha imensa relevância, em especial num campeonato como de 2014, com tantas variáveis interferindo no desempenho da organização. A Mercedes provavelmente vai sentir falta de um líder.

Uma das funções em que Brawn melhor se sai é nas relações com a FIA. É amigo pessoal de Charlie Whiting. Foi Whiting que o autorizou a realizar o teste de pneus este ano em Barcelona, em maio. Um acinte. A FIA só não puniu severamente a Mercedes porque Whiting confirmou ter autorizado o teste, baseado na necessidade da Pirelli. A partir daí a FIA desautorizou seu delegado, Whiting, de responder pela entidade.

A atuação de Brawn no Technical Working Group (TWG) agora substituído pelo Strategy Group é das mais relevantes. Brawn é ativo, sugere, discorda, levanta questões de interesse coletivo, um líder entre os times também. A Mercedes perderá seu importante representante.

Já tem convites

É provável que antes de refletir melhor sobre os dois convites que já recebeu, de Frank Williams, da Williams, e Martin Whitmarsh, McLaren, Brawn tire um tempo para si. É um pescador emérito. E poderá permanecer um pouco mais de tempo em Manchester, sua cidade, e ir ao estádio torcer pelo Manchester United, como aprecia.

Quando trabalhava na Ferrari, suas sextas-feiras terminavam na hora do almoço, pois no início da tarde já estava no aeroporto de Bolonha a fim de embarcar para a Inglaterra, de onde partia de volta para a Itália na segunda-feira de manhã, segundo uma fonte da escuderia contou ao Estado. Na Williams cairia como uma luva para a organização, ainda que para realizar o trabalho que gostaria precisaria de um orçamento elevado, o que a Williams não tem.

A McLaren dispõe de muito mais dinheiro, mas seu organograma é único na Fórmula 1, onde as responsabilidades são muito compartilhadas e não é permitido a nenhum grande líder se impor. Esse foi o motivo que levou o genial engenheiro Adrian Newey deixá-la para aceitar o desafio de fazer da Red Bull uma equipe campeã.

Lá tem até hoje o que mais necessita para expor seu imenso talento, liberdade, o que a McLaren não dá. O resultado está aí, Sebastian Vettel é tetracampeão com a Red Bull. E essa falta de liberdade pode pesar na decisão de Brawn. Seja quem for que o contratará com toda certeza capitalizará com isso. Brawn não é um técnico de projeto, mas cria condições perfeitas para um bom projetista produzir um carro campeão.

Comentários (18)| Comente!

27/11/13
São Paulo

Amigos, o texto a seguir e outros de F-1 produzidos pela Agência Estado estão disponíveis também na seção Esporte-Velocidade do portal www.estadao.com.br

Alonso queria James Allison e Dirk de Beer, da Lotus. E foi atendido por Domenicali

Com o fim do campeonato, a hora é de começar a abordar com maior frequência, e profundidade, a temporada de 2014. Ao menos até nós, profissionais da imprensa, também entrarmos de férias no período de recesso da Fórmula 1. O tema hoje é a Ferrari.

Nos dias do GP da Hungria, entre 26 e 28 de julho, Fernando Alonso criticou a área de projeto da equipe, coordenada pelo grego Nikolas Tombazis e o italiano Simone Resta, sob a supervisão do diretor técnico Pat Fry, inglês. O espanhol chegou a afirmar que ele, Felipe Massa, o pessoal do grupo que vai às corridas, engenheiros, mecânicos, fazem um “trabalho razoável, aceitável”. E completou: “Já os responsáveis pelo desenvolvimento do carro, não. Quando avançamos com as novas peças é para ser um, dois décimos mais rápidos, o que é muito pouco. Nossos adversários estão crescendo mais”.

Apesar de Luca di Montezemolo, presidente da Ferrari, ter tido literalmente uma “briga” com Alonso, pelas duras palavras a um setor do time que, de fato, não funcionou este ano, a análise da estrutura técnica da Ferrari construída principalmente depois das críticas do piloto denota que ele foi muito ouvido. Stefano Domenicali, diretor da equipe, já havia compreendido a necessidade de contratar novos profissionais para projetar e desenvolver os carros.

