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Sexta-feira, 31 de Outubro de 2014

01 de junho de 2014 20h00

Walmart e Google podem ‘roubar’ clientes de bancos

Tecnologia permite que empresas ofereçam serviços similares ao do setor tradicional, atraindo especialmente o público mais jovem

Por Agências

Danielle Douglas
THE WASHINGTON POST

Serviços pelo celular substituem os bancos. FOTO: The New York Times

Antigamente, os JPMorgans do mundo só temiam perder clientes para o Wells Fargo ou o Bank of America. Mas esse universo de competidores cresceu para incluir T-Mobile, Walmart, Google, e uma série de companhias de varejo, tecnologia e telecomunicações que já estão operando como bancos.

Estas iniciantes estão entrando no mundo bancário com cartões de débito pré-pagos que os consumidores podem usar para pagar contas, fazer compras e depositar cheques via câmera do celular – todas as coisas que podem fazer com sua conta corrente tradicional. E estão despertando o interesse de um grupo altamente cobiçado pelos bancos tradicionais: os jovens.

As empresas de pagamentos móveis ainda enfrentam alguma dificuldade para convencer o consumidor médio dos EUA que os pagamentos por celular constituem um serviço melhor. Para conquistá-los, as operadoras tentam responder às preocupações de segurança e atrair o grupo dos mais jovens que estão abertos a experimentação.

Uma nova pesquisa com quase 4 mil americanos feita pela Accenture revelou que 72% das pessoas entre 18 a 34 anos operariam com Walmart, Google ou T-Mobile se estes oferecessem serviços bancários.

Das quase 20 empresas sobre as quais os pesquisadores perguntaram, as pessoas se mostraram mais dispostas a contratar operadoras de pagamentos móveis como Square e PayPal em razão das relações que já mantêm com elas. Quase um terço dos pesquisados disse o mesmo sobre T-Mobile, Costco, Apple e Google.

Estas companhias possuem algumas coisas que poderiam realmente colocar uma ameaça aos bancos: uma base de clientes existente, escala, e a capacidade de adotar rapidamente novas tecnologias.

Considerem a T-Mobile, que tem 49,1 milhões de clientes sem fio, uma base estabelecida para a empresa de telecomunicações oferecer seu cartão de débito pré-pago. Muitos desses clientes usam telefones sem fiopré-pagos da T-Mobile (15,5 milhões) pelas mesmas razões que tornam os cartões pré-pagos atraentes: não há verificação de crédito nem contrato de longo prazo.

E com mais pessoas usando seus telefones móveis para transferir dinheiro ou tirar fotos de seus cheques para depositá-los, ter o mesmo provedor administrando a maioria dos passos nesse processo pode ser um atrativo.
Os pagamentos em todo o mundo feitos via telefone celular deverão aumentar 38% este ano para US$ 325 bilhões, em comparação com 2013, de acordo com a consultoria Gartner.

Em 2016, a região do Pacífico Asiático deverá ter o maior mercado do mundo no segmento de celulares, e as transações de pagamento por meio do aparelho deverão alcançar os US$ 165 bilhões, de acordo com o mesmo levantamento. Em seguida aparece a África, onde as transações devem atingir os US$ 160 bilhões no mesmo período. Os Estados Unidos ficarão em terceiro lugar e a Europa Ocidental em quarto.

Varejo
O grande fator transformador para bancos tradicionais é a lenta expansão do Walmart na atividade bancária de consumo. A maior cadeia de varejo do mundo ofereceu preços baixos todos os dias para desconto de cheque, transferências de dinheiro e contas correntes nos últimos anos.

Quando o Walmart se associou ao American Express para lançar o cartão pré-pago Bluebird como uma alternativa de baixo custo às contas correntes, a dupla atraiu um milhão de clientes em menos de um ano.

O Walmart lutou para conseguir uma carta bancária alguns anos atrás, mas foi frustrado por lobistas que foram radicalmente contra a varejista competir com os bancos tradicionais. Mas o Walmart pode estar rindo por último ao colher os benefícios de ser um banco sem as dores de cabeça de ser um banco regulamentado.

Estas ameaças externas estão chegando num mau momento para os bancos. Crescimento lento e custos regulatórios altos continuam a pressionar o retorno dos bancos sobre o capital, uma medida da capacidade do banco para extrair lucros do dinheiro de acionistas. E apesar da alternativa de tecnologia de pagamento poder interessar à unidade digital de um banco, a divisão de cartões deve temer que isso canibalize a receita, segundo pesquisadores da consultoria Accenture.

Os bancos já têm um pé no mundo digital, como vastas quantidades de clientes e dados de transações, e experiência em segurança, obediência dos regulamentos e processamento de pagamentos – que são difíceis de reproduzir, disse a Accenture. Mas os pilares que um dia sustentaram o setor muito acima do chão e longe de competidores de fora estão começando a ruir aos poucos.

/TRADUÇÃO DE CELSO PACIORNIK