Pagou a multa

A posição clara e pública de Alonso somada à impressionante maneira como o modelo F138 italiano ficou para trás em relação ao RB9-Renault, da Red Bull, o E21-Renault, Lotus, e o W04, Mercedes, apressou o processo de reestruturação técnica da Ferrari. Montezemolo concordou em pagar uma espécie de liberação para a Lotus para que seu diretor técnico, James Allison, pudesse assumir logo sua função na Ferrari. Deixou a Lotus dia 8 de maio, mas poderia iniciar sua segunda trajetória na Ferrari somente na próxima temporada.

Hoje, quem pensa o carro de 2014 é Allison e o especialista em aerodinâmica da Lotus , Dirk de Beer, da mesma forma contratado por Domenicali. Tombazis e Resta ainda trabalham no projeto, mas as diretrizes, quem de fato concebe o modelo do ano que vem é a dupla Allison-Beer. Pat Fry foi uma grande decepção. Na McLaren, quando viram que na área de projeto não correspondia, passou a ser o estrategista da organização. Na Ferrari, chegou como diretor técnico e hoje tem o título “prestigiado” de diretor de engenharia. Não deve ter vida longa entre os italianos.

Em outras palavras, Alonso conseguiu o que tanto queria, que a Ferrari mudasse os homens que assinam o projeto. Alonso foi um dos que defendeu tenazmente a chegada de Allison, pois foi bicampeão do mundo quando o engenheiro aeronáutico inglês era o diretor técnico da Renault, em 2005 e 2006.

A nova filosofia construtiva já pôde ser compreendida por todos na Ferrari. Segundo a revista semanal italiana Autosprint, o carro do ano que vem não terá mais a suspensão dianteira do tipo pull rod, tão desejada desde o ano passado por Tombazis. Nesse tipo de suspensão o conjunto amortecedor/barra de torção é instalado na parte inferior da frente do monocoque e não na superior. Monocoque é a estrutura central de um monoposto de Fórmula 1, onde na frente são instaladas as suspensões dianteiras, no meio o cockpit para abrigar o piloto e atrás o tanque de combustível.

Apenas a McLaren adotou a mesma solução, este ano. Por sua complexidade, apesar de na teoria poder representar uma vantagem aerodinâmica e reduzir o centro de gravidade, o grupo da McLaren coordenado por Tim Goss se perdeu. O time inglês disputou um dos piores campeonatos de sua história. Terminou o Mundial de Construtores em quinto, com 122 pontos, diante de 596 da Red Bull, tetracampeã. A Ferrari foi a terceira, com 354 pontos.

Nova filosofia

Allison já definiu que o conjunto amortecedor/barra de torção da suspensão dianteira volta para a parte superior do monocoque. Ele é chamado push rod em vez de pull rod. Trata-se de uma mudança conceitual, como várias que Allison deverá já estar adotando e que ficarão evidentes quanto a Ferrari apresentar seu modelo de 2014, pouco antes dos testes de inverno começarem, dia 28 de janeiro em Jerez de la Frontera, na Espanha.

É importante destacar que os projetos de 2014 pouco têm a ver com os que terminaram o campeonato domingo, em Interlagos. O regulamento é muito distinto, os desafios de engenharia são outros. Para Alonso, o que muda substancialmente sua perspectiva é que outros técnicos, de passado de sucesso na Fórmula 1, com ele próprio, estão pensando o carro da Ferrari do ano que vem. Alonso perdeu a confiança na dupla Tombazis-Resta, com boas razões para isso.

Comentários (31)| Comente!

26/XI/13
São Paulo

Hulkenberg e Perez na Force India, Maldonado na Lotus e Sutil na Sauber, isso foi o que se negociou em Interlagos

Os dias da Fórmula 1 em Interlagos foram pródigos quanto ao avanço nas negociações entre pilotos e equipes. No domingo à noite, por exemplo, os jornalistas alemães souberam através do empresário do alemão Nico Hulkenberg, Werner Heinz, que seu piloto acabara de assinar contrato com a Force India. Este ano disputou o campeonato pela Sauber. Monisha Kaltenborn, sócia e diretora do time suíço, não escondeu sua decepção com Hunkenberg e Heinz que saíram a público revelando o atraso no pagamento do salário.

Através de Heinz, também, a imprensa alemã foi informada que o companheiro de equipe de Hulkenberg, em 2014, será o mexicano Sergio Perez. Dispensado pela McLaren, Perez conseguiu o lugar na Force India graças à intervenção de Martin Whitmarsh, diretor do time inglês. A Force India tem um acordo de transferência tecnológica com a McLaren. A organização de Vijay Mallya deve importante soma em dinheiro a McLaren, estimada em 8 milhões de libras (R$ 32 milhões). O acordo estabelece que Mallya recebe Perez e não precisa mais pagar a dívida.

Outra informação que circulou no paddock de Interlagos à noite, sob chuva, foi que para a vaga de Hulkenberg a
diretora da Sauber escolheu outro alemão, Adrian Sutil, que perdeu o lugar na Force India. E se Steban Gutierrez continuar sendo patrocinado pela Telmex, a empresa de comunicações de Carlos Slim, o jovem mexicano tem chances de renovar o contrato por mais uma temporada. Mas há outros candidatos com dinheiro também.

Isso porque o empresário de Pastor Maldonado, o francês Nicolas Todt, permaneceu no autódromo até tarde negociando com Eric Boullier, diretor da Lotus. Todt conversou com a Sauber também. Às 22 horas, a reportagem do Estado encontrou com Maldonado no paddock. “Vamos ver, mas acho que agora chegamos a um acordo final”, disse o venezuelano, sem mencionar a escuderia. Mas sabe-se que era a Lotus e não a Sauber.

Havia dúvidas se Maldonado realmente poderia ir para a organização de Kimi Raikkonen e Romain Grosjean, este ano, porque a situação financeira da Lotus é bastante difícil. Há débitos importantes, não negados por seus sócios, Gerhard Lopez e Eric Lux. E a venda de 35% do time para o grupo Quantun não deve mesmo dar certo.

A cara da F-1 em 2014

Confirmadas todas essas contratações, como parece ser provável, a Fórmula 1 em 2014 ficaria assim:
Red Bull, Sebastian Vettel e Daniel Ricciardo; Mercedes, Lewis Hamilton e Nico Rosberg; Ferrari, Fernando Alonso e Kimi Raikkonen; Lotus, Romain Grosjean e Pastor Maldonado; McLaren, Jenson Button e Jan Magnussen; Force India, Nico Hulkenberg e Sergio Perez; Toro Rosso, Jean Eric Vergne e Daniil Kvyat; Williams, Felipe Massa e Valtteri Bottas.

A Sauber, diante do negociado em Interlagos, deve ficar com Adrian Sutil. O outro piloto é desconhecido. Fazem parte da lista, além de Gutierrez, o brasiliense Felipe Nasr, quarto colocado na GP2, pela Carlin, com 154 pontos. O campeão foi o suíço Fabio Leimer, da Racing, com 201. O que é certo na Sauber é que o jovem russo Sergey Siroktin não será titular da equipe, mas piloto de testes.

Na Marussia, o francês Jules Bianchi, apoiado pela Ferrari, que cedeu a unidade motriz ao time britânico, já está certo. O inglês Max Chilton tenta renovar o contrato, mas há outros pilotos com chances, dentre eles Nasr. Na Caterham também o brasiliense está sendo considerado, ao lado de Charles Pic e Giedo van der Garde, titulares este ano. Existem outros pilotos interessados e com patrocinadores, a exemplo do sueco Marcus Ericsson, sexto na GP2, pela equipe DAMS, com 121 pontos.

Anúncios são esperados para os próximos dias.

Comentários (27)| Comente!

25/XI/13
São Paulo

Olá amigos! Passada a correria dos dias do GP do Brasil podemos voltar a nos comunicar no blog. Vou responder a todos os comentários, só preciso de providenciar alguns encaminhamentos aqui na redação e na vida pessoal.Entrevistei aqui em São Paulo Fabiana Ecclestone, esposa do grande responsável pela Fórmula 1. Eu a conheço há uns 12 anos, desde que começou a trabalhar na equipe do GP de Interlagos. O texto que produzi para a edição de domingo do jornal apresento a seguir. Abraços.

O texto:

O recepcionista do hotel já estava orientado. “Quando o repórter do Estadão chegar, peça por favor para subir ao nosso quarto.” Plim, soa a campainha da suíte do casal. “Welcome”, diz Bernie Ecclestone. Ele próprio abriu a porta e recebeu, com simpatia, o jornalista. A suíte é ampla. Na realidade, um apartamento grande e decorado de maneira funcional, como aprecia o inglês.

Fabiana Ecclestone se apresenta. O marido tem um tablet na mão. Completamente à vontade, ambos convidam o repórter para se acomodar na sala. A conversa inicial é sobre São Paulo, o shopping de onde acabaram de chegar e, claro, o GP do Brasil. “Eu não conhecia o Cidade Jardim, levei o Bernie lá hoje”, diz Fabiana.

Antes de desembarcar no Brasil para a corrida de Interlagos, Fabiana e o marido percorreram o mundo. Foram recebidos por reis – como Juan Carlos, na Espanha – príncipes, a exemplo de Albert Grimaldi, de Mônaco, presidentes e primeiros ministros, além de empresários muito bem sucedidos, amigos de Ecclestone, ele próprio dono de uma das maiores fortunas da Grã-Bretanha. Fabiana sorri.

“Eu larguei a condição de vice-presidente de marketing do GP do Brasil, depois de cursar as faculdades de Comércio Exterior e Direito, para o que vivo hoje”, diz, deixando no ar a impressão de também apreciar muito a nova realidade.

“Mas minha vida mudou menos do que as pessoas imaginam. Claro, viajo muito. Como esposa do Bernie tenho a oportunidade de conhecer pessoas superinteressantes, em cada lugar que vou aprendo coisas novas, me desenvolvi em outros idiomas, inglês, espanhol, italiano…” Esse contato com as maiores autoridades das nações levou Fabiana a ter de estudar algumas questões protocolares.

Ecclestone havia se retirado para uma sala do apartamento. O combinado era entrevistar a esposa. Espera um intervalo da conversa, educadamente, e se aproxima. “Fabiana, me ajuda a acessar a internet.” Voltando ao repórter, movimenta as mãos como quem diz não dominar ainda o uso dos tablets. Restabelecida a conexão, Bernie deseja bom prosseguimento ao jornalista e volta para a sala em que estava.

Mal acostumada

O fato leva Fabiana a mencionar que ela e o marido não têm uma legião de funcionários de prontidão para servi-los. “O comportamento do europeu é diferente do brasileiro, eu era mal acostumada. Tinha uma pessoa que passeava com o meu cachorro, cuidava da minha roupa, ia ao supermercado para mim. No Brasil esses serviços estão entre os melhores do mundo. O europeu é muito self service.”

No grupo de relacionamento de Ecclestone há pessoas milionárias. “Mas você vai na casa deles e vê uma máquina de lavar louça na cozinha. No nosso caso temos um aspirador que aspira sozinho e volta à base. Você para o carro na rua, não tem manobrista, não tenho um exército de pessoas a meu dispor. Sou eu que faço e desfaço as minhas malas.”

Diz ter, sim, uma pessoa que a ajuda. “Ela também mora na Inglaterra e cuida dos meus quatro cachorros quando viajo. São três Yorks e um Shih Tzu.”

Ecclestone é um homem de hábitos simples. “Quando estamos na nossa casa em Staad, na Suíça, vamos ao supermercado, costumamos ir ao cinema, permanecemos nas filas, comemos pipoca, como todo mundo.”

Como forma de demonstrar que ambos têm prazer em levar uma vida normal, Fabiana conta que foi fazer um curso de culinária. “Eu trabalhava bastante na época do GP do Brasil e não tinha tempo. Não sabia fritar um ovo. Agora recebo amigos do Bernie, como o Flavio Briatore, e meu frango com presunto parma e recheio de queijo faz sucesso. Não passamos mais fome (ri).”

A filosofia de simplicidade de Ecclestone se estende para tudo, até para suas preferências gastronômicas. “Ele gosta de olhar o prato e saber o que está comendo. Vamos às churrascarias em São Paulo ele come basicamente de tudo. Mas não o vejo saboreando uma feijoada, é sofisticado para o Bernie.”

A casa dos dois em Londres também não tem nada de extravagante, mas a exemplo do que exige na Fórmula 1 Ecclestone parece necessitar de tudo absolutamente organizado. “É verdade, o meu marido com essas coisas é sempre muito atento.” Os caminhões da FOM Communications devem ser estacionados nos autódromos lado a lado, rigorosamente emparelhados, e a numeração das placas deve seguir a ordem crescente. Não pode haver falha.

O homem que fez da Fórmula 1 um evento mundial se aproxima novamente. Está relaxado, usa quase sempre camisas brancas de mangas compridas. O seu marido é carinhoso? “Não gosto de falar dessas coisas, são muito pessoais. Mas não posso tirar a credibilidade dele de bravo.” Ciumento? “Ciumento no sentido de qualquer pessoa que ama e gosta de alguém, mas não é possessivo.”

Tino para negócios

Na infância, Ecclestone vivia numa casa onde não havia água corrente, segundo descreveu Tom Bower no livro biográfico do líder da Fórmula 1. Começou vendendo carros e motos usadas, bem jovem ainda, até passar a empresariar pilotos, como Jochen Rindt, assumir a condução da Fórmula 1 e criar um império.

“Eu o admiro muito. É inteligente, tem enorme sensibilidade para lidar com os assuntos… sua rapidez, dinamismo. É uma pessoa precisa. Vamos ser honestos, são poucos os que conseguem ter a habilidade que ele possui. Eu digo sempre que ele mente para mim. Não pode ter 83 anos. Tem menos. Nunca o vi triste ou preocupado. Não consigo imaginá-lo aposentado.”

A relação de Ecclestone com o dinheiro é particular. A explicação de Fabiana é surpreendente. “O sucesso financeiro é decorrente do sucesso profissional, o que de fato mais lhe interessa. Bernie tem prazer em fazer negócio e sentir que eles deram certo. Isso o deixa feliz. Não é uma pessoa atraída pelo dinheiro, como imaginam. Não controla o que eu gasto. Até porque queria ter comprado um sapato no shopping e depois de ouvir o preço desisti, embora pudesse levá-lo.”A forma de fazer negócio do marido sensibiliza Fabiana. “Seus acordos são feitos com um aperto de mão. A palavra é suficiente, admiro muito isso.”

Café brasileiro

O casal tem uma fazenda produtora de café em Amparo, no interior de São Paulo. “Ganhamos o prêmio de melhor café da região. Estou focada no lançamento da marca do nosso café.” Bernie Ecclestone empresário no Brasil? Os produtores devem se preparar para enfrentar forte concorrência, porque o homem que comanda a Fórmula 1 quando se propõe a fazer algo é para valer.

Na despedida, o casal e o repórter combinam de se encontrar em Interlagos no dia seguinte. Ecclestone aproveita o gancho: “Espero sinceramente que agora melhorem o autódromo de verdade, porque faz tempo que passamos por dificuldades lá.”

Comente!

23/XI/13
São Paulo

No ano passado, Lewis Hamilton, com McLaren, estabeleceu a pole position do GP do Brasil. Tentará o mesmo hoje, com Mercedes, na sessão que definirá o grid, a partir das 14 horas. E tem chance: ontem nos treinos livres, sob chuva, ficou em quinto, mas seu companheiro, Nico Rosberg, foi primeiro. Hamilton teve um ídolo na infância, Ayrton Senna. Competir em Interlagos o transfere a edições épicas da prova, como a de 1991, vencida heroicamente por Senna, pois tinha apenas a quinta marcha na McLaren. “Sinto como se o Ayrton fizesse parte de mim. Eu adoraria ter pilotado naquela época”, disse em entrevista exclusiva ao Estado.

“Assistindo a seus vídeos tento absorver algumas de suas características, mas acho que sou assim naturalmente.” O piloto inglês da Mercedes se assemelha a Senna na gana de vencer sempre. “Desde que comecei a correr de kart, com 8 anos, nunca penso em chegar entre os cinco primeiros, só me interessa vencer. Acho que tem gente que aprecia isso.” Hamilton sente-se em casa no País. “Sinto que tenho uma relação única com o Brasil, também por causa de eu poder passar por um brasileiro (risos).”

Conquistar hoje uma boa posição no grid é sempre importante, mas não fundamental segundo Hamilton. “Esta é provavelmente a corrida mais difícil da temporada. Não dá para ultrapassar, há o sobe e desce do clima, é incrível. Adoro competir aqui.”

Por ser a etapa de encerramento do campeonato, muito se tem falado já em Interlagos sobre o imprevisível Mundial do ano que vem, quando a Fórmula 1 passará por uma mudança radical do regulamento, como a volta do motor turbo e a menor geração de pressão aerodinâmica. Hamilton concorda que o cenário está aberto para que um time produza um carro capaz de ser um, dois segundos mais veloz que os demais. “Pode acontecer, mas espero que não, nem mesmo que o nosso carro seja tão mais rápido. Não seria correr de verdade. Nunca gostaria de vencer porque meu carro é dois segundos mais rápido”, afirma o inglês.

“Ganhar de Fernando (Alonso) por eu estar tão mais veloz… não. Tem muita gente aqui que adoraria, desejam apenas vencer. Eu quero competir, lutar com Sebastian, uma hora eu fico na frente, na outra ele, amo essa disputa.”

Conversar com Hamilton representa sempre uma oportunidade de abordar sua pior temporada na Fórmula 1, a de 2011, e nunca bem explicada pelo piloto. Na McLaren, terminou o ano em quinto, com 227 pontos, enquanto o companheiro, Jenson Button, foi vice-campeão, com 270. “Não gosto de falar desse assunto. Eu não estava bem psicologicamente. Tinha muita coisa que não funcionava na minha vida pessoal, relacionamentos, não era capaz de conviver com aquilo tudo.” Mas não guardará suas dificuldades consigo, apenas. “Um dia eu vou contar tudo, daqui a 50 anos, no meu livro, antes de morrer”, diz, rindo.

Em outra conversa com a imprensa, Hamilton comentou que o tempo está passando e pelas mais diferentes razões só conseguiu um título mundial, em 2008, justamente no GP do Brasil. Assistiu a Sebastian Vettel, com 26 anos, conquistar os últimos quatro. “Imagino que deva ser mais difícil para quem é mais velho que eu, com 28 anos. Fernando tem alguns anos a mais (Fernando Alonso tem 32 anos), Mark (Mark Webber, da Red Bull, de despedida da competição, está com 37). Acho que eu tenho, ao menos espero, mais alguns anos de que eles para continuar tentando. Mas isso faz parte do jogo.”

Comentários (4)| Comente!

21/XI/13
São Paulo

Olá amigos. Esses dias de GP do Brasil eu faço tantas coisas, na área editorial e administrativa, que acabo por não poder dar a atenção que gostaria ao blog. Nenhum post ficará sem resposta. Preciso apenas de um tempo. Hoje conversei com Fernando Alonso. Tenho evitado realizar entrevistas com mais dois ou três jornalistas de nações distintas. Seus interesses, em geral, são bem diferentes dos meus. Mas com Alonso, hoje, fiz uma exclusiva, assim como com Lewis Hamilton e Nico Hulkenberg. Por hora coloco no ar o texto que redigi depois da conversa com o espanhol. Ele está no ar também na edição impressa do Estadão e no portal www.estadao.com.br. Nos próximos dias virão os demais textos. Boa leitura. Abraços!

O texto:

Sebastian Vettel é uma unanimidade na Fórmula 1. Venceu os quatro últimos campeonatos pela Red Bull com todos os méritos. Mas quando os carros deixarem os boxes, hoje, às 10 horas, para os primeiros treinos livres do GP do Brasil, em Interlagos, outro piloto gera nos profissionais da competição e em milhões de fãs no mundo todo o mesmo respeito dedicado a Vettel: Fernando Alonso, da Ferrari. Há até quem afirme que o espanhol é o piloto mais completo em atividade.

Nessa entrevista exclusiva ao Estado, Alonso falou sobre essa questão, ser considerado por muitos como o melhor, mas venceu seu último campeonato ainda em 2006, há sete anos, pela Renault. “Não tem outro remédio a não ser ter paciência. Às vezes é frustrante, às vezes considero normal. Há dias e dias. O que me resta é usar essa gana de ser campeão, essa raiva, no bom sentido, para trabalhar ainda mais e voltar a vencer”, disse.

Em outra entrevista ao Estado, Alonso disse que será preciso esperar o momento em que a Red Bull não dará um supercarro a Vettel para todos conhecerem “quão bom é o alemão”. Ontem, porém, defendeu o tetracampeão e usando como referência, surpreendentemente, o seu amigo, Mark Webber, companheiro de Vettel. Uma pergunta fica sempre no ar na Fórmula 1, a de quanto o fantástico carro que Adrian Newey, diretor técnico da Red Bull, entrega a Vettel pesa no tetra. “Webber com o mesmo carro não foi capaz de ganhar nenhum título, portanto está claro que Sebastian tem mérito por esses campeonatos.”

Quando acabar a corrida, domingo, Alonso terá disputado quatro temporadas pela Ferrari. Certamente imaginava já ter conquistado o título ao menos uma vez. E chegou perto, em 2010 e no ano passado, quando foi vice. Este ano fez duras críticas aos responsáveis pelo desenvolvimento do carro, no GP da Hungria, e criou uma crise na Ferrari. O foco agora é na próxima temporada. “Tenho de acreditar que a Ferrari vai produzir um bom carro para 2014.”

A pergunta é inevitável: e se não for? Há o risco grande diante da mudança radical do regulamento de uma equipe conceber um carro muito mais eficiente que as demais. “Paciência (expressão de quem está apreensivo). Farei como este ano. Quando vimos que Sebastian seria campeão, tivemos de colocar como objetivo terminar em segundo, eu e a Ferrari.” Quem conhece Alonso de perto sabe que abdicar compulsoriamente de lutar pelo título o transforma. Vai contra os seus instintos, razão de retaliar os responsáveis pela área de projeto do time e ser chamado atenção publicamente pelo presidente da Ferrari, Luca di Montezemolo, depois do GP da Hungria.

A partir daí passou a se referir à escuderia como antes, o grupo ganha e perde junto. Sobre esta temporada, por exemplo, mais uma em que teve de assistir a Vettel passear na pista a partir do GP da Bélgica – já são oito vitórias consecutivas, 12 no ano -, Alonso comentou: “Tenho de ver as coisas de maneira global e esportiva. Se merecidamente ou não o pacote Alonso-Ferrari não foi suficientemente bom para vencer a associação Vettel-Red Bull, tenho de tentar, agora, em 2014”.

Ainda que o potencial de cada modelo novo seja desconhecido, há um aspecto que anima Alonso em relação ao ano que vem. A responsabilidade do piloto no resultado deverá ser maior, segundo explica. “Algumas decisões caberão a nós pilotos tomarmos, teremos de tomar certas iniciativas, sem tanta interferência dos engenheiros ou da eletrônica.” O piloto não tem dúvida: “Exigirá maior preparação”.

Esse espanhol de 32 anos, nascido em Oviedo, não fala de sua vida pessoal normalmente. Aceitou, contudo, explicar por que tornou-se um homem tão mais feliz nos últimos dois anos, a ponto de viver intensamente as mídias sociais e fazer uma tatuagem de dimensões generosas nas costas. É um comportamento oposto ao conservadorismo até então demonstrado. “Você se torna mais maduro, experiente, passa a valorizar mais algumas coisas e menos outras.”

E aborda até mesmo a relação com a namorada, a bela modelo russa Dasha Kapustina. Os dois não escondem a paixão recíproca. “Dasha é uma pessoa importante, minha companheira. Fora dos dias de trabalho estamos sempre juntos.” A família deverá crescer. “Mas não por hora. No futuro, 100% sim.”

Em 2014 o companheiro de Alonso será Kimi Raikkonen. “Não conversei com ele, ainda. Sei que tem uma personalidade bastante reservada, talvez me relacione menos do que com Felipe, com quem mantenho uma relação de amizade.” O anúncio de que Raikkonen substituiria Massa foi feito em setembro e até agora nem Alonso nem o finlandês trocaram uma única ideia sobre compartilhar os trabalhos na Ferrari.

“Mas acredito que teremos uma relação de respeito mútuo.” Não há como não lembrar Alonso de que sua fama é de produzir o máximo se a equipe trabalhar em função dele. Ouviu o que não deixa de ser uma caricatura agressiva de seu caráter mas respondeu com elegância. “Como sempre, cada vez que mudo de equipe ou vivo nova realidade (como novo companheiro) depois de três ou quatro meses já começam a dizer que quero o time trabalhando para mim”, falou.

“Quem conquista o seu espaço é você, fazendo um grande trabalho, tanto dentro como fora das pistas. Vamos ver como será em 2014. Oxalá eu esteja acima dele.”

Comentários (34)| Comente!

Arquivos

Blogs do Estadão